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Mulher, Filha e Mãe

Sensibilizar (para) e apoiar (na) ansiedade e depressão na gravidez e no pós-parto

Tens Fraldas e não chegaste a usar? Então DOA!

É assim que a Associação Passo Positivo lança o desafio inerente ao seu Projeto Banco de Fraldas

 

Durante o mês de Outubro de 2017 existirão vários pontos de entrega espalhados pelo norte e sul do país (incluindo o Centro Mulher, Filha e Mãe), onde podem entregar fraldas que não chegaram a utilizar, quer para miúdos, quer para graúdos. Ou seja, se tiverem fraldas desde o tamanho mini de um recém-nascido ao tamanho máximo que um idoso possa utilizar, que não chegaram a usar, estejam ou não, empacotadas, apelo-vos que as doem à Associação Passo Positivo, que esta última, fará questão que essas mesmas fraldas sejam entregues a quem mais precisa e não tem. 

 

 

Este, tem sido parte de um grande trabalho realizado por esta associação: recolher as fraldas e levá-las a vários pontos de país, a famílias e instituições, que precisam dessas fraldas, para prestarem cuidados de qualidade a quem cuidam mas que não têm possibilidade de as adquirir. Seja na quantidade necessária, seja mesmo, no sentido lato da palavra. 

 

Quer quem tem filhos, ou pais (ou qualquer outra pessoa) a seu cargo, com necessidade de utilização frequente de fraldas, sabe várias coisas, uma delas... imediata: As fraldas são caras! E quando se precisa com muita frequência, e os recursos financeiros são escassos, esta conta torna-se complicada. Contudo, os malefícios que poderão afetar miúdos e graúdos devido à ausência de (troca de) fraldas são vários, e poderão causar-lhes desconforto vários, ser doloroso, e causar outros problemas associados. Alguns dos mais conhecidos são o "eritema da fralda" e a "maceração", ou seja, aquela mancha avermelhada que aparece na região perineal da pessoa. Para o cuidador, ou qualquer outro, pode parecer "só" um eritema de fralda, contudo, para a pessoa que o desenvolve é muito desconfortável, podendo tornar-se doloroso. Nos mais graúdos, a ausência da troca necessária de fraldas, pode potenciar o desenvolvimento de problemas como "úlceras por pressão" e "infeções urinárias", podendo levar a vários problemas associados, inclusive infeções mais extensas e graves, para além de toda a morbilidade associada ao desenvolvimento deste tipo de problemas.

 

As fraldas são importantes, mas nem todos os bolsos as podem pagar da forma como seria suposto. E aí, entra o trabalho de instituições como a Passo Positivo que apoiam este tipo de causas e fazem chegar às famílias e instituições que mais necessitam, este tipo apoio. Apoio esse que depende de vós, e da vossa possibilidade e vontade de ajudar.

 

 

Eu já doei as que tinha lá em casa da Madalena, e vocês, também vão ajudar?

 

Dirijam-se aos seguintes postos de entrega e efetuem o vosso donativo de fraldas quando possível:

 

Na zona sul:
 
  • Centro Mulher, Filha e Mãe (Lisboa, Avenidas Novas)
  • Loja do Umbigo (Odivelas)
  • Leva-me contigo (Oeiras)
  • O cantinho do Mimo (Almada)

 

 

Na zona norte:
 
  • Farmácia Paiva (Espinho)
  • Farmácia Pedra Verde (S. Mamede de Infesta)
  • Café Luanda - Matosinhos (Rua do Godinho)
  • Central Churrasco (S. Mamede de Infesta)

Sou mãe e estou em pânico. Será que sou capaz de cuidar deste filho?

Eis uma questão colocada por muitas pessoas, partilhada com terceiros, por poucas, e julgada socialmente por tantas outras. 

São inúmeras as vezes que as mães partilham comigo que estão em pânico. E a verdade, é que isto não me choca minimamente. Choca-me sim, a indiferença a este problema, como se, pouca ou nenhuma importância se deva dar a esta questão.

 

Deixa estar... não te preocupes, isso há-de passar! 

Não percebo porque estás assim... tens um filho lindo e saudável... que mais poderias querer? 

Nem vale a pena teres medo. Agora tiveste o teu filho, tens de cuidar dele e ponto. 

 

Estas, são só algumas palavras que "terceiros" ou "tantas outras pessoas" dirigem com frequência às mulheres que de alguma forma se manifestam neste sentido. Algumas palavras que as mulheres partilham comigo, muitas vezes com grande angústia associada, e sempre com um grande receio de serem vistas como sendo "más mães", porque é assim que se sentem ao viverem esta realidade (ou achavam que as mães ainda se sentiam felizes por se sentirem assim?!), e que terceiros as fazem sentir quando proclamam o tão comum "deixa estar...isso há-de passar". Ás vezes gostava de ser mosca e ver até onde é que este "deixa estar que isso vai passar" nos leva. Até onde é toda esta forma de lidar e de ver estas questões, leva estas mães? E estes filhos? Será que passa mesmo, ou simplesmente as pessoas aprendem a disfarçar para se enquadrarem numa sociedade onde reina o preconceito, e muita falta de conhecimento sobre esta temática? E... o que é que esse "deixa estar que isso há-de passar" causa à posteriori na família no geral? Todo aquele sofrimento outrora sentido.. para onde foi? O que causou, se efetivamente houve um pedido de ajuda ao qual não houve qualquer tipo de resposta? 

