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Mulher, Filha e Mãe

Sensibilizar (para) e apoiar (na) ansiedade e depressão na gravidez e no pós-parto

E quando eles começam com as Papas, Sopas e Frutas? #4 - Sopa? Não. Obrigada Mãe! Come tu.

Se estava a correr tudo bem com as Papas? Ui, que maravilha! 

As da Nestlé (especialmente as de Multifrutos) foram as que mais gostou! 

Ela Palrava, movia-se, sorria, brincava e pouco a pouco lá entravam todas as colheradas e o fundo da taça tornava-se facilmente visível! 

 

Mas... e com a Sopa? 

Inicialmente, aposto que se ela já falasse, diria (sem dúvida): "Não quero. Obrigada Mãe, mas come tu!"

 

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Posteriormente, pouco a pouco lá foi saboreando e penso que, lá se foi habituando ao sabor.

 

Agora, o que é que mudou? Ou melhor, o que é que eu mudei?

 

- Coloquei menos Cebola [De facto, estava a ser um pouco exagerado para quem começa a comer uma sopa... ];

- Mudei de batata comum, para batata doce [uma ótima estratégia falada no facebook do nosso blog, pela Patrícia];

- Durante a refeição comecei a alternar uma colher de sopa e uma colher de fruta [Mas onde é que eu já vi isto?!...];

- Ajustei as minhas expectativas e também comecei a dar-lhe menos quantidade do que dava.

 


E faço aqui uma pequena ressalva para este último aspecto: O ajuste de expectativas.

Este foi mais um momento em que dei por mim a refletir sobre o porquê de determinadas coisas não correrem tão bem!

 

Por vezes, mais do que eles fazerem cara feia ou mais do que eles nos demonstrarem que não gostam tanto de certo alimento, impõem-se a nossa percepção dessa mesma realidade, por vezes errada, por termos expectativas tão altas em relação à mesma.

Ora vejamos, como mães, não queremos muito que eles se alimentem? Não queremos muito que eles estejam bem de saúde? Não queremos muito que estejam no percentil correto? E também muitas vezes, não associamos isso logo de imediato à alimentação e a necessidade de eles se alimentarem bem?

Confessem que sim! Já as nossas avós faziam isso com as nossas mães e connosco, já as nossas mães o faziam connosco, e nós agora como mães, sentimos exatamente o mesmo com os nossos filhos! Umas mais, outras menos, mas como diria alguém que muito admiro: quando damos por ela, já foi!

E é verdade! Uma das questões que aqui se coloca é que muitas vezes isto é-nos tão visceral, como inconsciente! Não concordam?

No fundo, só os queremos ver bem, mas muitas vezes as nossas altas expectativas e as nossas mais profundas necessidades, não nos permitem atingir coisas que à partida, estão mesmo ali, à nossa frente. Prontas para serem observadas, quando estivermos preparadas para tal. 

 

Se a Madalena não come tanta Sopa como eu inicialmente gostaria? Não!

Se a Madalena não come tanta cebola como eu inicialmente colocava na Sopa, achando que era o que lhe faria melhor? Não!

Se a Madalena agora, já come a Sopa que eu lhe coloco à frente? Já!

Se isto é para durar? Não sei! Mas irei tentar recordar-me destas minhas palavras numa próxima pedra que se instalar no meu sapato!

 

Ainda esta semana uma colega minha me dizia:

Quando pensamos como mães, por vezes o nosso cérebro "pára".. Ora pensa lá bem porque é que a tua filha não está a aderir tão bem à sopa e não "pares" já a partida num determinado motivo, que pode estar certo, mas que também poderá estar errado. Será mesmo do sabor? Isto é tudo novo para ela! A Papa também era um sabor novo e ela acabou por aderir. Será de algum ingrediente? Será da colher? Será da quantidade? Quando e onde lhe dás a Sopa? Serão as tuas expectativas...? 

 

E não é que ela tinha razão?!

 

 

Já agora, Muito Obrigada pelas dicas que têm partilhado no facebook!

 

Estratégias para se lidar com o Baby Blues, Depressão e Ansiedade Pós-Parto.

Lidar com afeções como o Baby Blues, Depressão e Ansiedade pós-parto não é tarefa simples (ponto).

