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Mulher, Filha & Mãe.

Sensibilizar (para) e apoiar (na) ansiedade e depressão na gravidez e no pós-parto

Mulher, Filha & Mãe.

Sensibilizar (para) e apoiar (na) ansiedade e depressão na gravidez e no pós-parto

Acreditar que é possível e lutar para que assim o seja: um novo projeto está a chegar!

Foi com esta convicção que saí da consulta de obstetrícia, seis semanas após ter tido a minha filha. 

Acreditei que fosse possível fazer alguma coisa para me sentir melhor, considerando os confusos, intensos e sofridos primeiros dias e semanas após o parto e as respostas nulas que senti que o sistema nacional de saúde tinha para me oferecer e à minha família. 

 

Foi também com esta convicção que criei este blogue. 

Acreditei que fosse possível conhecer outras mulheres com experiências semelhantes, e acima de tudo, que fosse possível promover a disseminação de informação  e a sensibilização para a saúde mental no período perinatal.

 

Foi exatamente com esta convicção que concorri para ingressar no Mestrado em Enfermagem de Saúde Mental e Psiquiatria.

Acreditei que fosse possível aproveitar esse tempo e espaço para aprender mais em teoria e na prática e para poder continuar com o trabalho que estava a ser realizado, através do blogue e a nível presencial, com as mulheres e famílias que me contactavam.

Acreditei que fosse possível aumentar a qualidade do trabalho a ser realizado e que fosse possível fazer algo mais. Ainda havia e há tanto para fazer!

 

Foi com esta convicção que terminei o Mestrado.

Havendo tanto para fazer, e havendo caminho para tal, acreditei que fosse possível continuar a lutar para produzir algo mais e de qualidade associada. Não só através do blogue, mas também por outras vias. O Mestrado foi necessário, e tem-se revelado uma grande mais-valia a vários níveis. 

 

É com esta convicção que estou a desenvolver um novo projeto profissional.

Acredito ser possível que este projeto possa dar uma resposta qualificada e estruturada considerando as fortes carências de apoio no âmbito da saúde mental no período perinatal.  

 

Este projeto envolve uma missão, um espaço, várias iniciativas, atividades específicas, e é fruto do trabalho contínuo, apaixonado e dedicado, que tenho vindo a desenvolver ao longo dos últimos anos. 

 

Brevemente será divulgado em específico no que consiste e que tipo de respostas virá oferecer. 

Até lá, deixo registado alguns momentos que têm marcado esta grande, intensa e transformadora viagem. 

 

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A estudar para a discussão pública do relatório final de mestrado no espaço, e a dar apoio à obra. Feliz :) Aqui, sinto-me em casa.

 

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O chão flutuante que tardou em chegar por tantos motivos... Não gostei do serviço de entregas da Leroy Merlin! 

 

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O espaço que começou a ficar diferente quando o branco se impôs.

 

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E a tão pouco tempo do final das obras ainda havia tanto para fazer... obras! :/

 

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As várias viagens em que a minha princesa teve de me acompanhar para transportar coisas para a obra! Parecia-vos muito chateada? Andou radiante! 

 

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A pouco e pouco o espaço começou a ganhar a cor que havia imaginado... mas estava longe de terminar a tempo.

 

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E ainda hoje eles lá estão, a dar mais cor ao logradouro e a dar os últimos retoques. Mas será que isto não tem fim? Eu só quero que estas obras terminem!! Tenho tanto trabalho pela frente...

 

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Ainda há tanto para limpar... e alguns retoques finais por fazer. Mas... vamos a isto que amanhã está cá a transportadora com os móveis...

 

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Ansiosa por montar tudo isto e continuar a trabalhar neste projeto... agora com espaço específico e adequado para o efeito! ;)

 

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E no meio de tudo isto, de toda esta confusão, de todo este zig zag de voltas, de transportes e decisões, a minha princesa esteve sempre a meu lado com este sorriso maravilhoso que aligeirou qualquer problema e que me fez focar a atenção naquilo que é verdadeiramente importante, e que é a essência deste projeto - que foi completamente estimulado pela chegada deste meu tesouro. 

