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Mulher, Filha & Mãe.

Sensibilizar (para) e apoiar (na) ansiedade e depressão na gravidez e no pós-parto

Mulher, Filha & Mãe.

Sensibilizar (para) e apoiar (na) ansiedade e depressão na gravidez e no pós-parto

Histórias que dão a cara por esta causa #16 - "ela veio para casa e não olhava sequer para o bebe"

Incrível a história que hoje vos trago. 

Uma partilha robusta, clara, e bastante demonstrativa do quão a depressão pós-parto pode afetar a mulher, assim como a respetiva família. 

 

Leiam e partilhem. Pois esta história passou-se na década de 80, assim como tenho a certeza que existirão muitas mais nessa época, ou previamente à mesma, que também poderão ser aqui partilhadas. 

 

Contem-nos também a vossa história, e juntos, vamos reforçar a importância de se abordar com maior frequência e abrangência, esta problemática!

blog@mulherfilhamae.pt

 

 

Boa tarde

 

Quero deixar a titulo póstumo à minha cunhada a sua pequena grande historia de depressão pós-parto, que hoje eu com 52 dois anos, sei que ela muito sofreu.

 

A minha cunhada viveu sozinha a primeira gravidez, longe dos pais, o meu irmão estava na tropa na Marinha e era eu com 14 anos na altura que dormia com ela e acompanhava nas consultas ao centro de saúde.

 

A relação dela com os meus pais não era a melhor, mas era tratada com respeito, mas sem o elo de ligação e sem o verdadeiro amor que ela necessitava.

 

Lembro-me no dia 30 de abril de 1978, a Zé, apareceu aflita a dizer a minha mãe que estava com sinais de parto, foi logo levada para o Hospital mais próximo cerca de 20 kilometros e ai foi deixada para dar à luz, sozinha, ainda era de manha a minha mãe veio para casa e esperamos algum tempo para telefonar ao hospital e saber noticias suas ( estava sozinha, num hospital que não conhecia sem qualquer apoio). Nessa tarde fui a rua e para espanto meu (14 anos) vi a Zé na rua com a sua mala e gritei para a minha mãe que ela estava ali o que se passava?

 

Sozinha e sem ninguém, fugiu, veio para casa, a minha mãe entrou em stress, chamou uma parteira local e nessa noite já dia 1 de Maio nasceu o meu primeiro sobrinho, saudável, lindo, só o pude ver na manha seguinte, fui eu que o pesei, que o vesti e fiquei lá em casa para ajudar a Zé, acho sem sombra de duvida que fui o seu principal apoio naquela altura, lembro-me que ela dormia e eu cuidava do bebe, ainda assim como miúda que era sentia-me responsável pelo meu sobrinho que amo incondicionalmente.

 

Notei e lembro-me uma ou outra vez que ela estava distante e que me agradecia por tratar do filho.

 

Passaram alguns anos, casei com 21 anos e tive a minha filha, correu tudo bem comigo e com ela, a minha mãe ajudou-me muito no inicio fui trabalhar ao fim de duas semanas do parto (nesse tempo não havia licenças) e tudo foi correndo bem.

Um ano depois estava de novo a Zé grávida, a minha bebe tinha um ano e ia nascer mais um sobrinho para mim, aconteceu que no dia em que a Zé soube que ia ter outro menino ficou em agonia, porque soubemos mais tarde queria uma  menina como a minha.

 

O meu segundo sobrinho nasceu em Junho de 1988, nessa altura o meu irmão acompanhou a Zé ao Hospital de Beja onde  o segundo filho nasceu,  mas tudo começou a correr mal quando ela não quis ver o próprio filho e teve atos de violência para com o meu irmão e os próprios pais dela.

