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Mulher, Filha & Mãe.

Sensibilizar (para) e apoiar (na) ansiedade e depressão na gravidez e no pós-parto

Mulher, Filha & Mãe.

Sensibilizar (para) e apoiar (na) ansiedade e depressão na gravidez e no pós-parto

O sentido da meditação: qual é o vosso?

Nos círculos da psicanálise existe uma história bem conhecida sobre um homem atormentado por um sonho recorrente. O mesmo encontra-se preso dentro de um quarto, incapaz de abrir a porta e fugir. Procura a chave pelo quarto, mas nunca a consegue encontrar. Tenta com toda a força abrir a porta mas esta não cede um milímetro. Não existe outra maneira de sair do quarto sem ser através daquela porta, que ele não consegue, de todo, abrir. Está encurralado e com medo. E no meio de uma sessão com o seu analista, o mesmo descreve-lhe este sonho e o analista, ouvindo cuidadosamente o seu relato, sugere-lhe que a porta talvez possa ser aberta na direção oposta. Quando o homem volta a ter o mesmo sonho, lembra-se da sugestão do seu analista e descobre que a porta se abre para dentro sem a menor resistência.

 

 

 

Reparo que esta é a realidade, figurada, de muitas das pessoas hoje em dia.

Muitas pessoas têm a sensação de estarem presas, encurraladas, dentro de uma vida que parece já não satisfazê-las. Existe um sentimento silencioso de desespero, mantido à distância através de uma atividade constante ou de novas drogas miraculosas. Algumas pessoas passam a vida à espera. À espera que alguma coisa aconteça e que venha mudar por completo as suas vidas. E, no entanto, a lição mais básica e óbvia que a vida nos oferece, é que a felicidade é um estado de espírito, interno, e não algo que possa ser adquirido no mundo exterior, ou de outras pessoas.

 

Embora algumas pessoas possam contribuir para chegarmos mais facilmente a esse estado, é a nossa predisposição, o nosso eu interior, que abre essa porta.

Todos nós procuramos a felicidade, mas muitos de nós procura-a fora de nós mesmos. Procuramo-la noutras pessoas, no nosso trabalho, nas atividades de lazer, etc.. Em muitos casos, o tempo passa e as nossas vidas acabam por se assentar em moldes previsíveis e ficamos a olhar em redor tristemente para os nossos sonhos despedaçados ou vazios, e a oportunidade de alcançar determinadas metas, ou de conquistar novos terrenos, já passou.

 

No seu poema "A Porta", Miroslav Holub, o poeta imunólogo checo, incita-nos a ter coragem de olhar para as nossas vidas com novos olhos. A Porta que nos fala o respetivo poeta é a porta que se abre para dentro, para nos revelar as nossas necessidades mais profundas, assim como as nossas aspirações mais elevadas.

 

Vai e abre a porta.

Talvez lá fora haja

uma árvore, ou um bosque,

um jardim,

ou uma cidade mágica.

 

Vai e abre a porta.

Talvez haja um cão a vasculhar.

Talvez vejas uma cara, 

ou um olho,

ou a imagem de uma imagem.

 

Vai e abre a porta.

Se houver nevoeiro

dissipar-se-á.

 

Vai e abre a porta.

Mesmo que nada mais haja

que o tiquetaque da escuridão,

mesmo que nada mais haja

que o vento surdo,

mesmo que nada mais haja,

vai e abre a porta.

 

Pelo menos haverá uma corrente de ar.

 

 

Foi um poema que marcou uma entrada mais madura no meu mundo interno, e a conquista de um novo terreno na minha vida, através da busca do sentido da Meditação.

A meditação é um meio de abrir essa porta. Começa com o entrarmos dentro de nós mesmos e conduz a que posteriormente possamos mergulhar na corrente da vida. A nossa separação desta corrente (muitas vezes sem nos apercebermos, ou mesmo de forma inconsciente) é a fonte do nosso mais profundo descontentamento, e a verdade, é que ao abrirmos esta porta, nunca sabemos o que poderemos encontrar - sim, pode haver um cão a vasculhar, ou talvez um nevoeiro, um jardim, ou mesmo que nada mais haja do que o tiquetaque da escuridão, também pode (ou simplesmente pode) haver uma corrente de ar.

 

A meditação é a arte de se estar consigo mesmo. Dizer a alguém "Não faças nada, senta-te simplesmente aí" quase se tornou num lugar-comum, mas é algo que muitos de nós ainda sentem bastante dificuldade em fazer.