 

Sem possibilidade de evitar que andasse sempre para trás e para a frente neste rodopio, a verdade é que no meio de tudo isto, associar esta experiência às idas aos baloiços, às brincadeiras no parque, na rua que envolve o espaço, à ajuda, às conversas sobre os porquês das diversas coisas a que assistia, os passeios de "cicleta" (que é como quem diz, o triciclo), e acima de tudo, o estarmos juntas, compensou cada momento menos positivo, embora seja claro que tenha tornado mais complexa toda a logística associada ao apoio à obra. 

 

Adorava abrir o espaço ao público quanto antes, mas parece que vou ter de adiar mais uns dias do que o previsto, pois antes disso, ainda há muito, muito, muito para contar, detalhar e esclarecer neste sentido! 

 

Mais notícias em breve! 

Á conversa com a Laura #1 - O nascer de uma mãe. Ou a transformação de uma mulher?

Passados quase seis meses do nascimento da minha filha, eu agora sei e compreendo que eu senti e vivi - e por vezes ainda sinto e vivo - como se eu tivesse morrido após ela nascer e que eu fiz um profundo luto sobre a minha "morte" ao longo dos meses: o meu tempo pessoal acabou, o meu sono não é contínuo, o meu corpo não é o meu corpo, o meu pensamento não é assertivo, a minha casa não é arrumada, os meus lugares não estão alcançáveis, a minha identidade desapareceu... Quem sou eu? Onde eu estou? A Laura?? A Laura morreu.

O meu coração pulsava, os meus pulmões oxigenavam e a minha vida corria à velocidade da luz, escorregadia como a fina areia que nos desaparece entre os dedos das mãos quanto mais a queremos agarrar, mas eu não estava aqui. Eu não estava em lado nenhum. Sentia-me as cinzas de uma árvore, outrora enorme, esbelta, poderosa e repleta de flores, agora queimada após um terrível incêndio, feita louca à procura das minhas raízes, mas preferindo deixar o que restava de mim, voar. Voar para o infinito e para sempre.

Um misto de querer controlar e fugir, um misto de existir e desaparecer, um misto de euforia e de horror; uma bipolaridade permanente que tanto caracteriza as minhas inúmeras máscaras com que eu disfarço as minhas latejantes feridas emocionais, mais antigas que o universo, a que se dá o pomposo nome de transtorno bipolar, mas que é muito mais que um transtorno neurológico: é morar no mais rápido elevador alguma vez criado entre o céu e o inferno.

Sentia que não tinha nascido raio de mãe nenhuma em mim!!! Eu sentia era que eu tinha morrido!

E depois?

Depois, eu não morri. Eu transformei-me.
Através da consciência do meu amado marido e maravilhoso pai da nossa bebé, da minha força de vontade e determinação em querer viver e não apenas existir em negação e juntamente com uma indispensável rede de apoio de profissionais e entidades competentes que me ajudaram e me continuam a ajudar e muito, Kundalini Yoga e meditação, o conhecimento "sem filtros" de mim mesma e a tomada da minha consciência pessoal, foi como que acordar de um longo sonho - ou pesadelo? - e percebi: Eu não morri nem sou apenas a mãe da minha bebé. Eu sou Eu. Com todas as minhas plenas virtudes e os meus plenos defeitos. Eu acertei e errei. Eu adorei e detestei. Eu consegui e desisti.
Eu sou.
Eu sou uma mulher, sou a mãe da minha amada bebé, sou uma filha - a minha mãe guarda-me onde quer que ela esteja para lá da Terra e eu estou em vias de perdoar o meu pai, onde quer que ele esteja aqui na Terra - sou uma amiga, sou a amante do meu amado marido, sou uma pessoa, sou luz, sou alma, sou coração, sou o meu corpo, sou consciente, sou poderosa, sou sábia, sou honesta, sou sincera, sou linda, sou sim, sou não, tenho a certeza que sou, não sei bem se sou, sou verdadeira, sou força da natureza e sou amor. Sou nada e sou tudo. Tudo e nada o que eu quiser.

