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Mulher, Filha & Mãe.

Uma Mulher, que reviveu intensamente o seu papel de Filha, quando foi Mãe. E querem saber o resultado?

Mulher, Filha & Mãe.

Uma Mulher, que reviveu intensamente o seu papel de Filha, quando foi Mãe. E querem saber o resultado?

À conversa com a Ana #3 - "Com a depressão pós-parto surgiu a necessidade de focar-me nas minhas necessidades"

Hoje tirei o dia de férias só para mim! Sem marido, sem filha. Sem horários, sem obrigações. Um dia inteiro para seguir ao sabor do momento.

 

Com a depressão pós-parto, surgiu uma necessidade imperiosa de focar-me nas minhas necessidades. Precisava curar-me, seguindo um tratamento que implicava muito descanso, consultas, terapias. Era tempo que precisava de canalizar para mim. O meu foco não era só a minha bebé. Tinha que ser eu, tentando sempre conjugar isso com a satisfação das necessidades dela, é claro. Era necessário encontrar um equilíbrio entre uma coisa e outra.

 

E isso acabou por servir como uma aprendizagem importantíssima para o futuro. E porquê? Porque mostrou-me, de forma inequívoca, que o meu bem-estar e a minha felicidade são o elemento chave para tudo o resto. Mãe feliz = Filha feliz é realmente verdade. Todos os dias, é importante acordar e pensar/sentir: “O que é que é que eu preciso hoje para estar bem e ser feliz?” Como é que eu posso nutrir-me, quais são as minhas necessidades, o que é que eu preciso para encher o meu copo dos afetos?

 

E digo-vos, sempre, mas sempre, que eu subi um degrau no meu bem-estar e no meu sentido de felicidade, a minha filha ficou mais calma, mais tranquila, mais sorridente. É mesmo literal e automático. Em todos os momentos em que Eu me acalmei, ela acalmou. Quando iniciei o tratamento, com a toma da medicação, quando ajustei a dosagem, quando regressei ao trabalho, quando comecei a psicoterapia e o shiatsu, em todos estes momentos chave para mim, a minha filha ficou mais calma e mais segura. Os episódios de choro passaram a ser muito menos frequentes e com duração menor.

 

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E é muito bonito viver esta dança sincronizada entre mãe e filha. Este fluir de bem-estar e felicidade. Eu estou mais calma e feliz, ela fica mais calma e feliz e, ela estando assim, leva-me a estar ainda mais calma e feliz. É maravilhoso. Claro, que existem momentos, dias em que esta dança está menos sincronizada, às vezes, mesmo caótica. Afinal é o fluir natural da vida, esta alternância entre o caos e a calmaria. Nesses momentos, de stress ou cansaço, por exemplo, o meu marido, e também os avós, surgem como os outros braços que constituem esta dança. Esses braços permitem que a dança continue e que eu possa ir encher o meu copo.

 

Hoje não preciso encher o copo, preciso apenas mantê-lo cheio. Preciso preservar o bem-estar e a felicidade que sinto, para que a dança continue.

Empoderar Famílias Adotivas

O título desta publicação corresponde a um projeto de investigação sobre o bem-estar de crianças e adolescentes em famílias adotivas, com o objetivo principal de avaliar como a adoção, as experiências pré-adotivas das crianças, o comportamento e práticas parentais podem promover  o bem-estar da criança e do adolescente.

Cada criança, pai/mãe e família tem uma experiência e história única para contar sobre si mesmos e sobre como se tornaram uma família. De um modo geral, a investigação tem-se concentrado em visões tradicionais de família, nas quais os casais de sexo diferente com filhos são privilegiados. No entanto, há uma crescente diversidade de configurações familiares entre os quais as famílias por adoção são a base para este estudo. A adoção introduz um conjunto único de desafios, dificuldades, mas também oportunidades para as crianças e pais/mães escreverem a sua própria história familiar.

Na adoção, há também uma diversidade de configurações familiares que pode informar a Psicologia e os investigadores na área do desenvolvimento sobre o que é mais importante para o seu bem-estar.  Neste estudo, a equipa de investigação valoriza a sua experiência única, e ao preencher o questionário terá a oportunidade de escrever, por palavras suas, o que é mais importante para a SUA família.

