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Mulher, Filha e Mãe

Sensibilizar (para) e apoiar (na) ansiedade e depressão na gravidez e no pós-parto

O sentimento de amor.

 O tema de hoje levanta imensas interrogações, porque é bastante controverso, apesar de estarmos certos de que amamos.

Claro que gostamos das pessoas que nos são mais queridas, mas amar é outra coisa. A esmagadora maioria das pessoas acha que o seu sentimento pelo parceiro, pela família, pelos amigos e pelos filhos é de amor. Mas que amor é esse? Ignoram essas pessoas que a energia que rege o universo é, precisamente, a do Amor, algo bastante diferente do que sentimos habitualmente por essas pessoas. De facto, existe uma diferença entre aquilo que denominamos “amor” e esta energia universal.

 

 

O sentimento a que damos o nome de “amor”, na maioria das vezes, é ínfimo comparado com essa energia que tudo permeia. E denota um comportamento de interesse por parte de quem o tem. Se a outra pessoa tem qualidades semelhantes às nossas (é muito parecida connosco), se nos apoia, se nos obedece, se é “bonita”, se tem palavras agradáveis, se pertence ao nosso grupo, etc., temos tendência para gostar dela, considerá-la “amiga” e “facilitar” certas coisas. Caso contrário, a nossa atitude é de desconfiança, pelo menos temporariamente, e não é raro ficarmos com um “pé atrás”. Ora o Sol quando nasce ou se põe, é para todos. Mesmo que haja nuvens, isso não o impede de distribuir a sua luz e o seu calor a todas as formas de vida. Não “pensa”, como nós, se a pessoa é simpática ou não. Independentemente da postura desta (até pode ter cometido um crime) existem sempre dias e noites. O Sol não nos julga. Nós é que determinamos o nosso futuro de acordo com as nossas opções a todo o momento.

Portanto uma educação esclarecida conduz os nossos filhos a opções muito mais amplas do que um amor somente pessoal, o qual é apenas um preliminar, um “ensaio”, desse sentimento muito mais amplo que denominamos de “amor”.

 

 

Para muitos, este conceito é manifestamente estranho, dado nunca terem experimentado mais do que uma fugaz paixão e a ideia de um amor mais amplo, continuado, de características universais, que não obedeça ao tempo e às convenções estabelecidas, nem sequer lhes passa pela cabeça.

 

No entanto, é indubitável que os seres maiores que passaram pelo planeta e deixaram a sua marca em processos sociais que alteraram a nossa maneira de pensar, de sentir e os nossos procedimentos, viveram um sentimento muito mais alargado do que o amor por uma só pessoa. Já não nos referimos aos grandes avataras, mas, por exemplo, aos nossos conhecidos Mandela, King ou Gandhi, para já não apontarmos do exemplo de Madre Teresa. Todas estas pessoas foram capazes, nos últimos tempos, de sobrepor o interesse da comunidade ao seu próprio interesse, dilatando a ideia de amor pessoal. E há já mais de 2 milénios veio um ser dizer à humanidade, para amar-nos uns aos outros. O mesmo ser falava em amar mesmo os nossos inimigos.

 

Quer isto significar que os nossos sentimentos podem abranger apenas daqueles que nos rodeiam ou ir até à colectividade onde estamos inseridos, e mais além, sem que se extinga por isso. Caso eduquemos as crianças numa atitude sectária relativamente ao mundo, de amor limitado, de consciência curta, tanto em termos de poder financeiro, como de dogmas religiosos ou ideológicos, como de cor da pele ou de raça, etc., jamais poderemos aspirar a um mundo melhor. E isto começa bem cedo, porquanto os nossos medos, a nossa incompreensão relativamente às diferenças, a nossa ausência de solidariedade, impregnam a vida daqueles que convivem de perto connosco, sobretudo os mais pequenos. Está na altura de ensinarmos algo mais vasto, impessoal.

