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Mulher, Filha & Mãe.

Sensibilizar (para) e apoiar (na) ansiedade e depressão na gravidez e no pós-parto

Mulher, Filha & Mãe.

Sensibilizar (para) e apoiar (na) ansiedade e depressão na gravidez e no pós-parto

Histórias que dão a cara por esta causa #24 "Senti muitas vezes que me tinha perdido no meio desta imensidão que é a maternidade"

Incrível a partilha desta leitora sobre a sua vivência da maternidade. 

Uma mãe que se sente perdida, que por muito sofrimento passou, e que continua a lutar por um futuro melhor para si, e para a sua família, ao mesmo tempo que sente que mantém a "convivência" com a depressão pós-parto que teima em acompanhá-la. 

 

Mais uma história de referência, de uma mulher coragem, e de um exemplo que nos mostra que ainda muito há a fazer neste sentido! 

 

Partilhem também as vossas histórias. Vamos dar a cara por esta causa, mesmo sem a mostrar. 

Quantas mais histórias forem partilhadas, mais força esta problemática terá. 

 

blog@mulherfilhamae.pt 

 

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"Não sei bem quantas vezes tentei iniciar este email... acho que pelo menos umas 5... começava a escrever e depois ou surgia alguma coisa e ficava a meio... e pensava amanhã com mais calma envio... espero que hoje seja o dia....

 

Fui mãe faz hoje precisamente 23 meses... e mesmo já tendo passado todos estes meses a verdade é que desde essa altura nunca mais fui a mesma....

Descobri que estava grávida numa suposta consulta de ginecologia de rotina, o período estava atrasado mas já havia feito um teste de gravidez que havia dado negativo... portanto logo nessa altura foi um misto de emoções de alegria e medo ao mesmo tempo... a altura na minha cabeça não era a melhor, a situação profissional era complicada, mas pensei tudo se consegue..


Depois veio a ecografia do primeiro trimestre e o rastreio bioquímico e acho que foi nessa ai nessa altura que eu mudei enquanto pessoa ... um rastreio bioquímico positivo com uma probabilidade muito grande para uma trissomia 21... nada nos prepara para estas situações e acho que efetivamente esse terá sido o pior dia da minha vida se não mesmo o pior... o dia em que me senti mais frágil e perdida...as expectativas, as tramadas das expectativas, nunca estamos preparados para que as coisas possam eventualmente correr mal... ou que possam não ser da forma como imaginamos... o chão foi-me tirado nesse dia. O que era suposto ser uma primeira ecografia, quem sabe até para saber o sexo do bebé, tornou-se um dia que me iria marcar para sempre e que efetivamente ainda hoje passado este tempo todo ainda é algo que me perturba e sempre que me vejo a falar no assunto seja com profissionais de saúde, amigos, familiares é impossível recordar essa altura sem que os olhos não se encham de lágrimas.


Depois de todo um processo de explicações sobre o que são efetivamente estes rastreios bioquímicos, os falsos positivos, etc., e de muita pesquisa minha no mundo da Internet, informação essa, que se por um lado, alguma me descansava outra ainda me deixava mais preocupada... veio a altura de realizar a amiocentese. A verdade é que da altura da primeira eco conjugada com o rastreio bioquímico até a realização da mesma, foram cerca de 2 semanas de espera, duas semanas essas onde vivenciei momentos de elevado stress emocional, de angustia de medo de revolta... era a minha primeira gravidez... não foi assim que eu idealizei as coisas... não era isto que tinha imaginado para mim... mais uma vez as expectativas...


Felizmente os resultados da amiocentese foram negativos e felizmente estava tudo bem com o meu bebé... mas a verdade é que já tinha vivenciando momentos muito angustiantes que tal como disse me marcaram e apesar de sarados a marca da ferida continua lá...


O restante percurso da gravidez também não foi fácil, entrei de baixa muito cedo com contrações sendo que tinha que fazer muito repouso, passei muito tempo sozinha, apesar de todo o suporte familiar e de um marido espetacular... foram tempos difíceis e depois um bebé que acabou por nascer de 37 semanas, muito pequenino e magrinho, pois a minha placenta não correspondia as necessidades nutricionais que o meu bebé necessitava, tendo o mesmo nascido de cesariana.


