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Mulher, Filha e Mãe

Sensibilizar (para) e apoiar (na) ansiedade e depressão na gravidez e no pós-parto

Hoje faz 1 mês que o Centro Mulher, Filha e Mãe abriu e...

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... já temos tanto para contar!!!

 

Vários são os desafios que nos têm sido colocados, especialmente, burocráticos! Muitos, nem sequer imaginava. 

O meu coração de enfermeira apaixonada por esta área direcionou-me sempre no sentido de suprir esta necessidade urgente de estruturar um apoio focado no acompanhamento da mulher e família na preconceção, gravidez e pós-parto, especialmente, no âmbito da promoção do bem-estar emocional. Mas a verdade, é que quando se gere uma casa, tal como esta é, muitas outras questões se colocam. Especialmente, as burocráticas! Essas, têm sido o meu maior desafio. Estar com as pessoas, poder acompanhá-las, tem sido o meu maior privilégio. E como tal, gratidão mantém-se a palavra de ordem. Aquela que é falada por mim, mesmo que em silêncio, cada vez que penso, que sinto, que imagino, que olho à minha volta e que vislumbro que para além do sonho que tinha, hoje, é uma realidade: O Centro Mulher, Filha e Mãe, existe! 

 

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Segui o meu coração, e aqui estou: com um mês de trabalho neste Centro, mas com a sensação de que uma vida posso aqui passar se souber encontrar um equilíbrio entre o meu coração, a minha mente e o meu corpo, agora, a nível profissional. 

 

O tempo, assim o dirá.

 

centro@mulherfilhaemae.pt

Todos acham que eu já devia saber tudo sobre como cuidar de um bebé porque...

...Sou educadora de infância.

...É o meu segundo filho.

...Sou profissional de saúde. 

...Já sou mãe de três. 

...Trabalho com crianças.

...Sou professora. 

...Já cuidei de todos os meus primos. 

...Sou mulher. 

...Sou mãe.

 

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Estas foram as diversas respostas que eu já ouvi, por parte de mulheres, que sentem que as pessoas que as rodeiam consideram de alguma forma - seja porque o dizem, seja porque o demonstram, seja porque tecem comentários menos apropriados para o momento, seja porque simplesmente o sentem - que elas deviam saber tudo sobre como cuidar de um bebé. 

 

É também nesta pressão, que eu diria social, que nasce em larga escala o sentimento de culpa que muitas destas mulheres também carregam, por sentirem e/ou frequentemente se questionarem, sobre a sua capacidade de cuidar de um bebé. É no seu instinto que brota alguma sensação de alívio e/ou conforto, mas é também nas suas dúvidas, perceção de falta de apoio - incluindo aqui o social também - e na sua relação consigo mesmas que muitas vezes nasce o primeiro sentimento de que falei. 

 

Serei boa mãe o suficiente? 

Estarei a fazer o indicado no cuidado para com o meu filho?

Será que ele está confortável? 

Todos acham que eu já devia saber tudo sobre como cuidar de um bebé, mas não é assim que me sinto. 

 

E por vezes, no espaço do social, não há lugar para este tipo de expressão. Para a expressão de uma mulher, agora mãe, que precisa, que necessita, que muitas vezes grita quase em silêncio, bem baixinho, com vergonha, e com grande necessidade de se expressar, que apoio, compreensão e afeto, são as três palavras mais desejadas, e muitas vezes as três palavras mais caras, que neste momento, alguém lhe pode dar. 

 

E porquê? Porque mais caras, e portanto, menos acessíveis?  

Porque não doadas? Facilmente transmitidas? 

 

Somos frequentemente capazes de doar algo a uma instituição, de dar algo a um sem abrigo que passa na rua, de doar o nosso tempo a famílias e crianças carenciadas de algum tipo de apoio. E porque não, doar algum do nosso apoio, compreensão e afeto, a uma mãe confusa, por vezes desesperada, e desamparada, que carrega um bebé? Uma mãe que pode não dizê-lo, mas que facilmente o transmite através de um olhar, de uma expressão, ou de uma ausência inesperada, por exemplo. 

