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Mulher, Filha e Mãe

Sensibilizar (para) e apoiar (na) ansiedade e depressão na gravidez e no pós-parto

Mulher, Filha & Mãe: O melhor de 2016 e vontades para 2017!

É impossível chegar ao final do ano e não fazer um balanço do que já foi feito e projeções sobre o tanto que ainda quero fazer!

Seja o que for, ou como for, a verdade é que 2016 foi um ano de grande desenvoltura do blogue e de grande mergulho no âmbito da saúde mental na gravidez e no pós-parto. 

 

Com a certeza de que seria na área de saúde mental perinatal que queria apostar, e paralelamente, trilhando caminho no Mestrado que já vos falei aqui, e aqui, a aquisição de mais conhecimentos no mesmo âmbito (e na saúde mental no geral) e a abertura de novos horizontes profissionais marcaram o ano pela positiva.

 

Embora tenha começado o ano com um período longo de ausência no blogue, a verdade é que o retorno acabou por ser em grande!

Algo que o marcou com muita força e conteúdo foi a visita que fiz à Universidade de Coimbra a convite da Equipa de Investigação do Departamento de Psicologia Médica da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC) como podem relembrar o que foi escrito aqui, e aqui. A visita marcou-me a todos os níveis! Conhecê-los, falar sobre a minha experiência no âmbito da saúde mental perinatal e conhecer a deles, foi um momento que jamais esquecerei. Para mim, uma grande conquista, orgulho e um excelente momento de aprendizagem!

 

Para além desta visita, várias foram as entrevistas que publiquei da Dra. Ana Telma Pereira e do seu trabalho de investigação no âmbito da saúde mental perinatal, como podem relembrar, por exemplo, aqui

 

Paralelamente, iniciei dois movimentos que ainda moveram várias opiniões e momentos de debate e esclarecimento de dúvidas sobre Depressão Pós-Parto - Movimento Depressão Pós-Parto e Eu pedi ajuda!.

Os movimentos ainda se encontram ativos pelo que não se esqueçam que sempre que quiserem aderir, basta opinarem sobre o assunto e enviarem-me email para blog@mulherfilhamae.pt

 

Também foi um bom ano em termos de divulgação da presente temática! 

Artigos como este foram publicados na Revista online ACTIVA, assim como houve a possibilidade de divulgar o trabalho que é feito aqui no blogue numa entrevista para a Newspharma e para a Vital Health, tendo tido mais de 20 textos no âmbito da saúde mental perinatal destacados na homepage da sapo.pt.  

 

Os textos deixaram de ser meramente informativos mas também passaram a descrever de forma imaginária, o real, no que toca à vivência da maternidade e de alterações emocionais na gravidez e no pós-parto. E é "engraçado", pois até hoje, o texto com mais comentários, gostos e visualizações foi o primeiro que fiz neste âmbito - "Ao pai do meu filho: Preciso de ti!" - Lembram-se?

 

A rubrica Histórias que dão a cara por esta causa continuou a crescer (e muito!) e atualmente contamos com mais de quarenta histórias de mulheres e respetivas famílias que se confrontaram com o facto da maternidade nem sempre rimar com felicidade. Histórias que têm levado a muitas pessoas a perceção de que nem sempre um nascimento começa com um sentido feliz, mas que também não é por isso que mais cedo ou mais tarde não o venha a desenvolver!

 

O facto de relatar no blogue histórias que me enviam sobre vivências menos positivas no pós-parto, deixou de ser único. Também comecei a publicar histórias sobre a recuperação de mulheres que outrora nos relataram ter tido uma depressão pós-parto, como a Ana, que nos falou sobre a sua recuperação, e que em breve, nos falará muito mais, pois terá um espaço para tal no blogue. Novidades para breve!

 

Também dei inicio à publicação de vídeos adaptados para a Língua Portuguesa, sobre temáticas relacionadas com a saúde mental na gravidez e no pós-parto, como este.

 

Algo que, não só teve uma grande adesão, como uma grande impacto, foi o questionário que elaborei e que foi respondido por cerca de 130 pessoas em menos de dois dias. Brevemente sairá um idêntico, mas com um grau de dificuldade diferente, e com outros objetivos. Estejam atentos!