 

 

Amar não se resume, pois, a sentir a falta de alguém ou a acharmos “queridos” certos gestos da pessoa. É bastante mais do que isso. Implica um dar sem aguardar determinado procedimento em contrapartida, aliás sem estar à espera de nada, é por isso existe um “amor desinteressado” e um outro que não o é.

Habituemos então as crianças, desde que as concedemos, à possibilidade de um sentimento amoroso cada vez mais alargado. Isto é altamente positivo para a seu desenvolvimento e proporcionará uma sociedade integrativa que todos beneficiará. Quando o nosso sentimento de amor se limita aos familiares, ou ao pequeno círculo das nossas amizades, é a maior parte dos seres humanos que fica excluída. Esta redução da nossa família humana é fictícia.

 

 

Texto escrito por José Mendes

Educar também é ensinar a dizer adeus...

Sendo este um espaço de crónicas e por isso de reflexão e partilha... é incontornável a minha partilha convosco. E partilho por necessidade, confesso, no sentido individual, mas também, como testemunho, para que esta possa ser outra forma de chegar até vós.

 

Nas últimas semanas fui obrigada a despedir-me de duas pessoas que fazem (pois continuarão sempre a fazer) parte da minha vida. Duas pessoas que tinham ainda muito para viver. Não foram as primeiras despedidas... Já vi partir outras pessoas também precocemente e já perdi algumas que amava, como os meus queridos avós.

Mas desta vez foi diferente, pois desta vez tinha que lidar com o papel de mãe.

 

 

Desta vez para além de ter que gerir a minha dor, a dor do meu marido, tive (tivemos) que pensar na melhor forma de chegar a dois meninos extraordinários de 6 e 2 anos...

Tivemos que explicar o inexplicável, dizer que a avó agora era uma estrelinha no céu. Também explicámos (da forma mais simples possível) que quando alguém morre há um sítio onde todas as pessoas que a amam se despedem e podem lá ir sempre que quiserem. E que já não vamos poder estar mais com a avó, mas que fica no nosso coração e nas nossas memórias. Também dissemos que é natural ficar triste e chorar (e até ficarmos zangados...) que podemos chorar o quanto nos apetecer.

 

O Tiago de 6 anos ficou sério a ouvir, arregalou os olhos, quis saber pormenores (alguns que até nos desconcertam e espelham a sua inocência... “Mas como é que os ossos se transformam em estrelas?”) e só ao deitar-se partilhou emocionado (uma emoção contida) “Mamã, lembro-me de ir ao largo com a avó...”, memórias que reforçam o amor que vai ficar para sempre.

O André de 2 anos e meio, parecendo não ligar, não foi indiferente à tristeza dos pais distribuindo os seus abraços reconfortantes e notou-se que ficou mais sensível. Alertando a nossa consciência para a importância do nosso comportamento.

Apesar da sua noção de morte ser ainda muito vaga, sou de opinião que não é saudável omitir ou não mostrar a tristeza que sentimos. É discutível a participação nas cerimónias em família, não vejo um contra evidente, cada caso é um caso e até pode ajudar a lidar de forma mais natural com a morte.

No nosso caso decidimos que os miúdos não iriam (há pouco tempo começou uma nova etapa, a primária, e não quisemos arriscar, e se não ia um, não ia o outro), mas fizemos a nossa “cerimónia”, um desenho e um girassol que era a flor preferida da avó, os quais dissemos que iríamos colocar junto dela e assim o fizemos.

 

 

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E quando esta dor ainda estava em processo veio outra... o meu tio, meu querido tio... de uma forma igualmente inesperada e brusca.

Não foi possível esconder a tristeza profunda e, mais uma vez digo, nem acho que seja essa a melhor forma de lidar com a situação.

O meu filho mais novo deu-me um abraço e o mais velho (que dei por mim a ter a necessidade de justificar... pois estava a receber a segunda notícia de morte em tão pouco tempo) disse: “Mãe, há algumas pessoas que morrem, outras não morrem”, não o contrariei ou corrigi, terá muito tempo.