 

Embora tenha optado por colocar aqui algumas estratégias que possam facilitar de alguma forma a vivência deste tipo de afeções, a verdade é que a convivência e o ultrapassar desses mesmos momentos poderá ir muito para além do que aquilo aqui escrevo, podendo ser necessário o recorrer a um especialista na área, não podendo de igual forma esquecer, que cada caso é um caso e merece a devida atenção nesse sentido.

 

Existe muito para falar sobre este tema, contudo resumi alguns métodos que podem ser colocados em prática para orientarem a vivência de um Baby blues, de uma Depressão ou Ansiedade depois do parto, para um caminho mais pacifico, que podem ser úteis a algumas famílias que nos seguem.

 

 

Assim sendo, se atualmente conhece alguém que convive com alguma destas realidades, ou se é a própria que convive com ela:

  • Tente arranjar tempo de qualidade para si mesma. Você também conta! – Encontre pequenos prazeres, como tomar um banho mais prolongado, saborear um chá relaxante, ou ler um livro que tanto gosta;
  • Reponha as horas de sono em falta – É verdade que com um bebé é muito difícil manter o sono em dia. Contudo, não é impossível! Peça ajuda ao seu companheiro e/ou à sua família e amigos mais chegados para tomarem conta do bebé enquanto dorme algumas horas. Nem que seja uma hora. De certo que notará diferença no seu humor! Ou então, aproveite para descansar enquanto o/a bebé dorme, nem que seja uma vez por dia. Repor o sono, especialmente nos primeiros tempos de vida do bebé, é tão difícil, como fundamental;
  • A Alimentação é fundamental! – Quando surge uma afeção deste género a nutrição é das primeiras coisas a ser afetada. O que come tem um impacto direto no seu estado de humor, bem como na qualidade do seu leite materno, por isso faça os possíveis por manter uma alimentação saudável e equilibrada. Ou pelo menos, para manter as refeições "em dia". Mais uma vez, aqui, o apoio do seu companheiro e família, torna-se fundamental no seu acompanhamento;
  • Faça exercício físico – Nem que seja uma caminhada de 30 minutos por dia, ou em dias alternados já faz muito bem! O Exercício físico melhora a auto-estima, entre tantos outros benefícios biopsicossociais que acarreta e que são extremamente benéficos para fazer face às afeções em questão;
  • Saia com o seu companheiro, com amigos, ou até mesmo sozinha se preferir. - É muito importante sair de casa, nem que seja só para ir beber um café. Distrair-se, apanhar sol, andar um pouco, sem dúvida alguma que melhorará o seu humor e a farão sentir-se melhor consigo mesma.
  • Procure apoio e ajuda nas pessoas que a rodeiam – Como já fui referindo, o apoio do seu companheiro e da sua família são fundamentais! Muitas vezes não compreendem logo à partida o que está a sentir, mas é se extrema importância manterem a comunicação para que tal possa acontecer. Poderá ser difícil, mas não mantenha os seus sentimentos apenas para si. Outra alternativa também poderá estar na procura de grupos de mães com quem possa partilhar sentimentos, sensações e experiências do processo de maternidade;
  • Informe-se e esteja alerta ao que se passa consigo. - Se considera que algo não está bem consigo mas mesmo assim não consegue dar a volta ao assunto tente monitorizar o que sente e tenha em conta determinadas situações práticas que se passam consigo e o exemplificam. Em último caso, a ajuda de um profissional especializado poderá será uma boa orientação aos cuidados pessoais e apoio familiar. A terapia, o blogue Mulher, Filha & Mãe, os grupos de apoio bem como, em determinados casos, a medicação podem ser bastante úteis. A informação que for registando, posteriormente, poderá ser-lhe útil na descrição da sua situação perante o profissional em questão.

 

 

Alguma Dúvida ou Questão? 

 

Então não hesitem em contactar-me para o seguinte email: mfem2912@gmail.com.

 

 

 

Concertos para bebés? Sem dúvida alguma que SIM!

Fomos pela primeira vez a um concerto para bebés do Paulo Lameiro na Nestlé!

 

 

Sinceramente, não sabíamos mesmo o que esperar. Nunca tínhamos ido, ou ouvido falar de nenhum. 

Imaginámos que houvesse muita confusão, muitas crianças cheias de energia, vitalidade e alegria!

Imaginámos que fosse provável que tivéssemos que sair a meio, pois a Madalena iria acabar por ficar um pouco cansada ou com sono, e que com aquele barulho fosse impensável adormece-la.

