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Mulher, Filha & Mãe.

Sensibilizar (para) e apoiar (na) ansiedade e depressão na gravidez e no pós-parto

Mulher, Filha & Mãe.

Sensibilizar (para) e apoiar (na) ansiedade e depressão na gravidez e no pós-parto

Um novo parceiro no âmbito da formação do Projeto "Mulher, Filha & Mãe". Curiosos?

Após vários contactos, semanas, alguma ansiedade e muita - mas mesmo muita! - motivação, finalmente posso estar aqui a dizer-vos que brevemente irá iniciar um curso de preparação para o parto e (posteriormente) de recuperação pós-parto que integra também temas inerentes à saúde mental no pré e pós-parto

Baby blues, Depressão, Ansiedade e Psicose Pós-parto já não serão temas tabus para quem se juntar a nós!

Mas haverá mais!

 

Para quem tem acompanhado o desenvolvimento do blog (e para quem não tem, atualiza-se agora), sabe que o que mais se fala e defende por aqui é que este tipo de temáticas sejam cada vez mais debatidas, por e entre todos, abraçando não só a própria mulher como figura central deste tipo de problemática, como os filhos e o resto da família que a acompanha ao longo do seu percurso. 

Hoje, conquistamos mais um espaço de debate e momento de divulgação, não só com a integração destas temáticas num curso de preparação para o parto e recuperação pós-parto, como pela possibilidade de desenvolvimento de vários tipos de ações de sensibilização e workshops no mesmo espaço.

 

E por espaço, falo-vos do Embalaiê - O centro de desenvolvimento infantil e familiar pela dança. Um centro com uma energia bastante positiva, e cujo conceito me apaixonou logo à partida.

 

 

 

Dado que estamos na sua semana de inauguração, poderão aceder, através de marcação, a vários tipos de aulas para crianças e adultos (relacionadas com a dança e não só) de entrada livre, assim como poderão vir assistir à apresentação do curso de preparação para o parto e recuperação pós parto (que vos falei no inicio) no dia 2 de Outubro pelas 19h, como podem ver no cronograma seguinte - o cronograma das aulas de entrada livre a decorrer durante esta semana no respetivo centro.

 

 

 

Para além deste curso já estamos a preparar mais alguns workshops relacionados com  a Saúde Mental no Pré e Pós-Parto e com a Meditação e o Reiki durante a gravidez e no pós-parto, que divulgaremos dentro em breve! 

 

Estejam atentos!

 

Saúde Mental no Pré e Pós-Parto: Dados que dão que pensar!

O período da maternidade tende a ser visto como um momento de bem-estar para a mulher e respetiva família. Porém, um número significativo de mulheres vivencia sintomas perturbadores que podem tornar esta experiência uma das piores das suas vidas.

 

 

Com exeção da doença cardíaca, a depressão é a doença crónica que mais afeta as mulheres, as quais apresentam uma vulnerabilidade maior para esta patologia nos anos reprodutivos (entre os 18 e os 44 anos), assim como apresentam o dobro da probabilidade de sofrer da depressão por si só, comparativamente aos homens. Estudos longitudinais revelam que a duração mediana dos episódios varia entre três a doze meses, salientando que a sua cronicidade (com duração de 24 meses ou mais) ocorre entre 10 a 30% dos casos.

 

Esta doença é também a principal causa de internamento não obstétrico nas mulheres nestas idades. Sendo estes os anos em que a maioria das mulheres tem filhos, existe uma possibilidade elevada de muitas estarem deprimidas durante o período perinatal.

 

Estes dados dão que pensar... não dão?

 

 

Fonte

 

O que Brazelton recomenda sobre o estabelecimento de limites nas famílias.

T. Berry Brazelton, é um pediatra norte-americano de renome que escreveu vários livros que já ajudaram vários pais a lidarem com vários tipos de comportamentos infantis.

Num dos seus livros que me encontro a ler - A criança e o seu mundo - dá algumas recomendações para o estabelecimento de limites nas famílias, que por ter considerado bastante interessantes, decidi partilhar convosco.