Educar também é ensinar a dizer adeus... e para isso aceitar emoções mais cinzentas e permitir falar, falar de tudo, das memórias, da dor, da morte... pois a morte também faz parte da vida.

 

 

Texto escrito por Raquel Vaz (Psicóloga Clínica)

Hoje, é um dia importante para mim.

Hoje é um dia importante, mas não só pelo seu marco pessoal.
Hoje é um dia importante porque comemoro a vida.
Hoje é um dia importante porque todas as pessoas que são realmente importantes ainda se aproximam mais e me tocam. Porque todo o carinho se triplica e toda a boa energia flui de forma mais clara e cintilante.
Hoje é um dia importante porque comemoro as minhas conquistas, o meu percurso.
Hoje é um dia importante porque me mantenho a perseguir as minhas convicções e a traçar os meus objetivos.
Hoje é um dia importante porque me continuo a descobrir.
Hoje é um dia importante para mim, e assim espero que um dia seja motivo de orgulho para ti.
Hoje, para mim, realmente é um dia importante, porque para além de ser um só dia, podemos comemorar (novamente) em família, o quão importante é estarmos juntos e radiantes!

 

Hoje é um dia importante, porque para além do que significa para mim, vocês também estão aqui .

 

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Quem não aparece aqui, é porque me deve algumas fotos*

Os obstáculos na vida dos nossos filhos.

Os obstáculos fazem parte da vida, e o nosso querido amigo José Mendes resolveu partilhar connosco a sua visão sobre como é importante ensinar-mos os nossos filhos a lidar com os obstáculos desde cedo, e não remover-mos todos e mais alguns da sua frente, correndo o risco de os proteger em demasia.

 

 

É relativamente acessível, para a maioria dos pais, ver até que ponto os filhos possuem ou não os meios e os apetrechos para ultrapassar as dificuldades que a vida lhes vai colocando. Antes do mais, é necessário que os progenitores se percebam que obstáculos e facilidades integram continuamente (e a todos os níveis) a nossa existência. Portanto, quanto mais cedo deixarmos de remover as tais dificuldades e proporcionarmos o discernimento e os sentimentos necessários para as crianças evoluírem e chegarem a uma (relativa) autonomia, melhor para todos. Não é aconselhável educar as crianças numa perspectiva de que alguém irá remover os obstáculos que irão encontrar.

 

Alertamos para o nocivo hábito que se instalou na sociedade actual e que conduz a uma educação muito deficiente, de que os pais devem resolver os problemas dos filhos. Claro que faz parte das funções pedagógicas dar o nosso contributo em variadas situações, não só aos filhos como às pessoas em geral. Mas a nossa função excede-se, no caso das crianças, quando a ajuda continuada exorbita o entendimento do que está em causa.

E o que está em causa é um todo social em que a irresponsabilidade, na maior parte dos casos, um factor corrente. Essa consciência ganha-se desde que se está na barriga da mãe e desenvolve-se depois, através do exemplo dos progenitores. Claro que a nossa actuação não pode ser a mesma no caso de seres de tenra idade ou de filhos mais crescidos. Mas é bom que tenhamos consciência de que da forma como olhamos para essas pequenas criaturas desde muito cedo, depende o seu futuro e…o nosso. Quanto mais cedo forem responsabilizados, mais depressa aprenderão a colaborar, na família e no grupo em que se inserem.

 

Repetimos que não é benéfico levar as crianças a pensar que os outros têm obrigação de lhes simplificar a existência, pondo-lhes a “mão debaixo” sempre que um obstáculo lhes surge pela frente. Porque não é verdade. O que podemos observar é que faz frio e faz calor, chove, neva e faz nevoeiro, há Primavera e Outono, etc. Transmitir que uma dada situação é má e a outra boa, está longe de ser verdade e pode levar essas crianças a acharem que o mundo não lhes é favorável, que têm “azar” quando lhes é apresentada uma situação incómoda e, por outro lado, não desenvolvem a capacidade de superação e de evolução que as fará progredir.