Imaginámos que fossemos aproveitar alguns minutos, e não, o concerto inteiro.

 

Mas sabem que mais?

Estávamos redondamente enganados!

 

 

 

Havia muita confusão, muita energia e vitalidade, mas assim que eles começaram a produzir e a conjugar sons numa melodia, as crianças focaram toda a sua atenção nos mesmos, e o silêncio instalou-se. 

Não tivemos de sair a meio e aproveitámos o concerto todo, assim como a  grande maioria das famílias que lá estavam, pois o som, a música, no fundo, toda a estimulação sensorial envolvida foi tão bem pensada e estruturada, que captou totalmente a atenção dos mais pequenos e concomitantemente, a dos mais crescidos também!

 

 

Impressionada fiquei eu ao ver a minha filha completamente focada nos instrumentos musicais, nas cores, nos cheiros, nos sons, nos movimentos, em toda a ambiência que se gerou e que tornou aquela manhã, num momento bastante profundo, familiar, acolhedor e feliz!

É uma excelente atividade para realizarem com os vossos filhotes, pelo que, aconselho vivamente a qualquer um de vós, pois é permeável a crianças de qualquer idade!

 

 

E por aí, já frequentaram algum, ou preferem outro tipo de atividades com as vossas crianças?

"A Obsessão pelo bebé é considerada sintoma de uma Depressão Pós-Parto?"

Já há algum tempo, que uma Mulher e Mãe que nos segue, fez-nos chegar esta questão, à qual respondemos de imediato.

Após o seu consentimento, decidimos partilha-la nesta nossa nova rubrica, pois quem sabe se esta não poderá ser uma dúvida vossa também?

Em todo o caso, tal como falei neste post de apresentação, se nos quiserem transmitir alguma dúvida ou questão, mesmo que não a queiram partilhar posteriormente no blogue, não hesitem em contactar-nos para o seguinte email:

 

perguntas@mulherfilhamae.pt

 

Faremos questão de vos responder o mais brevemente possível!

 

 

Dúvida:

Bom dia. A co dependência do bebé, ou seja, a obsessão pelo bebé é considerado um estado de depressão pós parto?

Fui mãe pela segunda vez há 6 meses. Nunca pensei passar por isto, principalmente no segundo filho. Amamento em exclusivo(introduzimos ontem a sopa) Praticamos co slepping. Passo 24h por dia com a minha bebé, o amor da minha vida. Por norma temos várias visitas e 99% das vezes corre mal! Corre mal porque fico mal humorada o dia todo. Chego a chorar quando as pessoas saem! Primeiro acho cruel visitarem um bebé e não lavarem as mãos ou pelo menos passar um pouco de desinfectante que ali tenho à entrada bem exposto! Depois, ou é porque a estou sempre a amamentar, ou é porque ela está pouco agasalhada, ou é porque estou a prejudicar-me profissionalmente por causa dela... irra estou farta! Por mim isolava-me de tal maneira que não recebia mais visitas! Observo tudo silenciosamente, de maneira a não me chatear com ninguém. Mas depois as pessoas saem e o ritual segue-se! Banhinho rápido à minha menina. É que não há respeito mesmo! Vêm co. Imenso perfume pegar na minha bebé! ! Em 6 meses nunca mais cobduzi. Sim... sempre que temos consultas ou vacinas, o pai conduz e eu vou atrás com o meu anjinho. Sou muito criticada por isso mas é uma insegurança que ainda não me sinto capaz de ultrapassar! Ninguém me entende! Não confio em ninguém. 

Peço desculpa pela pergunta e não sei se é correto a fazer. Mas é o meu estado actual. A maior parte das mães fica cansada de lidar 24h por dia com o bebé, eu sou completamente o oposto e detesto que outras pessoas se aproximem. Não estou a conseguir lidar bem com isto.

Peço imensa desculpa pelo longo texto, mas só o facto de escrever já me alivia um pouco. É impensável falar disto com outras pessoas. Pois logo serei alvo de duras criticas.

 

Resposta*:

Existem vários estudos que indicam que a obsessão pelo bebé poderá ser um sintoma de uma depressão pós-parto. Contudo, a inerência deste sintoma à mesma doença, não significa que sempre que ocorra, lhe esteja subjacente uma Depressão pós-parto. 

A verdade é que se, num sentido mais lato, nós mães, nos sentimos desconfortáveis com algum pormenor no nosso comportamento e/ou relação com o bebé, só este já poderá ser um bom indicador de que algo se passa, mesmo não sendo patológico.

