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Mulher, Filha e Mãe

Sensibilizar (para) e apoiar (na) ansiedade e depressão na gravidez e no pós-parto

Histórias que dão a cara por esta causa #21 - "Depressão Pós-Parto é sentirmo-nos más mães por estarmos a passar por tudo isto "

Hoje trago-vos um relato na primeira pessoa associado a uma vivência pessoal de depressão pós-parto sobre a qual esta leitora muito tem refletido, transmitindo-nos através de um contacto via email, uma uma mensagem muito objetiva, emocionante e realista, que me autorizou a publicar.
 
Partilhem também a vossa história, as vossas vivências, seja na primeira pessoa, ou não, sobre blues, depressão, ansiedade e/ou psicose pós-parto, por exemplo.
 
Vamos dar continuidade a esta partilha, demonstrando e relatando sem medos e/ou preconceitos, que maternidade nem sempre rima com felicidade.
 
blog@mulherfilhamae.pt
 

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"Boa tarde,
 
O que eu sei da depressão pós-parto é que é muito difícil quem nos rodeia entender aquilo que se passa na realidade. Pensam que a mãe está assim porque deixou de ter as atenções sobre ela porque passaram a ser sobre o bebé, pelo menos é o que mais tenho ouvido... Na realidade é um sofrimento em silêncio e uma dor inexplicável. É incontrolável o choro, a angustia e a culpabilização que se sente.
 
É não entender como se desejou este ser tanto e se sofreu tanto para o ter que agora que está aqui sentimos que é um fardo porque não nos conseguimos ligar a ele. É sentir-se culpada por ter estes sentimentos. É querer se refugiar num buraco e que nos deixem em paz e querer que este ser não seja tão dependente de nós para podermos ter um pouco de descanso. É não entender porque estamos a sofrer tanto quando devíamos era estar felizes - até porque é o que toda a gente nos diz e é o que esperam de nós. É sentir que somos 'escravas' deste ser e não conseguimos desfrutar dele como os outros porque o cansaço nos ultrapassa. É chorar de forma incontrolável sem saber ao certo o porquê. É olharmos-nos ao espelho e não nos reconhecermos pois tal foi a forma que o nosso corpo modificou.
E finalmente é sentirmo-nos más mães por estarmos a passar por tudo isto e a sentir o que estamos a sentir.
Este descontrolo hormonal leva-nos a um estado extremo numa altura em que mais precisávamos de estar bem.
É uma verdadeira depressão como qualquer outra e requer ajuda e apoio.
 
Admiro as mães que tiveram que passar por tudo isto sozinhas." 

Amamentação e fármacos para a depressão pós-parto: Dúvidas?

Amamentação e fármacos para a depressão pós-parto: uma junção possível. 

 

Um texto que escrevi há já algum tempo, mas ainda bastante atual. Lembram-se? 

 

 

Vamos falar sobre o assunto? 

 

Contactem-me!

blog@mulherfilhamae.pt

 

www.projetomulherfilhaemae.pt

Projeto Mulher, Filha & Mãe: Parceria com o Centro de Atividades Árvore dos Bebés.

Já anunciei no blogue alguns workshops em parceria com o Centro de Atividades para Grávidas, Bebés e Crianças - Árvore dos Bebés, mas a verdade é que ainda não tinha aqui anunciado a nossa grande parceria. 

 

Assim que me apercebi da sua existência e do tipo de atividades que desenvolvia, senti que tinha que contactar a equipa do centro!

Rapidamente obtive resposta, e após um encontro pessoal senti uma grande abertura para poder desenvolver o Projeto Mulher, Filha & Mãe

 

Quem me respondeu foi a Carolina! 

Uma colega de profissão, muito entusiasta pela área da saúde infantil, com uma larga experiência e conhecimentos na área, que se identificou de imediato com a necessidade de se desenvolverem mais projetos com foco na saúde mental perinatal. Decidiu que queria apostar em algo diferente, e assim avançou para o projeto - Árvore dos Bebés. Após alguns encontros desafiei-a a responder a algumas questões para o blogue para a ficarem a conhecer melhor. 

 

Carolina, o que é que a Árvore dos bebés trouxe de mais positivo para a tua vida?

A Árvore dos Bebés trouxe-me autorrealização. Depois de vários anos a trabalhar sob as “ordens” de outros, a possibilidade de construir algo meu e que posso partilhar com os outros segundo as minhas perspetivas deixa-me muito feliz. A concretização deste projeto trouxe-me também tempo de qualidade para estar com a minha filha e vê-la crescer, ao mesmo tempo que me possibilita oferecer-lhe diversas atividades que contribuem para o seu desenvolvimento psicomotor e espiritual, para que esteja em harmonia consigo e com o mundo.

