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Mulher, Filha e Mãe

Sensibilizar (para) e apoiar (na) ansiedade e depressão na gravidez e no pós-parto

A obsessão pelo bebé também pode ser sinal de Depressão Pós-Parto!

Sabiam?

 

 

Estar atento a comportamentos caracteristicamente obsessivos, por exemplo, pelo cuidado com o bebé, é fundamental para que se possa sinalizar o caso o mais precocemente possível, facilitando a orientação da mulher para tratamento adequado. Comportamentos como impedir que qualquer pessoa toque/pegue o bebé, como deixar de cuidar totalmente de si, como evitar que qualquer membro da família (inclusive o pai do bebé) cuide d@ filh@, como não conseguir ter um período de sono reparador durante vários dias e noites seguidas com medo que algo aconteça ao bebé, entre outros, são alguns dos vários exemplos de comportamentos que as mulheres podem vir a demonstrar após o parto.

 

Estes comportamentos podem acontecer isoladamente, ou em conjunto, sendo efetivamente motivo de preocupação quando se mantém e/ou intensificam semana após semana, durante várias semanas a meses. Contudo, temos sempre de ter em conta que cada caso, é um caso.

 

Comuniquem com a mãe do bebé. Tentem compreender se a mesma se apercebe do tipo de comportamentos que tem e que indicam que poderá haver esta característica obsessão pelos cuidados para com o bebé. Contudo, não insistam em demonstrar-lhe que ela poderá estar errada aos vossos olhos, por se comportar de determinada forma, com a qual vocês não concordam/não compreendem.

 

Peçam ajuda. Informem-se. Pedir ajuda não faz de vocês a família que falhou!

 

#eupediajuda

 

blog@mulherfilhamae.pt 

Ao pai do meu filho: Preciso de ti!

És o pai do meu filho, e só por isso preciso de ti! 

 

Optámos por enveredar pelo complexo e maravilhoso mundo da parentalidade, e só por isso, preciso de ti! 

Desejando muito em uníssono, ou nem por isso, este bebé que acolho em mim, implica com todas as certezas que eu precise mesmo muito de ti!

Engravidámos os dois, e projetamos física e emocionalmente, tudo o que poderemos vir a construir em conjunto, e só por isso, preciso de ti!

Fico enjoada, vomito, estou mais irritada, lamechas, com falta de memória, tranquila, feliz, e com todo o tipo de emoções e expectativas à flor da pele, e só por isso, preciso de ti!

Estou quase a parir, e preciso muito de ti! 

Tenho imensas dores, medos, receios, angústias e preciso de mandar tudo à merda, e preciso de ti!

Quero beijar-te, mostrar-te que te amo, dizer-te que tudo poderia ter sido diferente - podendo até nem ter sido - e só por isso, preciso mesmo muito de ti! 

Estou completamente apaixonada pelo nosso filho. Aquele que eu e tu, planeámos, expectamos, imaginámos, e que agora, contemplamos. E só por isso, preciso mesmo muito de ti! 

Doem-me as mamas, dói-me o rabo, doem-me as costas, dói-me a sutura, e acima de tudo, dói-me o peito. Por vezes o coração. A ansiedade aumenta a cada dia que passa depois do nosso filho ter nascido. Será que serei boa mãe? Será que conseguirei educá-lo? Será que? Será? Porra! Como eu preciso de ti... 

 

Preciso de ti para encarares.

Preciso de ti para me ouvires. 

Preciso de ti para me compreenderes. 

Preciso de ti para acreditares comigo que tudo voltará a ser idêntico ao que era, mas agora, bem melhor!

Preciso de ti para me aconchegares.

Preciso de ti para me pedires aconchego e para compreenderes, que por momentos, os meus braços podem estar ocupados, mas que o meu coração mantém o mesmo espaço reservado em exclusivo para ti. 

Preciso de ti para me mostrares que me amas. Que me queres. Que percebes que por agora o sexo não é uma prioridade, mas que o tempo faz com que tudo volte a ser como era, ou quem sabe, bem melhor!

Preciso de ti para me olhares enquanto mulher. Para puxares por esse meu lado também. 