Relembro que a Depressão pós-parto é uma doença que necessita de ser avaliada por um médico, para ser efetivamente diagnosticada, e não simplesmente através da observação/sensibilização do próprio, algum familiar ou conhecido, para um certo sinal/sintoma. É a avaliação médica que através da observação e junção de um conjunto de sinais e sintomas, integrados num contexto, e na individualidade de cada pessoa, poderá dar origem a um determinado diagnóstico, pelo que, não se poderá afirmar que alguém tem uma depressão pós-parto, tendo só esta informação.

Tendo em conta que a efetiva obsessão pelo bebé poderá ser algo desviante do considerado saudável na relação mãe-bebé, a consulta inicial com um Psicólogo Clínico, e mais tarde com um Psiquiatra ou Médico de Família, se se verificar necessário, é fundamental para determinar a relação entre ambas as evidências (obsessão pelo bebé e depressão pós-parto) e obter uma conclusão clara e concreta.

 

 

*Embora tenha partilhado concomitantemente toda a história que a P. nos contou, dada a sua especificidade, a respetiva resposta foi reencaminhada para o contacto de onde foi remetida. A presente resposta dada, corresponde unicamente à questão que a P. colocou, num sentido mais abrangente.

 

 

Com ou sem.. é assim que todas somos. Cada uma à sua maneira!

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Com ou sem babyblues, depressão pós-parto, ansiedade, e/ou outros problemas do mesmo género que nos acompanham antes e/ou durante a gravidez, todas nós, de certo que fazemos tudo o que podemos com aquilo que temos e somos, para sermos as melhores mães para os nossos filhos. Para sermos "Mães, WOW"!

 

Para todas as que nos seguem, um grande beijinho, e um MUITO Obrigado, por darem alento e fundamento ao que temos feito até aqui. 

 

Até já!

 

E quando eles começam com as Papas, Sopas e Frutas? #3 - As figuras que fazemos para que eles se alimentem.

Confesso que estava eu a observar muito serena e inocentemente os meus pais a darem pela primeira vez a papa à Madalena, quando de uma simples observação, nasce uma pequena questão:

 

Que "figuras" estarão os meus Pais dispostos a fazer para que a minha filha se alimente?

 

Deitam a língua de fora, falam num tom mais agudo, logo a seguir num tom mais grave, aumentam o volume, falam mais baixo, sacam de várias caretas seguidas, emaranhadas num movimento corporal descoordenadamente pensado, e tudo isto, na tentativa de captar um sorriso e dar uma colher de Papa. Mas não acaba por aqui!

Depois da primeira, na segunda colherada, vira o disco e toca o mesmo.

 

Se resulta ou não, será que é isso que realmente importa?

 

É que resultando ou não, fazendo mais ou menos "figuras", falando mais ou menos alto, fazendo mais ou menos caretas ou palhaçadas para se captar um sorriso e logo a seguir dar uma colher de Papa, sinceramente, não tenho dúvidas de que todos nós construímos estes momentos espontânea e intuitivamente, sem muitas vezes nos apercebemos.

E depois de um, dois, três, de muitos destes momentos, damos por nós renascidos das várias Primaveras em que construímos o nosso ser criança, e juntamente com a nossa pequena criança, reavivamos memórias, e voltamos a sentir a magia do que é genuinamente brincar e sentir.

É destes momentos que saem palhaçadas, risos, palmas, figuras e papéis que outrora não integrávamos com afinco, se não fossemos Pais, Avós, Tios, Primos, Amigos, com muita vontade de cuidar da criança que temos, e que, outrora, também fomos.

 

Todos nós queremos que eles se alimentem.

Todos nós queremos ver o fundo da taça limpinha (ou pelo menos um vislumbre da mesma).

No fundo, e com o melhor fundo, todos nós queremos que eles estejam satisfeitos. Certo?

Por isso, eu acredito que naturalmente decorrente da nossa grande vontade de alimentar e de cuidar dos nossos filhos, todos nós estejamos completamente aptos para fazermos figuras como esta:

 

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E esta:

 

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[Obvio que não ia colocar as piores fotos senão, muito provavelmente, assustavam-se e deixavam de cá vir, e não é isso que eu pretendo com este post!]

 

Mas já agora, já repararam em como eles adoram?!

