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Mulher, Filha & Mãe.

Uma Mulher, que reviveu intensamente o seu papel de Filha, quando foi Mãe. E querem saber o resultado?

Mulher, Filha & Mãe.

Uma Mulher, que reviveu intensamente o seu papel de Filha, quando foi Mãe. E querem saber o resultado?

Adoro o meu filho, mas estou sempre tão zangada e irritada!

Acabaste de ser mãe. 

 

Ninguém duvida do amor que sentes pelo teu filho, especialmente tu. Mas a verdade é que te sentes sempre tão zangada e irritada. Por vezes, capaz de berrar com o teu bebé. Não só és capaz como já gritaste com o teu bebé. Várias vezes.

E cada vez que gritas, e te zangas, mais zangada e irritada ficas.

E cada vez que gritas, mais te questionas sobre porque o fazes. 

E cada vez que gritas, mais te culpas. Mais culpada te sentes. 

 

É como uma bola de neve. 

E essa bola de zanga e irritação está a crescer.

E quanto mais cresce, mais desorientada ficas. 

E quanto mais cresce, mais dúvidas tens. 

E quanto mais cresce, mais confusa te sentes. 

 

E aí, sentes que não sabes o que fazer. 

Falas com o teu marido? Com a tua mãe? Com a tua melhor amiga? 

Será que alguém me vai compreender? - questionas. 

Tens um filho saudável, amoroso. E estás zangada. 

E quanto mais olhas para ele, mais zangada ficas. 

E quanto mais olhas para ti, mais irritada te sentes. 

E quanto mais irritada te sentes, mais culpa absorves. 

 

Não sabes se isto vai ter fim. Questionas a opção de ter sido mãe. Mas por outro lado, foi o que sempre quiseste. Ou então, será que querias mesmo? - questionas. 

 

As perguntas aumentam e as respostas não aparecem. 

E continuas sem saber com quem falar. 

 

E quantas mais dúvidas tens, mais irritada ficas. 

E quantas mais respostas se ausentam, mais zangadas te sentes. 

 

Mas será que isto vai parar? 

Serei boa mãe? 

Serei a mãe que o meu filho precisa? 

Tenho medo de ficar sozinha com ele. 

Mas não era suposto eu ser capaz? 

Pensas.

 

E quanto mais te observas, mais culpa sentes. 

E quanto mais culpa sentes, mais zangada e irritada ficas. 

 

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Mas lembra-te - agora digo-te eu - que essa zanga e irritação poderão ser naturais nesta fase. Ou então, poderão estar a perturbar-te demais, e se assim for, pedir ajuda é mesmo o melhor remédio. Porque por mais pequena que possa parecer, é sempre melhor do que nenhuma ajuda ter. 

 

 

Texto baseado nesta notícia

"Pedi ajuda quando já não dormia há várias noites e já tinha perdido 14kg"

Tive poucas palavras para devolver a esta leitora, quando comentou o texto "Depressão Pós-Parto: Quando é que pediram ajuda?".

 

Contudo, uma coisa é certa, o pedido de ajuda que aclamou por iniciativa revelou muita da sua coragem e vontade de tratar o que a andava a fazer sofrer, aparentemente, há alguns anos. 

 

Já não é a primeira vez que são partilhadas por aqui, vivências de mulheres que levam meses e/ou anos a conseguirem assumir o sofrimento que sentem neste âmbito, sem que qualquer um à sua volta compreenda o que se passa. Pois tal como abordei há pouco tempo, não é pela expressão, ou por um ou outro encontro, que se percebe facilmente se alguém está a vivenciar uma depressão pós-parto. Portanto, para além das poucas frases que escreveu e que muito revelam em termos emocionais, eu também só lhe posso agradecer por ter tido a coragem de partilhar connosco parte do que sentiu contribuindo para aumentar a sensibilização das pessoas que consultam o blogue para o tema. 