Soube imediatamente que havia um problema que se tinha instalado, o bebe veio para a minha casa, cuidei dele e da minha filha com a ajuda preciosa da minha mãe, quando quisemos ir procurar as roupas para o bebe não havia nada, tivemos que pedir e comprar, foram meses difíceis, ela veio para casa e não olhava sequer para o bebe, tinha alucinações, e foi internada para tratamento psicológico, estava com uma forte depressão que já estava instalada há muito tempo.

 

Temo que o seu historial de vida era complicado, julgo que havia uma falha grave no seu sistema nervoso o que se veio a concluir quando com 53 anos foi vitima de cancro e desde o primeiro dia se rendeu à doença até ao dia em que faleceu.

 

Hoje esse meu primeiro sobrinho é pai de uma menina e por muito que me custe admitir, sei que ele a ama, mas não consegue demonstrar, separou-se da mãe da filha e é muito distante dela. (FATALIDADE? GENES?) tento perceber………..

 

Obrigada por me darem esta oportunidade de contar e de certo modo aliviar-me a mim própria, penso muitas vezes se podia ter feito mais por ela nessa altura mas fiz o que pude e na doença estive a seu lado até ao momento da sua morte.

 

Ah já agora, vou ser AVÓ.

 

Beijos

 

 

Maria

Um Bootcamp cheio de inspiração: Causas, efeitos e soluções identificadas!

Já alguma vez ouviram falar do Bootcamp?

Eu nunca tinha ouvido falar até conhecer uma determinada amiga que me falou do conceito, e sabendo as várias ideias que tinha para projetos dentro da área da saúde mental perinatal, aconselhou-me a participar no mesmo. 

 

A ideia foi ruminando na minha cabeça e entrelaçou-se com alguns dos meus pensamentos e acabei por me inscrever. 

Na publicidade diziam "Faz o Bootcamp da tua vida", e na altura, não compreendi. Questionei-me algumas vezes sobre como é que um fim-de-semana de formação se poderia tornar em tamanha transformação. Li vários conteúdos e alguns testemunhos, e a expectativa foi crescendo, até que o fim-de-semana chegou.

 

Rumámos ao Porto, e de sexta-feira até domingo, vivemos - eu e o meu marido - dias alucinantes, cheio de energia, partilha, reflexão, confronto, emoções, novos laços, e muita, muita, muita aprendizagem!

 

Começamos por manifestar a nossa vontade em trabalhar o tema que nos levou até lá - Saúde Mental Perinatal - encontramos elementos dispostos a trabalharem este tema connosco e formámos assim, equipa.

 

A equipa que desde o primeiro minuto se envolveu na problemática identificada, que foi composta por quatro visões completamente diferentes do tema, mas que encontrou o seu ponto de complemento. A equipa que desde o primeiro momento compreendeu, de corpo e alma, aquilo que nos levou até ali. E foi absolutamente incrível, a forma como nos fomos deixando levar uns pelos outros de forma autêntica e eficaz durante todo o processo, mesmo com todos os neurónios que fomos fritando, todos os conflitos que fomos gerindo e todas as emoções que fomos vivendo.

 

Delineámos o nosso projeto, e embora ainda não esteja totalmente finalizado e pronto a ser implementado, contemplo-o com traços de missão, robustez e sustentabilidade. Será que um tipo de resposta para as várias problemáticas inerentes aos problemas relacionados com a saúde mental perinatal estará para vir?

 

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Tão bom como a equipa, foi o grupo, o acompanhamento e toda a orientação dos mentores - que foi magnífica e absolutamente fundamental para colocar o projeto de pé - e todas as aprendizagens que fomos fazendo ao longo do percurso. 

 

Tendo o conhecimento prévio de que o nosso projeto seria apresentado no final a um painel de jurados implicados tecnicamente na área do empreendedorismo social, e já conhecidos pelo IES - O instituto onde realizámos o curso - o fim-de-semana terminou com a elaboração e prática do pitch, associado àquela pressão individual e da equipa que também será inesquecível. 

Correu tudo pelo melhor, e no final ainda ganhámos uma menção honrosa após a apresentação do projeto. 