 

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Por isso, sabem o que eu acho?

Apostem nas "figuras" e palhaçadas, pois mesmo se eles não aderirem em todas as colheradas, pelo menos dentro de vocês e juntamente com eles, divertem-se e passam bons momentos. Momentos esses, que pouco a pouco, construirão um livro de memórias das quais, só nós, teremos nostalgicamente acesso. Hoje, e sempre.

 

 

E por aí? Costumam fazer muitas "Figuras"? 

 

Váá, contem láá!

 

Histórias que dão a cara por esta causa #4 - "Sofri muito com a ausência de apoio durante o Baby blues"

Ainda mal tinha acabado o meu comentário à nossa história que publicaram na plataforma Maria Capaz (que podem ver aqui), e a Dora já tinha feito um comentário que não me esquecerei.

 

Ela dizia:

Que bom ter lido esta partilha pois quando falo destes mesmos sentimentos e angustias acham que eu sou um et. O meu marido nunca compreendeu ainda hoje diz que eu fazia teatro para chamar a atenção. As minhas feridas foram mto fundas, tão fundas que após um ano ainda não cicatrizaram, ainda sangram....
Este estado levou.m a decidir que não quero ter mais filhos quando eu amo ser mãe e ser mãe foi o que sempre quis. Mas doeu muito, ainda dói principalmente porque não tive ninguém para me ajudar foi sempre tudo as minhas costas casa, bebé, marido e ainda tive de ouvir gente que me veio visitar gozar comigo dentro da minha própria casa porque eu estava 40 min a dar de mamar em vez de me aconselharem pois eu era inexperiente era tudo tão novo para mim.... ao escrever este pequeno relato as lágrimas ainda me saltam pelos olhos porque ainda dói muito e se estou aqui neste casamento, nesta casa é pela minha filha apenas por ela porque os outros não reconhecem a minha luta para estar de cabeça erguida todos os dias....
Um grande beijinho a todas as marias capazes
Dora

 

E eu, logo a seguir respondia valorizando a sua coragem em, não só relatar o que tinha sentido, como o facto de o conseguir verbalizar/escrever abertamente. 

Senti que tinha encontrado ali mais uma mulher que, querendo ou não, dava a cara por situações como as que temos vindo a relatar aqui.

Propus-lhe que escrevesse a sua história mais detalhada para o blogue e assim foi. Escreveu, detalhou, e penso que colocará o coração aos saltos de qualquer pessoa que leia e integre a sua história. 

MUITO OBRIGADA DORA!

 

 

 

E vocês, também querem dar, mesmo sem mostrarem, a cara por esta causa, escrevendo-nos a vossa história?

Lembrem-se que quantas mais formos, mais força este assunto terá, e maior contributo daremos à estruturação de apoio para o mesmo!

Enviem-nos as vossas histórias para o seguinte email mfem2912@gmail.com quando se sentirem confortáveis!

 

E agora, preparados para lerem a história da Dora?

 

Olá Ana

Deixo aqui o meu testemunho mais pormenorizado, publique como quiser não tenho qualquer problema em dar a cara, pois mesmo que isto só me acontecesse a mim não teria.

Ao fim de 41 semanas de gravidez e uma barriga gigante á 01.00H la fui eu para a maternidade perdida de dores mas muito feliz.