 

E vocês, quando é que pediram ajuda?

blog@mulherfilhamae.pt

 

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"Pedi ajuda quando já nada importava para mim.. nem eu nem os meus dois filhos.
Pedi ajuda quando já não dormia há várias noite e já tinha perdido 14kg.
Pedi ajuda quando vi que sozinha não conseguia.


E passados quase dois anos e com a vida composta e até uma vida que se pode dizer normal.. e feliz (sim.. feliz) continuo a precisar de ajuda porque ainda não consigo desligar-me, controlar e evitar remexer com os pensamentos sobre tudo o que passei e senti e vivi."

Serviços de apoio a pessoas com experiência de Blues, Depressão e Ansiedade Pós-Parto.

Vamos responder a este questionário? 

 

O seu grande objetivo é conhecer um pouco da vossa experiência e opinião neste âmbito, contribuindo estes dados para se aprimorar um projeto que está a ser desenvolvido neste segmento.

 

Não demora mais do que 3 minutos e pode ser muito útil para muitas mulheres, bebés e respetivas famílias num futuro próximo! 

 

Conto com todos vós!

 

Para responderem ao questionário também podem clicar aqui

 

Qualquer dúvida/questão:

blog@mulherfilhamae.pt

 

 

 

 

Conseguem dizer que alguém tem uma depressão pós-parto pela sua expressão?

A fundadora da PostPartumProgress.org - Katherine Stone - pediu à comunidade que a segue e que já passou por algum problema relacionado com a saúde mental perinatal para que partilhassem fotos relativas ao período em que foram diagnosticadas e que combatiam algum problema do mesmo âmbito. Ao partilharem a foto tinham de preencher os espaços em branco da seguinte frase: 

 

"Quando esta foto foi tirada eu estava a sofrer de ___________________. Não consegues aperceber-te pela foto, mas eu senti/estava a passar por______________________."

 

Uma iniciativa extremamente interessante e que apelou à partilha de uma série de mulheres que ao mostrarem as várias fotos e ao preencherem a respetiva frase, mostraram como é contraindicado avaliar a presente problemática de forma parca, superficial e ligeira, olhando simplesmente para alguém. É muito mais para além disso, sendo que o sofrimento vai muito mais para além do que o nosso olhar (muitas vezes) consegue alcançar. 

 

Ganhem alguns minutos do vosso dia e vejam algumas dessas fotos aqui. De certo que vão ficar surpreendidos! 

 

 

Da minha parte, dou também o meu contributo! E vocês, querem dar o vosso? 

blog@mulherfilhamae.pt

 

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Quando esta foto foi tirada eu estava a sofrer de um forte baby blues. Não consegues aperceber-te pela foto, mas eu sentia um grande vazio e só me apetecia estar isolada. Minutos antes de tirar esta fotografia a Madalena estava a dormir, e a mim, só me apetecia chorar.

Onde está a minha mulher?

Acredito que seja este o pensamento de muitos homens que acabam de ser pais. Que num dia têm no olhar de quem está há anos a seu lado, uma ternura e uma vontade de estar sem fim, e que no outro, atentam que no olhar não se encontra nem por perto o carinho que também os embalava e os fazia reconhecer que estava ali a mulher que os amava. 

 

Acredito de igual forma que este pensamento seja fruto de muitas emoções que muitas vezes preferem esconder. Que produza ao mesmo tempo uma série de confusões e de zangas internas que se perdem, na tentativa de as resolver. Que instiga a desilusão de quem muito ou pouco expectava por um novo futuro cheio de amor e harmonia.

 

Imagino que para muitos, seja simples refletir sobre o facto de que de um pequeno rebento, isento de ação, mas cheio de ligação com ambos, pudesse nascer tamanha alteração, tamanha adaptação, tamanha confusão, tamanho amor. 

 

É difícil compreender para alguns onde fica a mulher que outrora os olhava com uma expressão exclusiva de amor e cuidado. Que outrora só tinha espaço para si nos seus braços, no seu peito, no seu corpo. Que outrora só o desejava. Que outrora só em si pensava, especialmente quando a casa chegava. 