Preciso de ti para me confrontares com o que achas que não está bem, mas para saberes ouvir o que sinto e que poderá estar em discórdia também. 

Preciso de ti para pedires ajuda a alguém, caso eu não me sinta mesma nada bem, e não reconheça, não compreenda.

 

No fundo, preciso de ti para vivermos a vida que idealizámos, e que agora foi completamente abanada pelo nascimento de quem muito esperámos. 

 

Preciso de ti para tudo isto, e quem sabe, até para muito mais. 

Mas se por agora não puderes estar e sentir comigo esta fase que vivemos, e que pode não estar a ser tão feliz como expectámos, sabe que sozinha (é bem provável que) também conseguirei. Mas é bem mais difícil e doloroso também. 

 

 

"Enerva-me ela não mamar bem ,eu estar exausta e acabo por chorar de nervos!"

Há poucos dias uma leitora do blogue contactou-me.

Foi mãe há pouco tempo, e os primeiros tempos não têm sido fáceis. A dúvida que me colocou prendeu-se com o facto de querer saber se na minha opinião poderia estar a passar por uma depressão pós-parto. 

Mais precisamente, após partilhar um pouco mais sobre a forma como vivenciou a gravidez, a questão que me colocou foi a seguinte:

 

"Passou uma semana e agora tudo me irrita e estou exausta o que faz com que as vezes responda mais ríspido mas ele não está a entender esta fase. Não sei se pode ser considerado depressão pós parto. Não a rejeito dou-lhe muitos mimos e passo muito tempo a olhar para ela com amor  mas enerva-me ela não mamar bem ,eu estar exausta e acabo por chorar de nervos e raiva de tudo. Queria uma opinião de alguém que não me conhece."

 

Após a troca de alguns emails, e da referida diminuição da sensação de ansiedade pela leitora relativamente ao momento presente e às dúvidas que me colocou, acabámos por concordar no beneficio que a publicação desta questão e respetiva resposta poderia trazer a outras mulheres e respetivas famílias que possam estar a passar pelo mesmo e que sigam o blogue. 

 

O que lhe respondi foi o seguinte:

 

"Tal como muitas vezes abordo no blogue, a depressão pós-parto é um diagnóstico médico. Daí que seja necessário consultá-lo para posteriormente à sua observação o mesmo poder confirmar o referido diagnóstico e prosseguir com o tratamento mais adequado que considerar. 
 
Contudo, pelo que me conta, parece-se que pouco menos de 7 dias passaram desde o nascimento da sua bebé. Para além da depressão pós-parto existe um estado que muito falo também no blogue, o baby blues, já tinha ouvido falar? 
 
Deixo-lhe dois links de seguida para se poder informar melhor sobre o baby blues. 
 
 
 
Nos primeiros dias após o parto, até por norma um máximo de 10/15 dias, muitas mulheres passam por uma fase de maior irritação, muitas vezes grande tristeza, ansiedade, insónia, alterações no apetite, sensação de grande cansaço, entre outras manifestações, sendo que tudo isto junto - e outras coisas mais - dão origem ao tal baby blues. Caso estas manifestações se mantenham por mais tempo, e/ou piorem, deve consultar um profissional de saúde.
 
(...)
 
Chegou a fazer algum curso de preparação para o parto, ou está em contacto com alguma enfermeira no centro de saúde a que pertence? Poderiam ser um bom recurso para a ajudarem nesta primeira fase relativamente à amamentação. Quer no esclarecimento de dúvidas, quer para conhecer mulheres que estão exatamente na mesma fase que a (leitora), por exemplo.
 
Estes primeiros tempos após o parto podem tornar-se mais densos a nível emocional uma vez que há muitas adaptações que, quer a (leitora), quer o pai, quer a vossa filha, estão a passar. A exaustão poderá ser uma constante neste período, mas diga-me, é-lhe de todo impossível aproveitar pequenos momentos para descansar? Quando o bebé descansa, por exemplo? Existe alguém que possa alternar consigo alguns momentos de vigia ao bebé para também você poder descansar? 
Percebi que nos momentos em que a sua filha descansa opta por ver televisão, sendo este um tempo que a (leitora) caracteriza como "seu/para si", mas também é importante relaxar, fechar os olhos, descansar, dormir. O ideal seria equilibrar os momentos  que caracteriza como "seus/para si" e o descanso que também necessita nesta fase. Pode refletir sobre a melhor forma de o fazer nos próximos dias/semanas. 
 