 

Trouxemos para casa uma pasta cheia de conteúdos, uma bagagem cheia de perspetivas e o coração cheio de motivação, amor, recordações, abraços, palavras de força e carinho, e um grande respeito e consideração por todas as pessoas que através do seu trabalho e dedicação nos proporcionaram, sem dúvida alguma, um dos melhores fins-de-semana da nossa vida.

 

E agora?

Sim! É para continuar, e espero sinceramente, trazer-vos novidades em breve sobre o assunto ;)

Sou uma turista que navega pelo mundo da maternidade.

Há poucos dias estava sentada à mesa após um jantar em família absolutamente comum e estrondosamente maravilhoso por si só, e parei alguns minutos a observar a minha filha. 

 

Foi daqueles momentos em que involuntariamente o nosso corpo pára, a nossa força anímica mantém-se e o nosso pensamento cognitivo, continua. Viaja veloz e romanticamente para as nossas memórias essenciais e faz-nos transpirar de nostalgia e emoções positivas. 

Naquele breve momento, em que mergulhei profundamente nas sensações que o meu cérebro me transmitia por focar maternalmente os movimentos que a minha filha fazia e o que ia vocalizando, acabei por me aperceber que havia sido uma autêntica turista a navegar pelo mundo da maternidade, desde que a imaginei até aos dias de hoje. 

 

Turista, pois é como se visse tudo pela primeira vez, e a maravilha de o ver atentamente e de o sentir fulgorosamente, me transmitisse uma profunda sensação de bem-estar e completa felicidade. Claro, que tal como um turista, há coisas que vemos, e experiências às quais temos acesso que nem sempre nos satisfazem. E como estamos numa terra pouco conhecida por nós, acabamos por ter inúmeras dúvidas e questões que acabamos por nos colocar dia após dia.

 

Tal como num país cuja língua falada e escrita não compreendemos, o mesmo também acontece com os nossos filhos, até começarem a falar fluentemente. Nem sempre compreendemos o que tentam exprimir, e até falarem de facto, é uma autêntica descoberta por tentativa-erro. Muitas vezes isto traz-nos alguns dissabores. Determinadas mensagens não são compreendidas por uns e/ou bem transmitidas por outros, e o resultado da nossa interação acaba por não ser satisfatória para ambas as partes. Cada um, vendo a situação à sua maneira, e de acordo com a sua fase de desenvolvimento emocional.

 

A Navegar? Sem dúvida! Em determinados momentos, com a ondulação mais forte, o barco acaba por balançar mais intensamente, e muitas vezes, não sabemos bem onde nos havemos de segurar. Ótimo, por sua vez, ter alguém a meu lado que embora seja tão turista como eu, está no mesmo barco, e juntos, expressamos a essência de uma verdadeira equipa. 

 

O mundo da maternidade é mesmo isso: Um mundo! Não à parte, mas um mundo de novos conceitos, novas experiências, novos contextos, novas descobertas e novas sensações, que por vezes, podemos demorar um pouco mais a descobrir - tal como alguns turistas, que demoram até fazerem A viagem de suas vidas - mas quando descobrimos - tal como um turista quando ganha o gosto pelas viagens - não queremos outra coisa! 

 

Termos sido pais, embora que seja uma experiência muito subjetiva, é uma verdadeira viagem onde vamos tendo uma série de experiências para partilhar. E durante o percurso, e mesmo depois de vários carimbos no passaporte, acabamos por ter sempre algum país que ainda não visitámos, uma cidade que não explorámos como gostaríamos ou um local que ficou por descobrir. 

 

A motivação para a viagem, quando muito desejada, é uma máxima. E durante o percurso, para além de todas as aventuras, alegrias e realizações, também vamos ficando cansados, rabugentos, irritados e tendo alguns dissabores. Mas os momentos que nos permitem repor a nossa força anímica, e o que nos move, acabam por catalisar aquela sensação de frescura e energia radiante que se encontra subjacente às nossas expressões, fazendo-nos sentir que estamos exatamente onde deveríamos estar, e prevalecendo todos esses momentos maioritariamente positivos, aos menos positivos que se possam passar. 