 

É difícil para outros, ou até para os mesmos, aceitar que as rotinas mudam, que os humores também, que a família não alarga só em número, que o espaço não se ajusta só em mobílias e que as visitas deixam de vir somente por si.  

 

No fundo, é difícil compreender o impacto da chegada de um bebé quando ele ainda não está nos seus braços. Quando ele nem sequer nasce no seu corpo, ou quando só e simplesmente faz parte da sua imaginação. Quando nem sequer existe outro por perto. 

 

E tudo isto, há que ter em conta como de, nada mais, nada menos, do que completa e absolutamente natural. Mas Pais, peço-vos só um pouco de compreensão. Um pouco mais do que aquela que consideram ter, ou mesmo do que aquela que têm tido e que consideram que está a terminar. 

E como se já não estivesse a abusar, peço-vos também um pouco mais de tolerância e afeto, mesmo nos piores momentos. Tolerância e afeto com quem está a vosso lado, e acima de tudo, tolerância e afeto convosco próprios. Acreditem no que já construíram. Relembrem várias vezes o que prometeram construir. E reflitam bastante sobre como é que podem tornar esta fase - porque é isto que é, uma fase - no momento mais confortável possível, dentro da desorganização mental que poderão estar a viver. 

 

 

A verdade é que vocês conhecem de ginjeira quem têm ao lado. Simplesmente, essa mulher, tem agora em si uma nova e complexa missão - o constructo de um novo papel, o de mãe - e vocês têm em vós uma posição fundamental nas suas vidas - o vosso apoio é fundamental! - nas vossas vidas - também vocês estão a construir o vosso papel de pai - e na vossa vida de casal - tolerância e afeto... estão recordados? 

 

Sim... vocês já eram, mas agora, são ainda mais importantes!

Projeto Mulher, Filha & Mãe: Já viram as novidades no site?

Especialmente desde que recomecei de forma mais estruturada as atividades do Projeto Mulher, Filha & Mãe, várias foram as oportunidades de desenvolvimento do projeto. Alguns destes momentos foram destacados também aqui no blogue, mas no site já podem consultar de forma mais aprofundada e organizada as novidades sobre os projeto referentes aos últimos meses. 

 

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Lembrem-se que se vos fizer sentido, ou se conhecerem alguém que poderá beneficiar da implementação do Projeto Mulher, Filha & Mãe, não hesitem em entrar em contacto comigo através do seguinte email:

 

blog@mulherfilhamae.pt

Mulher, Filha & Mãe: O melhor de 2016 e vontades para 2017!

É impossível chegar ao final do ano e não fazer um balanço do que já foi feito e projeções sobre o tanto que ainda quero fazer!

Seja o que for, ou como for, a verdade é que 2016 foi um ano de grande desenvoltura do blogue e de grande mergulho no âmbito da saúde mental na gravidez e no pós-parto. 

 

Com a certeza de que seria na área de saúde mental perinatal que queria apostar, e paralelamente, trilhando caminho no Mestrado que já vos falei aqui, e aqui, a aquisição de mais conhecimentos no mesmo âmbito (e na saúde mental no geral) e a abertura de novos horizontes profissionais marcaram o ano pela positiva.

 

Embora tenha começado o ano com um período longo de ausência no blogue, a verdade é que o retorno acabou por ser em grande!

Algo que o marcou com muita força e conteúdo foi a visita que fiz à Universidade de Coimbra a convite da Equipa de Investigação do Departamento de Psicologia Médica da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC) como podem relembrar o que foi escrito aqui, e aqui. A visita marcou-me a todos os níveis! Conhecê-los, falar sobre a minha experiência no âmbito da saúde mental perinatal e conhecer a deles, foi um momento que jamais esquecerei. Para mim, uma grande conquista, orgulho e um excelente momento de aprendizagem!