A equipa está interessada ​​em conhecer a história de TODOS OS TIPOS de famílias adotivas:
- Adoção singular / Famílias monoparentais
- Casais que adotaram conjuntamente
- Pais/mães adotivos cujo estado relacional tenha mudado desde a adoção
- Pais/mães gays, lésbicas e bissexuais por adoção
- Pais/mães adotivos que possam fazer parte de uma configuração familiar diferente
- Nenhuma ou todas as configurações acima descritas, independentemente da configuração familiar ser ou não reconhecida pela agência de adoção.

 

E não custa nada. Basta preencherem o questionário ao qual terão acesso através deste link.

 

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Mesmo se não for esta a vossa realidade, será que não conhecem alguém que a possa viver?

 

Há que reforçar que a equipa de investigação pretende que as respostas dadas no questionário serão tratadas com a máxima confidencialidade, ética e respeito pela privacidade e experiências de cada família. Os pais/mães que participarem neste estudo podem também permanecer completamente anónimos se assim o desejarem.

 

Portanto, vamos partilhar este questionário?

 

Para mais informações podem consultar o seguinte link:

Empoderar Famílias Adotivas

As ciências da mente e o ser mulher!

Incrível como está quase a fazer um ano desde que me encontrei com a Dra. Ana Telma Pereira na Universidade de Coimbra para conhecer o excelente trabalho que juntamente com a sua equipa de investigação tem feito em prol da saúde mental perinatal

 

Para quem ainda não conhecia este espaço na altura, podem consultar os textos que fiz sobre este tema através dos seguintes links:

 

 

Hoje, estou a caminho de um workshop em Leiria que a mesma irá ministrar sobre o Programa Bem-estar Perinatal que dinamiza em Coimbra, num encontro organizado pelo Grupo Português de Psiquiatria Consiliar Ligação/Psicossomática dedicado à saúde da mulher. 

 

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Para breve, trago-vos uma publicação com os resultados deste workshop, assim como outras aprendizagens, que de certo ocorrerão num evento dedicado ao progresso da investigação alusiva a todas nós! 

Uma troca de aprendizagens sobre alterações emocionais na gravidez e pós-parto.

Foi no dia 17 de Fevereiro que tive a excelente oportunidade de ir falar sobre alterações emocionais na gravidez e no pós-parto a uma turma de Técnicos de Ação Educativa no IEFP da Guia. 

 

O desafio foi-me lançado por uma amiga e colega de longa data (Psicóloga Raquel Vaz) que ministra formação nesta área e que considerou que poderia ser pertinente para uma turma desta área aprender mais sobre este tipo de alterações. E assim foi, o sim foi imediato e ainda por cima sabendo de antemão que a turma estava muito interessada nesta temática, a motivação triplicou. 

 

É difícil arranjar uma só palavra para descrever a manhã que passámos juntas, por isso vou ter de arranjar várias palavras, e como tal, foi delicioso sentir o interesse da turma, um orgulho para mim sentir que estava a chegar a muitas das suas questões, um alivio saber que muitas mães com este tipo de vivência vão lidar de perto com técnicas que estão mais sensibilizadas para o tema, reconfortante sentir que levaram este tema dentro delas, até a nível pessoal, e espetacular ter tido a oportunidade de absorver tanto conhecimento empírico junto destas grandes mulheres com quem me cruzei. 

 

Ficaram por responder algumas questões que me colocaram, mas o tempo já não dava para esticar mais... contudo, as questões não estão esquecidas! Ficarão para responder numa próxima publicação. 

 

De qualquer forma, e tendo em conta a autorização das que estavam presentes, aqui ficam alguns momentos que guardarei com muito carinho no meu coração. 

 

Obrigada!!!

 

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Se também tiverem interesse em saber mais sobre o tema, não hesitem em contactar-me através de blog@mulherfilhamae.pt ou em saber mais sobre o projeto que tem como principal objetivo o de sensibilizar para a saúde mental perinatal - o Projeto Mulher, Filha & Mãe

 

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blog@mulherfilhamae.pt

Porque é que o nosso cérebro se torna ansioso?