 

 

Os dias passam e as horas correm. E por mais que viajemos, há algo que fica sempre por visitar. E Até podemos passar pela mesma viagem mais do que uma vez - tal como na maternidade, pode sempre vir o segundo, o terceiro ou o quarto - mas há sempre algo que fica por descobrir, e a segunda, acaba por nunca ser igual à primeira ou à terceira. 

Todas as viagens são únicas e inesquecíveis, seja pelos motivos que for. E há medida que os anos passam, acredito que mesmo que esta sensação vá passando, a minha filha irá constantemente lembrar-me de como essa mãe-turista que há em mim, perdurará e emergirá como reflexo do seu desenvolvimento. 

 

Não posso dizer que sou muito viajada, porque o meu passaporte tem, efetivamente, poucos carimbos. Mas posso firmemente afirmar que esta última viagem que iniciei, pelo mundo da maternidade, está a ser e tenderá a perdurar, como a viagem da minha vida. 

 

Tudo graças a ti, minha flôr.

 

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"Obrigada Ana por proporcionar este espaço de partilha!"

Ainda fiquei na dúvida, mas não resisti! Tive de publicar este comentário no blogue. 

E não. Não falo só do excerto que deu origem ao título - e que muito agradeço, pois é sempre bom vermos o nosso trabalho reconhecido - mas falo especialmente do resto que o compõe, e que passo desde já a partilhar:

 

 

"Obrigada Ana por proporcionar este espaço de partilha! 


Se efetuarmos uma busca na Internet descobrimos, em Portugal, informação escassa sobre a diversidade de vivências do pós parto, sobretudo de casos de baby blues e, mais ainda, da DPP. Existe informação muito genérica sobre o que é que cada um é, mas informação mais detalhada é difícil encontrar. Encontrar relatos de experiências, grupos de partilha, mais difícil é! Os relatos que se encontram não são de pessoas portuguesas. O teu blog foi o único espaço, até agora, que encontrei e que aborda estas questões. 


A parentalidade é a experiência mais comum da história da nossa humanidade e tão pouco se sabe e tão pouco se fala, de forma aberta e honesta, sobre o processo de nos tornarmos mães e pais (e que começa bem antes do bebé nascer). 


Obrigada Ana, pela iniciativa!"

 

Não sei se é o único, mas acredito que seja dos poucos. E é incrível, pois a parentalidade é, de facto, algo que já há muito se desenvolve, mas que ainda muito pouco fala de forma aberta, na nossa sociedade. E é também por isso que apelo à partilha de vivências na gravidez e no pós-parto, especialmente se não tiver corrido da forma como era expectável.

E não é por acaso que o faço. Não é por acaso que frequentemente apelo para que quem tiver por aí a ler qualquer coisa do que escrevo, ou que simplesmente esteja a aceder a este espaço pela primeira vez, partilhe a sua vivência. 

 

Faço-o porque sei que através dessas histórias, outras mulheres, homens e respetivas famílias esclarecem algumas das suas questões mais internas, alguns dos seus receios mais comuns, e algumas das suas ansiedades mais prováveis, nesta fase de suas vidas. 

Faço-o porque acredito piamente que se falarmos cada vez mais deste tema assim, de forma verdadeira, que outras pessoas possam ficar mais sensibilizadas para o tema. Que compreendam melhor que a gravidez e o pós-parto são fases únicas na vida da mulher, casal e respetiva família, mas que também têm um lado lunar que precisa, merece e tem de ser falado, debatido e explicado, para que todos possam ficar o mais esclarecidos possível quanto ao assunto em questão. E assim sendo, acredito piamente também que, esse esclarecimento possa ser fonte de prevenção de inúmeras angústias, dúvidas, ansiedades e outros estados emocionais mais perturbadores.