 

E o que achas que traz de mais positivo à vida das pessoas que frequentam a Árvore dos Bebés?

Penso que a Árvore dos Bebés, em conjunto com o Páteo Orgânico, trouxe às pessoas um cantinho mágico no Bairro do Infantado. Ao entrarmos na Árvore dos Bebés/Páteo Orgânico sentem-se boas energias, paz, tranquilidade. No fundo uma geral sensação de bem-estar. Num mundo de stress e preocupações, o facto de termos um conceito muito próprio direcionado para as grávidas, bebés, crianças e famílias, faz com que as pessoas queiram partilhar a sua vida connosco, seja tomando um chazinho e comendo uma refeição biológica e vegetariana ligeira, seja participando ativamente nas nossas atividades, as quais promovem o bom desenvolvimento infantil e o bem-estar da população em geral, seja a titulo individual, como em família.



Para além de coordenadora da Árvore dos bebés, também acumulas funções de enfermagem, sendo especialista em saúde infantil e pediatria. Tendo em conta a larga experiência profissional que tens, e a recente experiência materna, consideras que a Mãe e Enfermeira Carolina é hoje diferente, da Enfermeira Carolina, antes de ser mãe? Se sim, em quê?

Penso que sim, embora não muito. Enquanto Enfermeira, Especialista ou não, sempre tive uma grande preocupação com o bem-estar do bebé, o que implica o bem-estar de todo o agregado familiar. A chegada da minha filha despoletou o meu lado mais maternal no sentido de que, não só os bebés e crianças doentes precisam do amor dos pais, mas também as crianças ditas saudáveis. Faz falta amarmos os nossos filhos, brincarmos com eles, vê-los crescer, amparar-lhes algumas quedas ou ajudá-los a superar obstáculos. Faz falta estarmos ATENTOS e PARTICIPARMOS na vida deles. Claro que a experiência enquanto Enfermeira me possibilita estar desperta para determinadas questões relacionadas com o desenvolvimento infantil, sendo isso uma mais valia para o desempenho da minha profissão, mas essencialmente, para ser MÃE.



No site da Árvore dos Bebés, referes que o projeto surgiu numa "noite de insónias" quando estavas grávida de 16 semanas. Hoje, quase um ano depois da elaboração desse sonho, e poucos meses depois da sua concretização, qual o balanço que fazes do projeto?

Não posso negar que nunca pensei que o trabalho e as preocupações fossem tantas quando, nessa noite de insónias, decidi que queria mudar a minha vida e chegar ao coração de mais famílias. Se no inicio a ideia era ter mais tempo para a minha filha, na verdade, isso tem sido possível. Mas para isso acontecer e para dar resposta às muitas solicitações diárias, há outras questões que se levantam: sou humana e o dia não tem mais de 24 horas…sendo que pelo menos 8 deveriam de ser para dormir. Mas não sou rapariga para me queixar, muito menos para desistir. E o que faço, faço com muito prazer porque sei que estamos a contribuir para que a vida das pessoas, dos bebés e das crianças seja melhor. Todos os feedbacks que recebo são lufadas de ar fresco, e amanhã é outro dia, em que vou ver a minha filha a sorrir ao acordar, em que vou ter Mamãs a agradecer pelas aulas, em que vou ter Amigos a dizer que tivemos uma ideia fantástica. Por isso o balanço é mais que positivo…é para continuar a fazer mais e melhor! Quando semeamos amor, vemos crescer felicidade em todas as direções. É esse o nosso Caminho.

 

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A Carolina e a Filha no Pateo Orgânico - um café à base de produtos biológicos e vegetarianos, com uma excelente energia e que está agregado ao centro.

 

Ficaram com curiosidade de as visitar?

Aproveitem os workshops que desenvolvemos em parceria! 

Datas anunciadas no facebook do blogue e da Árvore dos bebés

 

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Apresentei de um poster científico sobre o Projeto Mulher, Filha & Mãe!

Foi hoje, num encontro da FNERDM - Federação Nacional de Entidades de Reabilitação de Doentes Mentais onde o foco de abordagem e reflexão se situava no presente e no futuro da saúde mental comunitária. 

 

Como podem ver no cartaz, foi um evento que contou com um forte painel de palestrantes, e com os quais muito aprendi! 

 

Para além do que aprendi, felizmente também me foi dada a oportunidade de partilhar dados relativos ao Projeto Mulher, Filha & Mãe. Infelizmente não houve tempo para questões, mas confesso que estava a aguardá-las com grande expectativa. 