 

Bom... não sairia daqui com tanta pergunta que me inunda o pensamento, mas confesso que penso muito sobre o facto de ter nascido neste estranho mundo que  transmite às mães que não podem ser elas próprias no cuidar, mas que por outro lado, têm de cuidar em pleno e estar constantemente alegres e de sorriso feito na cara para receberem qualquer um, enfrentar qualquer situação e/ou resolver qualquer tipo de problema com elas, com os filhos e com as famílias. Como se fosse só carregar num botão...

Estranho mundo este que prefere o "deixa estar que isso há-de passar" nesta fase de vida, muitas vezes atentando em barda ao sofrimento pelo qual estas mulheres passam.

 

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Exige-se cuidado, mas não se permite que estas mulheres se cuidem. 

Exige-se vínculo, mas não se permite que estas mulheres tenham tempo para si.

Exige-se afeto, mas não se permite que se coloquem dúvidas e questões sobre problemas que surjam pelo caminho, mesmo que complexas do ponto de vista psicossocial. 

 

É mais ou menos assim que eu encaro a realidade atual no que concerne a este assunto, considerando em concreto as centenas de questões que já me chegaram via email, e pessoalmente, desde que fundei este blogue, e a formação que tenho feito em paralelo neste âmbito. 

 

A quem esta realidade de alguma forma possa chocar, a única coisa que posso dizer de momento é... informem-se! Podem sempre contactar-me via email, pois não hesitarei em esclarecer-vos. 

 

A quem esta realidade de alguma forma possa tocar, felizmente, as respostas começam a surgir. Dizer "não percas a esperança" já não é só semelhante à dificuldade severa de se ver a luz ao fundo do túnel numa área onde são raras as respostas concretas neste sentido, mas cada vez mais, se torna uma franca possibilidade. Mesmo quando a maternidade teima em não iniciar da forma como era o esperado, ela pode lá chegar. Portanto, não percam a esperança, mas agarrem-se a um franco pedido de ajuda e iniciem acompanhamento neste sentido porque sim, há solução! 

 

centro@mulherfilhaemae.pt

Á conversa com a Laura #3 - "A felicidade de se ser autêntica. E como a maternidade rima com autenticidade."

Um dia eu escrevi que, para mim, ser mãe é andar num monociclo à beira de um precipício e depois descobrir que afinal temos asas. E continuo a sentir isso em todos os momentos da minha ainda jovem maternidade: nos bons, nos muito bons, nos ruins, nos que apenas passam, nos maravilhosos... Em todos. Mesmo.

 

Vou vos contar um pouco da minha história. Sem filtros. Autêntica: quando a minha filha nasceu, naquela belíssima meia noite e um quarto de 13 de Fevereiro, não nasceu mãe nenhuma em mim. Eu detestei ser mãe quando a minha filha nasceu; eu só queria a minha vida "pré mãe": as noites de amor escaldante e carinhoso entre mim e o meu marido - que na altura eu chamava de namorado hehehe - ir jantar fora e depois ir beber copos até de madrugada e ficar a dormir até já não "caber na cama", o brunch numa esplanada solarenga e um mergulho na praia ou um cineminha romântico a dois... Só sei que de repente, a curvilínea e sensual Laura era do tamanho da baleia azul e tinha a graciosidade de um frigorífico combi que tinha a maravilhosa modalidade de servir leite quente de cada peito a uma bebé permanentemente ávida de atenção mas que eu grávida tinha imaginado permanentemente sossegadinha na sua alcofinha macia, o meu amante charmoso transformou-se numa insuportável criatura que me dizia sem parar para eu ter calma - que bom que era termos um interruptor do stresse instalado no nosso corpo!! - e os amigos íntimos e familiares queridos, atenciosos e preocupados tornaram-se numa miragem longínqua a partir desse dia.

 

 

Se houve algo que eu odiei das profundezas das minhas entranhas foi o início da minha maternidade e da nossa vida familiar: era para mim apenas um gigante cenário grotesco de uma mulher e de um homem ambos monstruosos e deformados sempre em guerra e a braços com uma bebé feita de nitroglicerina que eu tinha de estar sempre a pensar como desarmadilhar, numa casa caótica onde não existia mais comida nem banho nem descanso, por isso, sim, eu nesta altura e até cerca dos 4 meses da minha filha, estava sempre a tentar equilibrar-me no tal monociclo à beira do precipício... e caí. Caí numa depressão gigantesca e foi-me apresentada pela vida a mais dura e chorada forma de autenticidade: o ter de olhar para mim mesma sem máscaras nem fugas, num aqui e agora sem paninhos quentes, que só nos conduz a duas portas. A porta da existência em piloto automático e a porta do viver de verdade e na verdade. 