 

 

Portanto, todas as histórias, os artigos lidos, as opiniões e sugestões, as críticas, o desenvolvimento do blogue, os estudos e o meu grande interesse pela área levou-me a aprofundar cada vez mais conhecimentos, e não só continuei na especialidade e mestrado de enfermagem em saúde mental e psiquiatria, trilhando cada vez mais - e de forma mais afunilada - caminho por estes temas, como fiz um curso de empreendedorismo social para levar mais à frente vários dos projetos que tenho pensados nesta área. Novidades para breve!

 

Um dos Projetos que já tinha começado, foi analisado detalhadamente em termos de metodologia e resultados obtidos, e daí resultou um artigo - Relato Prático sobre o Projeto Mulher, Filha & Mãe - que apresentei em dois eventos de cariz científico - este e este - tendo também realizado um site sobre o projeto  e concretizado novas parcerias! 

 

Foi ótimo poder ter contado com cada vez mais seguidores, quer na Sapo Blogs, quer no Facebook, e receber emails e comentários como este, que me enchem o coração e me dão forças para continuar a lutar e a trabalhar cada vez mais arduamente para vos trazer algo todos os dias e sempre que possível. 

 

Para 2017?

A mesma motivação.

Mais trabalho. 

Mais força. 

A mesma energia. 

Mais contactos. 

Mais aprendizagens.

O mesmo fulgor. 

Mais apoios. 

Mais ajuda. 

A mesma paixão.

Melhores resultados. 

O mesmo sentido de missão. 

 

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Obrigada!

E se eu não sentir paz, tranquilidade e felicidade durante esta época festiva?

Momentos festivos como o Natal e a passagem de ano veem agregados a uma série de expectativas (um pouco como o inicio da maternidade e paternidade): família e amigos, a comemorarem juntos, a desejarem o melhor para si, a partilharem refeições, presentes, risos e companheirismo. O que muitas vezes poderá sentir se foi há relativamente pouco tempo mãe, poderá ser antagónico ao que é observado na realidade, e quanto maiores as expectativas criadas em torno destes momentos, maior poderá ser a deceção que poderá ocorrer.

 

 

Para aqueles que estão a passar tempo com a família, esta época festiva pode ser catalisadora quanto à abertura de feridas do passado, podendo também promover o retorno de feridas antigas, ainda abertas. Para outros, estar imerso na "alegria" aparente pode aumentar a sensação de solidão e o isolamento, contribuindo para o aumento da ansiedade.

 

Se é isto que sente, e ao mesmo, tem compromissos que sente que precisa manter, vale a pena questionar-se sobre:

- "Como posso cumprir melhor as minhas obrigações e, ao mesmo tempo, priorizar o meu próprio bem-estar?"

- "Como me protejo de danos desnecessários?"

- "Que tipo de recursos internos e externos posso utilizar para me sentir melhor comigo mesmo?"

- "O que precisamos enquanto família para limitar o stresse e aproveitar este tempo como estamos?"

 

Como mãe ou pai, o vosso bem-estar e o bem-estar do vosso filho estão diretamente ligados. Este poderia ser o ano em que se permitem fazer algo diferente, criando novas memórias e tradições que funcionam para vós.

 

Se assim é, têm alguma ideia, ou já fizeram algo diferente?

blog@mulherfilhamae.pt

 

Post baseado neste texto

O dia em que conheci a Ana, uma leitora do blogue.

A Ana que vos falo já foi identificada duas vezes aqui no blogue:

  1. Quando partilhou a sua vivência de uma depressão pós-parto, que podem relembrar aqui
  2. Quando partilhou um forte resumo da sua recuperação, que podem consultar aqui

 

A verdade é que nós nunca deixámos de comunicar desde que a Ana partilhou o seu relato. Vários foram os temas que foram emergindo, mas sem dúvida que a sua recuperação da depressão pós-parto, e os recursos utilizou, assim como qual o impacto que considera que tiveram em si, foram os temas principais das várias trocas dos últimos emails. 