 

Acredito muito que esta possa ser (só) mais uma forma de, em conjunto, elevarmos esta problemática e fundamentarmos a razão da sua pertinência.

 

Acredito, e a cada dia que passa, a cada história que me enviam, a cada feedback que recebo, a cada crítica construtiva que me enviam, acredito ainda mais. E espero, honestamente, que vocês que estão por aí, do outro lado, mas em consonância com as minhas crenças, acreditem também. 

 

Este não é só um assunto da mulher que vivência esta problemática, do casal do blogue, ou da família. É um assunto de todos nós, pois qualquer um de nós, pode ficar face a face com esta realidade. 

 

E se assim for, como é que pensam abraçar e solucionar a situação?

 

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Acreditem também, e enviem-me a vossa história para blog@mulherfilhamae.pt

 

E se vos faltar um pingo de coragem, ou se tiverem alguma restea de dúvida, consultem todas as outras histórias que já nos enviaram na rubrica, Histórias que dão a cara por esta causa. 

 

Obrigada!

 

Vem aí a Semana do Bebé dos Olivais...e há novidades!

Caros leitores,

 

Brevemente irá começar a semana do bebé dos Olivais. Uma semana que já é dinamizada pela Junta de Freguesia dos Olivais há já alguns anos e que conta com o apoio de vários parceiros.

 

Ocorrerá de 14 a 22 de Maio no espaço interior e jardim da biblioteca dos Olivais, e contará com a presença de uma série de profissionais de várias áreas para completarem uma semana dedicada à mãe e ao bebé.

 

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Uma das grandes novidades desta semana, será a presença de parte da equipa da Unidade de Primeira Infância (UPI) do Hospital D. Estefânia dia 19 de Maio (5ª feira) pelas 10h00. 

 

Para mim, esta é uma grande novidade, pois promove-se um momento na semana em que profissionais muito experientes e competentes na área, dedicarão o seu tempo a falar com e a ouvir as recém-mamãs. Estarão disponíveis para ouvir várias das suas questões em relação a si próprias, ao seu dia-a-dia consigo e com o seu bebé. Será, sem dúvida alguma, um momento imperdível para vocês que estão ai por casa a viver os primeiros dias, semanas e/ou meses mais agitados que caracterizam o inicio do período da maternidade, após o parto.

 

 

Por isso, desafio-vos a ir e a passarem a mensagem às vossas amigas e/ou a quem considerem que possa ter interesse neste momento do evento.

 

Até lá, qualquer dúvida ou questão não hesitem em contactar-me!

blog@mulherfilhamae.pt 

O workshop sobre 'Saúde Mental na Parentalidade' também foi assim.

Apesar da tarde de chuva intensa e do frio que se colocou, no Sábado, demos voz ao tema a que nos propusemos e construímos uma tarde cheia de reflexão, partilhas, risos, vivências, dinâmicas e muita dedicação. Quer das participantes que foram e que se dedicaram a participar no que foi proposto e a produzir muitos mais resultados do que os esperados, quer de quem dinamizou o workshop, que (até!) fez um bolo e o trouxe para saborearmos no final, quer de quem o construiu, que o faria quer houvessem, 8, 2, 1, 5 ou 10 pessoas inscritas. 

 

Tal como referi, considero importante passar este tipo de mensagem, seja através do blog, seja fora do mesmo. É importante passar testemunhos, assim como é importante refletirmos sobre o que nos move inerentemente, ou não, à parentalidade. 

Portanto, contamos que brevemente surjam mais possibilidades de encontro, reflexão e partilha dentro do mesmo género, e abraçamos a participação de quem se interessar pelo tema, e estiver disponível a vir. 

 

A nossa querida Psicóloga Raquel Vaz captou, também fotograficamente, alguns momentos da sessão que vos coloco de seguida.

 

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Fico sempre de coração cheio depois destes momentos.

Obrigada! 

O que a sociedade transmite aos pais.