 

Para além desta visita, várias foram as entrevistas que publiquei da Dra. Ana Telma Pereira e do seu trabalho de investigação no âmbito da saúde mental perinatal, como podem relembrar, por exemplo, aqui

 

Paralelamente, iniciei dois movimentos que ainda moveram várias opiniões e momentos de debate e esclarecimento de dúvidas sobre Depressão Pós-Parto - Movimento Depressão Pós-Parto e Eu pedi ajuda!.

Os movimentos ainda se encontram ativos pelo que não se esqueçam que sempre que quiserem aderir, basta opinarem sobre o assunto e enviarem-me email para blog@mulherfilhamae.pt

 

Também foi um bom ano em termos de divulgação da presente temática! 

Artigos como este foram publicados na Revista online ACTIVA, assim como houve a possibilidade de divulgar o trabalho que é feito aqui no blogue numa entrevista para a Newspharma e para a Vital Health, tendo tido mais de 20 textos no âmbito da saúde mental perinatal destacados na homepage da sapo.pt.  

 

Os textos deixaram de ser meramente informativos mas também passaram a descrever de forma imaginária, o real, no que toca à vivência da maternidade e de alterações emocionais na gravidez e no pós-parto. E é "engraçado", pois até hoje, o texto com mais comentários, gostos e visualizações foi o primeiro que fiz neste âmbito - "Ao pai do meu filho: Preciso de ti!" - Lembram-se?

 

A rubrica Histórias que dão a cara por esta causa continuou a crescer (e muito!) e atualmente contamos com mais de quarenta histórias de mulheres e respetivas famílias que se confrontaram com o facto da maternidade nem sempre rimar com felicidade. Histórias que têm levado a muitas pessoas a perceção de que nem sempre um nascimento começa com um sentido feliz, mas que também não é por isso que mais cedo ou mais tarde não o venha a desenvolver!

 

O facto de relatar no blogue histórias que me enviam sobre vivências menos positivas no pós-parto, deixou de ser único. Também comecei a publicar histórias sobre a recuperação de mulheres que outrora nos relataram ter tido uma depressão pós-parto, como a Ana, que nos falou sobre a sua recuperação, e que em breve, nos falará muito mais, pois terá um espaço para tal no blogue. Novidades para breve!

 

Também dei inicio à publicação de vídeos adaptados para a Língua Portuguesa, sobre temáticas relacionadas com a saúde mental na gravidez e no pós-parto, como este.

 

Algo que, não só teve uma grande adesão, como uma grande impacto, foi o questionário que elaborei e que foi respondido por cerca de 130 pessoas em menos de dois dias. Brevemente sairá um idêntico, mas com um grau de dificuldade diferente, e com outros objetivos. Estejam atentos!

 

 

Portanto, todas as histórias, os artigos lidos, as opiniões e sugestões, as críticas, o desenvolvimento do blogue, os estudos e o meu grande interesse pela área levou-me a aprofundar cada vez mais conhecimentos, e não só continuei na especialidade e mestrado de enfermagem em saúde mental e psiquiatria, trilhando cada vez mais - e de forma mais afunilada - caminho por estes temas, como fiz um curso de empreendedorismo social para levar mais à frente vários dos projetos que tenho pensados nesta área. Novidades para breve!

 

Um dos Projetos que já tinha começado, foi analisado detalhadamente em termos de metodologia e resultados obtidos, e daí resultou um artigo - Relato Prático sobre o Projeto Mulher, Filha & Mãe - que apresentei em dois eventos de cariz científico - este e este - tendo também realizado um site sobre o projeto  e concretizado novas parcerias! 

 

Foi ótimo poder ter contado com cada vez mais seguidores, quer na Sapo Blogs, quer no Facebook, e receber emails e comentários como este, que me enchem o coração e me dão forças para continuar a lutar e a trabalhar cada vez mais arduamente para vos trazer algo todos os dias e sempre que possível. 

 

Para 2017?

A mesma motivação.

Mais trabalho. 

Mais força. 

A mesma energia. 

Mais contactos. 