 

Considerámos que para lá dos emails, gostávamos de conhecer as pessoas que os elaboravam, e assim foi. Combinámos um encontro, desmarcámos, combinámos outro, e lá estávamos nós: expectantes e muito curiosas. 

 

 

E que bom que foi partilhar uma tarde com a Ana! São poucas as palavras que o possam descrever... 

 

Tenho por certo que se tivéssemos mais horas disponíveis ficariam todas ocupadas com tantos dedos de conversa. Isto pois, do café posterior ao almoço até à hora do jantar, a tarde de Sábado foi toda nossa e das nossas vivências, reflexões, pensamentos, dúvidas, e muitas muitas questões, especialmente relativas à temática que permitiu que os nossos caminhos se cruzassem - a depressão pós-parto. Mas não foi só! E tal como não poderia deixar de ser, temas como a depressão pós-parto trazem muitas outras questões atrás relacionadas com a família, com a mulher, com a autoestima, com a educação, com os filhos, com os amigos, com a profissão e com uma panóplia de outras questões corriqueiras com as quais uma mulher com depressão pós-parto lida todos os dias, durante e após a sua reabilitação. E foi por isso que aproveitei. Aproveitei e lancei-lhe um desafio - que aviso desde já que foi aceite!

 

Se para lá de uma tarde a refletir e a partilhar sobre o tema, a Ana passou praticamente um ano a viver junto da sombra da depressão pós-parto e concomitantemente perto da luz da reabilitação, porque não partilhar o máximo que lhe fosse possível sobre esses (mais de) 365 dias, aqui no blogue na ótica da primeira pessoa do singular?

Seja sobre a depressão pós-parto em si, seja sobre a recuperação, seja sobre as estratégias que utilizou, sobre os efeitos que os antidepressivos lhe causaram, assim como os problemas com os quais foi lidando no seu dia-a-dia e que a marcaram, o que me pareceu é que, não só existem uma série de temas sobre os quais me parece útil integrar o comentário de alguém vivenciou esta realidade na primeira pessoa, como notei que a Ana estava muito permeável a que isto acontecesse. Que agarrar na sua história e que poder partilhá-la nas suas mais variadas vertentes, lhe fazia sentido. Fez-lhe sentido.

 

Provavelmente com uma frequência quinzenal, assim o fará. Mas, assim que tivermos a possibilidade de publicar a sua reflexão de estreia, sinalizarei de forma intensa! 

"Presenciei na minha filha a angústia e a ansiedade dos primeiros dias do pós-parto"

Há pouco tempo enviei um email com uma mensagem que já andava há muito para partilhar com as mulheres e respetivas famílias que têm partilhado pedaços das suas histórias aqui no blogue, nas Histórias que dão a cara por esta causa e em outros momentos. 

 

Recebi respostas inesperadas, que não pude deixar de comentar e de trazer, com a respetiva autorização, de novo para este espaço. Especialmente por considerar que podem ser fontes valiosas de partilhas que a terceiros muito podem/poderão ajudar.

 

A resposta da Maria Leonor foi uma das respostas inesperadas que vos falo.

Já tinha partilhado connosco uma história que viveu enquanto cunhada, na década de 80. E hoje, partilha connosco uma história que viveu enquanto avó, há relativamente pouco tempo e que toca essencialmente na temática do baby blues e da depressão pós-parto.  

 

Partilhem também as vossas histórias! Façam como a Maria Leonor, que enquanto avó, também tem uma voz, também tem a sua visão, e também tem o seu lugar de quem apoia, e de quem precisa de ser apoiado enquanto vivência este tipo de realidade. 

 

blog@mulherfilhamae.pt

 

"Olá Ana

 

Da ultima vez que lhe escrevi contei a historia de um familiar com realidade de depressão pós parto.

 

Entretanto já fui avó de um lindo menino que nasceu em Agosto de 2016, e presenciei ao longo dos dias na minha própria filha a angustia e a ansiedade dos primeiros dias, até porque o bebe nasceu prematuro e os cuidados foram maiores, no entanto houve dias em que senti que a mãe (minha filha) se encontrava na fase dos baby blues acho que é assim que se diz.

