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Mulher, Filha e Mãe

Sensibilizar (para) e apoiar (na) ansiedade e depressão na gravidez e no pós-parto

Associação Passo Positivo: Já conhecem?

Passo Positivo nasceu para colmatar lacunas de intervenção na área da exclusão social criando uma estrutura de voluntariado para o lançamento de campanhas de angariação de produtos destinados aos utentes das OSFL, organizar parcerias para o fornecimento de serviços de prevenção de acidentes domésticos na área da saúde e bem-estar das famílias carenciadas e desenvolver ações de formação para capacitar profissionais nos domínios da intervenção humanitária e da cooperação e desenvolvimento.

 

 

A sua atividade assenta, atualmente, em três pilares principais e um de suporte:

 

Projeto Banco de Fraldas - Apoio a famílias portuguesas desfavorecidas e em situação de exclusão social que necessitam de ajuda face às dificuldades do quotidiano, quer a nível social, quer de saúde e bem-estar. A recolha de fraldas é centralizada no território nacional, com posterior distribuição targetizada a instituições devidamente analisadas. 

 

Projeto Vizinhos - Criação de equipas comunitárias de "vizinhos" constituídas por voluntários que atuam no sentido de prevenir e diminuir riscos e acidentes. Incidem maioritariamente sobre a camada idosa e pessoas com dependência física. 

 

Projeto Humanitus - Projeto para profissionais humanitários, de cooperação e desenvolvimento. Consiste na expansão da área humanitária através de eventos científicos, livros, filmes, formação especializada e promoção de atividades. 

 

Palestras e Workshops - Pilar de suporte que acompanha todos os projetos referidos anteriormente. Este abrange desde palestras de intervenção de Acidentes Domésticos e Workshops na área humanitária, até Palestras sobre voluntariado genérico ou destinadas a um projeto específico. 

 

Neste sentido, a Passo Positivo contactou-me para uma possível colaboração com o Projeto Banco de Fraldas, ficando o Centro Mulher, Filha e Mãe como um ponto de angariação de fraldas em Lisboa durante o mês de Outubro

 

Considerando a elevada necessidade e carência de fraldas das quais tenho conhecimento, assim como, o ótimo trabalho que a associação tem realizado no sentido de contribuir para a sua diminuição com este projeto, fez-me sentido imediato colaborar no que fosse necessário.  

 

Brevemente farei um texto dirigido a este projeto, mas até lá, porque não vêem este pequeno vídeo que já vos deixará mais elucidados sobre o presente projeto? 

 

 

Ser mãe

Numa das sessões de um dos grupos de grávidas e recém-mães, um dos temas que se falava era sobre a relação das grávidas e recém-mães com as suas mães. 

 

Foi percetível a forma como havia tanto assunto a desenvolver e que aquela hora não iria dar nem para metade. Contudo, várias foram as questões que se abordaram e os subtemas que se falaram. No sessão posterior a essa, uma das grandes mulheres com quem tenho tido o privilégio de me cruzar nestes grupos que dinamizo, pediu-me para ler uma carta que escreveu após a anterior sessão. Fiquei surpreendida, não estava à espera, e ao mesmo tempo, adorei o facto de o ter feito, e tal, foi expressamente manifesto no meu olhar. Mas não foi só isso que expressei. Há medida que ela foi lendo a carta, houve algumas lágrimas que fui contendo, mas que juntas espelhavam no meu olhar o que a minha alma refletia: gratidão por poder fazer o que faço. 

 

Esta carta representou isto para mim, e representou muito mais. 

 

Pedi-lhe autorização para a publicar, pois embora não a estejam a ver a ler e a verbalizar estas palavras recheadas de emoção e de muita história, de certo que conseguirão compreender o impacto que as mesmas têm. Especialmente, porque muitas das pessoas que estão desse lado, e que leem muito do que publico neste espaço, são mães. 

Para além disto, sei que muitas das mulheres que sofrem em silêncio com alterações emocionais na gravidez e no pós-parto, podem-se identificar com esta carta, que é tão própria da história desta mulher, mas também tão comum a tantas histórias de outras mulheres. 

 

Também querem partilhar algo comigo e/ou no blogue? 

centro@mulherfilhaemae.pt

 

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Ser mãe é uma dádiva.

 

 

Ver a minha filha a crescer, a aprender a andar, a imitar o que dizemos e a descobrir o mundo....