 

 

Dar mais e esperar mais. Isto é, conjugar os limites e as expectativas com o carinho e a atenção; lançamos desafios aos nossos filhos enquanto os acarinhamos. Esta combinação fundamental é a que melhor funciona com os membros mais produtivos da nossa sociedade. É quando perdemos este equilíbrio essencial, quando esperamos receber sem dar e damos sem esperar receber, que as crianças se tornam resistentes e revoltadas ou mimadas e passivas.

 

A disciplina como ensino. A Disciplina deveria ser verbal e incluir limites, solução de problemas, aprender a antecipar situações difíceis e aprender a lidar com a frustração, o sentimento de perda e a humilhação.

 

Castigos corporais. Já não são aceitáveis num mundo cada vez mais violento.

 

Nunca humilhar. A humilhação gera ressentimento, revolta e mais rebeldia do que a interiorização de valores objetivos importantes em termos sociais.

 

Incluir as expectativas na relação. As crianças devem poder ter um adulto que faça por elas o que esperamos que elas sejam capazes de, mais tarde, fazer por si e pelos outros. Para aprender, não basta apenas testemunhar ou observar, é preciso fazer parte de uma relação em que certas atitudes, valores, ideais e objetivos fazem parte de interações de apoio entre a criança e o adulto.

 

Adaptar as expectativas à idade da criança. Não podemos esperar que as crianças interiorizem os limites e gostem de aprender se não lhes dermos as ferramentas para conhecerem, compreenderem e dominarem o seu mundo. Isto implica reconhecer os estádios de desenvolvimento e usar abordagens educativas que se ajustem à criança.

 

Autodisciplina. O objetivo de os pais estabelecerem limites deveria ser passar gradualmente esta tarefa para a criança. Ajudá-la a escolher as sanções e procurar formas de lidar com sentimentos fortes encoraja-as a assumirem a responsabilidade.

 

A disciplina no final de um dia de trabalho. A primeira hora depois de os pais chegarem a casa deveria estar centrada nas necessidades da criança e na aproximação entre todos. Só assim os pais se sentirão habilitados a estabelecer os limites necessários.

 

Os pais como equipa. A disciplina funciona melhor se os pais tiverem tempo um para o outro e puderem estabelecer limites e manterem-nos como uma equipa. A modelação da autodisciplina feita pelos pais é uma forma eficaz de as crianças aprenderem a autodisciplinarem-se. 

 

 

 

Espero que vos faça refletir, tanto como me fez a mim. 

Passatempo: Vamos sortear um mês de aulas no Gymboree Dolce Vita Tejo!

Já foi falado aqui, e aqui o quão benéfico brincar é para as crianças e para os papás, e especialmente, como o Gymboree nos pode ajudar neste sentido! 
 
Assim sendo, juntei-me ao Gymboree do Dolce Vita Tejo, e hoje lançamos um passatempo que sei que vão adorar:
 
 
Um Voucher que irá equivaler a UM MÊS de aulas no Gymboree Dolce Vita Tejo de ENTRADA LIVRE.
 
 
O Voucher irá abranger crianças dos 2 meses aos 5 anos de idade e poderá ser utilizado até 31/03/2016;
 
O passatempo começa hoje e termina dia 01/10/2015 às 23h59. No dia 02/10/2015 será comunicado o(a) vencedor(a), que será sorteado por random.
 
Para se habilitarem a ganhar, terão de:
- Fazer Gosto na Página do Facebook do Gymboree Dolce Vita Tejo;
- Fazer Gosto na Página do Facebook do blog Mulher, Filha e Mãe.
- Partilhar publicamente o passatempo;
 
 

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Aqui têm uma ótima forma de comprovarem através da vossa experiência, tudo o que já aqui falámos sobre brincar, e sobre o Gymboree!

A influência da Personalidade na Depressão Perinatal: Dependência e autocrítica.

Nas últimas duas semanas já foram abordados os conceitos de personalidade, da influência da mesma no desenvolvimento da depressão perinatal por si só, e de que forma é que o temperamento e o caráter também poderão influenciar o mesmo desenvolvimento, de forma isolada

 

Tal como tenho vindo a referir, é muita a informação inerente à influência da personalidade no desenvolvimento da depressão pré e pós-parto, pelo que a divisão dos vários subtemas nesta rubrica de edição limitada, é necessária para que o máximo possa ser descrito da forma mais adequada, tornando também os artigos de consulta e leitura mais fácil. 