Eu escolhi a segunda porta que é por sua vez a mais dolorosa de abrir, aquela por onde passar nela nos rasga a pele e onde a luz que entra por ela nos queima os olhos, mas a que me levou ao caminho de eu ser adequadamente tratada e de conseguir uma rede de apoio com profissionais qualificados e especializados - psicóloga, psiquiatras, terapeutas de bebés, naturopata, Doula pós parto e outras terapeutas de vida - o maravilhoso Kundalini Yoga e meditação, que me fizeram finalmente perceber que afinal eu sempre tive, tenho e terei umas enormes, fortes e maravilhosas asas que me elevam a mim, ao meu amado marido e a minha filha e nos protegem a todos como família. E tanto o meu marido como a minha filha são também dotados dessas asas que os elevam e que me elevam e me protegem tantas vezes e que sabem tão bem! Noutros dias... As asas andam cansadas e fazem greve cá em casa e lá volto eu, o meu amado marido (para mim o melhor pai do universo e arredores!), aos equilibrismos no monociclo à beira do precipício onde a única diferença de há uns meses atrás é que já não caímos: já estamos treinados pelos melhores professores que foram esta rede de apoio e claro, a parentalidade! Esta nossa experiência e a nossa sabedoria entretanto despertada por todo este processo vivido na autenticidade.

 

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Mas o que é isto da autenticidade?

 

Para mim, é aceitarmos e nos responsabilizarmos por quem somos e o que somos, bem como a vida que temos, mas não nos conformarmos que somos "apenas" isso e que a vida não é um rascunho de um livro que nunca será editado. Nós e a vida somos aqui e agora, com as nossas virtudes, forças, frustrações e medos, sem necessidade de máscaras ou armaduras do nosso "modo sobrevivência", pois a vida só é vida, só é vivência em pleno na autenticidade.

 

Por isso na minha opinião, a maternidade só é bem vivida na autenticidade. Sem floreados nem fantasias mágicas, sem bruxas más nem monstros. Apenas sendo como ela é: feminina e flutuante, furiosa e terna, quente e fria, doce e amarga, emocional e potente, empoderadora e infinita... Autêntica. Não dá para fugir da maternidade! E então ela nos transforma, colocando a nossa essência à vista, iluminada e poderosa.

 

E foi através desta autenticidade que desde os 5 meses da minha filha, eu descobri o que é amor incondicional, o que é amor autêntico, por ela, pelo pai dela e por mim. E sim, pela minha filha é simplesmente um amor que de tão infinito que é, dói tanto quando transborda neste corpo humano finito mas cuja alma, também tão infinita, rejubila e que mesmo nos momentos mais complicados, agradece, aceita, se transforma e evolui. 
E é este amor tão autêntico por mim e por nós que me transformou na mulher e na mãe autêntica que eu agora sou. Sem filtros. Uns momentos tão carinhosa e calma e noutros tão feroz e brava, mas sempre de bem comigo mesma.

 

Obrigada maternidade por me teres feito rimar com autenticidade! 

Á conversa com a Ana #9 - "Gratidão."

Gratidão. É uma das emoções que mais tenho sentido ao longo do meu processo de cura. Todos os dias reconheço, no meu íntimo, que sou imensamente felizarda por tantas mãos que se estenderam, e que continuam a estender-se, para me ajudar.

 

Sempre me considerei uma pessoa independente. Eu e o meu marido gostamos de estar com os outros, mas também tínhamos um certo sentido de independência e proteção do nosso espaço. Do género, “quando a C. nascer não queremos muitas visitas, o pessoal a andar lá por casa. Queremos estar sozinhos, a curtir essa etapa tão importante das nossas vidas”. E fizemos isso. A C. nasceu e fechamos-nos ao mundo, acreditando que esse seria o passo mais natural a dar. Mas, no nosso caso, não foi.

Redescobri que somos muito Mais quando estamos em comunhão com todos os outros. Ninguém é verdadeiramente independente. Estamos agarrados uns aos outros. E isso é tão, mas tão maravilhoso! Por isso, só posso agradecer a todas as mãos que se estenderam.

 

Agradeço à minha médica de família que, dentro do que lhe foi possível, ouviu-me e acompanhou-me.

 

 

Agradeço à minha psiquiatra, a primeira mão decisiva que a vida estendeu-me. Obrigada pela empatia com que me ouviu e pela forma como organizou logo o meu plano de tratamento. Não me mostrou apenas que precisava de ser medicada, mostrou também que o tratamento para funcionar precisava do apoio dos outros. Mostrou que o caminho de cura não era sozinho, mas sim envolto de quem mais perto estava, no meu caso os pais, os sogros e o marido.

 

Agradeço à minha psicóloga. Durante todos estes meses, ajudou a acalmar a minha mente e o meu coração.

