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Mulher, Filha e Mãe

Sensibilizar (para) e apoiar (na) ansiedade e depressão na gravidez e no pós-parto

Quem somos nós?

Mais tarde ou mais cedo, as crianças começam a interrogar-se (e a interrogar-nos) acerca de quem são. Será vantajoso termos uma resposta para dar, no mínimo desmitificando a sua identificação com o corpo. Claro que também “somos” corpo, mas dizer que nos resumimos a isso é muito fraco.

 

A educação que lhes damos passa também pela estruturação da sua personalidade e, quase sempre, somos levados a acreditar que nos resumimos a essa vertente, deixando de fora a nossa identidade real. Mas não de fica por aí. A sociedade em que vivemos acredita na balela de que quase tudo se resume ao que vemos e, sem a verificar, vai transmitindo-a sucessivamente, de modo que a mentira passou a ser “verdade”. Ensinamos os seres mais pequenos a usar os seus sentidos, mas raramente lhes transmitimos que o seu conhecimento vai muito para além disso, porquanto o ser humano é muito vasto e não se limita apenas ao que vê ou escuta, por exemplo. Raramente estimulamos a pesquisa interior. Também há pessoas que acham ser verdadeiro tudo o que pensam ou sentem. Raramente lhes passa pela cabeça que essa pode ser a sua “verdade”, mas não a dos outros.

 

 

Também não aprendemos, nem ensinamos, que existem meios de identificar e controlar os nossos instintos, apetites, emoções, pensamentos, apegos, etc., na maioria por que não os vemos ou porque acontecem dentro de nós. A isto se acrescenta que os “outros” também podem não se aperceber disso, o que “ajuda” à ilusão de que “não há problema”.

 

Tudo isto conduz a uma progressiva identificação com aquilo que é a imagem física da nossa pessoa, aquilo que vemos ao espelho. Apesar de um ditado muito popular dizer: “quem vê caras não vê corações”, a nossa tendência não é para perceber a sabedoria que encerra, mas, quanto muito, para nos prendermos aos “corações”, sem entender que a máxima não se refere aos órgãos do nosso sistema circulatório, mas a esse tal lado mais “profundo” de todos os seres, como é neste caso, o que sentimos .

 

Sentimentos que normalmente são secundarizados, dando-se ênfase à “esperteza”, como na vida comercial, defendendo-se que não dão “de comer” a quem quer que seja. Ou seja, quando ensinamos as nossas crianças a primazia vai para esse lado mais palpável e não para um equilíbrio entre ambas as perspectivas, que depois achamos incorrecto não existir na nossa sociedade.

 

Mas como pode a “sociedade” evoluir se ensinarmos sempre o mesmo aqueles que a constituirão? Eis um argumento incontornável, que vem provar a nossa irreflexão acerca da influência que uma educação assente em outros valores, mais nobres e impessoais, pode ter sobre o futuro da humanidade.

O nosso desenvolvimento passa, inicialmente, por possuir uma personalidade bem estruturada, mas a partir de uma certa altura, os parâmetros pelos quais esta se rege devem ser modificados. Não nos podemos ver sempre como “crianças”, senão o nosso crescimento fica limitado. Por conseguinte, é imperioso um processo pedagógico mais completo, que nos prepare igualmente para a fase adulta.

 

José Mendes

Histórias que dão a cara por esta causa #13 - "cometeu o suicídio e deixou o marido e duas filhas para trás".

Hoje, partilho convosco uma história, que de feliz tem pouco, mas que de conteúdo tem muito para nos ensinar e fazer refletir. É curta, mas tem muito para nos cultivar quanto à realidade de um dos piores cenários quando estamos perante um problema do âmbito da saúde mental, tal como a Depressão Pós-Parto.

 

Estas mulheres e homens que figuram personagens principais e secundárias de histórias de vida REAIS, histórias de vida que integram gente que se cruza, que se constrói, que se magoa, que se entristece. Gente que se relaciona. Gente que gosta de estar só. Gente com todos os defeitos e feitios, assim como virtudes, que num todo, individualmente não conseguimos imaginar, mas que particularmente, se enquadram numa particularidade da vida de alguém, são pessoas reais. E estas histórias - histórias que dão a cara por esta causa - são histórias que acontecem de verdade. Foi a minha, a de outros tantos, e que também pode ser a de alguém que alguém conhece. 