Todas as criticas que ouvi relativamente ao projeto, desde a sua reflexão até aos dias de hoje, em muito têm contribuindo para o seu - e acima de tudo, para o meu - crescimento, e mesmo que por vezes discorde, a verdade é que hoje, sinto que foi mais um passo importante dado na direção da sensibilização da população para a área de saúde mental perinatal, assim como para a divulgação do projeto em si. 

 

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Eu a começar a apresentação (os nervos eram evidentes, mas felicidade por poder estar ali a partilhar sobre o tema, era ainda maior!)

 

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Não hesitem em contactar-me, quer para colocarem alguma sugestão, crítica, darem uma opinião, ou simplesmente para partilharem alguma questão que considerem ser relevante relativamente ao projeto. 

Muitos de vós já o fizeram, e todos os dias conto, e espero, que muitos mais o continuem a fazer! 

 

Para mais informações sobre o projeto:

www.projetomulherfilhaemae.pt

 

Para me contactarem:

blog@mulherfilhamae.pt

Sobre saúde mental na gravidez e no pós-parto #11

Segundo Bowlby (1969), a relação de vinculação entre a mãe e a criança orienta todas as relações futuras da criança e portanto, influencia o seu desenvolvimento social e cognitivo. Entre as características principais das relações de vinculação seguras, a harmonia e a sincronia afectiva entre a mãe e a criança podem favorecer o desenvolvimento de estilos particulares de comunicação por parte da criança. Por outro lado, as crianças identificadas como tendo uma relação de vinculação segura exploram mais activamente o ambiente, um facto que pode potencialmente implicar diferenças no modo de comunicar. 

 

 

 

Veríssimo, M., Blicharsky, T., Strayer, F. & Santos, A. (1995). Vinculação e estilos de comunicação da criança. Análise Psicológica 1-2 (XIII), p. 145-155.

Projeto Mulher, Filha & Mãe: Maternidade? Nem tudo são rosas!

"Não lhe virei as costas, mas muitas vezes fiquei parada a olhar p'ra ela, ali, pura e serena, colocando frequentemente em dúvida a minha capacidade de ser quem a cuida. De ser quem a protege. Embora nunca, a de ser quem incondicionalmente a ama."

 

Uma experiência que muitas mulheres têm no pós-parto, contrariamente aquilo que esperam.

 

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A maternidade nem sempre começa da forma como esperamos. Nem sempre começa envolta numa ambiência de tranquilidade, alegria e puro romantismo. Nem sempre começa bem. Contudo, não significa que não venha a ser assim!

 

Vamos falar sobre o assunto?

 

www.projetomulherfilhaemae.pt

 

blog@mulherfilhamae.pt

Relato Prático sobre o Projeto Mulher, Filha & Mãe: Quando, Onde e Como?

É com grande felicidade e entusiasmo que partilho convosco que pela primeira vez irei apresentar os resultados do Projeto Mulher, Filha & Mãe num encontro de cariz científico. 

 

A apresentação decorrerá sob a forma de comunicação oral no dia 26 de Novembro (Sábado) nas II Jornadas de Saúde Solidária dinamizadas pela Associação VoxLisboa. Uma associação que prima pelo desenvolvimento de trabalho voluntário na área da saúde e que em muito tem contribuído para o desenvolvimento sustentável de atividades de acompanhamento e de promoção da saúde física, mental e social das pessoas em situação vulnerável.

 

Espero trazer-vos mais novidades sobre o projeto em breve! 

 

Podem consultar mais informação sobre a Associação VoxLisboa no site:

http://www.voxlisboa.pt/

 

Podem consultar mais sobre as II Jornadas de Saúde solidária no evento:

https://www.facebook.com/events/1658550267791721/

 

 

Os pais, os sogros, e o papel fundamental que têm no apoio aos filhos e aos netos!

Ter pais e/ou sogros que ajudem a cuidar de um filho é fundamental! 

 

Digo fundamental pois, digam o que disserem, a verdade é que nos tempos que correm ser mãe e ser pai é também o mesmo que ser "atropelado" por um conjunto de exigências de âmbito parental, profissional e pessoal, tudo ao mesmo tempo, a uma velocidade louca e estonteante, dia após dia! 