Sinto-me grata por poder ter esta experiência, mas não é fácil. Todos os dias me sinto a improvisar. Todos os dias sinto que falho em alguma coisa, que podia ter dado mais de mim. Devia ter tido mais paciência, devia pensar mais nas comidinhas dela, não a devia ter deixado tanto tempo na creche, devia ter-lhe dado mais mimos, por que me perco eu com outras coisas?

 

Há uns tempos alguém me disse que ser mãe é aprender a viver cheia de arrependimentos. É assim que eu me sinto. Sempre.

Vivo com medo de falhar e de ser uma má mãe. E se a estrago? E se ela cresce e odeia a mãe, como eu tantas vezes odiei a minha? E se não a ensino a ser boa pessoa? Será que ela vai ter orgulho em mim, ou se vai irritar com os meus defeitos? E se eu não lhe conseguir dar tudo o que ela merece? E se dou demais e ela não aprende a lutar por ela própria? Mas eu não queria que ela lutasse, é a minha bebé e eu quero-a no meu colo para sempre. Tenho medo que ela sofra... E se eu for fraca e a deixar fazer de mim o que quer? E se eu for demasiado dura com ela? Saberei dar disciplina e amor? E se eu for uma mãe igual à minha? E não for? Quem sou eu para ensinar alguém? Eu sou só uma miúda...

 

Tenho tanto medo e não conto a ninguém. Como pode uma mãe ter medo? As mães são fortes, só choram à noite, sozinhas, quando todos já dormem. Sinto que esperam tanto de mim, mas eu esperava tanto que me ajudassem nisto...

Todos esperam que eu saiba tudo, e eu finjo que sei. Finjo tão bem. Finjo que sei o que fazer quando a minha filha chora, quando está doente, que sei o que ela precisa de vestir, comer, quanto deve dormir, finjo que sei como a educar. Ponho a minha cara confiante e finjo que não tenho medo. Mas eu sou só uma miúda...

Como posso eu ser mãe de alguém se, quando a vida me deita abaixo, a primeira coisa que penso é quero a minha mãe?

Á conversa com a Laura #2 - Olá tristeza! Olá revolta! Olá cólera! Olá solidão... Vamos conversar?

Após a minha filha nascer, ainda no internamento na maternidade, eu sentia um turbilhão de emoções desconhecidas da Laura. Eu pensava (ou idealizava) ser por isso que eu não entendia nada do que se estava a passar comigo, no meu coração e na minha mente, que eu até então pensava conhecer perfeitamente e profundamente após quase cinco anos de psicoterapia psicodinâmica. Parecia que eu apenas existia através de um corpo físico, de uns olhos, de um cérebro e de uma vida que não eram a Laura que eu pensava (ou queria) ser, e por isso, eu contrariei o mais que pude até quebrar psicologicamente, todas - TODAS - as sensações e emoções que eu considerei menos positivas e não condizentes com a tal Laura sempre feliz, alegre, lindíssima, forte, extraordinária, ativa, inteligente, pioneira, presente, expansiva, livre, descontraída, assertiva, organizada, saudável e extremamente perfeita que eu pensava e queria muito na altura ser. Rejeitei a minha profunda tristeza por ter tido o parto que eu não queria para nós os três; relevei a minha imensa revolta por não ter a rede de apoio familiar e de amigos que eu achava que devíamos ter; escondi a minha intensa cólera por não estar a compreender nem a lidar de forma positiva com a nossa bebé nem com a minha maternidade e a parentalidade no geral; ignorei a minha dorida solidão que eu sentia em todos os meus átomos e em toda a minha alma apesar de pensar intermitentemente "Laura tu tens aqui a tua tão desejada filha e o teu amado marido junto a ti!".
 
Enfim... eu não me permiti um único segundo a ser eu mesma com tudo o que eu sentia naquele momento e que eu "não sabia" que era (e continua a ser) de meu direito. De nosso pleno direito! Das mães e dos pais. E até dos avós ou da família toda!
 
E o resultado de eu não escutar todos estes sentimentos, no meu ponto de vista, não foi positivo nem saudável: resultou numa depressão pós parto muito acentuada e profunda com ansiedade generalizada e um esgotamento nervoso.
 