 

Portanto, após termos exemplificado uma forma correcta de pensar, sentir ou de agir, passado um tempo devemos dar-lhes oportunidade de proceder sozinhas. Mesmo que cometam erros, isso não deve ser valorizado, nem deve ser minimizado. O mais valioso será a criança tomar as suas decisões e perceber se isso está de acordo com as leis que nos regem. Não é de fomentar a “esperteza”, muito comum, de actuarem de acordo com os “outros”, dado que isso não é sincero e apenas resolve o assunto momentaneamente.

 

Torna-se, pois, imperativo, uma actualização dos pais, pois “papaguear” fórmulas estafadas não se tem revelado uma boa pedagogia e, mais tarde ou mais cedo, seremos postos perante eventuais incongruências. Não esqueçamos que os seres que ajudamos a crescer, ao contrário do que o vulgar das pessoas possam pensar, são almas que já possuem os seus vícios e as suas virtudes. Desejamos sempre que tenham uma existência positiva, mas isso também tem a ver com a maneira como conduzirmos o processo. É desta interacção pais/filhos que depende o nosso futuro pessoal e o da sociedade.

 

Um entendimento correcto do papel dos obstáculos no nosso crescimento e daqueles que nos rodeiam é crucial. O “amor” pelas crianças nem sempre é o factor mais indicado a seguir, pois para quem representa o papel de pais, a educação tem de ter em vista como a avaliação da especificidade de cada ser e a aprendizagem não é igual para todos. Actuarmos, continuadamente, de forma emotiva é tão prejudicial como fazê-lo cerebralmente. Uma educação completa transmite às gerações futuras um uso equilibrado destes três factores: coração, intelecto e vontade.

 

José Mendes

Com quantas pessoas vão para o banho?

Foi uma das perguntas que me mais me marcou num curso de mindfulness que fiz há alguns meses. 

 

Foi daquelas que evidenciou o arregalar dos olhos de 100% da turma com quem fiz o curso, de imediato! 

É claro o que se pensa, assim que nos confrontamos com a mesma questão, mas quando o professor começou a descortinar o que a mesma significava na sua essência, e qual a importância de refletirmos sobre o tema, começou, sem dúvida, a fazer todo sentido!

 

 

Vivemos vidas atribuladas, onde o número de tarefas que realizamos, e a quantidade de pessoas com quem, muitas vezes nos cruzamos, faz com que o nosso pensamento opere o triplo e flua em vários ciclos sempre com as sinapses aos saltos em encruzilhadas de fulgor. 

O tempo para nos sentarmos, refletirmos, e relaxarmos, vivendo só e exclusivamente o presente, parece fácil, mas torna-se um verdadeiro desafio quando o tentamos executar. 

 

Viver o presente, o momento, é difícil para quem corre a mil diariamente. Para quem está a tomar o pequeno-almoço a pensar, não na forma como deglute, ou como o pão e café lhe sabem bem e lhe dão prazer naquele momento, mas no trânsito que vai apanhar, nos filhos que à escola tem de levar, ou no chefe e colegas que a bem ou a mal tem de aturar quando ao trabalho chegar.

Viver o presente é complicado para quem está a trabalhar e sabe que quando do trabalho sair, terá de levar a mãe a uma consulta, o filho à ginástica, ainda tem de ir correr, ou simplesmente o jantar fazer, tendo em conta que com o almoço de amanhã também terá de contar.

Viver o presente, quase que se torna utópico num século cuja grande causa de desenvolvimento de doenças, é o stress. Quase que se torna utópico quando a quantidade de tarefas a executar em 24 horas e o tempo que cada uma delas necessita para ser executada, é superior ao tempo a que um dia equivale.

Viver o presente, quase que se torna utópico, mas não é. Assim como quem quase morreu, ainda está vivo, ou como quem quase viveu, já está morto. 

 

O quase traz-nos tudo o que poderia ter sido e não foi. E não é aí que na realidade nos situamos. 

Portanto, esta questão faz todo o sentido. 

 

Com quantas preocupações vão para o banho?

Com quantas tarefas por executar?