A ansiedade está presente numa grande fatia da população portuguesa, e o mesmo aplica-se quando falamos sobre saúde mental perinatal

 

Há pouco tempo li um livro sobre algumas técnicas para controlar a ansiedade, de Margaret Wehrenberg, e de uma forma bastante simples e objetiva a autora leva-nos a compreender o lado mais técnico da ansiedade. Achei curiosa a forma como fez a ponte entre a neurociência e o comportamento humano para o leitor (mesmo podendo ser o útimo leigo na questão) para que este pudesse aceder de forma mais simples a este tipo de informação. Desta forma, e tendo em conta que a ansiedade é um tema que muitas vezes é abordado quando falamos de gravidez e pós-parto, resolvi trazer aqui um pequeno resumo para responder à questão: Porque é que o nosso cérebro se torna ansioso? 

 

O cérebro integra uma rede complexa de células cerebrais chamadas de neurónios, todas interligadas entre si.

Há muito ainda para conhecer sobre o funcionamento do cérebro, contudo, algo que se sabe até agora é que todos os pensamentos que temos e todas as emoções que sentimos, são resultado da atividade cerebral, e da mesma maneira que não nos sentimos bem quando algum órgão não está a funcionar adequadamente, os nossos pensamentos e emoções podem sofrer perturbações se o cérebro não estiver a funcionar bem.

 

 

Os neurónios comunicam entre si através de mensageiros específicos, os chamados neurotransmissores. Quando há problemas ao nível da sua quantidade - podem ser insuficientes, ou suficientes, mas não conseguirem passar a mensagem de um neurónio para outro, ou estarem presentes em excesso - e qualidade - no que toca ao local do cérebro onde são recebidos, ou, por exemplo, se houverem dificuldades no recebimento da mensagem no ponto de chegada, podendo haver neurónios que não as recebem com facilidade - a pessoa pode desenvolver ansiedade, ficando preocupada, reagindo excessivamente ao stress, ficando em pânico, ou até dando demasiado importância a coisas que não a merecem.

 

O tipo de sintoma que sentimos depende do tipo de neurotransmissores que tem problemas num determinado local do cérebro.

 

Estes sintomas podem ir desde o negativismo, à preocupação, a uma maior sensibilidade à ameaça, à perda de controlo emocional, a preocupações recorrentes, à demonstração de uma atitude inflexível, à agitação geral, à inquietação interior, tensão física e mental, ataques de pânico, sensação de desespero, concentração excessiva nos pormenores, entre outros. 

 

Durante o período perinatal (que vai desde a conceção até ao pós-parto), muitas pessoas referem sentir ansiedade de uma forma geral, com vários tipos de manifestações como as supracitadas, tal como, em parte, já abordei aqui

Seja neste período, ou em qualquer outro da vida, aprender e praticar algumas técnicas de meditação e relaxamento pode ajudar a atenuar este tipo de sintomatologia. Nesta fase, o controlo da ansiedade ganha um maior relevo tendo em conta o período em questão, e a influência do comportamento materno sobre o feto/bebé.

 

Em breve falarei mais sobre algumas técnicas de meditação e relaxamento, e divulgarei algumas datas para as podermos aprender e realizar em grupo, tal como aconteceu aqui. 

 

Interessados? 

blog@mulherfilhamae.pt

Bebé-Mãe: a primeira relação humana.

O título deste texto é da autoria de Daniel Stern que na década de 80 editou um livro, assim intitulado, e que em muito contribuiu para o aumento de conhecimento inerente à psicologia do bebé, assim como para a crescente consciencialização da importância da relação mãe-bebé para o seu desenvolvimento psicossocial.

Ao terminar de ler uma das suas obras, rápido pensei em partilhar algumas das suas conclusões aqui no blogue que me fizeram refletir bastante, e que espero que também vos façam refletir também.

 

Todos nós passamos por esta relação, sendo, de facto, a nossa primeira relação humana. 