Os primeiros dias na maternidade também não foram fáceis, o meu bebé não pegava bem na mama foi introduzido no 1º dia de vida suplemento pois os níveis de glicémia estavam a baixar... mais uma vez as minhas expectativas tinham saído furadas... sonhei tanto amamentar, era algo que queria muito por todos os motivos e mais alguns mas sobretudo porque sabia que o meu leite seria sempre o melhor para o meu bebé ... mas infelizmente não consegui passar de 1 mês, sendo que nesse mês conheci um novo eu, um eu animalesco que gemia de dor e frustração por não conseguir alimentar a sua cria, como se me tivessem ferido das piores formas e essa dor não tivesse fim e durante largos meses não teve...

 

Era impossível falar ou ler alguma coisa sobre amamentação sem que não me sentisse culpada por não ter conseguido amamentar o meu bebé... depois um bebé que desde a primeira semana de vida até mais ou menos aos 5 meses que sofreu muito com cólicas... ou talvez agora refletindo todo o meu percurso, um bebé que absorveu muito do meu stress e que tinha como sua mãe e cuidadora uma jovem, inexperiente, assustada e cansada mãe, muito sofrida de todo o percurso que tinha antecedido o seu nascimento e agora a sua nova condição de mãe com um bebé completamente dependente de si e que se sentia perdida, impotente, exausta e muito assustada principalmente por não conseguir acalmar o seu choro.


Os primeiros meses de vida do meu bebé foram de um grande isolamento, não consegui ganhar forças para sair fazer passeios, ir a praia.... como via tantas amigas e famosas fazerem com os seus bebés nas redes sociais... Tinha um bebé que chorava muito durante grande parte do dia, que não se acalmava facilmente, nem com colo... e opiniões de todo o mundo, que era sede que era fome que era manha que era isto que era aquilo... não foi fácil... senti muitas vezes que me tinha perdido, que tinha perdido a minha essência no meio desta imensidão que é a maternidade... senti-me também muitas vezes sozinha e incompreendida e senti acima de tudo que não estava a conseguir dar conta do recado...


E a verdade é que ainda hoje, por mais que as coisas tenham acalmado... ainda há dias em que sinto isto tudo e que o medo mais uma vez toma conta de mim e que sei no fundo e por mais que eu tente não valorizar todos estes sentimentos, que sim que tive e tenho uma depressão pós parto e que apesar de já ter tentado algumas coisas, parece que ainda não encontrei aquela que me possa verdadeiramente ajudar... já fiz hipnoterapia, já dediquei mais tempo a mim mesma enquanto mulher, já passei fins de semana fora a dois, mas a verdade é que sei que ainda tenho aqui muita coisa mal resolvida e que preciso desesperadamente resolver para me voltar a encontrar e para desfrutar na sua plenitude deste bebé que não será eternamente bebé e que não tem culpa nenhuma e que precisa de mim!


Comecei acompanhar a sua página no facebook muito cedo, talvez nos primórdios da página e sempre  li muito atentamente não só o seu testemunho em relação a sua depressão pós parto como os testemunhos de outras mães que partilharam as suas histórias consigo ... e a verdade é que infelizmente neste mundo da maternidade as mães ainda são muito esquecidas no pós parto... e este tema apesar de já ser muito abordado ainda esta longe de conseguir alcançar todos os profissionais de saúde que lidam diariamente com mães e futuras mães... ainda há uma preocupação muito grande centrada no bebé que é válida e legitima, mas a verdade é que é preciso ter uma mãe tranquila e bem para que a mesma possa desempenhar na sua plenitude a bênção de ser mãe."

Sobre o workshop "Programa bem-estar perinatal"

Há pouco tempo falei-vos sobre este encontro onde me tinha inscrito com o intuito de participar no workshop ministrado pela Dra. Ana Telma Pereira sobre o Projeto bem-estar perinatal

 

Já por várias vezes que falei sobre o projeto no blogue, como sendo um projeto de referência no âmbito da saúde mental perinatal, e participar neste workshop, só me fez considerá-lo ainda mais. 