O que é que acham que transmite?

 

O Psicólogo José Mendes, partilhou connosco a sua reflexão sobre o tema. 

 

Também queres partilhar a tua sobre este, ou sobre outro tema relacionado com a parentalidade e/ou sobre saúde mental perinatal?

Envia-me email para blog@mulherfilhamae.pt.

 

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Na anterior comunicação procurámos desenvolver o conceito de responsabilidade que a nossa vida colectiva encerra, o qual deve permear toda a educação da criança ou da futura criança que os pais vão acolher.

É comum pensarmos que o ser gerado por nós é uma espécie de folha de papel em branco. Todas as ideias que vamos acolhendo sobre o tema da natalidade e da educação, a que se juntam algumas que recebemos dos nossos pais e da sociedade em geral, que nos indicam como devemos ou não proceder, são aplicadas na gestação e educação dos filhos que nascem através de nós. Esse ser, tão pequeno à nascença, tão frágil, é geralmente tido como ignorante e serão os pais a dar-lhe o conhecimento que depois ostentará. De certo modo, os progenitores preocupam-se com a própria imagem e idenficam-se com o seu rebento.

Mas parecem ignorar que a novidade reside apenas no corpo da criança. Isto é que inteiramente novo. Não o ser na sua totalidade. Neste capítulo, é melhor pensarem que aquela alma veio até eles para ser ensinada e para ensinar, para uma experiência entre nós, mas isso não constitui uma novidade para ela. Não é exactamente uma folha em branco. Tem um passado, que desconhecemos e terá o futuro que for escolhendo quando o puder fazer. Depois o seu corpo perecerá, como os demais, e renascerá para outra experiência. Claro que muitos acharão isto estranho e rejeitarão esta perspectiva. Porém, não se trata de uma visão religiosa, nem científica. Tanto uma como outra ensinam-nos de outro modo.

Actualmente, somos ensinados a ver o nosso bebé sobretudo como um “corpo” a quem temos de prestar o maior cuidado, porquanto está dependente. O que é fundamental é vesti-lo, alimentá-lo, dar-lhe o que for necessário para o criar. Esquecemos que o tempo decorre e mais à frente esse ser fár-se sentir como tendo vontade própria e, por vezes até, nos torna escravos dessa determinação, ainda cedo. Portanto, esse ser não é apenas o que vemos ou sentimos. É muito mais.

Enquanto conservarmos esta ideia, tudo ficará praticamente na mesma. Seremos iludidos pelo progresso tecnológico. Há que dar-lhes condições de desenvolvimento, é certo, mas ensinar esses “novos” seres a pensar e a sentir por próprios, mesmo que isso conduza a uma ruptura com o estipulado. Por conseguinte, a verdadeira missão dos pais não se limita a dar aos seus filhos aquilo que a sociedade lhes proporciona. Há que ir mais longe.

 

José Mendes

Histórias que dão a cara por esta causa #15 - "triste por não ter tido o apoio de quem tinha a obrigação de dar...."

A Gabriela, uma leitora que encontrou há pouco tempo o nosso blogue, decidiu partilhar connosco a sua experiência no pós-parto da sua segunda filha, que hoje tem 2 anos e 6 meses. Uma filha que veio oito anos depois da primeira. 

 

Tal como muitas leitoras têm vindo a referir, sentiu que poderia ter tido mais apoio de quem estava a seu lado, e hoje, após o diagnóstico da sua depressão, fala-nos na primeira pessoa, sobre um pedaço da sua história. 

 

E vocês, de certeza que também têm uma vivência para partilhar!

Enviem-na para blog@mulherfilhamae.pt

 

 

Olá!


Não conhecia este blogue e gostei imenso do que acabei de ler da sua pp experiência.