 

Todos acham que as mães, por serem mães, têm de saber cuidar. E se a mãe considerar que não sabe? E se tiver muito medo? E se o medo a impedir de tentar? E se não estiver disponível para aprender? E se quiser aprender, mas tiver muitas dúvidas? 

 

Será que é contribuindo para sua culpabilização que a vamos fazer sentir melhor? Que ela vai sentir que cuidará melhor do seu bebé? Ou é, fornecendo apoio, compreensão e afeto? Respeitar o seu tempo, estar atento, pedir ajuda especializada quando necessário, falar simplesmente com alguém que possa perceber um pouco mais das suas dificuldades, não pressionar, mostrar-lhe que gosta dela, como ela é. E como ela é, é também sentir dúvidas e ter dificuldades. É também, nem sempre saber.

 

E não é por isso que deixa de ser mãe.

E não é por isso que não faz o melhor que sabe naquele momento e dentro do presente contexto.

 

Todos acham que as mães deviam saber tudo sobre como cuidar de um bebé, mas todos se esquecem que por trás de uma mãe, está uma mulher, está uma pessoa, está um ser humano, e que continua ter, todas as suas características associadas.  

 

E já agora, será mesmo possível saber tudo sobre o que quer que seja?

Será mesmo possível saber tudo sobre como cuidar de um bebé? Sobre como cuidar de alguém? 

 

Fica a questão.

 

centro@mulherfilhaemae.pt

Reiki: É assim que acontece.

Escrever numa folha em branco pode parecer difícil, mas já alguma vez pensaram em tentar fazê-lo deixando-se levar pelo vosso instinto? Pelo vosso corpo espiritual? Pelo que sentem? E, não só, pelo que pensam? 

 

É, mais ou menos assim, que acontece nas sessões de Reiki aqui no Centro Mulher, Filha e Mãe, entre mim e as mulheres e famílias que sigo e que procuram e/ou aceitam com agrado a realização de sessões de Reiki integradas no acompanhamento que têm. 

 

Reiki significa energia universal. E a energia que vem do universo, é aquela que nos acomete a todos, simplesmente para alguns que integram uma formação mais específica neste âmbito, (re)aprendem a ser canal como forma de passar essa energia de forma organizada, e com um determinado fim: o de nutrir os locais que no corpo do outro, dela necessitam. 

 

 

Para mim sempre foi claro que seja qual for a doença, não tem de ter constantemente e em exclusivo uma causa física. Para mim, é demasiado redutor pensar que se uma parte do corpo de alguém adoece se deve única e exclusivamente a uma causa física. Causa essa para a qual a medicina nem sempre tem resposta. E note-se que, enquanto enfermeira que sou, sei o quão importante é a medicina tradicional e afirmo-o, não deixando de tentar conhecer e/ou explorar outras hipóteses. 

 

As causas emocionais e mentais das doenças são cada vez mais conhecidas por todos, e também elas, têm de ser colocadas em perspetiva se queremos, enquanto profissionais, e de forma efetiva, atingir a doença pela sua raiz. 

Tal como qualquer raiz, que tem várias ramificações, as causas das doenças, acredito que assim também o são. 

 

Foi também por acreditar em tudo o que vos referi até aqui que há precisamente 10 anos fiz a minha iniciação no Reiki. Sem pressões, sem pressas, mas com uma grande motivação para compreender o que estava por detrás desta forma de estar. Muitos optam por tratá-la como uma terapia alternativa, mas não considero que seja no plano do alternativo que tenha de estar. Integrada numa abordagem holística não faz muito mais sentido? Porque temos de excluir formas de intervir em prol de outras se todas poderão fazer sentido no trabalho com as pessoas que nos procuram? 

 

Tal como dizia, forma de estar na vida, na minha vida pessoal e na minha vida profissional. Falar sobre Reiki é falar sobre vitalidade, é falar sobre a vida. Ter despertado para o Reiki foi, possivelmente, dos despertares com mais luz e sentido interno pessoal, e hoje, já lá vão 10 anos de práticas, conhecimentos, leituras, reflexões e formação associada.