Os resultados que apresentaram, a evolução do projeto desde a última vez que tinha assistido a uma das sessões que integrava, as atividades apresentadas pela Dra. Mariana Marques e pela Dra. Julieta Azevedo, os trabalhos de investigação que têm desenvolvido, e no global, todo o contributo que têm dado a esta área, e concomitantemente, ao aumento do trabalho em prol da diminuição do estigma face à problemática, assim como em prol da diminuição do sofrimento das mulheres e respetivas famílias (entre tantos outros...) é indescritível. 

 

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Para mim, são uma das grandes referências nacionais nesta área, e podendo continuar a assistir à evolução do seu trabalho,a aprender com o que têm feito e a utilizar o que desenvolvem nas minhas práticas, assim o farei. 

 

No workshop foi apresentado o programa, como começou, quais os resultados obtidos um ano após a sua prática, no que consideram que poderá melhorar, matérias sobre as quais estão a trabalhar, foram-nos ensinadas algumas atividades que integram o programa, o porquê da seleção de determinadas áreas a aprofundar num programa deste género, entre outros temas. 

 

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Do workshop, para além de todas as aprendizagens e esclarecimento de dúvidas, saiu a possibilidade de nos voltarmos a encontrar pessoalmente, para esclarecer outras questões sobre projetos que atualmente estou a desenvolver dentro da área, com a Dra. Ana Telma Pereira, que está sempre disponível para partilhar conhecimento. O que para mim, ou para qualquer outra pessoa que esteja interessada em desenvolver trabalho neste âmbito, é uma grande mais-valia. 

 

Mas este workshop não foi uma excelente oportunidade de aprendizagem só por este motivo. Para além do workshop, ainda tive a oportunidade de conhecer a Enfª Carla Correia, que na Unidade de Saúde Familiar onde trabalha, também se encontra a desenvolver um projeto de grande qualidade no âmbito da saúde mental perinatal. 

 

Talvez fiquei para breve uma entrevista à Enfª Carla. O que acham? 

Temos de divulgar o trabalho de qualidade que é realizado neste âmbito, e que eleva a intervenção nesta área ao nível onde ela deve estar: alto. 

Á conversa com a Ana #5 - "Depois da depressão pós-parto, voltarei a ser a Ana de antes?"

A semana passada tive a 4ª consulta com a psiquiatra. Saí a fazer um balanço do percurso feito desde a primeira vez que entrei naquele consultório, no Hospital Júlio de Matos. Cada consulta marcou uma etapa diferente no meu processo de cura.

 

A primeira foi no dia 12 de Novembro 2015. Faltava uma semana para a C. fazer dois meses. Mal sabia eu que este dia iria ser o dia D: o dia da rutura total, tanto física, como emocional e psicológica, mas também o dia do recomeço. A minha querida médica foi a mão (a primeira entre muitas outras que se seguiram) que a vida estendeu-me para puxar-me até si.

Não me esquecerei da tranquilidade, da doçura e da paciência com que ela me recebeu, falou e me ouviu. Com ela, nesse dia, comecei a sentir esperança. Esperança de não ficar “maluca” para sempre e de voltar a ser a Ana de antes. Sim, porque estas foram as minhas primeiras perguntas: ficarei maluca para sempre e voltarei a ser quem eu era! Mas voltarei um pouco atrás, para falar um pouco das semanas que antecederam este dia e que mostram a importância deste encontro.

 

A ansiedade e a tristeza constante que sentia levaram-me ao final do 1º mês a enviar um email à médica de família, a comentar tal estado de espírito e a perguntar se me podia indicar algum psicólogo. Recebi resposta a confortar, não conhecia ninguém, mas na próxima consulta da C. falaríamos se ainda sentisse necessidade. Falámos na consulta do 1º mês da C. Tentou ajudar, perguntou se conhecia grupos de mães com quem pudesse estar e falar. Eu não conhecia nenhum e ela também não. Perguntou se tinha uma rede de apoio, disse que sim. Perguntou se saía de casa, se estava com amigas, disse que sim. Aconselhou-me a descansar e marcou consulta para daí a uma semana.

Voltei, uma semana após. Disse-lhe que me sentia um pouco melhor, mas que continuava a abanar a C, e isso inquietava-me muito. Não me revia neste tipo de atitudes. Ela falou pela 1ªvez em tomar medicação, leve, que me ajudasse a relaxar e a dormir (estava com insónias). Mas acordámos em esperar mais 1 semana.