 

Portanto, o que é que acham que acontece, quando paramos, e colocamos de parte algum tempo para mais nada fazer excepto para estarmos conscientes de nós mesmos?

 

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Fica a questão, para meditarem. 

 

 Post baseado no Guia de Meditação, de Paramananda.

Á conversa com a Ana #2 - "Curei a cabeça e o coração, agora é o corpo que precisa da minha atenção e energia"

Olhando em retrospetiva para o percurso que tenho vindo a fazer desde o dia em que comecei a tomar a medicação, consigo perceber muito claramente que toda esta experiência da DPP/tratamento trouxe-me mais maturidade, clareza e confiança. Sinto-me a Ana de antes, mas uma Ana ainda melhor, muito melhor.

 

Mas existem assim uns senãos! Certas coisas que vieram com a experiência, mais concretamente com a desregulação emocional e a toma da medicação. Falo do peso. Tal como a maturidade que floresceu em mim, também os quilos multiplicaram-se. Consegui atingir a proeza de estar a pesar mais do que o que estava a pesar no final da gravidez.

 

O peso da gravidez perdi-o logo nos primeiros 2 meses. Mas claro havia uma depressão, ainda não diagnosticada, e o meu apetite flutuava tanto, quanto o meu humor. Ou não comia nada, ou atacava tudo o que aparecia à frente. Com o diagnóstico, em Novembro, e o começar a tomar os antidepressivos o apetite deixou de flutuar tanto, mas apenas para ir para o extremo do excesso. Comecei a ter fome emocional.

 

Os meses seguintes foram meses em que ainda havia muita ansiedade e culpa, e a comida era o escape fácil (e saboroso) para lidar com essas emoções. Sabia que estava a comer demasiado, que a roupa estava primeiro a apertar, para depois deixar de servir, mas não tinha energia para lidar com isso. O meu foco era curar a cabeça e o coração. O corpo, pensava, fica para depois. E ficou.

No final do Verão passado deixei de tomar o antidepressivo que me fez engordar, comer que nem uma louca e inchar! Desinchei, perdi volume, regulei o apetite para o que era habitual, acabou a fome emocional.

 

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Em Dezembro comecei a ir a consultas de acompanhamento no Centro de Saúde com o fim de emagrecer. Prescrição médica: alguns ajustes na alimentação (quantidades menores, adeus pão alentejano e manteiga) e exercício físico. Os ajustes na alimentação foram mais fáceis. O exercício físico, nem tanto. Consegui começar a fazer abdominais, pranchas quase todos os dias. Sinto-me um bocadinho mais em forma (tendo em conta que estava em 0% boa forma), mas não chega.

 

Hoje saí da consulta de acompanhamento no Centro de Saúde com o resultado de 0 quilos perdidos desde Dezembro. Prescrição médica: suar! Fazer exercício que faça o coração bater mais rápido. Ai, é mesmo desse tipo de exercício que eu tento sempre fugir. Mas vai ter que ser. Curei a cabeça e o coração, agora é o corpo que precisa da minha atenção e energia.

"Já gritei com o meu filho e já me senti a pior mãe por isso"

Este foi o comentário que uma leitora deixou no facebook do blogue, após a publicação deste texto.

 

"É msm verdade, já gritei e já me senti a pior mãe por isso...mas sei que a tarefa mais difícil é mesmo conseguir o malabarismo de todas as tarefas e ainda desfrutar da maravilha que é ser mãe, é um misto constante de cansaço e alegria...pena que muitas de nós tenhamos pouco apoio num papel tão importante que desempenhamos. Parabéns a todas porque é uma luta diária que com amor por um filho vencemos todos os dias "

 

Acredito que várias mulheres gritem, e que posteriormente, sofram em silêncio por isso. 

Acredito até que muitas sejam invadidas por pensamentos/emoções angustiantes, que não esperavam, que não querem, que temem, mas que se instalam sem pedir, ou mesmo, sem avisar. E pior. Têm crítica sobre isso, e mesmo assim, continuam a sofrer em silêncio com medos, muitos medos. Medo de que possam ficar sem os seus bebés, do que quem as rodeia possa pensar de si, de considerarem que está a ficar "maluca", e pior de tudo, de se confrontarem pessoalmente com todos eles, com todos esses pensamentos e emoções, e terem de viver, sozinhas, lado a lado, por muito tempo com toda essa culpa maldita que lhes está associada, que teima em ficar, e que é difícil de desaparecer. 

