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Mulher, Filha & Mãe.

Sensibilizar (para) e apoiar (na) ansiedade e depressão na gravidez e no pós-parto

Mulher, Filha & Mãe.

Sensibilizar (para) e apoiar (na) ansiedade e depressão na gravidez e no pós-parto

Como ajudar uma amiga com depressão pós-parto?

Acredito que muitas pessoas se questionem sobre como poderão ajudar uma familiar ou amiga com uma depressão pós-parto. 

Muitas são as dúvidas que surgem no momento e muitas são as incertezas quanto a cada novo dia que passa. 

Eu mesma, já me coloquei a presente questão e por muitas respostas que surgissem, até hoje, não tinha encontrado nenhuma tão apelativa, concisa, clara, simples, objetiva e de fontes tão fidedignas.

 

Encontrei um vídeo no site de uma organização australiana que já referi em alguns dos artigos que escrevi, e que não só promove a consciencialização face à presente problemática, como tenta esclarecer em pouco mais do que 1 minuto como é que cada um de nós pode ajudar uma familiar ou amiga com depressão pós-parto. 

 

Os dados lançados pela organização focam a população australiana, contudo, são um bom reflexo do que acontece no resto do mundo. 

 

Aconselho vivamente a sua visualização e apelo incessantemente à sua partilha para que esta informação possa chegar ao máximo número de pessoas possível, dando algumas orientações a quem poderá estar atualmente a precisar. 

 

 

Sobre saúde mental na gravidez e no pós-parto #2

"Sublinharmos que maternidade nem sempre rima com felicidade é a nossa forma de tentarmos diminuir o estigma e a pressão associados à depressão e a outros problemas de saúde mental perinatal. Não basta que este tema seja cada vez mais abordado nos meios de comunicação social e na Internet, como ilustrado atrás pelo excerto de um dos blogs mais lidos no mundo. É preciso que as mulheres saibam que podem e devem procurar ajuda, sem medo, sem vergonha e sem culpa. É preciso que a ajuda lhes seja dada."

 

 

 

Macedo, A.F. & Pereira, A. T. (Coords) (2014). Saúde Mental Perinatal: Maternidade nem sempre rima com felicidade. Lousã: Lidel.

Histórias que dão a cara por esta causa #17 - "A depressão começou a instalar-se e eu não me apercebi"

Há pouco tempo fui contactada pela Joana. Uma leitora que já segue o blogue há algum tempo, e que hoje, passados alguns meses, sentiu que era o momento certo para descrever um pedaço da sua história, tendo a coragem de falar "em voz alta" sobre o caminho que tem trilhado pela depressão pós-parto. 

 

Mais uma história que me prendeu do inicio ao fim, e me fez refletir sobre o sofrimento que muitas mulheres experimentam em silêncio, muitas vezes sem o apoio necessário numa fase tão delicada e que se pode tornar numa das mais marcantes de suas vidas. 

 

Obrigada Joana, por ter partilhado connosco a sua experiência e por contribuir para que mais mulheres e respetivas famílias tomem consciência da presente problemática, que frequentemente vamos abordando por aqui

Enviem-me também as vossas histórias. Juntos, falamos mais alto e chama-mos à atenção de um maior número de pessoas para problemas como a depressão pós-parto e para outros que integram o leque da saúde mental perinatal

blog@mulherfilhamae.pt

 

 

 