 

Outra semana seguiu-se, nova consulta. Ela quis que eu fizesse o teste para despiste da depressão. Senti que seria um exagero, eu não teria uma depressão. São os primeiros tempos de vida de um bebé que são exigentes, são muitas mudanças, a privação de sono, mas o abanar, o abanar tocava alertas internos. Isso não poderia continuar.

Quando respondi às questões, fiquei admirada com o fato de, em nenhuma delas, eu poder responder pela positiva. Nas escalas que apareciam, de nada feliz a muito feliz, eu responderia nada feliz. Até pensei “mas é possível estar feliz nestes primeiros tempos?” Deu positivo, tinha DPP. Receitou-me um antidepressivo compatível com a amamentação e outro medicamento para relaxar e induzir o sono. Escreveu um relatório para entregar noutro C.Saúde, a prescrever a necessidade de uma consulta de Psicologia. Tempo médio de espera: 4 meses! Saí de lá com um diagnóstico de DPP, com uma receita para os medicamentos e um relatório que me fazia esperar 4 meses por uma consulta. No imediato senti-me aliviada, afinal já havia um diagnóstico e um tratamento.

 

Mas a semana que se seguiu foi a descida ao inferno. Aos poucos comecei a interiorizar que estava com uma depressão. E que imagem tinha eu das pessoas deprimidas? Pessoas apáticas, que ficam neste estado anos e anos a fio, nunca mais voltando a ser a mesma pessoa. Eu ficaria estragada, avariada para sempre. Nessa semana, não dormi nada de jeito todos os dias, o nível de ansiedade crescia, tinha pavor em ficar sozinha com a C, pois não confiava em mim para cuidar dela.

O meu marido, o meu querido marido, já se tinha lembrado de uma amiga cuja mãe é psiquiatra e pediu-lhe para ela ver-me. Marcou-se a consulta. Na noite anterior não consegui adormecer por nada, andei horas às voltas na cama, extremamente agitada. Adormeci. Uma hora depois acordei em sobressalto, a chorar compulsivamente e a dizer que não aguentava mais, que queria morrer. O meu marido tentou acalmar-me, dizendo que iríamos à consulta com a psiquiatra e que tudo ficaria bem. Mas eu já não consegui acalmar. Já estava numa espiral de ansiedade e a parte consciente e racional completamente off.

 

Eu diria que estava numa fase catatónica, só conseguia sentir e dizer que não aguentava e que queria morrer. Ele pegou em mim e na C., não foi trabalhar, e saímos de carro. Lembro-me do dia, de sol, agradável. Ele perguntou-me aonde eu gostaria de ir. Eu respondi “para longe”. E levou-nos para a Comporta. Cuidou da C. e de mim, dentro do possível. Tentou animar-me, fazer-me rir e eu não tinha forças sequer para esboçar um sorriso. Até às 17h00 estive prisioneira da minha ansiedade. Sentia que estava maluca e que não havia uma solução para mim. Não no sentido de voltar a ser quem era. Foram horas horríveis.

 

A hora da consulta chegou. Entrei, perguntei se ficaria maluca para sempre e ouvi “não Ana, não vais ficar.” E, logo de seguida, atirei “e voltarei a ser a Ana de antes?” e ouvi, “Sim, claro que sim. Daqui a 2 semanas já te vais sentir um bocadinho melhor” E, a partir daqui, tudo mudou. Foi o recomeço. Voltei a ser a Ana de antes, eu diria até que uma Ana muito melhor. Mais madura, mais confiante, mais serena. E muito feliz.

 

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Ontem, a minha filha, pela primeira vez, por sua iniciativa, fez-me festas na cara e deu-me um beijo. Assim do nada. Ai, como o meu coração se derreteu! Quanta distância foi percorrida entre os abanares e este beijo!

 

 

 

 

 

 

E se... acreditássemos os dois?

Lembro-me do primeiro dia em que trocámos olhares. Eu fixei-te, mas não obtive retorno. 

Acreditei que também poderíamos cruzar energias naquele ambiente tenro, mas não aconteceu. 

Ficaste-me no pensamento, amor. Sim, amor. Foi assim, num tom adolescente que me assolaste o pensamento, e não saíste mais. Acontecera comigo, e eu não queria acreditar.