 

 

Em relação à dependência e à autocrítica, a investigação tem mostrado que as dimensões das mesmas influenciam o inicio e o curso da depressão pós-parto. 

 

As pessoas autocríticas têm sido descritas como altamente preocupadas com a autodefinição, controlo, perfeição, enquanto que os indivíduos dependentes são tipicamente preocupados com os medos de abandono e de perda.

Vários são os estudos que têm fornecido dados para a assunção de que a autocrítica está positiva e fortemente ligada à sintomatologia depressiva no pós-parto.

 

Relativamente à dependência, os níveis moderados da mesma, protegem a mulher contra sintomas depressivos no período do pós-parto, ao passo que níveis elevados e baixos de dependência estão associados a uma vulnerabilidade aumentada para a depressão.

Em particular, as mulheres com baixos níveis de dependência podem ser incapazes de procurar e de manter o suporte social e de se relacionarem com os seus bebés conduzindo a sintomas de inadequação e consequentemente, à depressão. Em contraste, altos níveis de dependência podem desencadear uma reação mal adaptativa mãe-bebé, que pode conduzir a medo de separação e a depressão.

Níveis moderados de dependência podem relfetir a capacidade de procurar e de manter o suporte social e de se relacionar com o bebé de forma adaptativa, protegendo assim a mulher dos sintomas depressivos.

 

 

Fonte

Crónicas da nossa Equipa Clínica - "O que nos (co)move?"*

O que entendemos por valores? Sabemos quais são os nossos valores?

Podendo parecer que nada tem a ver com o tema, muito tem a ver com a reflexão pretendida para este post, pois os valores influenciam o nosso comportamento. Todas as nossas decisões são guiadas pelos nossos valores.

 

É fundamental termos a noção de quais são os nossos valores e qual a nossa hierarquização de valores para podermos compreender as nossas ações.

Ter a noção de quais são os valores que nos motivam ou retraem, que estão por trás das crenças que construímos, as quais moldam a nossa visão.

Aqueles valores que determinam a emoção que associamos a uma determinada ação e que no momento de optar/decidir nos fazem seguir um ou outro caminho. No fundo os valores que nos (co)movem...

 

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Existem várias teorias e que haja registos existem estudos feitos por filósofos desde a Grécia Antiga. Mas poderemos dizer que os valores são conceitos que justificam as nossas ações, sendo algo subjetivo, ou seja duas pessoas poderão atribuir significados diferente a um mesmo valor.

Exemplos de valores são: solidariedade, honestidade, lealdade, justiça, cidadania, liberdade ou ainda reconhecimento, amizade, família, respeito, segurança, humildade, responsabilidade,...

 

Veja-se o seguinte exemplo:

Certo indivíduo cujo objetivo era o de conseguir um ordenado melhor, foi questionado a respeito dos seus valores. Como resposta ele definiu que esta valorização financeira lhe traria mais segurança junto da sua família, um maior conforto, estabilidade para usufruir dos seus gastos em família sem preocupações, entre outras coisas.

Neste pequeno discurso é possível ver quais são os seus valores (família, tranquilidade, segurança) e a importância que o mesmo atribui à sua família e como isso torna a Família um valor positivo que irá auxiliá-lo na execução do seu objetivo.

 

Portanto, para além da noção dos nossos valores, é fundamental perceber qual a importância que atribuimos a cada valor. Isto porque de uma forma geral, numa mesma sociedade, poderemos ter os mesmos valores, mas em hierarquias diferentes. É esta hierarquização de valores que leva a que tenhamos resultados diferentes, porque vamos ter ações, comportamentos, decisões diferentes consoante o que mais valorizamos ou menos...

 

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Para termos a noção de quais são os nossos valores temos que nos questionar. O que é mais importante na minha vida? Qual o sentimento que me traz? Porque é importante para mim? De seguida, fazer uma lista de pelo menos 5 valores importantes.

 

Quando tomamos consciência dos nossos valores e da nossa ordem de valores conseguimos, não só compreender muito melhor os nossos comportamentos e reações e deste modo muda a forma como nos vemos, como também esse nível de consciência permite melhorar os nossos relacionamentos.