 

Agradeço aos meus amigos. Nunca senti que algum de vocês me estivesse a desamparar. Nunca senti críticas ou julgamentos. Pelo contrário, senti todo o vosso amor sempre que me ligavam ou mandavam sms. Tantas vezes eu não atendi mas vocês não desistiram. Respeitaram mas mostraram que estavam ali, se eu precisasse. Obrigada por todas as vezes que vocês atenderam as minhas chamadas e ouviram-me, por todas as vezes que se encontraram comigo para que eu saísse um pouco de casa.

 

Agradeço aos meus familiares. Obrigada por ligarem, por se disponibilizarem para ficar com a C. caso precisássemos descansar ou sair.

 

Agradeço às minhas duas terapeutas de Shiatsu. Que diferença fez poder incluir o Shiatsu no meu tratamento! O toque mágico do Shiatsu e as nossas conversas permitiram conectar-me de uma forma muito íntima (e terapêutica). Ajudaram-me a compreender a depressão com o coração. Ajudaram a arrumar, dentro de mim, a imensa culpa que sentia. Ajudaram a ligar o meu coração ao da C. Não me esqueço de uma das sessões, das primeiras, em que senti, durante a sessão, e a partir desta, um imenso amor por mim e pela C.

 

Agradeço aos meus sogros. As refeições, quentes, acabadas de cozinhar, que nos trouxeram, as vezes que ficaram com a C. para eu puder apanhar ar, as vezes que não dormiram, e ficaram com a C, para nós dormirmos, as vezes em que passei o dia em vossa casa, durante a semana, para não ficar sozinha com a C.

 

Agradeço à minha mãe. Tantas, mas tantas vezes estendeu-me as mãos. As refeições que nos preparou, a empregada que nos arranjou para limpar a casa (e que cá continua), as fraldas, leite, roupa para a C. que comprou, todas (e foram muitas) as vezes que ficou com a C. durante a noite para nós dormirmos. Chegou a sair de casa, perto da meia-noite, porque desesperados, cansados, já não tínhamos forças para acalmar e adormecer a C.

 

Agradeço ao médico que agora me acompanha, nesta fase de recuperação da minha forma física. Há poucos meses atrás estava em baixa forma. Hoje já corro 15 minutos, faço flexões, pranchas. O corpo ganha força, resistência e tônus muscular. A corrida é a minha meditação.

 

Agradeço à Ana, autora deste blogue. Sem ela eu não teria encontrado um espaço que me devolveu empatia, compaixão e compreensão. Obrigada pela tua coragem em partilhar a tua história e de criares um espaço (o único) que aborda este tipo de vivências. És uma pessoa muito especial, minha querida Ana.

 

E, deixo para o fim, o meu companheiro desta vida. A ele agradeço tudo. De ti já te conhecia a tua sensibilidade, a capacidade de te colocares no lugar do outro, a ternura, o sentido de partilha e entreajuda, a honestidade. Mas esta experiência mostrou-te ainda mais. Uma pessoa única, a que melhor me compreende e um pai excecional. Nunca me desamparaste, levaste-me no teu colo, embalaste-me.

 

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Diz-se que é preciso uma aldeia para educar uma criança. Digo mais: é preciso uma aldeia para embalar uma criança, um pai e uma mãe. E eu tive (e continuo a ter) esta rede. Muito obrigada a todos.

Associação Passo Positivo: Já conhecem?

Passo Positivo nasceu para colmatar lacunas de intervenção na área da exclusão social criando uma estrutura de voluntariado para o lançamento de campanhas de angariação de produtos destinados aos utentes das OSFL, organizar parcerias para o fornecimento de serviços de prevenção de acidentes domésticos na área da saúde e bem-estar das famílias carenciadas e desenvolver ações de formação para capacitar profissionais nos domínios da intervenção humanitária e da cooperação e desenvolvimento.

 

 

A sua atividade assenta, atualmente, em três pilares principais e um de suporte:

 

Projeto Banco de Fraldas - Apoio a famílias portuguesas desfavorecidas e em situação de exclusão social que necessitam de ajuda face às dificuldades do quotidiano, quer a nível social, quer de saúde e bem-estar. A recolha de fraldas é centralizada no território nacional, com posterior distribuição targetizada a instituições devidamente analisadas. 

 

Projeto Vizinhos - Criação de equipas comunitárias de "vizinhos" constituídas por voluntários que atuam no sentido de prevenir e diminuir riscos e acidentes. Incidem maioritariamente sobre a camada idosa e pessoas com dependência física. 

 

Projeto Humanitus - Projeto para profissionais humanitários, de cooperação e desenvolvimento. Consiste na expansão da área humanitária através de eventos científicos, livros, filmes, formação especializada e promoção de atividades. 

 

Palestras e Workshops - Pilar de suporte que acompanha todos os projetos referidos anteriormente. Este abrange desde palestras de intervenção de Acidentes Domésticos e Workshops na área humanitária, até Palestras sobre voluntariado genérico ou destinadas a um projeto específico. 