"A minha gravidez foi desejada, mas mais tarde as incertezas e inseguranças instalaram-se.
Pelo pai do meu filho eu tinha engravidado três meses após nos termos juntado. Mas eu achava que era cedo ser mãe com 25 anos, consegui demove-lo da ideia ,porque nós tínhamos primeiro que nos adaptar à nossa vida de "casados". Em Fevereiro de 2007 deixei de tomar a pílula e assim começar a tentar engravidar.
Depois de três testes darem negativos resolvi desistir e focar-me nas férias de verão. Quando regressei em Setembro resolvi fazer outra vez o teste da farmácia,deu positivo foi uma alegria para todos.
Fui à médica que ralhou comigo por não ter preparado o corpo para a gravidez se dar.
Já estava grávida de seis semanas. A gravidez foi santa sem enjoos, sem desejos por ali alem. O meu parto foi no Garcia da Orta, nada a apontar, fui bem tratada. Depois de dar à luz tudo começou a desabar.
Tudo começou quando a minha mãe quis mudar a fralda ao neto no hospital e a minha ex-cunhada tentou ensinar à minha mãe como por a fralda ao neto.
A minha mãe disse que sabia como mudar a fralda ao neto ,tendo em conta que a minha mãe já tinha tratado das 3 filhas, sobrinhos e filhos das vizinhas.
Quando chegamos a casa já estava desgastada, com uma dor de cabeça que não me aguentava efeito da epidoral e todos a quererem estar com o Diogo.
A minha sogra foi prestável fez me uma sopa e arranjou queijo fresco que eu não comia na gravidez por não ser imune à toxoplasmose.
Depois foi quando começou o nosso desentendimento.  banho que ia dar ao bebé  e o ex-marido gritou para ter cuidado, porque dizia que eu ia deixar o nosso filho escorregar  dos meus braços para dentro da banheira.
Durante quinze dias ele deu o banho. Bati o pé porque queria ter também aquele momento para mim. Pedi-lhe para trocarmos as tarefas. Não aconteceu. Passei a dar banho ao bebé, a por mesa ,a fazer o jantar,levantar mesa e por a máquina a lavar a loiça.
Resumidamente passei a fazer tudo. Depois deste desgaste todo ainda tinha que ter disposição para a nossa intimidade.
A minha mãe ,esteve em nossa casa há hora do banho do neto, todos os dias. O ex-marido queixava-se que a minha mãe estava sempre la em casa.
Desabafei com ela começou-se a queixar porque não me pus no lado dela para a defender ao mesmo tempo chorava, porque queria ver o neto ainda por cima era o primeiro.
Andei a ter discussões com o ex-marido e mãe. Se soubesse o que sei hoje tinha me posto do lado dela e não dele.
A depressão começou a instalar-se e eu não me apercebi,ate ao dia que a médica me pergunta se ele me ajudava comas tarefas e eu desato num pranto.
Tinha o Diogo seis meses quando comecei a tomar anti depressivos. O meu filho já não mamava porque ele mordia o mamilo ate adormecer então começou a comeras sopas e papas.
A noite chegava e depois de jantar já não fazia companhia e ia para o café . Ficava ali a noite sozinha com o nosso filho. Em dias de fim de semana era ate as tantas no café. Eu abdiquei de certas coisas e ele fazia vida como se fosse solteiro. Tivemos altos e baixos até ao dia que não aguentei e acabei tudo. Até ao dia da separação dormia com o meu filho na cama dele. O Diogo tinha 3 anos a um mês de fazer os 4 quando voltei para casa dos meus pais.
Depois da separação tomei outra vez anti depressivos.
Isto já é de família temos tendência  a depressões. Este ano fiz outra vez a toma destes malditos comprimidos.
A causa para os ter que tomar foi a violência doméstica. Já esta tudo resolvido, graças a Deus.
Em relação ao pai do meu filho,já resolvemos todas as nossas divergências e passado estes cinco anos resolvemos falar tudo o que não falamos na altura.
Eu? Eu continuo a lutar para alugar uma casa e deixarmos de uma vez por todas a casa dos meus pais.
Obrigada por despender estes minutos par ler esta experiência que tive na minha vida.
Não estou nada arrependida por ter tido o meu filho. É tudo o que eu tenho e mais gosto na minha vida." 

Sobre saúde mental na gravidez e no pós-parto #1

"A mãe adquire uma nova identidade: passa a ser não só uma mulher, uma filha dos seus pais, mas também a mãe do seu próprio bebé.

Esta mudança é uma conquista que exige uma aprendizagem e uma preparação psicológica em interação com o meio que a rodeia."

 

 

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Direcção-Geral da Saúde (2005). Promoção da Saúde Mental na Gravidez e Primeira Infância: Manual de orientação para profissionais de saúde. Lisboa: Direcção-Geral da Saúde.

Curiosidades sobre a saúde mental das mulheres

Sabiam que...

 

 

...Dados sobre a prevalência de problemas relacionados com a saúde mental mostram que 22.9% das pessoas em Portugal sofre de uma doença psiquiátrica.* 

 

...Em Portugal, as doenças que mais se destacam são as relacionadas com a ansiedade.*

 

...As mulheres apresentam o dobro da probabilidade de sofrer de doença psiquiátrica do que os homens.** 

 

...As mulheres apresentam um risco maior do que os homens de sofrer perturbações depressivas e da ansiedade.*

 

...Excetuando a doença cardíaca, a depressão é a doença crónica que mais afeta as mulheres, as quais apresentam uma vulnerabilidade maior para esta doença nos anos reprodutivos (entre os 18 e os 44 anos).**