Tenho 42 anos, uma filha de 10 anos e 5 meses e outra com 30 meses.
Na primeira filha ela nasceu após um mês do meu sogro falecer, claro está q o meu marido esteve tudo menos ao meu lado e sempre visitas atrás de visitas sem puder descansar e após uma cesariana. A sorte é q ela era um sossego, uma doçura mm. Foi-me mantendo rija com mt apoio dos meus pais e irmãs.


Na segunda filha tinha uma de 8 q começou a exigir o triplo da atenção q já tinha e uma bebé q nunca dormiu uma noite seguida (só agora recentemente é q temos uma ou outra noite seguidinha).


Aí fui eu q disse q não queria tantas visitas, mas no inicio chorei mt pq a recém-nascida ocupava-me mt tempo e sentia-me impotente e tb sentia q não dava a atenção q a mais velha precisava. O meu marido chegava sempre tarde por norma pois trabalha por conta pp.


Tive uma depressão qd a mais velha tinha dois anos, e hj é o dia q tomo ansiolítico de manha e vitaminas para me manter rija. Claro q tou mt feliz com as minhas riquezas mas qd penso em alguns pormenores do pós-parto a nostalgia apodera-se de mim e de certa forma triste por não ter tido o apoio de quem tinha a obrigação de dar....


Felicidades!


Gabriela

Quem é que não gosta de 'Conversas, cafés e sorrisos'?

Eu adoro!

E para além disso, este, pareceu-me ser um bom momento para agradecer à Ana Rita, o facto de estar constantemente atenta às iniciativas relativas ao movimento depressão pós-parto que vou tendo no blog, e por me ajudar tanto na sua divulgação também! 

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Para além disso, confesso que adoro a frase que associa ao seu blog e que concordo a 100%! 

Um sorriso (autêntico) é mesmo a melhor maquilhagem que uma mulher pode usar.

 

Obrigada Ana! 

 

A minha mãe sempre foi uma super-mulher. Querem perceber porquê?

Então aqui fica um pedaço (mesmo muito pequenino) da história do (segundo) pós-parto da minha mãe. 

 

Nem sempre foi fácil. Há coisas que me lembro, outras que tenho uma vaga ideia e outras que não ficaram registadas.

E é "interessante", pois eu não sabia de muita coisa, até há bem pouco tempo. Desde que fundei o blog que ambas fomos fazendo mais reflexões sobre os diversos temas que eu ia trabalhando e colocando no blog. Cada uma à sua maneira. Ela como mãe. Eu como filha. Ela como filha. Eu como mãe. E muitas foram as conclusões a que fomos chegando. 

 

Um dia desafiei-a a partilhar aqui alguns momentos e... nunca pensei que aceitasse. Mas aceitou e referiu sentir um grande alívio ao escrever sobre o assunto. Ontem, enviou-me o seu testemunho sobre uma vivência de há 22 anos atrás, mas cujas memórias ainda a marcam - a da sua depressão pós-parto. E com uma lágrima no canto do olho, mas ao mesmo tempo com aquele sorriso que tanto a caracteriza, respirou fundo e disse-me "Espero que ajude outras pessoas".

Eu acredito que irá ajudar.

 

A minha mãe é uma mulher com uma personalidade muito forte e em muitos momentos da vida, chocámos "de frente". Mas se há coisa que me lembro - desde pequenina - é de sempre a admirar muito pelo seu rico sentido de solidariedade e entreajuda. Nunca fomos ricos. E por vezes, passámos algumas dificuldades. Mas se conhecia alguém que passava dificuldades, cujos filhos não tinham o que vestir e/ou comer, se havia um vizinho que precisava de ajuda ou uma colega que não estivesse bem, a minha mãe, sempre foi a primeira a chegar-se à frente para lhes estender a mão. 

Lembro-me de ser 'obrigatório' lá em casa, todos os anos fazermos uma revisão aos nossos brinquedos e roupas para doarmos a crianças que precisavam mais do que nós. Lembro-me de ver várias pessoas que a abraçavam carinhosamente com uma expressão de gratidão bastante evidente no rosto. Lembro-me de a admirar por ser sempre uma pessoa muito querida por todos os que a rodeavam.