Por isso, considero que é essencial permitir-mo-nos a nós mesmas, sermos sempre autênticas connosco e com o mundo. Isto não quer dizer que quando aborrecidas, comecemos a disparar pedras em todas as direções ou a isolar-mo-nos entre os lençóis da nossa cama dias ou meses a fio em depressão, não. Isto quer dizer que quando as nossas emoções e sensações surgem, sejam elas quais forem e seja de forma lenta ou abrupta e de repente, devemos olhar para elas sem filtros nem julgamentos e escutar o que as mesmas nos dizem, porque todas as emoções e sensações - TODAS - trazem informação e revelações preciosas para o nosso próprio entendimento e auto conhecimento, bem como o entendimento e o conhecimento do outro e do mundo e isso traz-nos aceitação, compreensão, desenvolvimento, crescimento, gratidão e evolução. E isto não é concordar com tudo o que nos acontece, isto é, apesar de muitas vezes não concordarmos ou não nos fazer sentido, aceitar que é este o sentimento e é necessário senti-lo mesmo, canalizar a sua energia e transformá-la em algo saudável. Isto é "apenas" trazer uma imensa empatia, tolerância, respeito e amor connosco mesmas e com os outros! É preciso abraçar as nossas dores com carinho, reflexão e consciência para as canalizarmos e as transformar em atitudes positivas, saudáveis, firmes, carinhosas, amorosas e pacíficas para nós mesmas e para os demais.
 
E quando não se consegue fazer isto naturalmente e espontaneamente, é necessário solicitar ajuda especializada. Solicitar ajuda é a mais corajosa forma de escutar as nossas dores, quaisquer que estas sejam.
 

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E depois... depois é treinar e praticar com determinação o diálogo com estas energias vindas de toda as nossas emoções e sensações, canalizá-las de forma consciente e assistir à sua transformação em um bem estar nas nossas vidas e nas dos que nós amamos e certamente, um dia, também na vida da humanidade, de uma forma fluida, tranquila e prazerosa.

Acreditar que é possível e lutar para que assim o seja: um novo projeto está a chegar!

Foi com esta convicção que saí da consulta de obstetrícia, seis semanas após ter tido a minha filha. 

Acreditei que fosse possível fazer alguma coisa para me sentir melhor, considerando os confusos, intensos e sofridos primeiros dias e semanas após o parto e as respostas nulas que senti que o sistema nacional de saúde tinha para me oferecer e à minha família. 

 

Foi também com esta convicção que criei este blogue. 

Acreditei que fosse possível conhecer outras mulheres com experiências semelhantes, e acima de tudo, que fosse possível promover a disseminação de informação  e a sensibilização para a saúde mental no período perinatal.

 

Foi exatamente com esta convicção que concorri para ingressar no Mestrado em Enfermagem de Saúde Mental e Psiquiatria.

Acreditei que fosse possível aproveitar esse tempo e espaço para aprender mais em teoria e na prática e para poder continuar com o trabalho que estava a ser realizado, através do blogue e a nível presencial, com as mulheres e famílias que me contactavam.

Acreditei que fosse possível aumentar a qualidade do trabalho a ser realizado e que fosse possível fazer algo mais. Ainda havia e há tanto para fazer!

 

Foi com esta convicção que terminei o Mestrado.

Havendo tanto para fazer, e havendo caminho para tal, acreditei que fosse possível continuar a lutar para produzir algo mais e de qualidade associada. Não só através do blogue, mas também por outras vias. O Mestrado foi necessário, e tem-se revelado uma grande mais-valia a vários níveis. 

 

É com esta convicção que estou a desenvolver um novo projeto profissional.

Acredito ser possível que este projeto possa dar uma resposta qualificada e estruturada considerando as fortes carências de apoio no âmbito da saúde mental no período perinatal.  

 

Este projeto envolve uma missão, um espaço, várias iniciativas, atividades específicas, e é fruto do trabalho contínuo, apaixonado e dedicado, que tenho vindo a desenvolver ao longo dos últimos anos. 

 

Brevemente será divulgado em específico no que consiste e que tipo de respostas virá oferecer. 

Até lá, deixo registado alguns momentos que têm marcado esta grande, intensa e transformadora viagem. 

 

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A estudar para a discussão pública do relatório final de mestrado no espaço, e a dar apoio à obra. Feliz :) Aqui, sinto-me em casa.

 

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O chão flutuante que tardou em chegar por tantos motivos... Não gostei do serviço de entregas da Leroy Merlin! 

 

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O espaço que começou a ficar diferente quando o branco se impôs.

 

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E a tão pouco tempo do final das obras ainda havia tanto para fazer... obras! :/

 

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As várias viagens em que a minha princesa teve de me acompanhar para transportar coisas para a obra! Parecia-vos muito chateada? Andou radiante! 