 

É por isso que não podemos ficar indiferentes. É também por isto que este problema não pertence só a quem o, literalmente, tem. Este, é um problema de todos! De alguma forma, todos podemos ajudar em algum momento, para que este tipo de história não tenha um final de tormento, como foi o da pessoa que me enviou o tal email. Sendo que para isso, estarmos atentos e informados sobre a problemática em questão é um excelente ponto de partida. 

Tal como já tive a oportunidade de lhes dizer, agradeço piamente a coragem que esta família teve de me contactar, e de querer fazer com que este espaço fosse a voz de alerta para situações como a desta mulher que teve uma depressão pós-parto, através da partilha de um pequeno excerto da sua história. 

 

Esperamos que este momento nutra mais consciências sobre a problemática em questão, e se tiverem alguma questão, ou se vocês mesmos também quiserem partilhar connosco a vossa história, não hesitem em contactar-me!

blog@mulherfilhamae.pt

 

 

"Boa tarde,
 
Gostaria de vos felicitar pelo vosso blog, comecei a acompanhar à pouco tempo mas acho muito interessante e espero que ajude muitas mulheres e mães. Depressão pós-parto é um tema pouco falado mas muito real e sério. Tive à pouco tempo uma familiar minha que teve depressão pós -parto mas não pediu ajuda e nunca apresentou sintomas e infelizmente acabou da pior maneira possível, cometeu o suicídio e deixou marido e duas filhas lindas para trás. Ainda hoje tento entender como ela pode deixar isso tudo. Com os testemunhos do vosso blog consegui compreender melhor realmente o que as mães e mulheres que passam por depressão sofrem. Espero que ajudem muitas mães e mulheres a pedir sempre ajuda.
 
Espero que continuem a ajudar quem precisa."

 

Individualismo

O nosso querido amigo José Mendes partilhou connosco mais uma reflexão sobre o tema Individualismo. O que é para vocês uma pessoa individualista? Consideram-se individualistas? 

 

E... será que a vossa resposta a estas questões se irá manter no final desta partilha? 

 

Curiosos? Aproveitem!

O texto vem já de seguida...

 

 

O individualismo é uma das grandes peias que temos de ultrapassar como seres manifestamente sociais que somos, caso pretendamos melhorar a nossa vida comum, tanto no país como no mundo.

 

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Em Portugal, somos mais ou menos 10 milhões e a população mundial roça os 7 biliões, pelo que não faz sentido pensarmos que 1 pessoa possa ser independente, transformar o mundo ou causar qualquer mudança duradoura. Claro que há pessoas que influenciam o seu ambiente, mas, em geral, o que é ensinado nas escolas, nas universidades e na maioria das famílias apenas se refere ao conhecimento e ao culto da personalidade, o que é muito pouco.

 

Tenhamos em conta que numerosas decisões relativas a Portugal são tomadas nos órgãos colectivos europeus. Pertencemos a uma ampla comunidade com todas as vantagens e desvantagens que isso implica, mas parecemos ignorar esse facto e querer “voltar para trás”, em vez de contribuir para que essa realidade se aperfeiçoe.

Isto significa que nos valores a passar às futuras gerações, damos uma ideia parcial da realidade; e qualidades como a colaboração impessoal, a solidariedade, a compaixão, a fraternidade, a misericórdia, a visão colectiva, etc. são temas que, a par da melhor maneira que conhecemos para enfrentar os desafios que a vida material nos coloca, terão de passar a fazer parte das experiências que devemos cultivar.

 

Isolados numa atitude egoísta não iremos longe. Apenas se realizam grandes coisas quando homens e mulheres se unem para trabalhar em conjunto. Mesmo que haja indivíduos que tenham um grande ideia, socialmente são necessários outros para a implementar. Sempre foi assim e sê-lo-á cada vez mais. A maior empresa da actualidade alberga 20.000 funcionários!

 

Claro que a vida militar, os clubes desportivos, e em muitas outras instituições, é despertada a pertença a um grupo ou a um colectivo, mas o individualismo não é apagado, antes pelo contrário. Passamos grande parte da nossa vida a trabalhar ou nas escolas e universidades, onde impera, em geral, uma atitude competitiva, por vezes hostil.