São as crianças que têm de estar e/ou sair da escola a determinada hora, somos nós que temos de chegar a determinada hora ao trabalho (mas cuja hora de saída nem sempre é bem definida), são os trabalhos que as crianças trazem para casa, são os trabalhos que os educadores "convidam" os pais a fazer, são os afazeres profissionais que muitos trazem para casa (e acredito que a maioria o traz, não por opção), são os banhos, as refeições para o próprio dia e para o seguinte (que não se fazem sozinhas), são os animais que também temos de alimentar e cuidar, são, por vezes, os poucos minutos a sós que o casal tem para conversar, são as histórias que as crianças querem que se conte, são as roupas e as malas que se preparam para o dia seguinte, e no meio de tudo isto, as birras que, enquanto pais, também devemos estar à altura para lidar, etc., etc., etc. 

 

No fundo somos criativos e malabaristas nas horas livres, professores, técnicos de saúde, operários e afins, uma parte do dia, educadores a vida inteira, e aposto que muitos, em várias fases do desenvolvimento das nossas crianças, ainda fazem uns turnos extra enquanto guardas noturnos, enfermeiros e motoristas. Muitas são as profissões que nos assistem ao longo do nosso ciclo parental, e no meio de tanta tarefa profissional, ter uma (ou duas, ou quarto...) mão que ajude, é, no meu ponto de vista, fundamental e precioso nos dias que correm. Mas a verdade, é que nem todos têm esta sorte. E muitos que a têm, ainda se veem confrontados com algumas (ou muitas...) exigências adicionais, mesmo que parcialmente disfarçadas por determinadas observações mais humorísticas, ou completamente assolapadas por algumas atitudes (in)esperadas. 

 

Honestamente falando, cobrar, é feio, no meu ponto de vista. Especialmente perante este tipo de circunstâncias. 

Pais e sogros, se de facto querem e gostam de ajudar os vossos filhos, façam-no de coração. Ajudar de coração devia deixar qualquer um satisfeito por si só. Sem esperar que haja qualquer tipo de retribuição, seja de que índole for. 

Não se esqueçam nunca que o vosso papel é fundamental para quem está grávido, e para quem é pai e mãe! 

 

 

Têm mais sabedoria, é verdade!

(Mas atenção, porque não dominam todo o leque de conhecimentos e procedimentos universais relacionados com a vida humana.) 

Têm mais paciência, é verdade!

(Mas atenção, porque também vocês já foram pais e podiam lembrar-se mais frequentemente de todos os momentos em que o vosso primeiro impulso foi dar uma palmada ou um grito numa determinada situação limite.) 

Têm mais disponibilidade, é verdade! 

(Mas atenção, lá porque se demitiram de alguns postos que outrora ocuparam, não deixam de ser educadores [lembram-se? É para a vida toda!]. Assim sendo, lembrem-se que enquanto avós, também vocês continuam a educar filhos (e netos!), e eu acredito que é na observação, na sensatez, no senso pedagógico individual e na tolerância, que está a chave da educação.) 

Têm muito amor para dar, é verdade! 

(Mas atenção, os filhos continuam a ser filhos e, neste caso particular, os filhos continuam a ter a palavra final na educação dos vossos netos. Portanto, se têm algo para dizer chamem os vossos filhos à parte e se tiverem necessidade de lhes torcer e/ou puxar as orelhas, como outrora, façam-no! Mas longe do olhar dos vossos netos. Os vossos filhos continuarão a cometer erros. E vocês continuarão a ser os pais. Mas não queiram que os vossos netos assistam a esses momentos, por exemplo. Não é saudável para ninguém.) 

 

Por norma, os filhos aperciam e precisam que tenham iniciativa, que queiram estar e, quem sabe até, ficarem com os vossos netos quando os vossos filhos estão mais ocupados. Concomitantemente, que tentem cumprir com as suas recomendações no cuidado para com os vossos netos e que os amem (quase) como se fossem vossos filhos, mas sabendo que, não o são. 

 

Vocês são, deveras, fundamentais na educação e no desenvolvimento dos vossos netos. São, provavelmente, as pessoas em quem os filhos mais confiam e/ou querem confiar. E os vossos netos precisam de vocês! Precisam de contactar com as vossas experiências, com as vossas histórias, precisam que envergonhem (um bocadinho só!) os pais junto deles com aquelas histórias fantásticas que eles não se querem lembrar mas que vocês não se esquecem nunca, e acredito que acima de tudo, precisam de saber que têm em vós uma personalidade firme que represente respeito, amor e disciplina - tudo ao mesmo tempo - numa receita que tenha como produto final a moldura de uma família, genuinamente, feliz. 

 

 

Os vossos filhos e os vossos netos precisam de vós, assim como vocês precisam deles. E é tão bom quando todas as vontades se encontram na mesma frequência, mesmo que nem sempre, na mesma estação. Faz parte do que significa "amar durante uma vida"...certo? 