Stern observou, filmou, analisou, estudou e descreveu muitas das interações entre o bebé e a mãe, e de vários desses momentos, retirou uma panóplia de conclusões que deram origem a conhecimentos fundamentais, que ainda guiam determinadas práticas de muitos profissionais que trabalham este tipo de relação, nos dias de hoje. 

 

Uma das suas primeiras grandes afirmações ditam que a "mãe e o bebé, quer estejam conscientes disso, ou não, sabem mais do que nós sobre as suas próprias interações sociais (...). A mãe está envolvida num processo natural com o bebé, um processo que se desdobra com uma complexidade fascinante para o qual, ela e o bebé estão preparados por milénios de evolução". Motivo pelo qual, na grande maioria das vezes, o que fazia, era observá-los.

 

Da análise destas primeiras interações concluiu que as interações sociais naturais existentes entre ambos, constituem-se das experiências mais cruciais na primeira fase de aprendizagem do bebé. Ao fim de alguns meses, o bebé desenvolve a capacidade de compreender alguns esquemas do rosto humano, voz, tato, e dentro destas categorias ele reconhece o rosto, voz, movimentos específicos da pessoa que mais cuida dele - normalmente, a mãe. Para além disso, apreendeu pistas sociais que têm efeito mútuo para iniciar, manter, terminar e evitar interações com a mãe. 

 

Pode-se afirmar que o comportamento maternal, é a matéria do mundo exterior com a qual o bebé começa a construir o seu conhecimento e a experiência de tudo o que é humano, assim como é interessante verificar que as mães agem com os bebés de uma forma diferente de como agem com outros adultos ou crianças mais velhas, sendo que, cada pessoa desenvolve o seu próprio estilo de comportamento, de acordo com o que é, ou de acordo com o seu bebé.

 

 

Seja através das expressões faciais, do tom de voz, do que verbaliza e da forma como o faz, da proximidade, do olhar, do toque, etc., várias são as formas pelas quais mãe e bebé comunicam e interagem, sendo este, de acordo com Stern, um "processo individual e intrincado - de improvisação, no local de comportamentos inesperados que vêm de dentro, de criação espontânea e mudança de padrões temporais e sequências de comportamento que nunca antes tinham sido manifestados dessa maneira, e que, no entanto, são observados milhões de vezes". O suficiente para conduzir a uma direção de ação nova e desconhecida, fazendo tudo isto parte de um processo natural e comum a todos nós. 

O sentido da meditação: qual é o vosso?

Nos círculos da psicanálise existe uma história bem conhecida sobre um homem atormentado por um sonho recorrente. O mesmo encontra-se preso dentro de um quarto, incapaz de abrir a porta e fugir. Procura a chave pelo quarto, mas nunca a consegue encontrar. Tenta com toda a força abrir a porta mas esta não cede um milímetro. Não existe outra maneira de sair do quarto sem ser através daquela porta, que ele não consegue, de todo, abrir. Está encurralado e com medo. E no meio de uma sessão com o seu analista, o mesmo descreve-lhe este sonho e o analista, ouvindo cuidadosamente o seu relato, sugere-lhe que a porta talvez possa ser aberta na direção oposta. Quando o homem volta a ter o mesmo sonho, lembra-se da sugestão do seu analista e descobre que a porta se abre para dentro sem a menor resistência.

 

 

 

Reparo que esta é a realidade, figurada, de muitas das pessoas hoje em dia.

Muitas pessoas têm a sensação de estarem presas, encurraladas, dentro de uma vida que parece já não satisfazê-las. Existe um sentimento silencioso de desespero, mantido à distância através de uma atividade constante ou de novas drogas miraculosas. Algumas pessoas passam a vida à espera. À espera que alguma coisa aconteça e que venha mudar por completo as suas vidas. E, no entanto, a lição mais básica e óbvia que a vida nos oferece, é que a felicidade é um estado de espírito, interno, e não algo que possa ser adquirido no mundo exterior, ou de outras pessoas.

 

Embora algumas pessoas possam contribuir para chegarmos mais facilmente a esse estado, é a nossa predisposição, o nosso eu interior, que abre essa porta.