 

...A depressão é, também, a principal causa de internamento não obstétrico nas mulheres entre os 18 e os 44 anos. Sendo estes os anos em que a maioria das mulheres tem filhos, existe uma possibilidade elevada de muitas estarem deprimidas durante o período perinatal.**

 

...Nos primeiros meses após o parto, a taxa de novos episódios de depressão é mais elevada do que noutras alturas da vida da mulher.**

 

...As mulheres detém um maior número de consumo de psicofármacos, especialmente, ansiolíticos e antidepressivos.*

 

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Já há muito que é conhecida a maior propensão para a doença psiquiátrica por parte das mulheres relativamente aos homens, e as explicações para estas discrepâncias encontram-se em modelos multi-fatoriais que incluem fatores biológicos (p/ex. endócrinos, genéticos, etc.), sociais (p/ex. fatores socioeconómicos, apoio social, etc.) e psicológicos (p/ex. estilo cognitivo, personalidade, etc.).

Estudos epidemiológicos mostram que as diferenças de género neste âmbito começam a evidenciar-se no inicio da adolescência, continuando na idade adulta, nomeadamente nos anos de idade fértil das mulheres, persistindo até à quinta década de vida. 

 

 

 

*- Caldas de Almeida, J., & Xavier, M. (2013). Estudo Epidemiológico Nacional de Saúde Mental (Vol.1). Lisboa: Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa. 

**- Macedo, A.F. & Pereira, A. T. (Coords) (2014). Saúde Mental Perinatal: Maternidade nem sempre rima com felicidade. Lousã: Lidel.

Celebridades que desenvolveram uma depressão pós-parto

Como já aqui falei várias vezes, a depressão pós-parto pode ser vivida por qualquer um ou qualquer uma. 

O género, a raça, a idade, o estatuto, a profissão, etc., não representam qualquer tipo de barreira ao seu desenvolvimento. Existem, sem dúvida, pessoas que poderão ter maiores probabilidades do que outras para a desenvolverem - dependendo dos fatores de risco que apresentam - contudo, a depressão pós-parto é uma doença que pode ser desenvolvida por qualquer mulher ou homem dentro do respetivo contexto. 

 

Há pouco tempo encontrei um artigo num site que poderão visualizar na sua totalidade aqui, e que falava sobre as celebridades que tinham confessado passar por uma depressão pós-parto e achei interessante partilhá-lo. 

 

Todos os que de alguma forma tivemos contacto com esta realidade temos a possibilidade de dar a cara por esta problemática, no entanto, sem dúvida que uma celebridade com o peso do seu papel público, acaba por ter um impacto ainda maior. 

Muitas destas celebridades fizeram questão de dar a cara por este problema tentando alertar as pessoas para o seu desenvolvimento, tal como muitas das leitoras do blogue já fizeram na rubrica Histórias que dão a cara por esta causa. Só há pouco tempo tive conhecimento de algumas dessas celebridades, e a todas elas, assim como às leitoras do blogue, um grande bem-haja por darem a cara por esta doença e por falarem sobre as suas vivências, alertando assim, um grande número de mulheres e respetivas famílias para esta realidade.

 

Se também vocês se sentirem confortáveis em falar sobre o blues pós-parto e/ou sobre a depressão pós-parto, quer a tenham vivido na primeira pessoa, ou não, não hesitem em partilhar as vossas vivências. Enviem-me email para: blog@mulherfilhamae.pt

 

De seguida, as fotos de algumas das celebridades que confessaram ter passado por uma depressão pós-parto, tendo já abordado o assunto em inúmeros programas, revistas e livros. São algumas delas:

 

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Brooke Shields

 

 

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Alanis Morissette

 

 

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Drew Barrymore

 

 

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 Courteney Cox

 

 

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Bryce Dallas Howard

 

 

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Gwyneth Paltrow

 

 

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Hayden Panettiere

 

 

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Kendra Wilkinson

 

Tê-la e escondê-la: Qual das duas a pior?

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Imagino que muitas mulheres com doença mental, especialmente se diagnosticada na gravidez e/ou no pós-parto (tendo em conta as circunstâncias), se identifiquem com esta realidade.

Num texto que escrevi, há já algum tempo, falo sobre "Porque é que se desvaloriza a Depressão na Gravidez e no Pós-Parto?

Acabou por ser, inclusive, um texto destacado na homepage da Sapo

 

Lembram-se? 

 

Aconteceu convosco ou com alguém que conhecem? 