Mais aprendizagens.

O mesmo fulgor. 

Mais apoios. 

Mais ajuda. 

A mesma paixão.

Melhores resultados. 

O mesmo sentido de missão. 

 

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Obrigada!

E se eu não sentir paz, tranquilidade e felicidade durante esta época festiva?

Momentos festivos como o Natal e a passagem de ano veem agregados a uma série de expectativas (um pouco como o inicio da maternidade e paternidade): família e amigos, a comemorarem juntos, a desejarem o melhor para si, a partilharem refeições, presentes, risos e companheirismo. O que muitas vezes poderá sentir se foi há relativamente pouco tempo mãe, poderá ser antagónico ao que é observado na realidade, e quanto maiores as expectativas criadas em torno destes momentos, maior poderá ser a deceção que poderá ocorrer.

 

 

Para aqueles que estão a passar tempo com a família, esta época festiva pode ser catalisadora quanto à abertura de feridas do passado, podendo também promover o retorno de feridas antigas, ainda abertas. Para outros, estar imerso na "alegria" aparente pode aumentar a sensação de solidão e o isolamento, contribuindo para o aumento da ansiedade.

 

Se é isto que sente, e ao mesmo, tem compromissos que sente que precisa manter, vale a pena questionar-se sobre:

- "Como posso cumprir melhor as minhas obrigações e, ao mesmo tempo, priorizar o meu próprio bem-estar?"

- "Como me protejo de danos desnecessários?"

- "Que tipo de recursos internos e externos posso utilizar para me sentir melhor comigo mesmo?"

- "O que precisamos enquanto família para limitar o stresse e aproveitar este tempo como estamos?"

 

Como mãe ou pai, o vosso bem-estar e o bem-estar do vosso filho estão diretamente ligados. Este poderia ser o ano em que se permitem fazer algo diferente, criando novas memórias e tradições que funcionam para vós.

 

Se assim é, têm alguma ideia, ou já fizeram algo diferente?

blog@mulherfilhamae.pt

 

Post baseado neste texto

O dia em que conheci a Ana, uma leitora do blogue.

A Ana que vos falo já foi identificada duas vezes aqui no blogue:

  1. Quando partilhou a sua vivência de uma depressão pós-parto, que podem relembrar aqui
  2. Quando partilhou um forte resumo da sua recuperação, que podem consultar aqui

 

A verdade é que nós nunca deixámos de comunicar desde que a Ana partilhou o seu relato. Vários foram os temas que foram emergindo, mas sem dúvida que a sua recuperação da depressão pós-parto, e os recursos utilizou, assim como qual o impacto que considera que tiveram em si, foram os temas principais das várias trocas dos últimos emails. 

 

Considerámos que para lá dos emails, gostávamos de conhecer as pessoas que os elaboravam, e assim foi. Combinámos um encontro, desmarcámos, combinámos outro, e lá estávamos nós: expectantes e muito curiosas. 

 

 

E que bom que foi partilhar uma tarde com a Ana! São poucas as palavras que o possam descrever... 

 

Tenho por certo que se tivéssemos mais horas disponíveis ficariam todas ocupadas com tantos dedos de conversa. Isto pois, do café posterior ao almoço até à hora do jantar, a tarde de Sábado foi toda nossa e das nossas vivências, reflexões, pensamentos, dúvidas, e muitas muitas questões, especialmente relativas à temática que permitiu que os nossos caminhos se cruzassem - a depressão pós-parto. Mas não foi só! E tal como não poderia deixar de ser, temas como a depressão pós-parto trazem muitas outras questões atrás relacionadas com a família, com a mulher, com a autoestima, com a educação, com os filhos, com os amigos, com a profissão e com uma panóplia de outras questões corriqueiras com as quais uma mulher com depressão pós-parto lida todos os dias, durante e após a sua reabilitação. E foi por isso que aproveitei. Aproveitei e lancei-lhe um desafio - que aviso desde já que foi aceite!