Veja-se o seguinte exemplo:

Um elemento de um casal compreendeu a origem das piores discussões entre ambos ao tomar consciência de que o seu valor mais importante era o reconhecimento. Um dia foram os dois a um ginásio e a mulher disse ao monitor “Olhe, trago mais um”, no sentido de propor um desconto, o marido ficou zangado “Mais um, como assim, eu sou o marido!”. Ao ganhar esta consciência pôde não só compreender as suas reações e moderá-las, como também resolver melhor o conflito explicando à mulher o que sentia nestas situações, passando assim a relação para outro patamar.

 

Os valores são o resultado da nossa genética, educação, sociedade, cultura e moldam a nossa personalidade, a qual vai mudando ao longo da vida...

Neste sentido outro aspeto importante na tomada de consciência da nossa ordem de valores é podermos trabalhar e ajustar esses valores de modo a alcançar objetivos traçados e atingir resultados pretendidos, o que implica uma mudança de paradigmas... mas esta será uma reflexão para um futuro post.

 

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*Crónica por Raquel Vaz (Psicóloga Clínica)

Histórias que dão a cara por esta causa #12 "Olá. Sou a Margarida e tenho depressão pós-parto."

Tive conhecimento da história da Margarida através do artigo que escrevi para a plataforma Maria Capaz - "A Depressão Pós-Parto não é uma Miragem".

 

Assim que vi o seu comentário contactei-a para saber se poderia publicar a sua história no blog, nesta rubrica que cada vez mais nos descreve experiências reais e nos demonstra vivências, sentimentos e sensações que muitas mulheres e respetivas famílias sentem antes e/ou após o parto. - Histórias que dão a cara por esta causa.

 

Ao falar com a Margarida, encontrei uma (grande) mulher que ainda vivencia alguma dor, mas cheia de força para continuar a lutar, não só para ultrapassar por completo a depressão pós-parto que já há algum tempo enfrenta, como para divulgar a sua história na tentativa de ajudar outras mulheres e respetivas famílias que passem por um pós-parto semelhante.

 

Gostava de vos contar muito mais, mas sem dúvida que o tão claro, forte e genuíno testemunho da Margarida, espelha tudo o que vos acabei por dizer e muito mais!

 

Leiam, porque sem dúvida que, VALE A PENA!

 

Obrigada Margarida! 

Obrigada a todas as mulheres que comigo têm partilhado as suas histórias, e que desta forma, têm contribuído para a divulgação de situações como estas, que se têm falado, e que se continuarão a falar muito por aqui

Se também vocês querem dar voz à vossa história e força a esta problemática, enviem-me email para:

blog@mulherfilhamae.pt

 

 

 

"Olá. Sou a Margarida e tenho depressão pós parto."

 Podia ser a minha frase inicial na reunião de um grupo de mulheres que se junta em sessões semanais, tipo alcoólicos anónimos, para falar sobre o que lhes vai na alma quando chegam a este estado depressivo tão vulgar nos nossos dias, mas que ninguém sabe ao certo o que é, ninguém dá importância à coisa e todos pensam.." É das hormonas, coitada!"

As hormonas realmente ajudam a que tu chegues ao fundo de um abismo, mas não é o único motivo para atingires esta estado catastrófico de estado de espírito.

Com as outras não sei como foi. Não há grupos. Não se fala sobre isto. Ninguém gosta de admitir que está com uma depressão. Quanto mais admitir que está com uma depressão depois de ter um filho, que supostamente é uma coisa maravilhosa, espectacular.. a melhor coisa da vida, não é?

 

Eu amo ser mãe. Tenho dois filhos. O primeiro filho não tive nada. Fui uma mãe dita, normal.

Com a minha segunda filha tudo foi diferente. Tudo foi difícil.

 

Dizem que a gravidez me protegeu de tudo o que me estava a acontecer. O meu casamento acabou de um dia para o outro (literalmente) quando estava grávida de 7 meses.

Fui maltratada. Fui inferiorizada. Fui desprezada. Fui esquecida. Fui menosprezada. Fui enxovalhada. Fui posta de lado numa altura em que é suposto termos todo a apoio de quem está ao nosso lado. Tive apoio, mas foi do meu pai, da minha mãe e das minhas irmãs. Não contei a mais ninguém porque nunca quis acreditar que aquilo me estava a acontecer.