 

Mas estes baby blues não são mais do que o começo das depressões, no entanto talvez com a sua formação em enfermeira teve o discernimento para ela própria evitar que a depressão se instalasse, também conversamos e manteve conversas com as amigas recém mamas, e acho que toda a ajuda pela positiva é necessária nestes primeiros dias, não julgar, não interferir, não baralhar, não dar palpites, e estar presente com energias positivas é primordial para que a recente mãe se sinta calma e sem stress.

 

Mas é imperioso que se fale neste assunto, porque o mesmo é muito abafado, porque se espera demasiado de uma recente mãe, porque está gorda, porque o bebe não mama, porque tem que sair e fazer a vida normal, porque mil e uma coisas e nada disso é real, a realidade são as 24 horas em que dedica toda a energia a um ser recém chegado, que não conhece e que não nos conhece, que chora e não sabemos porquê, que implora atenção, que depende totalmente de nós.

 

Não devíamos exigir tanto de uma recém mãe.

 

Muito obrigada pelo trabalho que tem feito, qualquer ajuda não hesite em pedir.

 

Beijinhos."

Projeto Mulher, Filha & Mãe: Há imagens que valem mais do que 1000 palavras!

Quando olhamos para uma imagem de alguém, facilmente conseguimos compreender determinados sinais que nos indicam que algo não está bem. Quando essa imagem se repete muito, é de desconfiar.

 

Querem saber mais sobre tema e como se aplica à Depressão pós-Parto?

 

 

Contactem-me!

blog@mulherfilhamae.pt

 

www.projetomulherfilhamae.pt

"Tanto ouvi falar em depressão pós-parto mas parecia-me algo difícil de acontecer"

É sempre um alívio e uma alegria para mim quando recebo um email de alguém que dedica algum do seu tempo a refletir sobre temas como a depressão pós-parto. 

Seja a partilhar a sua história, seja a partilhar a sua opinião, a vivência de alguém próximo ou a colocar uma dúvida, o que for. Saber que este assunto é abordado por mais pessoas, e fazer parte desse estímulo, faz parte do meu objetivo!

 

Foi o que aconteceu com a Sandra, que há poucos dias me enviou um email sobre o que sabia sobre depressão pós-parto. A mesma foi mãe há relativamente pouco tempo, não desenvolveu uma depressão pós-parto, mas a verdade, é que tem uma opinião muito bem definida sobre o assunto. 

 

Enviem-me também vocês a vossa opinião. O que é que sabem sobre depressão pós-parto? 

Já alguma vez refletiram sobre o tema? O que diriam num texto (numa frase ou imagem) sobre o assunto? 

blog@mulherfilhamae.pt

 

 

Movimento: O que é que tu sabes sobre Depressão pós-parto?

 

Boa tarde,

 

Obrigado pelo incentivo de falar / escrever sobre este assunto.

 

Acredito que no final sentir-me-ei mais "leve".

 

Fui mãe pela primeira vez, à cerca de um ano.

Foi uma gravidez muito desejada mas demorou um pouco à acontecer. Felizmente quando íamos iniciar as consultas de fertilidade, descobrimos a gravidez.

Que felicidade e que medo de algo menos bom.

Felizmente a gravidez correu sem problemas mas no fundo não estava preparada para toda a mudança que estava prestes a acontecer.

Quando dei por mim, estava no hospital com a minha M prestes a nascer. Que misto de sentimentos... Não estava preparada para tamanha mudança.

Assim que a vi pela primeira vez fiquei muito feliz mas não senti o tão falado "amor à primeira vista".

Passei a primeira noite acordada a olhar para ela e a tentar juntar a parte racional à parte sentimental. Tinha ali um ser tão indefeso, que dependia de mim e eu não sabia se iria ser capaz de cuidar dela e de a proteger.

Foi este o sentimento de partida para o turbilhão de sentimentos que aí vinha...

A insistência por parte dos profissionais de saúde e por todos aqueles que me rodeavam na amamentação que teimava em não correr bem. A menina que passava grande parte do dia a chorar e eu como mãe devia acalmar mas não conseguia, dias a fio sem poder dormir 2h seguidas.... Enfim, era ela a chorar por um lado e eu por outro... Tive a sorte de contactar com duas enfermeiras fantásticas (a do centro de saúde a do curso pós-parto) que me ajudaram a acalmar e a perceber que precisava de falar, expor sentimentos, pedir ajuda e acima de tudo a acreditar que era capaz.