 

Começar a maternidade com o coração amarrado ao que deveria ter sido e não foi, ao que queria que se fosse e não é, não é um bom presságio para ninguém. É amargo de se saborear, duro de roer, e muito angustiante de se sentir. Mas é a realidade de muitos.

 

Imagino só, esta minúscula possibilidade, ínfima entre tantas, sobre como é que todas estas sensações convivem no dia-a-dia de cada uma, dia após dia. Com todos os malabarismos, todas as lutas, todas as opiniões alheias, todas as expectativas, todas. Imagino, só.

Imagino, e arrepia-me, só de imaginar, as que convivem com tudo isto, sem se sentirem apoiadas por ninguém, ou mesmo sem ninguém. Sem pai, sem mãe, sem marido, sem amigos, sem família. Imagino... sozinhas... com todos os desafios do dia-a-dia, como é que será? Ou mesmo acompanhadas, mas mal. Vai dar ao mesmo: sozinhas. 

 

 

Imagino as noites mal dormidas, mas sem ninguém, ou com muito poucos, a quem recorrer para ajudar. Imagino as várias vezes que pediram para sair mais cedo do trabalho, que cansadas percorrem quilómetros para a tempo chegar, e que chegando a casa, têm tudo para fazer. Depois de um dia de trabalho comum e/ou bastante extenuante, pensar que às sete ou às oito da noite, esta ainda é uma criança, e que ainda muita paciência, dedicação e trabalho há para fazer. Compreendo que muitas se possam sentir atacadas por esta vida, por esta realidade, por estes percursos e que juntando as noites mal dormidas, ao fraco apoio que sentem, à confusão do dia-a-dia, às dúvidas que emergem em todos os momentos, à sensação de insegurança, às incertezas económicas, à sensação de se estar só, entre tantas outras possibilidades, não me é muito difícil imaginar uma mãe a gritar com um filho. 

 

Imagino tudo isto junto, ou mesmo só e simplesmente, uma ou outra coisa em uníssono dia após dia e não me é muito difícil imaginar esta realidade partilhada.

 

É-me sim, muito difícil de compreender, como é que ainda tão poucos dos que deveriam, se focam e agem sobre isto. Porque gritar, pode não ser o caminho mais adequado, mas onde se verifica um pedido de ajuda, mesmo que não declarado, deveria haver, para lá dos incentivos atuais, uma capacidade de prestação de apoio emocional nestas circunstâncias que, infelizmente, não há! 

 

Portanto, antes de julgarmos mães que gritam com os seus filhos, sabendo de antemão que este (até) poderá ser dos primeiros impulsos latentes a um pedido de ajuda não declarado, porque não refletirmos mais aprofundadamente sobre isto? 

Resultados do Questionário: Serviços de apoio a pessoas com experiência de Blues, Depressão e Ansiedade Pós-Parto.

Há alguns dias responderam a um questionário que lancei intitulado de "Serviços de apoio especializado a pessoas com experiência de Blues, Depressão e Ansiedade Pós-Parto".
 
Em primeiro lugar, muito agradeço a quem dispensou um pouco do seu tempo para responder ao questionário, embora já tenha tido a oportunidade de o fazer de forma mais particular.
 
De qualquer forma, mesmo para os que gostavam de ter respondido mas não tiveram possibilidade, para os que não repararam, ou para qualquer outro leitor que possa ter interesse, aqui ficam os resultados principais do questionário.
Existem mais resultados para serem trabalhados - e que serão brevemente - mas atualmente trago-vos os gerais e quantitativos.
 
 
Foram 314 as respostas que foram contabilizadas.
 
  • Relativamente às pessoas que responderam ao questionário

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  • Em relação à experiência das 314 pessoas perante o Blues, Depressão e Ansiedade Pós-Parto, chamo a vossa atenção para o facto da quantidade de pessoas que afirma ter passado por um mau momento no pós-parto, adicionada às que afirmam ter passado por uma dessas experiências, ser sempre superior à das pessoas que afirmam que não, no total.  