Todos nós procuramos a felicidade, mas muitos de nós procura-a fora de nós mesmos. Procuramo-la noutras pessoas, no nosso trabalho, nas atividades de lazer, etc.. Em muitos casos, o tempo passa e as nossas vidas acabam por se assentar em moldes previsíveis e ficamos a olhar em redor tristemente para os nossos sonhos despedaçados ou vazios, e a oportunidade de alcançar determinadas metas, ou de conquistar novos terrenos, já passou.

 

No seu poema "A Porta", Miroslav Holub, o poeta imunólogo checo, incita-nos a ter coragem de olhar para as nossas vidas com novos olhos. A Porta que nos fala o respetivo poeta é a porta que se abre para dentro, para nos revelar as nossas necessidades mais profundas, assim como as nossas aspirações mais elevadas.

 

Vai e abre a porta.

Talvez lá fora haja

uma árvore, ou um bosque,

um jardim,

ou uma cidade mágica.

 

Vai e abre a porta.

Talvez haja um cão a vasculhar.

Talvez vejas uma cara, 

ou um olho,

ou a imagem de uma imagem.

 

Vai e abre a porta.

Se houver nevoeiro

dissipar-se-á.

 

Vai e abre a porta.

Mesmo que nada mais haja

que o tiquetaque da escuridão,

mesmo que nada mais haja

que o vento surdo,

mesmo que nada mais haja,

vai e abre a porta.

 

Pelo menos haverá uma corrente de ar.

 

 

Foi um poema que marcou uma entrada mais madura no meu mundo interno, e a conquista de um novo terreno na minha vida, através da busca do sentido da Meditação.

A meditação é um meio de abrir essa porta. Começa com o entrarmos dentro de nós mesmos e conduz a que posteriormente possamos mergulhar na corrente da vida. A nossa separação desta corrente (muitas vezes sem nos apercebermos, ou mesmo de forma inconsciente) é a fonte do nosso mais profundo descontentamento, e a verdade, é que ao abrirmos esta porta, nunca sabemos o que poderemos encontrar - sim, pode haver um cão a vasculhar, ou talvez um nevoeiro, um jardim, ou mesmo que nada mais haja do que o tiquetaque da escuridão, também pode (ou simplesmente pode) haver uma corrente de ar.

 

A meditação é a arte de se estar consigo mesmo. Dizer a alguém "Não faças nada, senta-te simplesmente aí" quase se tornou num lugar-comum, mas é algo que muitos de nós ainda sentem bastante dificuldade em fazer.

 

Portanto, o que é que acham que acontece, quando paramos, e colocamos de parte algum tempo para mais nada fazer excepto para estarmos conscientes de nós mesmos?

 

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Fica a questão, para meditarem. 

 

 Post baseado no Guia de Meditação, de Paramananda.

Á conversa com a Ana #2 - "Curei a cabeça e o coração, agora é o corpo que precisa da minha atenção e energia"

Olhando em retrospetiva para o percurso que tenho vindo a fazer desde o dia em que comecei a tomar a medicação, consigo perceber muito claramente que toda esta experiência da DPP/tratamento trouxe-me mais maturidade, clareza e confiança. Sinto-me a Ana de antes, mas uma Ana ainda melhor, muito melhor.

 

Mas existem assim uns senãos! Certas coisas que vieram com a experiência, mais concretamente com a desregulação emocional e a toma da medicação. Falo do peso. Tal como a maturidade que floresceu em mim, também os quilos multiplicaram-se. Consegui atingir a proeza de estar a pesar mais do que o que estava a pesar no final da gravidez.

 

O peso da gravidez perdi-o logo nos primeiros 2 meses. Mas claro havia uma depressão, ainda não diagnosticada, e o meu apetite flutuava tanto, quanto o meu humor. Ou não comia nada, ou atacava tudo o que aparecia à frente. Com o diagnóstico, em Novembro, e o começar a tomar os antidepressivos o apetite deixou de flutuar tanto, mas apenas para ir para o extremo do excesso. Comecei a ter fome emocional.

 

Os meses seguintes foram meses em que ainda havia muita ansiedade e culpa, e a comida era o escape fácil (e saboroso) para lidar com essas emoções. Sabia que estava a comer demasiado, que a roupa estava primeiro a apertar, para depois deixar de servir, mas não tinha energia para lidar com isso. O meu foco era curar a cabeça e o coração. O corpo, pensava, fica para depois. E ficou.