 

Nunca me pressionei para realizar Reiki a terceiros, ou para simplesmente fazer porque sim. Várias foram as pessoas que me foram fazendo diversos pedidos neste âmbito e vários foram os pedidos que senti que tinha recusar. Ainda não era o momento para tal, e o meu corpo, a minha forma de estar, o meu sentir, a minha sabedoria interna foi-me transmitindo isto com sentido. 

 

Para mim não são determinados dias de prática específicos, em primeiro lugar acreditar e/ou uma estruturação arrojada que fazem do Reiki o que ele, simplesmente, é. Somos nós, quem o pratica, quem o transmite e quem o reflete que deve ouvir-se a si próprio. Algo que data de há muito, muito mais do que a prática de Reiki em si, algo simples e básico: É naturalmente importante ouvir-mos o nosso próprio corpo, e no Reiki, não é diferente. Muito pelo contrário. No meu ponto de vista, é também aqui (mas não só) que a prática de Reiki se revê. 

 

Foi sempre tudo sentido, desde o inicio, e só assim me faz sentido. E é com uma realização imensa que escrevo, feliz e plena, que também o Reiki faz parte da minha abordagem no Centro Mulher, Filha e Mãe

 

Não uma abordagem única e exclusiva de uma sessão parcial e/ou completa, mas sim, de uma abordagem integrada em todo o acompanhamento dado à mulher e família no Centro. 

 

Olhar e escutar atentamente a mulher e/ou família, propor uma sessão, compreender quais os locais que carecem de maior intervenção a este nível, poder ser um canal que facilita a nutrição energética destes locais, e observar, na primeira fila, os benefícios claros, visíveis e relatados pelas próprias pessoas, desta prática e no momento, é sem sombra de dúvidas um dos maiores privilégios a que posso ter acesso através desta minha opção profissional. 

 

Sou Grata*

Encontros para mães e bebés: livres, isentos e descontraídos.

Todas as 6ªfeiras entre as 12h00 e as 13h00, a partir do dia 27 de Outubro, haverá um momento de encontro para mães e bebés no Centro Mulher, Filha e Mãe

 

Sala do grupo de mães e pais - Centro Mulher, Fil

 

São encontros:

 

  • Livres de participação: Todas as mães que tiverem bebés até aos 18 meses e tiverem interesse podem participar;

 

  • Isentos de pagamento: Os encontros não têm nenhum valor monetário associado. Basta que se dirijam ao Centro Mulher, Filha e Mãe e desfrutem do passeio, do espaço do Centro, do convívio e do espaço envolvente. Considerando o espaço, simplesmente será necessário que, quem tiver interesse, se inscreva para a(s) 6ªfeira(s) em que tiver disponibilidade/interesse.

 

  • Descontraídos no seu todo: Não há temas definidos para se falar ou determinadas normas a cumprir. O objetivo é criar um tempo específico durante a semana em que a Enfª Ana Vale possa estar com as mães e com os seus bebés, ouvir as suas questões, conversar e disponibilizar o espaço do Centro Mulher, Filha e Mãe para promover momentos de convívio e partilha nesta fase do ciclo de vida. 

 

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Haverá sempre a oferta de chá a quem estiver presente, e quem tiver interesse e se queira inscrever, basta enviar email (centro@mulherfilhaemae.pt) ou contactar-nos via telefónica (936 180 928).

 

Partilhem com quem considerem que possa ter interesse! 

À conversa com a Ana #10 - "A Depressão Pós-Parto colocou tudo em perspectiva e agora sinto que saio sempre a ganhar".

A semana passada a minha filha fez 2 anos. Quanto caminho foi percorrido durante este tempo! O que começou de forma dolorosa e sofrida transformou-se numa relação de um amor puro, único e incondicional.

 

No início da nossa relação predominava o medo, a irritação, a tristeza e a incapacidade de aceitação. Estas emoções foram sendo trabalhadas, sobretudo através do Shiatsu e da psicoterapia e, ao longo dos meses que se foram seguindo, elas foram diminuindo a sua intensidade e frequência. Fui ganhando consciência dessas emoções e do que significavam, e fui ganhando também ferramentas para lidar com elas. E à medida que diminuíam, aumentava a minha capacidade de aceitação, a tolerância e paciência, a alegria. Hoje sou completamente apaixonada pela minha filha.