 

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A pouco e pouco o espaço começou a ganhar a cor que havia imaginado... mas estava longe de terminar a tempo.

 

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E ainda hoje eles lá estão, a dar mais cor ao logradouro e a dar os últimos retoques. Mas será que isto não tem fim? Eu só quero que estas obras terminem!! Tenho tanto trabalho pela frente...

 

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Ainda há tanto para limpar... e alguns retoques finais por fazer. Mas... vamos a isto que amanhã está cá a transportadora com os móveis...

 

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Ansiosa por montar tudo isto e continuar a trabalhar neste projeto... agora com espaço específico e adequado para o efeito! ;)

 

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E no meio de tudo isto, de toda esta confusão, de todo este zig zag de voltas, de transportes e decisões, a minha princesa esteve sempre a meu lado com este sorriso maravilhoso que aligeirou qualquer problema e que me fez focar a atenção naquilo que é verdadeiramente importante, e que é a essência deste projeto - que foi completamente estimulado pela chegada deste meu tesouro. 

 

Sem possibilidade de evitar que andasse sempre para trás e para a frente neste rodopio, a verdade é que no meio de tudo isto, associar esta experiência às idas aos baloiços, às brincadeiras no parque, na rua que envolve o espaço, à ajuda, às conversas sobre os porquês das diversas coisas a que assistia, os passeios de "cicleta" (que é como quem diz, o triciclo), e acima de tudo, o estarmos juntas, compensou cada momento menos positivo, embora seja claro que tenha tornado mais complexa toda a logística associada ao apoio à obra. 

 

Adorava abrir o espaço ao público quanto antes, mas parece que vou ter de adiar mais uns dias do que o previsto, pois antes disso, ainda há muito, muito, muito para contar, detalhar e esclarecer neste sentido! 

 

Mais notícias em breve! 

Á conversa com a Laura #1 - O nascer de uma mãe. Ou a transformação de uma mulher?

Passados quase seis meses do nascimento da minha filha, eu agora sei e compreendo que eu senti e vivi - e por vezes ainda sinto e vivo - como se eu tivesse morrido após ela nascer e que eu fiz um profundo luto sobre a minha "morte" ao longo dos meses: o meu tempo pessoal acabou, o meu sono não é contínuo, o meu corpo não é o meu corpo, o meu pensamento não é assertivo, a minha casa não é arrumada, os meus lugares não estão alcançáveis, a minha identidade desapareceu... Quem sou eu? Onde eu estou? A Laura?? A Laura morreu.

O meu coração pulsava, os meus pulmões oxigenavam e a minha vida corria à velocidade da luz, escorregadia como a fina areia que nos desaparece entre os dedos das mãos quanto mais a queremos agarrar, mas eu não estava aqui. Eu não estava em lado nenhum. Sentia-me as cinzas de uma árvore, outrora enorme, esbelta, poderosa e repleta de flores, agora queimada após um terrível incêndio, feita louca à procura das minhas raízes, mas preferindo deixar o que restava de mim, voar. Voar para o infinito e para sempre.

Um misto de querer controlar e fugir, um misto de existir e desaparecer, um misto de euforia e de horror; uma bipolaridade permanente que tanto caracteriza as minhas inúmeras máscaras com que eu disfarço as minhas latejantes feridas emocionais, mais antigas que o universo, a que se dá o pomposo nome de transtorno bipolar, mas que é muito mais que um transtorno neurológico: é morar no mais rápido elevador alguma vez criado entre o céu e o inferno.

Sentia que não tinha nascido raio de mãe nenhuma em mim!!! Eu sentia era que eu tinha morrido!

E depois?

Depois, eu não morri. Eu transformei-me.
Através da consciência do meu amado marido e maravilhoso pai da nossa bebé, da minha força de vontade e determinação em querer viver e não apenas existir em negação e juntamente com uma indispensável rede de apoio de profissionais e entidades competentes que me ajudaram e me continuam a ajudar e muito, Kundalini Yoga e meditação, o conhecimento "sem filtros" de mim mesma e a tomada da minha consciência pessoal, foi como que acordar de um longo sonho - ou pesadelo? - e percebi: Eu não morri nem sou apenas a mãe da minha bebé. Eu sou Eu. Com todas as minhas plenas virtudes e os meus plenos defeitos. Eu acertei e errei. Eu adorei e detestei. Eu consegui e desisti.
Eu sou.
Eu sou uma mulher, sou a mãe da minha amada bebé, sou uma filha - a minha mãe guarda-me onde quer que ela esteja para lá da Terra e eu estou em vias de perdoar o meu pai, onde quer que ele esteja aqui na Terra - sou uma amiga, sou a amante do meu amado marido, sou uma pessoa, sou luz, sou alma, sou coração, sou o meu corpo, sou consciente, sou poderosa, sou sábia, sou honesta, sou sincera, sou linda, sou sim, sou não, tenho a certeza que sou, não sei bem se sou, sou verdadeira, sou força da natureza e sou amor. Sou nada e sou tudo. Tudo e nada o que eu quiser.