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  • Apesar dos dados anteriores, a quantidade de pessoas que afirma ter pedido ajuda é muito pouca, e ao mesmo tempo, muito próxima das que referem ter pensado em pedir ajuda, mas que acabaram por não o fazer, como podem ver de seguida:

 

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apoio bpp.png

 
  • As poucas pessoas que afirmaram, em ambas as situações, ter pedido ajuda (46 pessoas), referiram que pediram ajuda aos seguintes profissionais/nos seguintes locais:

 

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  • Contudo, a grande maioria das pessoas afirma que se tivesse acesso a um local onde houvesse, quer promoção do bem-estar emocional na gravidez e no pós-parto, quer acompanhamento especializado no caso de desenvolverem um Blues, Depressão e/ou Ansiedade no pós-parto, recorreria a este tipo de serviços:

 


se tivesse acesso acompanhamento.png

se tivesse acesso promoção bem estar emocional.p

 

No final, 74 pessoas deixaram comentários afetos ao tema, na sua grande maioria partilhando experiências menos positivas relativas à gravidez e ao pós-parto, e outras, incentivando o trabalho dentro deste âmbito. 
 
 
Com todos os dados que resultaram das vossas respostas espero ter-vos colocado a refletir sobre o tema, e aproveito para vos convidar a visitar o site do Projeto Mulher, Filha & Mãe, onde também irei publicar os resultados deste questionário brevemente, e caso queiram fazer alguma sugestão e/ou observação com vista ao estabelecimento de parcerias e/ou aperfeiçoamento do respetivo projeto, ou simplesmente para esclarecerem alguma questão, não hesitem em contactar-me! 
 
 
blog@mulherfilhamae.pt

"Há pequenos momentos em que só me apetece fugir"

E quantas vezes é que se começa a falar de forma mais aprofundada sobre o tema e esta opinião acaba por tornar-se um lugar comum?

 

Sim, comum:

Ser mãe.

Apetecer fugir. 

Sentir-se sem paciência.

Culpar-se por isso.

Sentir-se incompreendida.

Ser alvo de comentários sentidos como invasivos.

Sentir que se tem de ser capaz de fazer tudo.

Sentir que não há melhor sensação no mundo do que ser mãe, ao mesmo tempo.

 

Esta leitora descreveu-no na perfeição num comentário no blogue:

 

"Gritar não.. mas há pequenos momentos que só me apetece "fugir um pouco ".. sem paciência .. e culpo me por isso . E bastante difícil ser mãe e só compreende quem é... mas também não há melhor sensação do mundo do que o nosso filho  e concordo com alguns comentários aqui a sociedade está muito centrada no que a mãe tem que ser capaz , nós temos que ser capazes de tudo , tanto que chega um pouco de nós enlouquecer .. eu sinto bastante isso temos que ser mães ser donas de casa e esposas .. basta errar uma vez somos alvos de comentários .. não é fácil ..."

 

 

Não é preciso ter um diagnóstico de Depressão Pós-Parto, para alguém se sentir assim.

Também não significa que todas as mulheres se sintam assim.

Mas a verdade, é que muitas se sentem.  

 

E então? 

 

blog@mulherfilhamae.pt

Histórias que dão a cara por esta causa #23 "tinha uma depressão avançada com pensamentos suicidas"

Mais uma história que, muito provavelmente, se encaixa no contexto de várias mulheres. Um pedaço de uma história que demonstra muitos contornos em volta da vida familiar, e da sua importância no apoio emocional durante a gravidez e no pós-parto. Conta-nos também um pedaço de história de uma mulher que, desde então, tem lutado com grande afinco para ultrapassar cada momento menos positivo do seu pós-parto, e tentado encontrar no seio da sua família, amigos e respetivo trabalho, a luz que a conforta e que a faz seguir em frente.

 

A M. é uma leitora do blogue que já teve uma depressão pós-parto grave numa primeira gravidez, e que desenvolveu uma segunda - embora que menos grave - na sua segunda gravidez. Hoje, resolveu partilhar connosco um pouco da sua história.

 

Cada mulher encontra as suas estratégias dentro do seu contexto e dos recursos que possui. Estas, foram as estratégias que esta leitora utilizou (e utiliza) para se manter o mais saudável mentalmente possível numa fase de grande turbulência emocional, como muitas vezes é, o pós-parto.

 

Partilhem também as vossas histórias e estratégias! O que considerarem pertinente pode revelar-se uma ajuda para as várias pessoas que diariamente leem a rubrica Histórias que dão a cara por esta causa

 

blog@mulherfilhamae.pt

 

Vamos conversar?