 

E felizmente não "caí" na depressão pós parto mas não desfrutei das primeiras semanas de vida da minha tão desejada e amada filha.

 

Tanto ouvi falar na depressão pós parto no curso de preparação para o parto mas parecia-me algo difícil de acontecer mas, na realidade, é tão simples. A confusão hormonal que temos, por vezes, até parece que nos "empurra" para o abismo.

A própria sociedade que responsabiliza a mulher / mãe por cuidar dos filhos, esquecendo-se do incentivo à mulher para cuidar de si.

Os defensores da amamentação que querem a todo o custo que esta seja por muito tempo e em exclusivo. (Atenção que eu concordo com a amamentação mas acho que neste momento já não é um incentivo mas sim pressão).

 

O marido/pai tem um papel tão importante. Felizmente o meu foi espetacular. A ele um muito obrigado não só pela ajuda nas rotinas mas acima de tudo pelo apoio moral/sentimental.

 

 

A depressão pós parto é algo tão pessoal mas precisa de ser falado sem ser criticado. Os cursos pós parto têm um papel tão importante. Permite-nos contactar com outras mulheres que vivem a mesma realidade e deixamo-nos de sentir tão "sós".

 

O texto (minha história) já vai longa.

 

Parabéns pelo incentivo à discussão sobre este "tabu".

A pessoa com experiência de doença mental: O que eu vejo.

É difícil limitar o meu campo visual. 

Dia após dia alcanço cores diferentes. De gente, de luz, de ser. 

É difícil ficar indiferente. Ignorar, para conseguir estar. Olhar ao lado, para melhor me sentir. 

Já diziam, e é verdade, olhos que não veem, coração que não sente. Mas que não se engane quem finge não ver, ou quem faz por não alcançar nesse sentido. Os problemas de saúde mental são uma realidade e afetam um sem número de pessoas e respetivas famílias. E isto, está ao alcance de qualquer um.

 

Eu compreendo, é difícil encarar. Motivos? Vários!

E de forma fria não me coíbo de afirmar que a petulância, o medo, o estigma e a hipocrisia, são só alguns dos que lhes estão subjacentes.

Contudo, é necessário para se confrontar com a pobreza de meios, recursos e awarness alheia, e que mesmo assim geram dentro do possível, um número variado de avaliações, integrações, intervenções, e que atingem pessoas, que mesmo com a sua limitação não se deixam levar pelos olhares alheios e continuam. Mantém a sua riqueza pessoal. 

Quando nos confrontamos, é uma pessoa que estamos a ver. É um pequeno problema dentro dela que temos de resolver, pois a pessoa continua, e a sua riqueza pessoal também. 

É isto que eu também vejo. Pessoas com esta experiência, que fazem mais por si, do qualquer outra que não a tem. 

Também vejo o oposto. Pessoas que se recusam a fazer por si, mas que têm acesso a pessoas dotadas para lhes transmitirem esse insight. 

Infelizmente, também vejo que existem pessoas que a nada têm acesso, a não ser à experiência de doença mental em si mesma, e a um tanto ou quanto de outros (in)felizes acasos e realismos subjacentes ao desenrolar da vida. 

 

Vejo iniciativa, redundância, dúvidas, amor, maus-tratos, confusão, alienação. Vejo força invisível e sempre presente. Vejo personalidade. Vejo tristeza e mágoa. Vejo dificuldade de expressão. Vejo dúvidas. Ah! Já disse? Então repito. É porque vejo muitas. 

 

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Ter a experiência de uma doença mental não é o mesmo que partir uma perna, pois a primeira não se vê tão concretamente, nem se diagnostica tão claramente, ao contrário da segunda. Mas é (quase) o mesmo que uma perna ter partido. O osso não vai completamente ao lugar, por vezes o nosso corpo lembra o sucedido e não há cura, mas há a possibilidade de reabilitação. Acreditamos na reabilitação, sentamo-nos ao lado, fazemos conversa de circunstância e até nos baixamos para pegar na muleta de quem uma perna partiu, certo? 