 

A DPP colocou tudo em perspetiva e, agora, sinto que “saio sempre a ganhar”: o pior dia/momento de hoje não é nada face ao que foi vivido nos 2 primeiros meses. Acho que, por isso, acabo por saborear imensamente o meu papel de mãe e, na verdade, a vida no geral. Como eu digo, por vezes, “a maternidade agora é como andar num carrossel”.

 

Nestes últimos 2 anos tanta coisa mudou, para melhor, na minha vida. Não só a minha relação com a C., como também a relação com o meu marido, com a família e, sobretudo, a minha forma de pensar, estar e sentir.

 

O que desejo a todas as mães (e as suas famílias) que estejam a passar por semelhante, é que encontrem as ajudas certas para vocês, para que consigam enfrentar o problema e usufruir dos vossos filhos, e da vossa vida, de uma forma plena e apaixonada.

 

E já agora eu sou a Ana, esta Ana. Achei que era altura de mostrar quem sou, para que às minhas palavras possam juntar a minha cara. Para que o tabu, a vergonha, o medo possam, de alguma forma, dar lugar à compreensão, à aceitação e ao diálogo aberto sobre o baby blues, a depressão pré e pós parto, a perturbação de ansiedade ou a psicose.

 

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Conheceu alguém que passou por alterações emocionais na gravidez e/ou pós-parto?

Foi esta a questão que coloquei a várias pessoas com quem contactei na segunda-feira, durante a tarde, pelas ruas de Lisboa. 

 

Desde que abri o Centro Mulher, Filha e Mãe que andava para tirar uma tarde para ir conversar com as pessoas que frequentam as ruas que envolvem o Centro, sobre saúde mental materna, e ontem foi o dia. 

 

Levei uma folha para apontar respostas, uma caneta, flyers, cartões, coragem, alegria e determinação, e assim fui eu, a andar por Lisboa durante horas.

Inicialmente, enquanto andava, fui deixando as minhas inseguranças ganharem expressão no meu coração e na minha mente:

- Mas que loucura é esta? 

- Será que alguém me vai ouvir?

- Vai tudo achar que eu vou pedir alguma coisa... e vou! Vou pedir tempo... 

- Talvez seja melhor só entregar os flyers e pronto... 

 

Mas não! 

O que eu queria era mesmo conversar com as pessoas sobre o tema. De forma livre e descontraída. 

O que eu queria era ler a expressão espontânea que as pessoas faziam quando as abordava. 

O que eu queria era ouvir o que as pessoas tinham para dizer. Mesmo que desvalorizassem. E mesmo se o fizessem, de certo que seria uma boa oportunidade para as sensibilizar para o tema. E assim foi! 

 

Vivi muito nessas horas a andar pelas ruas de Lisboa. 

A maioria das pessoas esteve sempre muito disponível para me ouvir. Ficavam interessadas e muitas desconheciam o tema. Outras, simplesmente expressavam seriedade do inicio ao fim. Preferiam não responder. Outras, identificavam-se de alguma forma. E todas, receberam com agrado um cartão ou flyer do Centro Mulher, Filha e Mãe

 

Para além das pessoas que iam a andar (aparentemente) de forma descontraída, também abordei pessoas em cabeleireiros, papelarias, cafés, centros de estética, jardins, esplanadas, floristas, e afins. O sorriso, a espontaneidade e a presença calorosa, foram sempre as principais ferramentas que levei comigo, assim como, a aceitação. 

 

Aceitar que determinadas pessoas não queriam falar, responder, que coravam, que se interessavam mais, que preferiram ignorar ou que encolhiam os ombros e continuavam a andar, por exemplo.

Aceitar a rejeição é difícil, mas necessário para termos alguma saúde mental. A verdade, é que seja neste, ou em qualquer outro momento da nossa vida, várias poderão ser as vezes em que nos sentiremos rejeitados, ou que, o seremos de facto. Nem sempre vamos ser aceites. Nem sempre as pessoas vão identificar-se com o que somos/fazemos. Mas isso também não significa que estaremos necessariamente no caminho errado. 