Partilhem as vossas experiências sobre o assunto! 

 

blog@mulherfilhamae.pt

 

 

"Precisamente sobre saúde mental perinatal" - Nova rubrica!

Vários são os artigos, textos, livros, e outras publicações, que contém frases e afirmações que me marcam. Que ficam na minha memória porque, de alguma forma, representam visões, opiniões, críticas, afirmações, fundamentos, etc., que evidenciam o quão importante é falar sobre a Saúde Mental Perinatal para e entre todos. 

 

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Desta forma, achei interessante iniciar esta rubrica - "Precisamente sobre saúde mental perinatal" - que marca as respetivas frases e afirmações a que tenho acesso e que considero contribuírem para aumentar a compreensão de todos sobre o que está relacionado com a saúde mental perinatal, para além do que já falei neste texto

 

Brevemente publicarei a primeira frase que me marcou após a leitura de um documento da Direção-geral de saúde.

 

Caso também tenham lido/conheçam algum tipo de comentário, frase, publicação, livro, artigo, etc., que fale sobre temáticas inerentes à saúde mental perinatal e ao que evidenciamos frequentemente no blogue, não hesitem em enviar-nos para publicação!

Enviem para:

blog@mulherfilhamae.pt

 

Até jáá!

Saúde Mental Perinatal: Sabem o que significa?

Vários são os momentos em que utilizo este termo nos meus textos, assim como existe um separador no menu e na barra lateral que o evidencia. 

Dado que muitas são as pessoas que vão entrando neste espaço, alguns possivelmente pela primeira vez, parece-me que é bom relembrar no que consiste. 

A Saúde Mental Perinatal caracteriza-se pela saúde mental da mulher desde a conceção até ao primeiro ano após o parto, e desta forma, engloba qualquer temática que integre este período e que esteja relacionado com a saúde mental.

Por sua vez, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS) a saúde mental caracteriza-se como “o estado de bem-estar no qual o indivíduo realiza as suas capacidades, pode fazer face ao stress normal da vida, trabalhar de forma produtiva e frutífera e contribuir para a comunidade em que se insere“.

Nesta definição, a “saúde mental” é entendida como um aspeto relacionado ao bem-estar, à qualidade de vida, à capacidade de amar, trabalhar e de se relacionar com os outros. Com esta perspetiva positiva, a OMS convida-nos a refletir sobre a saúde mental muito para além das doenças e das deficiências mentais.

 

Dentro da área da saúde mental perinatal podemos falar em inúmeros aspetos relacionados com a promoção da saúde, a prevenção das doenças, sobre as doenças que se podem desenvolver, sobre o tratamento e sobre a reabilitação das pessoas que desenvolvem as respetivas doenças, seja de que âmbito for. 

É por isso que também muito valorizo os testemunhos que me enviam sobre o tema, pois permitem-me, e a quem nos lê, compreender de uma forma mais ampla como é que cada pessoa, e respetiva família, vivência as problemáticas que a afetam, como se sente e que tipo de estratégias utiliza para ultrapassar o presente momento. Algo que considero bastante pertinente de publicar, e consequentemente transmitir a quem nos lê e procura informação deste tipo.

 

Quando se fala em Saúde Mental Perinatal, rápido se pensa em depressão pós-parto, mas quando se fala em saúde mental perinatal fala-se em muito mais do que a depressão pós-parto. Falamos de blues pós-parto, de psicose pós-parto, de ansiedade pós-parto, de depressão na gravidez, de fobias na gravidez e no pós-parto, de problemas na relação mãe-bebé, problemas de sono específicos neste período, de stress pós-traumático na gravidez e no pós-parto, de sintomas específicos deste período, entre muitos (mesmo muitos...) outros temas cujo foco é a mãe e o bebé. 

A saúde mental perinatal integra uma esfera de conteúdos sobre uma série de aspetos e problemáticas que confrontam a mulher e respetiva família num período de grande transição e expectativa (a conceção, a maternidade, a parentalidade...) paralelo a uma série de equilíbrios e desequilíbrios que daí possam surgir. 

 

É essa esfera que, neste espaço, pretendo fazer girar, sendo sobre a mesma que pretendo falar e aprofundar conhecimentos, espelhando-os no item da página principal do blogue que identifica "Saúde Mental Perinatal".

E já agora...já exploraram este espaço? 

 

Têm questões, sugestões, ideias?  

Não hesitem em enviar-me email sobre as mesmas! 

blog@mulherfilhamae.pt

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