 

Neste sentido, a Passo Positivo contactou-me para uma possível colaboração com o Projeto Banco de Fraldas, ficando o Centro Mulher, Filha e Mãe como um ponto de angariação de fraldas em Lisboa durante o mês de Outubro

 

Considerando a elevada necessidade e carência de fraldas das quais tenho conhecimento, assim como, o ótimo trabalho que a associação tem realizado no sentido de contribuir para a sua diminuição com este projeto, fez-me sentido imediato colaborar no que fosse necessário.  

 

Brevemente farei um texto dirigido a este projeto, mas até lá, porque não vêem este pequeno vídeo que já vos deixará mais elucidados sobre o presente projeto? 

 

 

Ser mãe

Numa das sessões de um dos grupos de grávidas e recém-mães, um dos temas que se falava era sobre a relação das grávidas e recém-mães com as suas mães. 

 

Foi percetível a forma como havia tanto assunto a desenvolver e que aquela hora não iria dar nem para metade. Contudo, várias foram as questões que se abordaram e os subtemas que se falaram. No sessão posterior a essa, uma das grandes mulheres com quem tenho tido o privilégio de me cruzar nestes grupos que dinamizo, pediu-me para ler uma carta que escreveu após a anterior sessão. Fiquei surpreendida, não estava à espera, e ao mesmo tempo, adorei o facto de o ter feito, e tal, foi expressamente manifesto no meu olhar. Mas não foi só isso que expressei. Há medida que ela foi lendo a carta, houve algumas lágrimas que fui contendo, mas que juntas espelhavam no meu olhar o que a minha alma refletia: gratidão por poder fazer o que faço. 

 

Esta carta representou isto para mim, e representou muito mais. 

 

Pedi-lhe autorização para a publicar, pois embora não a estejam a ver a ler e a verbalizar estas palavras recheadas de emoção e de muita história, de certo que conseguirão compreender o impacto que as mesmas têm. Especialmente, porque muitas das pessoas que estão desse lado, e que leem muito do que publico neste espaço, são mães. 

Para além disto, sei que muitas das mulheres que sofrem em silêncio com alterações emocionais na gravidez e no pós-parto, podem-se identificar com esta carta, que é tão própria da história desta mulher, mas também tão comum a tantas histórias de outras mulheres. 

 

Também querem partilhar algo comigo e/ou no blogue? 

centro@mulherfilhaemae.pt

 

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Ser mãe é uma dádiva.

 

 

Ver a minha filha a crescer, a aprender a andar, a imitar o que dizemos e a descobrir o mundo....

Sinto-me grata por poder ter esta experiência, mas não é fácil. Todos os dias me sinto a improvisar. Todos os dias sinto que falho em alguma coisa, que podia ter dado mais de mim. Devia ter tido mais paciência, devia pensar mais nas comidinhas dela, não a devia ter deixado tanto tempo na creche, devia ter-lhe dado mais mimos, por que me perco eu com outras coisas?

 

Há uns tempos alguém me disse que ser mãe é aprender a viver cheia de arrependimentos. É assim que eu me sinto. Sempre.

Vivo com medo de falhar e de ser uma má mãe. E se a estrago? E se ela cresce e odeia a mãe, como eu tantas vezes odiei a minha? E se não a ensino a ser boa pessoa? Será que ela vai ter orgulho em mim, ou se vai irritar com os meus defeitos? E se eu não lhe conseguir dar tudo o que ela merece? E se dou demais e ela não aprende a lutar por ela própria? Mas eu não queria que ela lutasse, é a minha bebé e eu quero-a no meu colo para sempre. Tenho medo que ela sofra... E se eu for fraca e a deixar fazer de mim o que quer? E se eu for demasiado dura com ela? Saberei dar disciplina e amor? E se eu for uma mãe igual à minha? E não for? Quem sou eu para ensinar alguém? Eu sou só uma miúda...

 

Tenho tanto medo e não conto a ninguém. Como pode uma mãe ter medo? As mães são fortes, só choram à noite, sozinhas, quando todos já dormem. Sinto que esperam tanto de mim, mas eu esperava tanto que me ajudassem nisto...

Todos esperam que eu saiba tudo, e eu finjo que sei. Finjo tão bem. Finjo que sei o que fazer quando a minha filha chora, quando está doente, que sei o que ela precisa de vestir, comer, quanto deve dormir, finjo que sei como a educar. Ponho a minha cara confiante e finjo que não tenho medo. Mas eu sou só uma miúda...

Como posso eu ser mãe de alguém se, quando a vida me deita abaixo, a primeira coisa que penso é quero a minha mãe?

Á conversa com a Laura #2 - Olá tristeza! Olá revolta! Olá cólera! Olá solidão... Vamos conversar?