 

Se para lá de uma tarde a refletir e a partilhar sobre o tema, a Ana passou praticamente um ano a viver junto da sombra da depressão pós-parto e concomitantemente perto da luz da reabilitação, porque não partilhar o máximo que lhe fosse possível sobre esses (mais de) 365 dias, aqui no blogue na ótica da primeira pessoa do singular?

Seja sobre a depressão pós-parto em si, seja sobre a recuperação, seja sobre as estratégias que utilizou, sobre os efeitos que os antidepressivos lhe causaram, assim como os problemas com os quais foi lidando no seu dia-a-dia e que a marcaram, o que me pareceu é que, não só existem uma série de temas sobre os quais me parece útil integrar o comentário de alguém vivenciou esta realidade na primeira pessoa, como notei que a Ana estava muito permeável a que isto acontecesse. Que agarrar na sua história e que poder partilhá-la nas suas mais variadas vertentes, lhe fazia sentido. Fez-lhe sentido.

 

Provavelmente com uma frequência quinzenal, assim o fará. Mas, assim que tivermos a possibilidade de publicar a sua reflexão de estreia, sinalizarei de forma intensa! 

"Presenciei na minha filha a angústia e a ansiedade dos primeiros dias do pós-parto"

Há pouco tempo enviei um email com uma mensagem que já andava há muito para partilhar com as mulheres e respetivas famílias que têm partilhado pedaços das suas histórias aqui no blogue, nas Histórias que dão a cara por esta causa e em outros momentos. 

 

Recebi respostas inesperadas, que não pude deixar de comentar e de trazer, com a respetiva autorização, de novo para este espaço. Especialmente por considerar que podem ser fontes valiosas de partilhas que a terceiros muito podem/poderão ajudar.

 

A resposta da Maria Leonor foi uma das respostas inesperadas que vos falo.

Já tinha partilhado connosco uma história que viveu enquanto cunhada, na década de 80. E hoje, partilha connosco uma história que viveu enquanto avó, há relativamente pouco tempo e que toca essencialmente na temática do baby blues e da depressão pós-parto.  

 

Partilhem também as vossas histórias! Façam como a Maria Leonor, que enquanto avó, também tem uma voz, também tem a sua visão, e também tem o seu lugar de quem apoia, e de quem precisa de ser apoiado enquanto vivência este tipo de realidade. 

 

blog@mulherfilhamae.pt

 

"Olá Ana

 

Da ultima vez que lhe escrevi contei a historia de um familiar com realidade de depressão pós parto.

 

Entretanto já fui avó de um lindo menino que nasceu em Agosto de 2016, e presenciei ao longo dos dias na minha própria filha a angustia e a ansiedade dos primeiros dias, até porque o bebe nasceu prematuro e os cuidados foram maiores, no entanto houve dias em que senti que a mãe (minha filha) se encontrava na fase dos baby blues acho que é assim que se diz.

 

Mas estes baby blues não são mais do que o começo das depressões, no entanto talvez com a sua formação em enfermeira teve o discernimento para ela própria evitar que a depressão se instalasse, também conversamos e manteve conversas com as amigas recém mamas, e acho que toda a ajuda pela positiva é necessária nestes primeiros dias, não julgar, não interferir, não baralhar, não dar palpites, e estar presente com energias positivas é primordial para que a recente mãe se sinta calma e sem stress.

 

Mas é imperioso que se fale neste assunto, porque o mesmo é muito abafado, porque se espera demasiado de uma recente mãe, porque está gorda, porque o bebe não mama, porque tem que sair e fazer a vida normal, porque mil e uma coisas e nada disso é real, a realidade são as 24 horas em que dedica toda a energia a um ser recém chegado, que não conhece e que não nos conhece, que chora e não sabemos porquê, que implora atenção, que depende totalmente de nós.

 

Não devíamos exigir tanto de uma recém mãe.

 

Muito obrigada pelo trabalho que tem feito, qualquer ajuda não hesite em pedir.

 

Beijinhos."