No final do Verão passado deixei de tomar o antidepressivo que me fez engordar, comer que nem uma louca e inchar! Desinchei, perdi volume, regulei o apetite para o que era habitual, acabou a fome emocional.

 

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Em Dezembro comecei a ir a consultas de acompanhamento no Centro de Saúde com o fim de emagrecer. Prescrição médica: alguns ajustes na alimentação (quantidades menores, adeus pão alentejano e manteiga) e exercício físico. Os ajustes na alimentação foram mais fáceis. O exercício físico, nem tanto. Consegui começar a fazer abdominais, pranchas quase todos os dias. Sinto-me um bocadinho mais em forma (tendo em conta que estava em 0% boa forma), mas não chega.

 

Hoje saí da consulta de acompanhamento no Centro de Saúde com o resultado de 0 quilos perdidos desde Dezembro. Prescrição médica: suar! Fazer exercício que faça o coração bater mais rápido. Ai, é mesmo desse tipo de exercício que eu tento sempre fugir. Mas vai ter que ser. Curei a cabeça e o coração, agora é o corpo que precisa da minha atenção e energia.

"Já gritei com o meu filho e já me senti a pior mãe por isso"

Este foi o comentário que uma leitora deixou no facebook do blogue, após a publicação deste texto.

 

"É msm verdade, já gritei e já me senti a pior mãe por isso...mas sei que a tarefa mais difícil é mesmo conseguir o malabarismo de todas as tarefas e ainda desfrutar da maravilha que é ser mãe, é um misto constante de cansaço e alegria...pena que muitas de nós tenhamos pouco apoio num papel tão importante que desempenhamos. Parabéns a todas porque é uma luta diária que com amor por um filho vencemos todos os dias "

 

Acredito que várias mulheres gritem, e que posteriormente, sofram em silêncio por isso. 

Acredito até que muitas sejam invadidas por pensamentos/emoções angustiantes, que não esperavam, que não querem, que temem, mas que se instalam sem pedir, ou mesmo, sem avisar. E pior. Têm crítica sobre isso, e mesmo assim, continuam a sofrer em silêncio com medos, muitos medos. Medo de que possam ficar sem os seus bebés, do que quem as rodeia possa pensar de si, de considerarem que está a ficar "maluca", e pior de tudo, de se confrontarem pessoalmente com todos eles, com todos esses pensamentos e emoções, e terem de viver, sozinhas, lado a lado, por muito tempo com toda essa culpa maldita que lhes está associada, que teima em ficar, e que é difícil de desaparecer. 

 

Começar a maternidade com o coração amarrado ao que deveria ter sido e não foi, ao que queria que se fosse e não é, não é um bom presságio para ninguém. É amargo de se saborear, duro de roer, e muito angustiante de se sentir. Mas é a realidade de muitos.

 

Imagino só, esta minúscula possibilidade, ínfima entre tantas, sobre como é que todas estas sensações convivem no dia-a-dia de cada uma, dia após dia. Com todos os malabarismos, todas as lutas, todas as opiniões alheias, todas as expectativas, todas. Imagino, só.

Imagino, e arrepia-me, só de imaginar, as que convivem com tudo isto, sem se sentirem apoiadas por ninguém, ou mesmo sem ninguém. Sem pai, sem mãe, sem marido, sem amigos, sem família. Imagino... sozinhas... com todos os desafios do dia-a-dia, como é que será? Ou mesmo acompanhadas, mas mal. Vai dar ao mesmo: sozinhas. 

 

 

Imagino as noites mal dormidas, mas sem ninguém, ou com muito poucos, a quem recorrer para ajudar. Imagino as várias vezes que pediram para sair mais cedo do trabalho, que cansadas percorrem quilómetros para a tempo chegar, e que chegando a casa, têm tudo para fazer. Depois de um dia de trabalho comum e/ou bastante extenuante, pensar que às sete ou às oito da noite, esta ainda é uma criança, e que ainda muita paciência, dedicação e trabalho há para fazer. Compreendo que muitas se possam sentir atacadas por esta vida, por esta realidade, por estes percursos e que juntando as noites mal dormidas, ao fraco apoio que sentem, à confusão do dia-a-dia, às dúvidas que emergem em todos os momentos, à sensação de insegurança, às incertezas económicas, à sensação de se estar só, entre tantas outras possibilidades, não me é muito difícil imaginar uma mãe a gritar com um filho. 