"Precisava de entender a depressão com o coração e fazer as pazes comigo mesma"

Há mais de um ano que esta leitora me enviou um email a descrever a sua passagem pelos caminhos da depressão pós-parto. Publiquei o seu testemunho na rubrica Histórias que dão a cara por esta causa #14 - "cheguei a um ponto de ansiedade tal que sentia que só queria morrer".

 

Durante este ano fomos mantendo o contacto, e a respetiva foi-me contando como tem sido a sua experiência em termos de recuperação da depressão pós-parto que lhe foi diagnosticada. Cada vez que contactamos é sempre uma agradável surpresa para mim compreender tudo o que tem feito por si, e os bons resultados que está a ter. Há algum tempo desafiei-a a escrever um pouco sobre a sua recuperação para partilhar com quem nos lê, e senti desde logo que foi um desafio aceite com grande entusiasmo da sua parte.

 

Assim que sentiu que foi o momento mais confortável para si, não hesitou em enviar-me um email a contar-me como tem sido essa experiência nos últimos 13 meses, e hoje, partilho convosco a sua viagem, que felizmente, está próxima de ter um final bem feliz! 

 

Enviem-me também as vossas experiências de recuperação da depressão pós-parto. De certo que existem por aí muitas histórias semelhantes à desta leitora. Enviem-me email para: blog@mulherfilhamae.pt

 

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"Passados 13 meses e meio após o nascimento da minha filha e 11 meses e meio após o diagnóstico de depressão pós-parto, sinto-me feliz, mais feliz do que alguma vez fui. A DPP veio "obrigar-me" a olhar, uma vez mais, para dentro de mim e a descobrir-me. E este processo de auto-consciência tem sido maravilhoso. Custoso, desconfortável, mas imensamente rico em aprendizagens. 
 
Aos 2 meses de ser mãe, numa espiral dolorosa de ansiedade, angústia e exaustão, procurei ajuda psiquiátrica. Comecei a tomar medicação e o resultado surgiu logo após 2 semanas. 6 meses após o tratamento exclusivo com a medicação senti que o meu corpo tinha reencontrado algum do seu equilíbrio físico e hormonal e a minha cabeça havia percebido o que era a DPP. No entanto, o coração ainda apertava, a culpa inundava-me, o medo de ter deixado sequelas emocionais na minha filha estava sempre presente. Precisava de entender a depressão com o coração e fazer as pazes comigo mesma. 
 
Procurei apoio na psicoterapia (com recurso à hipnose) e no shiatsu (massagem terapêutica). E tem sido a conjugação destas 3 ferramentas que me permitiu embarcar nesta viagem de descoberta, de cura e crescimento. Como já te disse Ana, sinto que finalmente consegui agarrar a vida nas minhas mãos e seguir aquilo que me dá prazer, me apaixona e que me traz significado. 
 
Amo muito a vida, a minha filha, a minha família.
 
Obrigada por alimentares este espaço de divulgação, partilha e reflexão acerca das inúmeras experiências, menos positivas, relacionadas com a parentalidade. Espero que, aos poucos, as pessoas comecem a falar e a percepcionar estes temas com a mesma naturalidade com que se aborda, por exemplo, os cuidados a ter com o bebé ou as possíveis dificuldades com a amamentação. Ninguém nunca estará preparado para aquilo que vai viver quando se torna mãe/pai, mas é possível e desejável que saibam que estas dificuldades poderão surgir, que não serão "maus pais" por isso e que, acima de tudo, existem soluções."

Sobre saúde mental na gravidez e no pós-parto #10

As condições de vida das famílias têm vindo a mudar de forma radical nos últimos anos. Em quase todas as culturas existem rituais que servem para conferir um estatuto especial à mulher puérpera e que actuam essencialmente no sentido de aumentar a sua autoestima, de diminuir as suas dificuldades na relação conjugal e de clarificar o seu estatuto social. No entanto, esses rituais de passagem estão a desaparecer nas sociedades ocidentais atuais e a falta desses rituais cria um terreno propicio ao proliferar das perturbações relacionadas com a maternidade, nomeadamente porque a função desses rituais era assegurar o apoio social e suster a atuoestima da puerpera, duas circunstancias intrinsecamente reoacionadas com a depressão pós-parto.

 

 

Figueiredo, B. (2001). Depressão Pós-Parto: Considerações a propósito da intervenção psicológica. Psiquiatria Clínica, 22, (3), pp. 329-339.

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