Com quantos problemas que ficaram pendentes?

E acima de tudo, com quantas pessoas associadas a todos os anteriores?

 

Vivemos sempre no que temos de fazer a seguir, mas até que ponto é que isso nos ajuda mais do que nos prejudica? 

Viver no presente não é fácil nos dias que correm, mas absolutamente necessário para quem pretende viver uma vida plena e tranquila. 

 

Portanto, porque não tentam ir hoje, amanhã e/ou depois, só convosco e com aquele momento para o banho? 

Poderá ser fácil. Mas também poderá ser dificil. E se assim for, reflitam: Porque será?

Sobre o combate à depressão pós-parto.

O Livro Verde é um documento que surge com o objetivo de lançar o debate com as instituições europeias, os governos, os profissionais de saúde, outros interessados dos demais setores, a sociedade civil, incluindo as associações de doentes e a comunidade cientifica, sobre a importância da saúde mental para a UE, a necessidade de uma estratégia a nível comunitário e as suas eventuais prioridades.

 

Numa das suas propostas de ação, referencia a promoção da saúde e a prevenção da doença mental junto da população. Quando nos remetemos para a saúde mental na infância e na adolescência o mesmo refere que:

 

"Uma vez que os primeiros anos de vida são determinantes para a saúde mental, promover a saúde mental junto das crianças e dos adolescentes é investir no futuro. Fomentar as competências parentais contribui para um melhor desenvolvimento infantil. Uma abordagem escolar holística contribui para aumentar as competências sociais, melhorar a resiliência e reduzir o assédio, a ansiedade e os sintomas depressivos.

 

Algumas das ações com êxito identificadas no âmbito de projetos comunitários:

- Bebés e crianças: combater a depressão pós-parto das mães; melhorar as competências parentais; visitas domiciliárias de enfermeiras para prestar apoio a pais futuros e novos pais; intervenção de enfermeiras nas escolas. (...)"

 

 

 

Como vêem, o combate à Depressão pós-parto é identificado como sendo uma das prioridades identificadas no âmbito da promoção da saúde mental da população.

 

Formação dos profissionais na área, formação para os pais e a criação de redes de suporte para estas famílias tornam-se medidas fundamentais para que cada vez menos mulheres desenvolvam este tipo de afeção, e que sejam suportadas, caso sejam alvos deste tipo de doença. Para além disso, atuar na mulher e na família que sofre de uma destas perturbações inerentes à saúde mental perinatal é atuar na promoção da saúde e prevenção da doença mental do próprio bebé/criança que espelha parte do futuro da nossa nação. 

 

Atuar perante os problemas de saúde mental é fundamental. Atuar perante os problemas de saúde mental perinatais, é absolutamente necessário para o desenvolvimento de famílias e crianças funcionais e saudáveis mentalmente. 

 

Há por aí alguém também disposto a apostar nisto?

O Quase.

Enquanto adolescente tive uma grande amiga que nunca esquecerei. É daquelas pessoas que nos marcam, tocam e ensinam (muito!).

Uma vez, num dos meus dias menos bons, a melhor forma que ela arranjou para me animar e dar-me força para continuar, foi fazer-me ler este texto e refletir sobre o mesmo. 

Também nunca me esqueci deste texto. Tal como ela, marcou-me, tocou-me, e ensinou-me. 

 

Hoje voltei a lembrar-me deste texto - lembro-me dela e deste texto com muita frequência - e da importância que tem não se ser cobarde e ter coragem para se ser feliz, da importância de contestar uma vida morna, de suspeitar do meio enquanto virtude, da importância de acreditar em mim e de gastar mais tempo a realizar do que a sonhar. São passagens que, embora descritas neste texto, caracterizam-se como algumas das minhas maiores convicções às quais pretendo manter-me fiel.

 

Gostava de um dia poder voltar a abraçá-la, assim como gostava de não ter de me recordar com tanta frequência destas convicções, pois só significa que algo ou alguém, as está a colocar à prova. Mas parece-me a mim, mesmo jovem e ainda com tanto por aprender, que faz parte. 