 

Imagino tudo isto junto, ou mesmo só e simplesmente, uma ou outra coisa em uníssono dia após dia e não me é muito difícil imaginar esta realidade partilhada.

 

É-me sim, muito difícil de compreender, como é que ainda tão poucos dos que deveriam, se focam e agem sobre isto. Porque gritar, pode não ser o caminho mais adequado, mas onde se verifica um pedido de ajuda, mesmo que não declarado, deveria haver, para lá dos incentivos atuais, uma capacidade de prestação de apoio emocional nestas circunstâncias que, infelizmente, não há! 

 

Portanto, antes de julgarmos mães que gritam com os seus filhos, sabendo de antemão que este (até) poderá ser dos primeiros impulsos latentes a um pedido de ajuda não declarado, porque não refletirmos mais aprofundadamente sobre isto? 

Resultados do Questionário: Serviços de apoio a pessoas com experiência de Blues, Depressão e Ansiedade Pós-Parto.

Há alguns dias responderam a um questionário que lancei intitulado de "Serviços de apoio especializado a pessoas com experiência de Blues, Depressão e Ansiedade Pós-Parto".
 
Em primeiro lugar, muito agradeço a quem dispensou um pouco do seu tempo para responder ao questionário, embora já tenha tido a oportunidade de o fazer de forma mais particular.
 
De qualquer forma, mesmo para os que gostavam de ter respondido mas não tiveram possibilidade, para os que não repararam, ou para qualquer outro leitor que possa ter interesse, aqui ficam os resultados principais do questionário.
Existem mais resultados para serem trabalhados - e que serão brevemente - mas atualmente trago-vos os gerais e quantitativos.
 
 
Foram 314 as respostas que foram contabilizadas.
 
  • Relativamente às pessoas que responderam ao questionário

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  • Em relação à experiência das 314 pessoas perante o Blues, Depressão e Ansiedade Pós-Parto, chamo a vossa atenção para o facto da quantidade de pessoas que afirma ter passado por um mau momento no pós-parto, adicionada às que afirmam ter passado por uma dessas experiências, ser sempre superior à das pessoas que afirmam que não, no total.  

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  • Apesar dos dados anteriores, a quantidade de pessoas que afirma ter pedido ajuda é muito pouca, e ao mesmo tempo, muito próxima das que referem ter pensado em pedir ajuda, mas que acabaram por não o fazer, como podem ver de seguida:

 

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  • As poucas pessoas que afirmaram, em ambas as situações, ter pedido ajuda (46 pessoas), referiram que pediram ajuda aos seguintes profissionais/nos seguintes locais:

 

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  • Contudo, a grande maioria das pessoas afirma que se tivesse acesso a um local onde houvesse, quer promoção do bem-estar emocional na gravidez e no pós-parto, quer acompanhamento especializado no caso de desenvolverem um Blues, Depressão e/ou Ansiedade no pós-parto, recorreria a este tipo de serviços:

 


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No final, 74 pessoas deixaram comentários afetos ao tema, na sua grande maioria partilhando experiências menos positivas relativas à gravidez e ao pós-parto, e outras, incentivando o trabalho dentro deste âmbito. 
 
 
Com todos os dados que resultaram das vossas respostas espero ter-vos colocado a refletir sobre o tema, e aproveito para vos convidar a visitar o site do Projeto Mulher, Filha & Mãe, onde também irei publicar os resultados deste questionário brevemente, e caso queiram fazer alguma sugestão e/ou observação com vista ao estabelecimento de parcerias e/ou aperfeiçoamento do respetivo projeto, ou simplesmente para esclarecerem alguma questão, não hesitem em contactar-me! 
 
 
blog@mulherfilhamae.pt