Não fui a correr mal me deu a primeira contração, esperei, sabia o que tinha de fazer, quando estas começaram a ser com 5min de intervalo la fui eu com a cabeça pousada no tablier o caminho inteiro dizendo ao meu marido, que tremia e suava de nervos," vai devagar porque eu não aguento as dores". Tive um atendimento fantástico na maternidade, trataram - me com todo o carinho e cuidado, ao fim de 11h nasceu por cesariana a minha filhota. Meus Deus que linda..... a primeira coisa que pensei foi " se não a tivesse sentido sair de mim ia pensar que não era minha, ela é tão linda". Quase explodi de alegria. O meu marido parecia um menino a chorar quando lhe pegou ao colo pela primeira vez, ainda estávamos no recobro. Tudo corria bem apesar das dores da cirurgia que tinha ate que, ao fim de 24h foi diagnosticada icterícia á B e eu fiquei para morrer porque aquilo que é tão comum nos bebés pode não ser assim tão linear dependendo do grupo sanguíneo, brotaram aí as primeiras lágrimas descontroladas dos meus olhos. Mas aguentei firme não mostrei a ninguém o meu descontrolo apenas a minha preocupação com a B. No terceiro e ultimo dia de internamento não aguentei mais, tive uma sra crise de choro, em silencio chorei desesperadamente sem saber porquê, fui ao ginecologista numa sala ao lado da enfermaria onde eu estava e mal o medico olhou para mim disse - me bom dia e um "você não está bem" eu desabei, chorei perdidamente enquanto ele me examinava a costura e eu disse - lhe entre soluços " esta tudo bem com a costura? vai dar - me alta? eu ja não aguento mais estar aqui quero ir para casa." Ele responde " são as hormonas, por mim pode ir, consigo esta tudo bem agora se os valores hepáticos da bebé não normalizarem ela tem de ficar...." Pior eu fiquei.....
Felizmente tivemos altas as duas e eu achei que ao chegar a casa, tomar um banho, vestir o meu pijama e dormir um pouco tudo iria passar,mas não foi assim.
Tudo se agravou devido á privação do sono, as dores no peito ( os meus mamilos gretaram ) e as dores da cicatriz que me limitavam drasticamente os movimentos, mal consegui andar, foi assim durante 2 longos meses.
O meu desespero psicológico era tanto que tenho lapsos de memoria dessa altura.
Chorava desesperadamente, sem motivo, mal a minha filha começava a chorar, o meu marido perguntava - me " porquê que estas a chorar? " e eu respondia  - lhe " não sei". Até hoje ele acha que era teatro para chamar a atenção.
Nunca tive ninguém para me ajudar com a casa e com o bebé, fui sempre sozinha para tudo, o meu marido pouco ajudou a única coisa que fazia era dar banho á B porque eu não podia estar dobrada por causa da dor da cicatrização da costura.
Um dia liga - me um medico amigo, que é meu medico de família, para saber como eu estava após a cirurgia(ainda não havia um mês após o parto) e eu desato a chorar ao telefone e digo - lhe "ajuda - me por favor, não aguento mais este estado acho que estou a entrar numa depressão" ele responde - me prontamente " amanha quero - te no meu consultório sem falta, agora acalma - te porque a bebé sente a tua instabilidade, se precisares liga - me.... força pequenita"
Ele explicou - me o que eu ja tinha lido, nada era novidade apenas o que eu sentia.
Este estado ainda não passou na totalidade ainda me sinto frágil, ainda brotam lágrimas pelos meus olhos quando relembro esta fase, quando as cicatrizes ainda mal fechadas sangram, ainda doi.
Escusado será dizer que esta fase afectou todas as áreas da minha vida, principalmente o meu casamento, criou - se um foço entre mim e o meu marido, as coisas não são fáceis mas fazemos um esforço para que resultem pela felicidade da nossa filha. Por ela e apenas por ela não mando tudo pras urtigas.
So gostava de dizer mais uma coisa neste meu extenso relato, a todas as recem mamas que como eu tiveram a infelicidade de falarem e ate receberem em suas casas pessoas que as diminuem enquanto mães e até lhes dizem indirectamente que não sabem ser mães, NÃO OUÇAM.
Eu fui alvo dessa gente mal intencionada mas felizmente encontrei uma "bíblia" que me ajudou a perceber que afinal estava muito certa na forma como tratava e amamentava a minha filha e fez de mim uma mãe segura chama - se Pergunte ao Pediatra escrito pelo Dr. Carlos Gonzalez, um pediatra catalão.
Aguentei tudo isto, aguento ainda a dor que me assalta pela minha filha e por ela todos os dias levanto a cabeça e sigo em frente.....

Espero que a minha experiencia ajude e obrigada Ana por me dar esta oportunidade.
Com carinho
Dora

 

 

Quando perguntam, nós respondemos!

Esta, será a nossa nova rúbrica aqui no blogue!

 

Via email e facebook, têm surgido algumas questões, que embora tenham sido respondidas na altura, achei que seria pertinente partilha-las (com o devido consentimento) aqui no blogue.

A verdade é que as dúvidas e/ou questões de umas pessoas, poderão ser as de outras. Certo?

 

Mas, também é verdade que estas rubricas se constroem especialmente convosco. Com as vossas experiências, e acima de tudo, com a vossa participação.

Portanto, têm alguma dúvida sobre os desafios físicos, psicológicos e sociais do pré e pós-parto? Têm alguma questão que gostavam de colocar? Inerente a temas como o Babyblues, Depressão, Ansiedade e Psicose pós-parto? Sintomas, Situações práticas, teorias e afins? 