Deixámos a sala, e eu sabia que sete longos dias de espera e ânsia me aguardavam. Mas calma. Tudo se esgotava numa pequena esfera de fraco autocontrolo, quando comparado com o momento em que nos voltaríamos a cruzar. Poderiam não ser as nossas energias, mas a minha vontade...talvez a minha vontade, de alguma forma, prendesse a tua. Quem sabe.

 

 

(e não é que estava certa, sem saber?)

 

 

Perguntaste-me como tinha sido a minha semana quando nos voltámos a ver. Eu vibrei por dentro, mas tal não se fez sentir na voz. Tentei responder de uma forma neutra, mas a demonstrar claramente que queria que me perguntasses mais qualquer coisa. Foi inevitável. (mas o que é que se passava comigo?! Nunca tinha estado assim!)

Conversámos  durante horas. Nesse dia e nas próximas semanas e meses que se seguiram. Tema de conversa não faltava. Falávamos amor, falávamos de amor, falávamos com amor, e a amar, cada detalhe que em nós sobressaía e que construía um nós com futuro. É tão bom recordar amor.

 

E quando decidimos juntar escovas, sapatos, malas, roupas, expectativas, livros, sofás... tudo debaixo do mesmo teto. 

 

 

(acham que foi ótimo? Nem por isso...)

 

 

Os primeiros dias foram apaixonantes, as semanas que se seguiram desafiantes, e os meses após, desestruturantes. Mas aguentámos firmes. Porque era de amor que falávamos. Era com amor que falávamos, lembraste? 

 

E quando decidimos que juntar os melhores amigos, a família, vestirmo-nos a rigor e fazermos uma festa à nossa medida, seria uma excelente forma de celebrar a forma como falávamos de e com amor? Eu choro, a rir, cada vez que os pormenores me afluem em pensamento e se esgotam em emoção. Minto. Não se esgotam, transbordam. Transbordam em emoção. O calor, a tensão, os sorrisos, as despedidas, as conversas, as divergências, a comunicação, o amor (acaba sempre em amor). Tudo isto são conceitos que nos encaixam na perfeição. Tu sabes. Eu sei. E o nós - este nós que em nós existe e persiste em crescer - agora ganhou forma, e nome!

 

 

(mas dá para acreditar?!)

 

 

O amor já não é só falado e demonstrado entre nós. Agora também é pessoa pequena, de grande envergadura emocional. 

E é tão bom crescermos juntos. É tão bom assistirmos juntos à sua evolução. É tão bom, fazermos também parte dela.

Mas não é só um tom tão bom que tocamos em conjunto. Existem outros tons. Existem tons de amargura, de frustração que também tocamos na perfeição, em determinados momentos. E quando esses dão origem a tons mais altos e agudos? Aquele tipo de tons dos quais não nos orgulhamos e que teimam em perdurar nesta fase em que ambos precisamos (mais do que nunca até aqui) de apoio e proteção?

 

Um nós ganhou forma de ser, e essa forma de ser, transformou a nossa forma de ser em conjunto e em particular. E agora, em conjunto gritamos por ajuda sem o dizer. Gritamos simplesmente. Ou às vezes, gritamos de fúria de viver. Outras não gritamos, mas estamos em silêncio, incomodados com a presença um do outro. De qualquer uma das formas, falando a gritar ou em silêncio, gritamos por ajuda. Gritamos porque sentimos que as nossas conversas já não estão só e simplesmente imbuídas em amor, mas também em tristeza e irritação. Por vezes até, desilusão. 

 

Gritamos por tanto e por tão pouco. E no final, sentimo-nos sós, mesmo na presença um do outro. E aqui, já não gritamos. Por vezes, choramos.

Sim, é triste, amor. Um nós cresceu, cresce, e o nós parece que desapareceu, desaparece.

Gostava de escrever outras coordenadas para seguir a teu lado. Gostava de encontrar aquele outro nosso lado que eu também sei que existe. Gostava porque se grito, a falar ou em silêncio, e se aqui ainda me mantenho considerando um vasto leque de tons que teimamos em descobrir em conjunto, é porque de alguma forma ainda acredito que sabemos falar de e com amor, para além de gritar.

 

Mas não quero ser só eu a acreditar, por isso, tão ansiosa como na troca do primeiro olhar, proponho-te o seguinte:

 

 

E se... fossemos os dois a acreditar? 

 

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