Após a minha filha nascer, ainda no internamento na maternidade, eu sentia um turbilhão de emoções desconhecidas da Laura. Eu pensava (ou idealizava) ser por isso que eu não entendia nada do que se estava a passar comigo, no meu coração e na minha mente, que eu até então pensava conhecer perfeitamente e profundamente após quase cinco anos de psicoterapia psicodinâmica. Parecia que eu apenas existia através de um corpo físico, de uns olhos, de um cérebro e de uma vida que não eram a Laura que eu pensava (ou queria) ser, e por isso, eu contrariei o mais que pude até quebrar psicologicamente, todas - TODAS - as sensações e emoções que eu considerei menos positivas e não condizentes com a tal Laura sempre feliz, alegre, lindíssima, forte, extraordinária, ativa, inteligente, pioneira, presente, expansiva, livre, descontraída, assertiva, organizada, saudável e extremamente perfeita que eu pensava e queria muito na altura ser. Rejeitei a minha profunda tristeza por ter tido o parto que eu não queria para nós os três; relevei a minha imensa revolta por não ter a rede de apoio familiar e de amigos que eu achava que devíamos ter; escondi a minha intensa cólera por não estar a compreender nem a lidar de forma positiva com a nossa bebé nem com a minha maternidade e a parentalidade no geral; ignorei a minha dorida solidão que eu sentia em todos os meus átomos e em toda a minha alma apesar de pensar intermitentemente "Laura tu tens aqui a tua tão desejada filha e o teu amado marido junto a ti!".
 
Enfim... eu não me permiti um único segundo a ser eu mesma com tudo o que eu sentia naquele momento e que eu "não sabia" que era (e continua a ser) de meu direito. De nosso pleno direito! Das mães e dos pais. E até dos avós ou da família toda!
 
E o resultado de eu não escutar todos estes sentimentos, no meu ponto de vista, não foi positivo nem saudável: resultou numa depressão pós parto muito acentuada e profunda com ansiedade generalizada e um esgotamento nervoso.
 
Por isso, considero que é essencial permitir-mo-nos a nós mesmas, sermos sempre autênticas connosco e com o mundo. Isto não quer dizer que quando aborrecidas, comecemos a disparar pedras em todas as direções ou a isolar-mo-nos entre os lençóis da nossa cama dias ou meses a fio em depressão, não. Isto quer dizer que quando as nossas emoções e sensações surgem, sejam elas quais forem e seja de forma lenta ou abrupta e de repente, devemos olhar para elas sem filtros nem julgamentos e escutar o que as mesmas nos dizem, porque todas as emoções e sensações - TODAS - trazem informação e revelações preciosas para o nosso próprio entendimento e auto conhecimento, bem como o entendimento e o conhecimento do outro e do mundo e isso traz-nos aceitação, compreensão, desenvolvimento, crescimento, gratidão e evolução. E isto não é concordar com tudo o que nos acontece, isto é, apesar de muitas vezes não concordarmos ou não nos fazer sentido, aceitar que é este o sentimento e é necessário senti-lo mesmo, canalizar a sua energia e transformá-la em algo saudável. Isto é "apenas" trazer uma imensa empatia, tolerância, respeito e amor connosco mesmas e com os outros! É preciso abraçar as nossas dores com carinho, reflexão e consciência para as canalizarmos e as transformar em atitudes positivas, saudáveis, firmes, carinhosas, amorosas e pacíficas para nós mesmas e para os demais.
 
E quando não se consegue fazer isto naturalmente e espontaneamente, é necessário solicitar ajuda especializada. Solicitar ajuda é a mais corajosa forma de escutar as nossas dores, quaisquer que estas sejam.
 

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E depois... depois é treinar e praticar com determinação o diálogo com estas energias vindas de toda as nossas emoções e sensações, canalizá-las de forma consciente e assistir à sua transformação em um bem estar nas nossas vidas e nas dos que nós amamos e certamente, um dia, também na vida da humanidade, de uma forma fluida, tranquila e prazerosa.

Acreditar que é possível e lutar para que assim o seja: um novo projeto está a chegar!

Foi com esta convicção que saí da consulta de obstetrícia, seis semanas após ter tido a minha filha. 

Acreditei que fosse possível fazer alguma coisa para me sentir melhor, considerando os confusos, intensos e sofridos primeiros dias e semanas após o parto e as respostas nulas que senti que o sistema nacional de saúde tinha para me oferecer e à minha família. 

 

Foi também com esta convicção que criei este blogue. 

Acreditei que fosse possível conhecer outras mulheres com experiências semelhantes, e acima de tudo, que fosse possível promover a disseminação de informação  e a sensibilização para a saúde mental no período perinatal.

 

Foi exatamente com esta convicção que concorri para ingressar no Mestrado em Enfermagem de Saúde Mental e Psiquiatria.

Acreditei que fosse possível aproveitar esse tempo e espaço para aprender mais em teoria e na prática e para poder continuar com o trabalho que estava a ser realizado, através do blogue e a nível presencial, com as mulheres e famílias que me contactavam.

Acreditei que fosse possível aumentar a qualidade do trabalho a ser realizado e que fosse possível fazer algo mais. Ainda havia e há tanto para fazer!

 

Foi com esta convicção que terminei o Mestrado.

Havendo tanto para fazer, e havendo caminho para tal, acreditei que fosse possível continuar a lutar para produzir algo mais e de qualidade associada. Não só através do blogue, mas também por outras vias. O Mestrado foi necessário, e tem-se revelado uma grande mais-valia a vários níveis. 