Então este é o espaço ideal para colocarem as vossas dúvidas e questões, pois quando vocês perguntam, nós respondemos!

 

Primeira Pergunta: Nós, Quem?

 

Aqui,  o Nós, implica a minha, e a participação da equipa que construímos, e com a qual temos vindo a trabalhar ao longo das últimas semanas sobre esta rúbrica, e no Projeto que já referenciei aqui no blogue e que ainda irei descrever muito melhor, brevemente.

Aqui, o Nós, implica as seguintes três profissionais:

 

  •  Ana Vale - Enfermeira.

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Aquela pessoa que desde há meses vos tem impingido textos atrás de textos sobre Parentalidade, Experiências Pessoais, e especialmente temas inerentes à Saúde Mental antes e depois do parto.

Para ficarem a saber um pouco mais de mim, podem consultar parte do meu Curriculum aqui;

 

  • Isabel Sofia Pires - Terapeuta Familiar. 

 

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Sou mulher, filha, irmã, tia, cunhada, nora…

Desde sempre que fui apaixonada e muito curiosa em compreender a mente humana.

O meu percurso académico e profissional iniciou-se pela área social e fui-me especializando no trabalho com um grupo muito especial, a família. A família como um conjunto de duas, três, quatro, cinco ou mais pessoas emocionalmente ligadas entre si, a família como um pilar da sociedade, a família como um grupo que influencia e é influenciado, a família que partilha - permanente ou ocasionalmente - o mesmo teto!

Sou terapeuta familiar, assistente social, educadora sexual, coach e trabalho com pessoas individuais, com casais e com famílias que me procuram quando algum tipo de sofrimento se manifesta ou quando procuram apoio na prossecução dos seus sonhos.

 

  • Raquel Vaz - Psicóloga Clínica.

 

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Psicóloga clínica, formadora, coach e mãe de profissão, sou sobretudo apaixonada pelas relações humanas e pelos seus caminhos e labirintos que tornam a experiência da vida mais desafiadora!

E como um desafio aceitei fazer parte deste projeto, pois acredito que a felicidade de cada ser começa desde o momento em que existe no pensamento de alguém.

 

E agora, têm alguma dúvida ou questão que nos queiram colocar?

 

Então, enviem-nos as vossas dúvidas/questões para o seguinte email: perguntas@mulherfilhamae.pt, e de certo, que seremos breves na resposta.

 

 

Contamos convosco!

 

Publicaram a nossa história na plataforma "Maria Capaz"!

É verdade!

 

Se quiserem, podem consulta-la aqui.

 

Nossa história por MariaCapaz.png

 

E tantas pessoas gostaram e partilharam.

Tantas pessoas comentaram, identificando-se com a história, relembrando momentos menos positivos e evidenciando a falta de informação e apoio que existe nesta área. 

 

OBRIGADA!

Obrigada por nos ajudarem a levar mais informação a um crescente número de famílias em Portugal!

 

Se também vocês nos quiserem ajudar a divulgar este tipo de informação através da nossa história, post's, ou outros, enviem-nos email para: mfem2912@gmail.com

 

Contamos convosco!

 

O Tempo de uma Mulher e Mãe.

O Tempo tem tanto tempo quanto tempo o tempo tem.

Ou seja, o tempo não tem limite de tempo que nós achamos que o tempo tem.

O tempo responde por si.

E nós, questionamos o tempo que o tempo tem, 

não só pelo tempo que levamos a manipular o tempo,

mas a tentar dobrar constantemente o tempo, também.

Eu quero, mas nem sempre tenho tempo.

Eu tento, mas nem sempre multiplico o tempo,

pelo tempo necessário para realizar tudo o que quero, como mulher e mãe. 

E assim passo o meu tempo.

Ao relento de vários momentos,

que não cabem no respetivo tempo,

que eu quero que o meu tempo tenha. 

É este o meu tempo.

É agora o meu momento.

O momento de alguém que não cabe no seu tempo,

Mas que se desdobra e multiplica,

para que no seu pouco tempo,

se revele, em cada momento, enquanto Mulher e Mãe.

 

 

Acabei de multiplicar tantas vezes o tempo para dizer simplesmente, que há sempre tão pouco tempo para se ser Mulher E Mãe.

 

Não concordam?

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