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Olá sou a M., aos 18 anos caso-me e tenho o meu primeiro filho aos 19 anos - o Francisco. Mas era mãe de primeira viagem,super nova mas sempre sabendo o que queria,mas passado 4 meses o Doutor reparou que não estava bem,e ja tinha uma depressão super avançada com pensamentos já suicidas...fui para psiquiatras ....psicólogos. ....e andei em médicos e em médicos. ...e passado 1 ano e meio o meu casamento chegou ao fim....não perdi esperança e agora tenho uma relação forte com um meio familiar muito compreensivos e estão muito presentes na vida dos meus filhos pois o Francisco é filho....Neto.....bisneto de coração da minha nova relação (foi aceite como se levasse o sangue de familia). Acho muito importante que haja um meio familiar estável, é super importante. Agora com 32 anos engravidei novamente (gravidez do Mateo) engordei quase 30 kilos e não aceitei o meu novo corpo, sentia-me muito mal, nem dormia,nem à rua eu saia, até que passado 9 meses o meu "Carlos" diz que me ama todos os dias, e quando eu tenho um problema com os meus filhos, os meus patrões deixam-me sair logo sem me cobrar uma única satisfação ou horas extraordinárias,ou me repreendam. ....a vovó Zeza fica com os netinhos e não tenho preocupações. O Seio familiar é muito importante, e ter um emprego com bons patrões, é um passo para a depressão ir embora sem nos dar-mos conta. ..há altos e baixos mas já aceitamos. ....agora é viver e pensar que não sou a única. ....sou só especial com uns kilinhos a mais....um bem haja ......beijinhos.

Workshop: Alterações emocionais na Gravidez e no Pós-Parto

No dia 17 de Fevereiro (6ªfeira), entre as 18h00 e as 19h30, estarei no Centro de atividades para grávidas, bebés e crianças - Árvore dos bebés - a falar sobre Alterações emocionais na Gravidez e no Pós-Parto

 

Podem consultar o evento no facebook, aqui.

 

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Gostavam de esclarecer dúvidas sobre o tema?

Querem conhecer outras pessoas na mesma fase da gravidez/pós-parto?

Gostavam simplesmente de trocar algumas ideias ou aprender um pouco mais sobre o tema?

 

Então não hesitem e inscrevam-se

 

Para mais informações:

geral@arvoredosbebes.pt    |     211930127

 

 

Conto convosco?

Obrigada por acreditarem, pelo carinho, elogios e reconhecimento!

Têm-me enviado os mais variados elogios e mensagens positivas nas últimas semanas em relação aos textos que tenho publicado, às partilhas, às respostas das mensagens que me enviam, aos emails, etc. 

 

Não há recompensa maior que o reconhecimento daqueles a quem nos dedicamos. E é a vocês que dedico este espaço, esta parte do meu caminho, e o tanto que ainda há para fazer e que pretendo fazer por aqui.

Muito deste caminho não o seria, sem a vossa presença e ajuda! 

Muitos foram-me mostrando de forma subtil que estavam aí. Mesmo sem vos conhecer pessoalmente, nutro um grande carinho e respeito por todos os que de forma direta, ou indireta, vão seguindo os passos que dou com todas as iniciativas, estudos, conquistas e reflexões dentro desta área. 

 

Acima de um trabalho, caminho por este percurso com grande dedicação e com um grande sentido de missão, que sei que me continuará a acompanhar. 

 

E por isso decidi publicar este texto para vos agradecer de coração, pois apesar de me encontrar numa fase de grande cansaço com todos os desafios que tenho acumulado, é tão bom receber mensagens como esta:

 

"Gosto muito dos textos que publica. Ajudam.me a entender o que passei quando fui mãe de primeira viagem. Hoje tenho uma bebé de 20 meses. Mas aínda me relembro dos primeiros 3 meses de vida difíceis sem ajudas que passei. Ajuda.me a perceber que passei por uma fase má mas ultrapassei.a sozinha. Obrigada"

 

E como esta:

 

"Muito, muito obrigada pela sua atenção e disponibilidade.. obrigada mesmo pelo seu trabalho 🙂
Beijinho"

 

E como esta:

 

"Fui muito importante para mim conhecer-te. Foi a primeira vez que falei com alguém que passou por um pós-parto turbulento, tal como eu. Desde aí, tenho pensado quase diariamente em ti, na tua experiência, na minha, em todas as outras mulheres/casais/bebés que possam ter passado ou que estejam a passar por momentos difíceis.
 