 

É com esta convicção que estou a desenvolver um novo projeto profissional.

Acredito ser possível que este projeto possa dar uma resposta qualificada e estruturada considerando as fortes carências de apoio no âmbito da saúde mental no período perinatal.  

 

Este projeto envolve uma missão, um espaço, várias iniciativas, atividades específicas, e é fruto do trabalho contínuo, apaixonado e dedicado, que tenho vindo a desenvolver ao longo dos últimos anos. 

 

Brevemente será divulgado em específico no que consiste e que tipo de respostas virá oferecer. 

Até lá, deixo registado alguns momentos que têm marcado esta grande, intensa e transformadora viagem. 

 

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A estudar para a discussão pública do relatório final de mestrado no espaço, e a dar apoio à obra. Feliz :) Aqui, sinto-me em casa.

 

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O chão flutuante que tardou em chegar por tantos motivos... Não gostei do serviço de entregas da Leroy Merlin! 

 

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O espaço que começou a ficar diferente quando o branco se impôs.

 

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E a tão pouco tempo do final das obras ainda havia tanto para fazer... obras! :/

 

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As várias viagens em que a minha princesa teve de me acompanhar para transportar coisas para a obra! Parecia-vos muito chateada? Andou radiante! 

 

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A pouco e pouco o espaço começou a ganhar a cor que havia imaginado... mas estava longe de terminar a tempo.

 

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E ainda hoje eles lá estão, a dar mais cor ao logradouro e a dar os últimos retoques. Mas será que isto não tem fim? Eu só quero que estas obras terminem!! Tenho tanto trabalho pela frente...

 

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Ainda há tanto para limpar... e alguns retoques finais por fazer. Mas... vamos a isto que amanhã está cá a transportadora com os móveis...

 

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Ansiosa por montar tudo isto e continuar a trabalhar neste projeto... agora com espaço específico e adequado para o efeito! ;)

 

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E no meio de tudo isto, de toda esta confusão, de todo este zig zag de voltas, de transportes e decisões, a minha princesa esteve sempre a meu lado com este sorriso maravilhoso que aligeirou qualquer problema e que me fez focar a atenção naquilo que é verdadeiramente importante, e que é a essência deste projeto - que foi completamente estimulado pela chegada deste meu tesouro. 

 

Sem possibilidade de evitar que andasse sempre para trás e para a frente neste rodopio, a verdade é que no meio de tudo isto, associar esta experiência às idas aos baloiços, às brincadeiras no parque, na rua que envolve o espaço, à ajuda, às conversas sobre os porquês das diversas coisas a que assistia, os passeios de "cicleta" (que é como quem diz, o triciclo), e acima de tudo, o estarmos juntas, compensou cada momento menos positivo, embora seja claro que tenha tornado mais complexa toda a logística associada ao apoio à obra. 

 

Adorava abrir o espaço ao público quanto antes, mas parece que vou ter de adiar mais uns dias do que o previsto, pois antes disso, ainda há muito, muito, muito para contar, detalhar e esclarecer neste sentido! 

 

Mais notícias em breve! 

Á conversa com a Laura #1 - O nascer de uma mãe. Ou a transformação de uma mulher?

Passados quase seis meses do nascimento da minha filha, eu agora sei e compreendo que eu senti e vivi - e por vezes ainda sinto e vivo - como se eu tivesse morrido após ela nascer e que eu fiz um profundo luto sobre a minha "morte" ao longo dos meses: o meu tempo pessoal acabou, o meu sono não é contínuo, o meu corpo não é o meu corpo, o meu pensamento não é assertivo, a minha casa não é arrumada, os meus lugares não estão alcançáveis, a minha identidade desapareceu... Quem sou eu? Onde eu estou? A Laura?? A Laura morreu.

O meu coração pulsava, os meus pulmões oxigenavam e a minha vida corria à velocidade da luz, escorregadia como a fina areia que nos desaparece entre os dedos das mãos quanto mais a queremos agarrar, mas eu não estava aqui. Eu não estava em lado nenhum. Sentia-me as cinzas de uma árvore, outrora enorme, esbelta, poderosa e repleta de flores, agora queimada após um terrível incêndio, feita louca à procura das minhas raízes, mas preferindo deixar o que restava de mim, voar. Voar para o infinito e para sempre.

Um misto de querer controlar e fugir, um misto de existir e desaparecer, um misto de euforia e de horror; uma bipolaridade permanente que tanto caracteriza as minhas inúmeras máscaras com que eu disfarço as minhas latejantes feridas emocionais, mais antigas que o universo, a que se dá o pomposo nome de transtorno bipolar, mas que é muito mais que um transtorno neurológico: é morar no mais rápido elevador alguma vez criado entre o céu e o inferno.

Sentia que não tinha nascido raio de mãe nenhuma em mim!!! Eu sentia era que eu tinha morrido!

E depois?