 

Deixo-vos com este maravilhoso texto de Luís Fernando Veríssimo - Quase - que vale mesmo MUITO a pena ler! 

Concordem ou não, mais importante, é refletir.

 

 

Ainda pior que a convicção do não é a incerteza do talvez, é a desilusão de um quase.
É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi.
Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou.
Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas ideias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no Outono.
Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor não me pergunto, contesto.
A resposta eu sei de cor, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos “Bom dia”, quase que sussurrados.
Sobra covardia e falta coragem até para se ser feliz.
A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai.
Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são.
Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza.
O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.
Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência porém, preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer.
Para os erros há perdão; para os fracassos, chance; para os amores impossíveis, tempo. De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance.
Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar.
Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planeando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.

 

Um mês de aulas de Dança para Grávidas no Embalaiê: Quem está interessada?

Ainda há pouco tempo vos falei da experiência que tive quando experimentei uma aula de dança para grávidas...

A verdade é que de certo que lá voltarei para voltar a fazer essa e outras do mesmo género.

(Podem consultar o texto aqui.)

 

Falei com a Tatiana (a gerente do espaço) e surgiu a possibilidade de sortearmos um mês de aulas de dança para grávidas no Embalaiê!

Alguma de vós está interessada?

 

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 Se sim, basta:

  • Fazerem Gosto na página do facebook do blog Mulher, Filha & Mãe;
  • Fazerem Gosto na página do facebook do centro Embalaiê;
  • Nomearem 3 amigas para terem conhecimento do passatempo, através de um comentário na publicação. 

 

O passatempo estará ativo até dia 26 de Outubro pelas 23h59.

Dia 27 de Outubro será nomeada a vencedora através do programa random.org.

 

 

Participem!

Tenho a certeza que não se irão arrepender de a experimentarem!

do Mestrado em Saúde Mental e Psiquiatria que estou a adorar!

Desde que a conheci mais de perto, sempre me interessei bastante pela área da Saúde Mental. 

Penso que tem sido claro para todos que vão seguindo este espaço que é uma área com grande enfoque aqui no blog. 

 

Cedo tive a oportunidade de começar a desenvolver a minha prática dentro da área de Saúde Mental e depois de ter passado pela experiência no pós-parto que tive, ainda com mais sede de conhecimento fiquei. 

Com a intensa leitura e pesquisa sobre Saúde Mental no pré e pós-parto, com o desenvolvimento do blog e com o desenvolvimento da área em que vou exercendo, fazia-me todo o sentido aprofundar os meus estudos dentro da área.

E assim foi. Candidatei-me, entrei e há duas semanas que comecei o Mestrado em Saúde Mental e Psiquiatria e... estou a ADORAR!!!

 

 

 

 

Tive e tenho os meus receios, pois embora sejam 3 semestres, a verdade é que é tempo a menos que passo com a minha família e amigos. No entanto, também sinto que tenho o suporte familiar suficiente para poder seguir em frente com este rumo, e acima de tudo, sinto que tenho todos os motivos pessoais e profissionais para seguir em frente com a especialidade nesta área.

 

É certo que agora o tempo tem de ser dividido - e há medida que o tempo passar será cada vez mais assim - de forma mais organizada entre família, trabalho, mestrado e blog. É, provavelmente claro, que alguns já possam ter percecionado a menor quantidade de artigos que vou tendo oportunidade de escrever e publicar no blog. Mas espero que com o tempo também vos seja claro que os conhecimentos que vou adquirindo na área serão afincadamente publicados por aqui, de forma a que a base de informação que aqui seja construída, possa ser acessível para todos os que tenham interesse em saber mais sobre Saúde Mental Perinatal (especificamente). 

 

Estou entusiasmada. Estou bastante motivada. E espero sinceramente, que isto não me passe nos momentos de maior trabalho que irão equivaler e um muito menor número de horas de sono efetivas! ()

 

Conto com o vosso apoio! Certo? 

 

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