Uma experiência desta pode marcar-nos duramente para a vida se nada for feito, no sentido de assumir, procurar e encontrar as ajudas certas. São mulheres, pais, filhos que ficam com marcas. 
 
Pelo contrário, quando as ajudas certas chegam aquilo que podem fazer por todos os envolvidos é profundamente incrível. Para mim foi a diferença entre uma relação potencialmente turbulenta ou uma relação rica em significado e afetos, com a minha filha."
 
 
E como esta:
 
 
Continuação de um bom trabalho, que é fantástico. Um bem haja.
 
 
E como esta:
 
 
Foi um prazer enorme falar consigo e irei continuar a ser seguir o blogue!
 
 
E como esta:
 
Somos admiradores confessos da mensagem que a Ana tenta transmitir com o Projeto Mulher, Filha & Mãe.
 
 
 
E podia continuar, mas eu acho que já perceberam a mensagem! 
 

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Sei que é preciso ter coragem para iniciar uma conversa com quem está de um outro lado de um ecrã, que não conhecemos, e que nos traz temas tão delicados como os que vou desenvolvendo por aqui. Contudo, várias foram as pessoas que já deram esse passo e que com frequência referiram sentir-se mais aliviadas e menos ansiosas após a escrita, e as mensagens que vamos trocando, por isso quem estiver por aí na dúvida, não hesite! 
 
 
Enviem-me email e vamos conversar! De acordo? 
 
blog@mulherfilhamae.pt

Será que é fácil ter uma 'Positive Mind' nos dias que correm?

A semana passada foi com grande entusiasmo que vos anunciei a parceria entre o Projeto Mulher, Filha & Mãe e a Positive Minds

 

Entretanto lancei umas perguntas à Raquel, a gestora da Positive Minds, uma leitora do blogue que com o seu primeiro contacto e convite, construiu uma ponte para uma parceria que muitas novidades vos trará nos próximos tempos! 

 

Foi inspirador para mim ler as suas respostas, especialmente, pelo seu positivismo e realismo integrado. 

 

E vocês, também têm opinião sobre o tema? Partilhem! 

blog@mulherfilhamae.pt

 

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a) O que te levou a construir a Positive Minds?  

 

A Positive Minds é o resultado de um longo, e nem sempre bem sucedido, percurso em busca da minha vocação e da essência que surgiu logo após a maternidade. Depois de frequentar um curso de empreendedorismo feminino e de muitos exercícios de auto-conhecimento, “descobri” que aquilo que mais me entusiasma é aprender, ensinar e partilhar. Foi assim que surgiu a ideia de criar um espaço de partilha de conhecimentos e de vivências onde se misturam ideias, opiniões e conteúdos que é a Positive Minds – Laboratório Criativo. Adoro pessoas e adoro fazê-las sentirem bem; pensar nos pormenores e primar pela diferença, pelo cuidado e pela empatia. Somos mais do que um espaço de aluguer de salas. Gostamos de nos envolver de coração em todos os eventos como se fossem nossos pois o sucesso deles em termos pessoais, emocionais e profissionais será a nossa imagem de marca.

 

b) Como mulher, mãe e empreendedora, consideras que ter uma 'positive mind', é algo simples nos dias que correm?

 

Para quem trabalha sozinha num projecto que é muito mais do que isso, nem sempre é fácil ser “positive mind”. A nossa mente e os nossos medos muitas vezes não são fáceis de ultrapassar. Mas acho que o mais importante é termos a certeza que estamos verdadeiramente alinhadas com o nosso Ser e que mesmo nos momentos em que as coisas não correm como planeámos, há sempre algo bom e útil a retirar dessa experiência. A nossa capacidade de resiliência é a nossa maior arma e a gratidão a nossa maior ferramenta – saber saborear todos os pequenos momentos da nossa vida.

 

c) Qual a mensagem que gostavas de deixar às nossas leitoras para manterem uma mente positiva, especialmente sabendo que muitas pessoas que consultam o nosso espaço estão a passar por uma fase menos positiva nas suas vidas?​

 

Três palavras que quero deixar que são os meus pilares de vida: Gratidão, Partilha e Compaixão. Acho que estas palavras fazem Magia. Gratidão, como disse anteriormente, é mesmo quando as correm não correm como planeado saber parar uns minutos, fazer reset ao pensamento, olhar à volta com olhos de crianças e conseguir ver “o que tenho de bom” e agradecer. Depois o exercício é repetir isso todos os dias.