Depois, eu não morri. Eu transformei-me.
Através da consciência do meu amado marido e maravilhoso pai da nossa bebé, da minha força de vontade e determinação em querer viver e não apenas existir em negação e juntamente com uma indispensável rede de apoio de profissionais e entidades competentes que me ajudaram e me continuam a ajudar e muito, Kundalini Yoga e meditação, o conhecimento "sem filtros" de mim mesma e a tomada da minha consciência pessoal, foi como que acordar de um longo sonho - ou pesadelo? - e percebi: Eu não morri nem sou apenas a mãe da minha bebé. Eu sou Eu. Com todas as minhas plenas virtudes e os meus plenos defeitos. Eu acertei e errei. Eu adorei e detestei. Eu consegui e desisti.
Eu sou.
Eu sou uma mulher, sou a mãe da minha amada bebé, sou uma filha - a minha mãe guarda-me onde quer que ela esteja para lá da Terra e eu estou em vias de perdoar o meu pai, onde quer que ele esteja aqui na Terra - sou uma amiga, sou a amante do meu amado marido, sou uma pessoa, sou luz, sou alma, sou coração, sou o meu corpo, sou consciente, sou poderosa, sou sábia, sou honesta, sou sincera, sou linda, sou sim, sou não, tenho a certeza que sou, não sei bem se sou, sou verdadeira, sou força da natureza e sou amor. Sou nada e sou tudo. Tudo e nada o que eu quiser.

Que liberdade!

 

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Isto é o nascer de uma mãe.

De eu ser mãe. De tu seres mãe. De ela ser mãe e de elas serem mães. Da tua mãe. Da mãe da tua mãe. De tu como mãe de ti mesma - e por vezes também pai.

Eu não sei bem quem era e agora sou uma mulher plena. Agora eu sou uma mãe. Foi e é tão duro e tão maravilhoso.

Que bom que eu "morri"! Que bom que eu me tornei mãe.

Á conversa com a Ana #9 - "Após a redução da medicação... corpo, mente e coração tranquilos"

Em Abril passado fui a mais uma consulta com a psiquiatra e concordamos em reduzir a dosagem do comprimido que tomo todos os dias religiosamente. A médica avisou-me de que, dentro de 2 meses, poderiam manifestar-se sintomas semelhantes aos que senti no início da depressão, bem antes do começo do tratamento. Ou seja, insónias, cansaço extremo, irritabilidade, descontrolo emocional, fome emocional, só para falar dos mais evidentes.

 

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Em Agosto passado quando deixei de tomar um dos comprimidos, passei duas semanas em plena ressaca. Foi horrível, mas passou. O corpo reajustou-se, encontrou um novo equilíbrio. Por isso, desta vez, não me preocupei. O que vier virá, pensei eu.

 

E, dois meses depois, a ressaca chegou. Um dia estou bem, para no dia a seguir, e durante uma semana, o corpo viver sob uma tensão física e emocional enorme. Parece que o corpo está no limite. Dores de cabeça, náuseas, dores musculares, variações muito grandes no apetite, sono mais leve, com muitos sonhos, intensos, acordando com a sensação de que não descansei o devido, facilidade em comover-me, ficar sentida e com a lágrima do canto do olho e uma sensação constante de cansaço e falta de energia. Estive em modo de sobrevivência, conseguindo apenas fazer o mínimo, o essencial, o indispensável.

 

Conseguia apenas ir trabalhar, cuidar da C., jantar e atirar-me para cima da cama. E já isto foi feito com muito esforço. Sentia que só me apetecia ficar encolhida na cama. Cada ação que realizava parecia que consumia todas as minhas energias. O que me ajudou foi saber que iria passar. Que era apenas o corpo em privação e que, daí a algum tempo, ele iria encontrar uma nova normalidade.

 

Agarrava-me a esse pensamento sempre que sentia que estava no limite, sempre que me sentia miserável, com todo o meu corpo a reagir violentamente à redução.

 

Houve um dia, o mais duro, em que a tensão atingiu o limite máximo. Nesse dia nem sequer consegui cuidar da C. Às 18h00 fui para a cama, exausta, nauseada, a tremer. Encolhi-me e ali fiquei. Pensei que iria passar, para aguentar só mais um bocadinho.

Nessa noite dormimos todos mal, incluindo a C. No dia seguinte acordei, sentia-me cansada por ter dormido mal, mas a tensão que o meu corpo vinha a sentir desapareceu. Já não sentia mais nada. A tempestade foi-se formando durante dias, atingiu o ponto máximo para, de seguida, desaparecer. Nesse dia deitei-me cedo, logo a seguir à C. E no outro dia estava tudo bem, tudo normal. O corpo, uma vez mais, encontrou um novo equilíbrio. Corpo, mente e coração tranquilos.

 

Caramba, a medicação mexe com o corpo cá de uma maneira! E eu, sempre tão avessa a medicamentos, há quase dois anos que eles fazem parte de mim. Quando iniciei o tratamento tomava 3 medicamentos diferentes. Hoje tomo 1 e, mesmo este, já é em menor dosagem. Durante esta redução progressiva da medicação, e os sintomas de privação, o meu amparo tem sido a minha querida psicóloga e a minha terapeuta de Shiatsu. A minha gratidão para as duas!