As hormonas da gravidez protegeram-me até ao dia em que a minha S. nasceu e o meu futuro ex me passou a mão pela cabeça e foi embora do hospital. Nem um beijo. Nem um "obrigado?". NADA.

Comecei a chorar e chorei noite e dia, 1 dia, 2 dias.. 3 semanas. Saí de casa, com os meus filhos e a nossa roupa. Voltei para a casa da minha mãe. Voltei a depender de ajuda de familiares. E descobri que ele tinha outra. E ele esqueceu-se que tinha filhos. E eu fiquei assim.

Após 3 noites sem dormir e valha-me a sorte de ter um pai médico, gritei por ajuda. Berrei por algo que nem sabia o quê. E ele fez o diagnóstico.

 

Depressão pós-parto.

Tinha chegado ao limite.

 

E ele chegou ao pé de mim com a minha primeira ajuda, anti-depressivos e calmantes.

Voltei a berrar que não chegava, precisava de mais. E ele voltou novamente ajudar-me e fui a um psicólogo que ainda hoje vou.

Eu estava no fundo. Os pensamentos em fugir e deixar os meus filhos com a minha mãe eram constantes. Queria morrer. Pensava em maneiras de tirar a minha vida e se teria coragem para rasgar os pulsos com a faca da cozinha. Perguntava-me se ao engolir a caixa toda de Xanax conseguiria fechar os olhos para sempre. Não sorria. Não brincava com os meus filhos, não lhes ligava nenhuma. Tentava encontrar soluções para despacha-los para longe de mim a toda a hora, a todo o minuto. Não me queria vestir. Não tinha fome. Não tinha sono. Só queria fugir de mim, da minha vida e de tudo e não conseguia aguentar mais. Vivi semanas à base de cafés e cigarros.

Após um mês e meio tinha perdido os 14 kg da gravidez e mais 7 kg meus. Cheguei aos 47kg. Estava cadavérica, triste, sozinha, com dois filhos e à beira de fazer 35 anos. "Quem me quer? Olha para mim, estou uma merda. Não valho nada. Fui trocada por uma merda é porque sou uma merda pior ainda". Sentia-me presa.

 

As pessoas em meu redor não compreendiam nada do que eu falava. Só ouvia "tens de viver para os teus filhos, eles são o mais importante, não és tu." e ".. tens de ser forte.." e eu só pensava.. "CALA-TE não consigo, não vês?? FODA-SE E EU?? Como posso ser para eles se nem consigo ser para mim??!!"

Gritava comigo. Chorava a meio da noite. Chorava em frente aos meus "amores maiores"

Estes foram os meus dias durante os primeiros  4 meses. 

E tive de arregaçar as mangas e ir à luta. DE MIM. Dia após dia e mais outro dia, lutei e luto..

Hoje ainda vou ao psicólogo e estou sob os anti-depressivos. Deixei os calmantes à 15 dias, já não preciso deles. Quero estar com os meus filhos 24h por dia, mas não é todos os dias, ainda. Sorriu. Brinco. Durmo. Como. Vivo... mas tive de pedir ajuda a todos, batalhar para que compreendessem o que eu tinha. A minha doença. Trabalho com gosto outra vez e anseio pela hora de ir buscar os meus pirralhos á escola só para sentir o seu cheiro perto de mim. Já me olho ao espelho e vejo-o a Margarida, a batalhadora, a mulher bonita e extrovertida e amiga e divertida. Voltei a falar e tornei-me dona da minha vida como sempre fui.

Estou a voltar ao "de cima" e voltei a respirar. Mas ..

 

Tal só é possível se tu realmente quiseres VOLTAR."

Disciplina pessoal.

"É importante estabelecer uma disciplina pessoal com o objetivo de nos transformarmos interiormente.

Esta disciplina não deve, de modo nenhum, ser imposta do exterior, antes nascer da nossa compreensão das coisas e da consciência dos benefícios que delas retiraremos se optarmos por a aplicar." 

 

 

 

Por Dalai Lama, em 108 pérolas de sabedoria - para atingir a serenidade.

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