 

Então porque é que eu continuo a ver a renitência de contacto, o olhar de esguelha, o claro afastamento, e a pobreza de (re)ação, perante uma pessoa com óbvia experiência de doença mental?

 

É tão fácil ter iniciativa para segurar a muleta de quem uma perna partiu, e é tão difícil, sequer, sentar ao lado de alguém com óbvio traço de experiência de doença mental. Chega-se até a respirar o medo, o nojo, a procura pela indiferença e o estigma subjacente. É muitas vezes, cruel, o que vejo. 

 

Tão à frente, e tão atrás que nós estamos. 

 

Informem-se:

 

 

Ou, se preferirem, perguntem:

blog@mulherfilhamae.pt

 

 

Porque eu não acredito que alguém nasça ensinado, ou com a certeza de que a experiência de uma doença mental, nunca lhe vá bater à porta. 

Depressão Pós-Parto: Quando é que pediram ajuda?

Há quem tenha pedido quando sentiu que a angústia rasgava a vontade de viver num momento em que uma nova vida havia florescido.

 

 

E vocês, quando é que pediram ajuda? 

 

Partilhem connosco! 

#eupediajuda

 

blog@mulherfilhamae.pt

A relação mãe-bebé, tal como ela é.

A relação mãe-bebé, não tem de seguir padrões rígidos, inflexíveis. Não tem uma determinada textura, ou sabor. Não tem uma tonalidade totalmente afirmativa, nem um toque absolutamente suave. 

Não é completamente estática, nem anda sempre às voltas. Não é de curvas e mais contra-curvas. Não é de extremos. (Não) anda à deriva, nem se constitui numa só certeza. (Não) anda só e (pode andar) mal-acompanhada. 

Não é rosa-choque, nem verde às bolinhas roxas. Não sei se é azul. Talvez laranja?

Não anda sempre de mãos dadas com a fluorescência da felicidade, nem se encaixa permanentemente, e num para sempre, com os patins da depressão. 

Não é estanque. Por vezes é não, outras sim e/ou talvez. 

 

Parece-me que por vezes amarga, por vezes reconforta. Por vezes abraça, por vezes afasta. Por vezes envolve, e outras, simplesmente limita. 

Por vezes solta, dá força, velocidade e ação. Outras, integra dúvidas, mágoas e confusão. 

 

Faz de certo reviver, e sem tantas certezas, traz um tanto de conhecimento. 

 

É luz. É fogo. É terra. É água. É ar. Não é.

 

É o que é. Dinamismo, e vida, com esperança na segurança e sem querer absorver o oposto. Com fé no amor, sem ser sempre por todos desejada. Paira sobre o manto da família e de uma sociedade, sem ser por todos, tocada.

A relação mãe-bebé, assim o é. Por vezes branca, e por vezes prateada. Pronta para ser desenhada. Sem sombra de dúvidas de que caracteristicamente única e personalizada. 

 

 

"Será que pode ser considerado depressão pós parto após seis meses e meio?"

Perguntou-me uma leitora do blogue via email. 

 

E a resposta é sim. 

 

Tal como já abordei neste post, a denominada depressão pós-parto, pode ser diagnosticada pelo médico de medicina geral e familiar ou pelo psiquiatra desde o momento do nascimento até cerca do primeiro ano após o parto. 

 

Há uma série de critérios que poderão conduzir a este diagnóstico, mas acima da sua concretização, está a possibilidade de se iniciar um tratamento adequado para o efeito. É importante consultar um médico para proceder à respetiva avaliação, tal como é importante ter em conta o tratamento prescrito. 

 

Entre o tratamento farmacológico e a cura da depressão pós-parto existem uma série de possibilidades de intervenção para a potenciar. Algumas delas já aqui foram abordadas através de um testemunho de uma leitora do blogue que após um ano de tratamento partilhou connosco a sua experiência. Podem consultá-lo aqui. Contudo, sei que existem muitas mais. 

 

Se tiverem uma experiência diferente, não hesitem em partilhá-la! Enviem-me email para blog@mulherfilhamae.pt

 

 

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