Lembro-me de pensar que quando fosse grande, também queria ser assim.

 

Quando penso na minha mãe, esta é uma das grandes virtudes que facilmente identifico. Mas sim, claramente que existem muitas mais. E hoje, sendo também um dia alusivo a esse papel tão rico, como o de mãe, um papel que encaixa em tantas mulheres e filhas do nosso país, achei que seria um bom dia para vos contar um pouco da sua história neste âmbito - outra História que dá a cara por esta causa

 

Se também vocês quiserem enviar-me a vossa, não hesitem! 

blog@mulherfilhamae.pt

 

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E assim a nossa família se completava, com a nossa 2ª filha. Ambas mt desejadas, com 5 anos de diferença. Agora, tenham em conta que esta "bebé" que vos falo, hoje já tem 22 anos.

Regresso a casa, mt feliz claro! Regresso com a consciência de que terei de certo mais trabalho, que agora o tempo teria q ser mais partilhado. E até aqui td bem.... até que começaram as noites a fio sem saber o que era ir à cama, sem saber o que era ter um pouco para mim, pois o meu marido estava ausente devido ao trabalho. Então era td eu......com uma criança de 5 anos que precisava de toda a atenção e mts vezes, eu mãe, já nem podia mais. Mas tinha de ser..... Para a bebé se tentar acalmar mudei quarto, mudei os banhos, ia às farmácias pedir algo para a bebe dormir (claro que nunca me deram nada) pois a bebé era saudável, desenvolvia-se bem, não havia razão para tal. Mas aqui também se vê o qt eu já não estava bem. Mts vezes pensava como gostava que me entendessem, mas só ouvia dizer que td era normal na fase que estava a passar, e para ter paciência que tudo com o tempo passava....

Ficava desejosa que chegassem as manhãs para levá-la para a Ama, e assim sendo, lá ia eu para mais um dia de trabalho sem dormir nada (a maior parte das vezes, mesmo nada!). Cheguei ao ponto de dizer coisas e pensar noutras que prefiro até não verbalizar...ainda me dói só de pensar: como é que foi possível,eu mãe, dizê-las?!

Com tudo isto o meu marido teve de mudar de emprego, pois estava a chegar à exaustão completa!  Tanto queria estar com a família como já não conseguia ouvir ninguém. Só queria estar sozinha. Mts vezes acabava por ser brusca, fria, gritava,.....sem que ninguém estivesse a perceber o que se passava....

Hoje pergunto-me mts vezes como é que eu aguentei tanto... Mas tinha de ser! Nós temos de aguentar td... não é?! Ou pelo menos é o que dizem. Eu não sei se será bem assim... Hoje vejo que se foi formando uma bola tão grande na época, que ainda me pergunto: como foi possível desenvolver-se tudo tão rápido e sem que eu própria me apercebesse da gravidade? Digo isto, pois da 1ª vez que fui mãe nada disto me tinha acontecido. Muito pelo contrario.

Falta de conhecimento dos médicos tb! Hoje vejo que era mais fácil dizer "é normal, isso passa!". Estes problemas sempre existiram, o problema é que nunca se foi à raiz da questão, é pena....tenho a certeza que no meu caso teria evitado mt coisa ao longo do meu percurso e principalmente com as mhs filhas e marido. Sim, porque td isto deixa marcas. Embora já ultrapassadas, hoje percebo que passei por tds estes temas que estão cada vez mais a ser mais evideciados. Mt obrigado a este espaço que permitiu o meu desabafo. Tenham coragem, falem, peçam ajuda, não se deixem chegar ao fundo....❤

A solução que me deram,ao fim de tanto tempo era UMA CURA DO SONO... Agora imaginem eu fazêr algo assim com duas crianças pequenas a meu cargo, trabalhando mais de 40horas por semana e com o meu marido ausente....é óbvio que recusei.