A Partilha porque não estamos sozinhas e nem temos que estar. A Vida não é cor-de-rosa como muitas vezes nos querem fazer acreditar. Mas posso ser mais leve se conseguirmos falar, partilhar, abraçar, admitir e pedir ajuda. Uma mãe não é nem tem que ser auto-suficiente e esse sentimento de culpa que muitas vezes nos assola tem que ser libertado e muitas vezes basta uma conversa com outra mãe.

Isto leva-nos à Compaixão. Pelos outros e principalmente por nós mesmas. Admitirmos que não somos super mulheres e que erramos e iremos errar muitas vezes, mas que está tudo bem na mesma! Saber perdoar as nossas falhas da mesma forma com que elogiamos os nossos feitos. Sejam Positivas … Sejam Felizes!!

À conversa com a Ana #1 - "Pensava que ter a minha filha nos braços e amá-la seria algo automático. Não foi."

Conhecer a Ana, autora deste blogue, foi muito importante para mim. Foi a primeira vez que falei com alguém que passou por um pós-parto turbulento, tal como eu. Desde esse dia, tenho pensado quase diariamente na Ana, na sua experiência, na minha experiência, em todas as outras mulheres/casais/bebés que possam ter passado ou que estejam a passar por momentos difíceis.

 

Uma experiência assim pode marcar-nos duramente para a vida se nada for feito, no sentido de assumir, procurar e encontrar as ajudas certas. São mulheres, pais, filhos que ficam com marcas.

 

Pelo contrário, quando as ajudas certas chegam aquilo que podem fazer por todos os envolvidos é profundamente incrível. Para mim, foi a diferença entre uma relação turbulenta ou uma relação rica em significado e afetos com a minha filha. Foi a diferença entre o perpetuar de um sofrimento muito recalcado do passado, o qual eu julgava ultrapassado, e o começar a libertar-me de medos e inseguranças e sentir-me mais livre, tranquila e viva do que nunca!

 

Mas, e que ajudas têm sido essas?:

 

  • Medicação - foi o começo do processo de cura. Estava num tal ponto de ansiedade, angústia e exaustão que precisa de algo que parasse de imediato a espiral descendente em que me encontrava. Decorreram várias semanas até acertar na dosagem mas, ao final de apenas 15 dias de toma, já sentia melhorias. Prometi a mim mesma que seguiria religiosamente o que a psiquiatra dizia. Queria ficar boa e não queria recaídas. 10 meses depois, começamos a reduzir a medicação.

 

  • Psicoterapia e Shiatsu - ao fim de 6 meses com os antidepressivos, sentia que o meu organismo já se tinha reequilibrado. O sono, o apetite, as hormonas, a menstruação, todos esses processos fisiológicos estavam a entrar num ritmo “normal”. Mas a nível emocional, o coração pesava chumbo.

 

A recordação constante dos momentos vividos, a culpa por ter feito mal à minha bebé, por não tê-la tratado nos seus primeiros meses de vida com o amor e o carinho que ela merecia e o não encontrar ninguém que tivesse passado por semelhante e com quem pudesse falar, levou-me à psicoterapia e ao Shiatsu (massagem terapêutica). E aí tudo mudou! Tenho redescoberta a Ana e apaixonei-me pela minha filha! E, muito importante, tenho conseguido arrumar a minha experiência da depressão pós-parto sem que fiquem traumas. Para o que passou, fique mesmo lá atrás.

 

  • Rede de suporte - para mim é de longe uma das ajudas mais preciosas. Para me curar, tem sido preciso canalizar tempo e energia para descansar, alimentar-me bem, fazer exercício físico, ir às consultas ou às terapias, entre outras coisas. E, para isso, preciso de alguém que esteja para tudo o resto. A família, os amigos e, sobretudo, o meu marido têm sido o meu apoio. Sem eles, não conseguiria ter chegado onde estou hoje.

 

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E assim se tem feito o meu percurso de superação de algo que eu achava que nunca me aconteceria. Pensava que ter a minha filha nos braços e amá-la seria algo automático, natural, simples. Não foi. O nosso começo foi muito doloroso. Muito. Mas, hoje, eu, ela e o pai somos uma Família, feita de muito Amor.

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