Que liberdade!

 

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Isto é o nascer de uma mãe.

De eu ser mãe. De tu seres mãe. De ela ser mãe e de elas serem mães. Da tua mãe. Da mãe da tua mãe. De tu como mãe de ti mesma - e por vezes também pai.

Eu não sei bem quem era e agora sou uma mulher plena. Agora eu sou uma mãe. Foi e é tão duro e tão maravilhoso.

Que bom que eu "morri"! Que bom que eu me tornei mãe.

Á conversa com a Ana #9 - "Após a redução da medicação... corpo, mente e coração tranquilos"

Em Abril passado fui a mais uma consulta com a psiquiatra e concordamos em reduzir a dosagem do comprimido que tomo todos os dias religiosamente. A médica avisou-me de que, dentro de 2 meses, poderiam manifestar-se sintomas semelhantes aos que senti no início da depressão, bem antes do começo do tratamento. Ou seja, insónias, cansaço extremo, irritabilidade, descontrolo emocional, fome emocional, só para falar dos mais evidentes.

 

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Em Agosto passado quando deixei de tomar um dos comprimidos, passei duas semanas em plena ressaca. Foi horrível, mas passou. O corpo reajustou-se, encontrou um novo equilíbrio. Por isso, desta vez, não me preocupei. O que vier virá, pensei eu.

 

E, dois meses depois, a ressaca chegou. Um dia estou bem, para no dia a seguir, e durante uma semana, o corpo viver sob uma tensão física e emocional enorme. Parece que o corpo está no limite. Dores de cabeça, náuseas, dores musculares, variações muito grandes no apetite, sono mais leve, com muitos sonhos, intensos, acordando com a sensação de que não descansei o devido, facilidade em comover-me, ficar sentida e com a lágrima do canto do olho e uma sensação constante de cansaço e falta de energia. Estive em modo de sobrevivência, conseguindo apenas fazer o mínimo, o essencial, o indispensável.

 

Conseguia apenas ir trabalhar, cuidar da C., jantar e atirar-me para cima da cama. E já isto foi feito com muito esforço. Sentia que só me apetecia ficar encolhida na cama. Cada ação que realizava parecia que consumia todas as minhas energias. O que me ajudou foi saber que iria passar. Que era apenas o corpo em privação e que, daí a algum tempo, ele iria encontrar uma nova normalidade.

 

Agarrava-me a esse pensamento sempre que sentia que estava no limite, sempre que me sentia miserável, com todo o meu corpo a reagir violentamente à redução.

 

Houve um dia, o mais duro, em que a tensão atingiu o limite máximo. Nesse dia nem sequer consegui cuidar da C. Às 18h00 fui para a cama, exausta, nauseada, a tremer. Encolhi-me e ali fiquei. Pensei que iria passar, para aguentar só mais um bocadinho.

Nessa noite dormimos todos mal, incluindo a C. No dia seguinte acordei, sentia-me cansada por ter dormido mal, mas a tensão que o meu corpo vinha a sentir desapareceu. Já não sentia mais nada. A tempestade foi-se formando durante dias, atingiu o ponto máximo para, de seguida, desaparecer. Nesse dia deitei-me cedo, logo a seguir à C. E no outro dia estava tudo bem, tudo normal. O corpo, uma vez mais, encontrou um novo equilíbrio. Corpo, mente e coração tranquilos.

 

Caramba, a medicação mexe com o corpo cá de uma maneira! E eu, sempre tão avessa a medicamentos, há quase dois anos que eles fazem parte de mim. Quando iniciei o tratamento tomava 3 medicamentos diferentes. Hoje tomo 1 e, mesmo este, já é em menor dosagem. Durante esta redução progressiva da medicação, e os sintomas de privação, o meu amparo tem sido a minha querida psicóloga e a minha terapeuta de Shiatsu. A minha gratidão para as duas!