 

No final, fui ao café de sempre onde encontro com frequência uma equipa bem-disposta e que, desde que abri o Centro Mulher, Filha e Mãe, muita força me têm dado! Fui à Confeitaria Sá, onde o Sr. Carlos, que não gosta de tirar fotos, e o Diogo, que tanto lhe faz, aceitaram tirar uma foto comigo e registar o momento em que tomaram conhecimento de que amanhã, seria o dia mundial da saúde mental. Mas não foi só isso que aconteceu. Várias pessoas que estavam no café ouviram, e a conversa sobre o tema instaurou-se de uma forma alucinante. Nunca pensei que um "pequeno desabafo" desse origem a uma conversa tão produtiva e à troca de tantos contactos. 

 

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E já agora, têm de provar as queijadas de amêndoa desta confeitaria!

Tenho por certo, que vão querer voltar com frequência!  

 

centro@mulherfilhaemae.pt

Estás a preocupar-te demais! Não vês que o bebé está bem?

Nos diversos contactos com mulheres grávidas e no pós-parto, que vou tendo através do blogue, e onde muitas vezes são descritas passagens de vida onde afirmações como a que evidencio no titulo deste texto são bastante comuns, várias vezes me questiono sobre porquê, onde e quando é que as pessoas se deixaram de preocupar com as mulheres e homens nesta fase do ciclo de vida. Ou então, porquê, onde e quando o deixaram de o manifestar. 

 

E reparem que evidencio o papel da mulher e do homem neste texto, e não o da mãe ou o do pai. Pois embora estejam interligados, inseridos num fundo comum a uma mesma pessoa, constituem-se lugares diferentes e que de igual medida, mas de diferente forma, necessitam de ser nutridos e acarinhados. 

 

Os bebés são inquestionavelmente seres que só pela sua imagem apelam ao nosso contacto e dedicação. E há muito que isto é um facto conhecido e amplamente estudado.

Os  bebés precisam muito do amor, carinho, atenção e da envolvência de quem os cuida. E quem os cuida, por norma, são os pais. No entanto, também os pais necessitam de amor, atenção e envolvência de quem os rodeia. Possivelmente, mais do que em muitos momentos de suas vidas. Este, por norma, é o momento em que também os pais, que (por vezes) nascem quando nasce um bebé, precisam de apoio e orientação. Falo de amigos, de família, mas também falo da comunidade que os envolve e onde estão inseridos os profissionais de saúde com quem contactam, assim como, os vizinhos, os senhores dos cafés onde costumam ir, assim como, os do supermercado ou da mercearia, talho, mercado e afins.

 

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Quando digo que precisam, acreditem que muitas vezes não é de forma declarada. Muitas vezes, os pais, precisam lá bem no seu íntimo que essa compreensão, apoio, orientação seja espelhada em diversos detalhes do dia-a-dia, mesmo que eles, não o verbalizem. Imaginem comigo, não acham que é difícil acabar de ter um bebé, e verbalizar que se precisa de ajuda, especialmente a nível emocional, porque não se sentem bem, ou porque não se sentem capazes, ou porque questionam continuamente a sua capacidade de cuidar? 

 

Qual acham que seria a resposta da maioria das pessoas que os rodeiam? 

Como é que acham que estes pais se sentem? A nascerem pais, e com estas dúvidas constantes na cabeça, e possivelmente desesperançados de algum tipo de resposta neste sentido?

 

Eu tenho uma ideia. 

 

Quando vos falo de apoio, compreensão e orientação, também vos posso dar alguns exemplos mais práticos.