 

É tempo de começarmos a alterar a situação, através de uma responsabilização amorosa crescente, de modo a que sejam os valores mais elevados a predominar e essa tendência belicosa se esbata. Dependemos todos, a vários níveis, uns dos outros. Mas se não educarmos as gerações futuras numa perspectiva de colaboração relativamente ao colectivo, não apenas em nossas casas isso se fará sentir de forma negativa, como o individualismo perdurará. E já não é desculpa uns procederem correctamente e outros não.

 

Vamos aguardar pelo dia em todos que todos agirão segundo o que pensamos ser correcto?

 

José Mendes

Os meus últimos dias têm sido assim! Preparados para a 'loucura'?

Imaginam as saudades que tenho de escrever por aqui?

 

Voltar ao trabalho após a licença de maternidade, foi uma aventura! Especialmente porque pouco tempo depois fiquei sem trabalho. 

Entre cuidar e estar com a minha família e amigos, estudar para o mestrado, trabalhar, ficar sem trabalho e voltar a trabalhar, têm sido várias as reviravoltas a vários graus e temperaturas que tenho experienciado.

Organizar-me e reorganizar-me tem sido um autêntico desafio e é incrível como o tempo passa a voar!

 

Depois de um dia de trabalho, de andar às voltas para completar os restantes e diversos afazeres, de ir buscar a Madalena e cuidar dela até chegar o momento de adormecer, de aproveitar o restante tempo para estudar (e o que sobra para descansar) para posteriormente recomeçar um novo dia no quase dia de amanhã, tem sido uma verdadeira aventura, cheia de cor, energia, por vezes desgastante, mas ao mesmo tempo, sentida como uma agradável descoberta! 

 

Provavelmente muitas mães se poderão rever neste meu curto testemunho, mas a verdade é que no meio de tanto sono e cansaço diários, descobrir a quantidade de coisas que somos capazes de fazer num dia, como nos somos capazes de ajustar aos novos horários e desafios, e no meio de tudo isto, como ainda temos energias de reserva para superar mais qualquer coisita que vem por acréscimo, e com a qual não contávamos, tem sido (mesmo!) uma verdadeira descoberta. 

"Nos entretantos", a Madalena já cresceu uns valentes centímetros, já engordou uns bons quilinhos, já começou com as verdadeiras traquinices, já começou a gatinhar, e já começa a colocar-se em pé para tentar dar os primeiros passos.

 

E por aí, como estão as vossas crianças?

 

É incrível como o tempo voa, mas também é incrível como as nossas crianças se desenvolvem num abrir e fechar de olhos. Não sentem o mesmo?

 

 

 

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Só quando somos pais e mães é que compreendemos porque é que os nossos pais e avós estavam sempre a repetir que "o tempo passa a correr!"... Mas é verdade! Um dia será a minha filha a achar que eu sou uma seca, por dizê-lo de forma repetida também. E olhar para ela hoje, ver como cresce e se desenvolve a cada dia que passa, sorrir com as suas gargalhadas e ficar de coração cheio com os beijinhos e abraços que já nos devolve, são momentos de amor, felicidade e prazer que acabo/acabamos por ter, depois de dias preenchidos de correrias e pequenas loucuras sãs, que vamos vivendo e praticando. 

 

Voltar a estudar tem sido uma excelente oportunidade de crescimento e aprendizagem (que estou a adorar!) e ter a oportunidade de trabalhar no que gosto é um prazer. Contudo, não há nada que me preencha mais e me faça chegar tão perto do meu âmago e da minha essência, como partilhar do crescimento deste meu pequeno rebento e viver,em família, de forma tranquila, todas as pequenas e grandes conquistas que vão decorrendo das várias experiências que vamos vivendo.

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Quanto a este nosso espaço, embora que escrevendo com menos regularidade, não está esquecido!

Neste momento, o tempo para escrever é maioritariamente escasso, mas há fases assim, especialmente perante o momento que vivo. No entanto, não passa disso - de tempo escasso! Pois farei questão de o dinamizar sempre que for possível!

E para isso, também conto convosco! Desta forma, se tiverem ideias, sugestões, histórias e/ou outras questões que queiram partilhar, não hesitem! Contactem-nos através do seguinte email: blog@mulherfilhamae.pt

 

Já tenho algumas histórias para partilhar convosco e uns tantos outros textos que vou escrevendo e recebendo, pelo que, se por aí quiserem fazer o vosso acrescento, continuo recetível para tal. 

 

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Até jááá!!!