Eu mantenho-me em contacto, disponível para lhe responder a qualquer questão que tenha!
 
Não se culpe se necessitar de pedir ajuda. Para cuidar bem da sua bebé, também você precisa de estar bem!"
 
 
 
E por aí, permanece alguma dúvida que gostavam de ver esclarecida? Não hesitem em contactar-me!
 
blog@mulherfilhamae.pt

 

Testemunhos de mulheres com Depressão Pós-Parto: Um vídeo a não perder!

Já alguma vez viram este vídeo?

 

São várias mulheres, de várias idades, etnias e estratos sociais que falam sobre a sua experiência com a depressão pós-parto. Todas elas desenvolveram uma, e todas elas a superaram. No entanto, também todas elas guardam mágoas, estratégias e vivências que partilham referentes a essa fase da sua vida. 

 

Um vídeo bastante pertinente para quem quer saber um pouco mais sobre depressão pós-parto. 

Estão aqui várias histórias reais. E é incrível como cada uma delas começa por referir que nunca pensou que pudesse desenvolver uma patologia tão devastadora, como a depressão, e num momento tão delicado e especial, como no pós-parto. 

 

Durante a gravidez e no pós-parto, qualquer mulher tem um risco de desenvolver uma depressão perinatal. 

Estejam atentos, informem-se e peçam ajuda, caso considerem necessário.

Pedir ajuda não é sinónimo de falha e/ou erro de qualquer uma das partes!

 

#eupediajuda

 

Partilhem também connosco o vosso testemunho sobre o que vivenciaram de menos positivo no pós-parto. Façam como várias mulheres e respetivas famílias já fizeram: Deram-nos a sua visão sobre como foi passar uma maternidade, que não começou logo a rimar com felicidade. Mais testemunhos na rubrica "Histórias que dão a cara por esta causa".

blog@mulherfilhamae.pt

 

Agora, um vídeo a não perder!

 

 

 

Não há problema se chorar compulsivamente nos dias posteriores ao parto!

 

Mas há problema se continuar a chorar compulsivamente nos dias, semanas e/ou meses posteriores ao parto, e não pedir ajuda, pois muito provavelmente, podemos estar perante um blues pós-parto, e persistindo, provavelmente numa depressão pós-parto. 

 

Pedir ajuda é legítimo e não faz de ti má mãe! 

 

#eupediajuda

 

Ajuda? Dúvidas? Questões?

blog@mulherfilhamae.pt

Sobre saúde mental na gravidez e no pós-parto #6

 

"O período 'rosa' que abrange os dois primeiros dias após o parto, caracterizado por sentimentos de felicidade e bem-estar é seguido, frequentemente, por um período de blues. Aproximadamente 50% a 80% das mulheres têm blues pós-parto - ou baby blues - que surge em mulheres de todos os grupos étnicos ou raciais. Estas apresentam labilidade emocional, chorando frenquentemente, facilmente, e sem razão aparente. O pico desta situação parece ser atingido por volta do quinto dia e atenuar por volta do décimo dia."

 

Lowdermilk, K. & Perry, L. (2008). Enfermagem na Maternidade. (7ªed). Loures: Lusociência.

#eupediajuda - E vocês?

Há alguns meses uma leitora do blogue enviou-me email a partilhar a sua vivência do pós-parto. Um testemunho que podem consultar, acedendo a este link

 

 

A mesma pediu ajuda, realizou o tratamento adequado, e hoje encontra-se praticamente a terminar o capítulo "Depressão Pós-Parto" na sua vida. 

Foi ótimo receber notícias sobre a sua recuperação, assim como é ótimo poder partilhá-las aqui convosco!

 

A Depressão pós-parto pode ser tratada! Mas para isso, há que pedir ajuda.

 

#eupediajuda - E vocês? 