Por exemplo:

  • Precisam que os "senhores dos cafés" os recebam como de costume, e não que questionem com frequência se os pais não deviam era estar em casa porque faz frio, ou porque o bebé precisa é de estar em casa e não sair (nos seus pontos de vista) considerando logo à partida que o bebé pode não estar muito confortável porque chora, ou porque simplesmente, assim o consideram (mas como é que eles sabem disto?! Em que é que se baseiam? Numa sabedoria popular? E porque não perguntam diretamente aos pais o que estes acham? Não seria esta uma forma mais simples de se mostrar essa compreensão em vez de se questionar a sensibilidade e o papel dos pais logo à partida? Digo eu...);

 

  • Precisam que as pessoas nos supermercados, na rua, nas lojas e afins, não fiquem fixamente a olhar quando veem um bebé chorar (Sabem... os bebés choram, e por vezes, os pais simplesmente ficam sem saber o que fazer/responder a este bebé naquele momento. Acontece. Ainda por cima quando todos os que os rodeiam resolvem fixar manifestamente o momento, expressando emoções que transmitem pouca confiança/desconforto de alguma forma. Por vezes, até os pais mais confiantes se sentem envergonhados nestes momentos. Mas é assim, na generalidade dos casos, faz parte do "conhecer o bebé", e do "conhecerem-se a si próprios enquanto pais deste bebé" pois este não nasce concomitantemente com livro de instruções na mão e/ou com uma previsibilidade comportamental estampada na testa. Sabiam?);

 

  • Precisam que os amigos e família respeitem a sua preferência de não haver visitas em casa nos primeiros tempos, assim como, que tenham alguma consciência de que se querem efetivamente ir visitá-los que é importante perguntarem a sua opinião, ou até, levarem o almoço/jantar e assim é menos uma refeição que estes pais têm de fazer. Ah! E se alguém ajudasse a passar uma roupinha a ferro? Ou a por uma ou outra máquina a lavar? Ou ajudasse a dar um jeitinho à casa? Ou ficassem, pelo menos, 10 minutos a tomar conta do bebé para estes pais irem tomar um banho, considerando por eles, minimamente decente? São só algumas ideias, mas podia dar-vos muitas mais!

 

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Bom, exemplos desta índole, não faltam! Mas não é só sobre isto que vos quero falar neste texto. É também, e especialmente, sobre o facto de haverem determinados momentos ao longo da gravidez e/ou no pós-parto onde os pais acabam por sentir maior preocupação em relação ao bebé. Seja porque o desejam há muito tempo e agora vão tê-lo nos seus braços e não querem que "nada corra mal", seja porque houve uma gravidez de risco difícil de se lidar, seja porque houve uma ecografia que demonstrou algumas possíveis alterações que posteriormente se vieram a verificar falsas, seja porque o parto não correu como o esperado, seja porque o temperamento do bebé não é o imaginado, ou por qualquer outro motivo. Seja pelo que for, existe uma preocupação, um motivo de dúvida, algo que poderá causar uma ansiedade crescente neste período, que por si só, já é muito delicado a nível emocional. 

 

A questão é, porque é que as pessoas teimam em desvalorizar este tipo de preocupações, se à partida, e ainda por cima quando declaradas pelos próprios pais, são motivo de ansiedade crescente e/ou até angústia associada em muitos casos? Porque é que optam por desvalorizar, focando-se no facto de bebé estar bem, não dando espaço a estes pais para se expressarem? Dizerem efetivamente o que sentem e porque o sentem? 

 

Porque é que é assim tão complicado? 

 

É difícil lidar com o sofrimento alheio. É difícil lidar com o próprio sofrimento em si. Pode ser verdade para muitos. Mas estes pais precisam deste apoio neste momento. Este bebé precisa que os pais se sintam apoiados neste momento. E daqui a alguns anos, ouvirão, possivelmente, um adulto a verbalizar que outrora, também precisou de se sentir mais apoiado.  

 

Já dizia Dalai Lama uma afirmação com que muito me identifico: 

 

"Só existem dois dias no ano que nada pode ser feito. Um chama-se ontem e o outro chama-se amanhã, portanto hoje é o dia certo para amar, acreditar, fazer e principalmente viver."

 

Portanto, o dia ontem já não podemos mudar. Podemos sim, aprender a viver com ele. O dia de amanhã, ainda não sabemos como será. Simplesmente perspetivamos, planeamos. Então, parece-me que o dia de hoje é perfeito para se começar a trabalhar neste sentido. E começando a refletir verdadeiramente sobre o tema, pode ser, definitivamente, um primeiro passo. Um passo muito útil para todos nós. 

 

centro@mulherfilhaemae.pt