Que liberdade!

 

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Isto é o nascer de uma mãe.

De eu ser mãe. De tu seres mãe. De ela ser mãe e de elas serem mães. Da tua mãe. Da mãe da tua mãe. De tu como mãe de ti mesma - e por vezes também pai.

Eu não sei bem quem era e agora sou uma mulher plena. Agora eu sou uma mãe. Foi e é tão duro e tão maravilhoso.

Que bom que eu "morri"! Que bom que eu me tornei mãe.

Á conversa com a Ana #9 - "Após a redução da medicação... corpo, mente e coração tranquilos"

Em Abril passado fui a mais uma consulta com a psiquiatra e concordamos em reduzir a dosagem do comprimido que tomo todos os dias religiosamente. A médica avisou-me de que, dentro de 2 meses, poderiam manifestar-se sintomas semelhantes aos que senti no início da depressão, bem antes do começo do tratamento. Ou seja, insónias, cansaço extremo, irritabilidade, descontrolo emocional, fome emocional, só para falar dos mais evidentes.

 

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Em Agosto passado quando deixei de tomar um dos comprimidos, passei duas semanas em plena ressaca. Foi horrível, mas passou. O corpo reajustou-se, encontrou um novo equilíbrio. Por isso, desta vez, não me preocupei. O que vier virá, pensei eu.

 

E, dois meses depois, a ressaca chegou. Um dia estou bem, para no dia a seguir, e durante uma semana, o corpo viver sob uma tensão física e emocional enorme. Parece que o corpo está no limite. Dores de cabeça, náuseas, dores musculares, variações muito grandes no apetite, sono mais leve, com muitos sonhos, intensos, acordando com a sensação de que não descansei o devido, facilidade em comover-me, ficar sentida e com a lágrima do canto do olho e uma sensação constante de cansaço e falta de energia. Estive em modo de sobrevivência, conseguindo apenas fazer o mínimo, o essencial, o indispensável.

 

Conseguia apenas ir trabalhar, cuidar da C., jantar e atirar-me para cima da cama. E já isto foi feito com muito esforço. Sentia que só me apetecia ficar encolhida na cama. Cada ação que realizava parecia que consumia todas as minhas energias. O que me ajudou foi saber que iria passar. Que era apenas o corpo em privação e que, daí a algum tempo, ele iria encontrar uma nova normalidade.

 

Agarrava-me a esse pensamento sempre que sentia que estava no limite, sempre que me sentia miserável, com todo o meu corpo a reagir violentamente à redução.

 

Houve um dia, o mais duro, em que a tensão atingiu o limite máximo. Nesse dia nem sequer consegui cuidar da C. Às 18h00 fui para a cama, exausta, nauseada, a tremer. Encolhi-me e ali fiquei. Pensei que iria passar, para aguentar só mais um bocadinho.

Nessa noite dormimos todos mal, incluindo a C. No dia seguinte acordei, sentia-me cansada por ter dormido mal, mas a tensão que o meu corpo vinha a sentir desapareceu. Já não sentia mais nada. A tempestade foi-se formando durante dias, atingiu o ponto máximo para, de seguida, desaparecer. Nesse dia deitei-me cedo, logo a seguir à C. E no outro dia estava tudo bem, tudo normal. O corpo, uma vez mais, encontrou um novo equilíbrio. Corpo, mente e coração tranquilos.

 

Caramba, a medicação mexe com o corpo cá de uma maneira! E eu, sempre tão avessa a medicamentos, há quase dois anos que eles fazem parte de mim. Quando iniciei o tratamento tomava 3 medicamentos diferentes. Hoje tomo 1 e, mesmo este, já é em menor dosagem. Durante esta redução progressiva da medicação, e os sintomas de privação, o meu amparo tem sido a minha querida psicóloga e a minha terapeuta de Shiatsu. A minha gratidão para as duas!