Partilhem notícias sobre a vossa recuperação utilizando esta hashtag (#eupediajuda) e assim poderemos aceder a um link de esperança e positivismo em termos de recuperação associada à depressão pós-parto. 

 

Quem alinha?

 

blog@mulherfilhamae.pt

Do tornar-se mãe ao blues pós-parto: um caminho (in)esperado.

Há pouco tempo escrevi sobre o facto do Baby Blues ser uma fase expectável na vida de um casal. Lembram-se?

 

Não fui eu que o disse. Já vários autores têm escrito sobre o assunto. Algo que tenho tido a oportunidade de verificar em livros mais técnicos. 

 

Ao longo do último semestre da mestrado desenvolvi alguns trabalhos na área da saúde mental perinatal, e houve um que sempre pensei colocar de uma forma adaptada aqui, no blogue. 

Está relacionado com o tornar-se mãe. Já alguma vez tinham ouvido falar sobre esta expressão? 

Este conceito foi desenvolvido por Ramona Mercer, uma teórica de enfermagem que tem dedicado a sua vida a investigar e a ministrar formação nesta área. 

 

Assim, de acordo com a autora, tornar-se mãe, caracteriza-se por ser uma transição que envolve um conjunto de dimensões percecionadas, ou não, pela própria e que influenciam fortemente a mulher e o mundo que a rodeia. No fundo significa “a transformação e o crescimento da identidade materna”. Este conceito implica muito mais do que o cumprir de um papel. Integra de igual forma a aprendizagem de novas competências e a ampliação da confiança em si própria, há medida que enfrenta novos desafios nos cuidados para com o respetivo filho.

 

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A transição para a maternidade é um dos maiores eventos promotores de desenvolvimento da vida de uma mulher e tornar-se mãe implica movimentação de uma realidade que se conhece e se domina, para uma realidade completamente nova e desconhecida pela própria*. A transição requer metas de reestruturação, comportamentos e responsabilidade para atingir um novo conhecimento do “eu”. Só pela acima descrita conceção se consegue compreender, embora que de uma forma bastante generalizada, o quão complexo é o processo do “tornar-se mãe”, mesmo quando estamos perante uma escolha consciente e responsável por este caminho. Tornar-se mãe e desenvolver o respetivo papel ao longo da conceção, gravidez e pós-parto requer uma série de adaptações já descritas por alguns autores e que envolve um conjunto de ajustes biológicos, psicológicos, e sociais necessários ao seu desenvolvimento.

 

Tendo em conta o descrito anteriormente é fácil compreender que o caminho entre o tornar-se mãe e o desenvolvimento de um blues pós-parto não seja tão longo como para alguns poderá parecer. 

No meio deste caminho muitas poderão ser as dúvidas com que os pais se deparam, muitas são as mudanças de rotinas, muitas são as novas aprendizagens, muitas são as novidades, mas também muitos poderão ser os dissabores de todo este rodopio físico e emocional. E tendo em conta a presente pródiga desenvoltura, o baby blues enquanto resultado final encaixa aqui como uma luva em muitas das mulheres e homens que foram recentemente pais. 

 

Não significa que todos passem pelo mesmo. Não significa que o babyblues evolua sempre da mesma forma ou que se manifeste sempre do mesmo jeito. Não significa que o baby blues dure o mesmo tempo em todos os casais, assim como não significa que todos o retenham enquanto experiência da mesma forma. 

Significa sim que todos devemos estar alerta para este tipo de situação, uma vez que se mal interpretada ou gerida, o resultado final poderá ser devastador. E aqui, na rubrica Histórias que dão a cara por esta causa, temos muitos exemplos disso. 

 

Já conheciam? 

 

 

*Meleis A. I. (2010). Transitions Theory: Middle-Range and situation-specific theories in nursing research and practice. New York: Springer Publishing company.

A irritabilidade pode ser uma constante nos primeiros dias após o parto.

 

Lembram-se do texto que escrevi sobre como é que se definia a irritabilidade nos primeiros dias após o parto? 

 

Para o consultar, cliquem aqui.

Este poderá ser um bom momento para relembrar! 

 

Têm mais alguma questão que gostavam de colocar? Não hesitem em contactar-me!

blog@mulherfilhamae.pt

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