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Mulher, Filha e Mãe

Sensibilizar (para) e apoiar (na) ansiedade e depressão na gravidez e no pós-parto

Associação Passo Positivo: Já conhecem?

Passo Positivo nasceu para colmatar lacunas de intervenção na área da exclusão social criando uma estrutura de voluntariado para o lançamento de campanhas de angariação de produtos destinados aos utentes das OSFL, organizar parcerias para o fornecimento de serviços de prevenção de acidentes domésticos na área da saúde e bem-estar das famílias carenciadas e desenvolver ações de formação para capacitar profissionais nos domínios da intervenção humanitária e da cooperação e desenvolvimento.

 

 

A sua atividade assenta, atualmente, em três pilares principais e um de suporte:

 

Projeto Banco de Fraldas - Apoio a famílias portuguesas desfavorecidas e em situação de exclusão social que necessitam de ajuda face às dificuldades do quotidiano, quer a nível social, quer de saúde e bem-estar. A recolha de fraldas é centralizada no território nacional, com posterior distribuição targetizada a instituições devidamente analisadas. 

 

Projeto Vizinhos - Criação de equipas comunitárias de "vizinhos" constituídas por voluntários que atuam no sentido de prevenir e diminuir riscos e acidentes. Incidem maioritariamente sobre a camada idosa e pessoas com dependência física. 

 

Projeto Humanitus - Projeto para profissionais humanitários, de cooperação e desenvolvimento. Consiste na expansão da área humanitária através de eventos científicos, livros, filmes, formação especializada e promoção de atividades. 

 

Palestras e Workshops - Pilar de suporte que acompanha todos os projetos referidos anteriormente. Este abrange desde palestras de intervenção de Acidentes Domésticos e Workshops na área humanitária, até Palestras sobre voluntariado genérico ou destinadas a um projeto específico. 

 

Neste sentido, a Passo Positivo contactou-me para uma possível colaboração com o Projeto Banco de Fraldas, ficando o Centro Mulher, Filha e Mãe como um ponto de angariação de fraldas em Lisboa durante o mês de Outubro

 

Considerando a elevada necessidade e carência de fraldas das quais tenho conhecimento, assim como, o ótimo trabalho que a associação tem realizado no sentido de contribuir para a sua diminuição com este projeto, fez-me sentido imediato colaborar no que fosse necessário.  

 

Brevemente farei um texto dirigido a este projeto, mas até lá, porque não vêem este pequeno vídeo que já vos deixará mais elucidados sobre o presente projeto? 

 

 

Ser mãe

Numa das sessões de um dos grupos de grávidas e recém-mães, um dos temas que se falava era sobre a relação das grávidas e recém-mães com as suas mães. 

 

Foi percetível a forma como havia tanto assunto a desenvolver e que aquela hora não iria dar nem para metade. Contudo, várias foram as questões que se abordaram e os subtemas que se falaram. No sessão posterior a essa, uma das grandes mulheres com quem tenho tido o privilégio de me cruzar nestes grupos que dinamizo, pediu-me para ler uma carta que escreveu após a anterior sessão. Fiquei surpreendida, não estava à espera, e ao mesmo tempo, adorei o facto de o ter feito, e tal, foi expressamente manifesto no meu olhar. Mas não foi só isso que expressei. Há medida que ela foi lendo a carta, houve algumas lágrimas que fui contendo, mas que juntas espelhavam no meu olhar o que a minha alma refletia: gratidão por poder fazer o que faço. 

 

Esta carta representou isto para mim, e representou muito mais. 

 

Pedi-lhe autorização para a publicar, pois embora não a estejam a ver a ler e a verbalizar estas palavras recheadas de emoção e de muita história, de certo que conseguirão compreender o impacto que as mesmas têm. Especialmente, porque muitas das pessoas que estão desse lado, e que leem muito do que publico neste espaço, são mães. 

Para além disto, sei que muitas das mulheres que sofrem em silêncio com alterações emocionais na gravidez e no pós-parto, podem-se identificar com esta carta, que é tão própria da história desta mulher, mas também tão comum a tantas histórias de outras mulheres. 

 

Também querem partilhar algo comigo e/ou no blogue? 

centro@mulherfilhaemae.pt

 

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Ser mãe é uma dádiva.

 

 

Ver a minha filha a crescer, a aprender a andar, a imitar o que dizemos e a descobrir o mundo....

Sinto-me grata por poder ter esta experiência, mas não é fácil. Todos os dias me sinto a improvisar. Todos os dias sinto que falho em alguma coisa, que podia ter dado mais de mim. Devia ter tido mais paciência, devia pensar mais nas comidinhas dela, não a devia ter deixado tanto tempo na creche, devia ter-lhe dado mais mimos, por que me perco eu com outras coisas?

 

Há uns tempos alguém me disse que ser mãe é aprender a viver cheia de arrependimentos. É assim que eu me sinto. Sempre.

Vivo com medo de falhar e de ser uma má mãe. E se a estrago? E se ela cresce e odeia a mãe, como eu tantas vezes odiei a minha? E se não a ensino a ser boa pessoa? Será que ela vai ter orgulho em mim, ou se vai irritar com os meus defeitos? E se eu não lhe conseguir dar tudo o que ela merece? E se dou demais e ela não aprende a lutar por ela própria? Mas eu não queria que ela lutasse, é a minha bebé e eu quero-a no meu colo para sempre. Tenho medo que ela sofra... E se eu for fraca e a deixar fazer de mim o que quer? E se eu for demasiado dura com ela? Saberei dar disciplina e amor? E se eu for uma mãe igual à minha? E não for? Quem sou eu para ensinar alguém? Eu sou só uma miúda...

 

Tenho tanto medo e não conto a ninguém. Como pode uma mãe ter medo? As mães são fortes, só choram à noite, sozinhas, quando todos já dormem. Sinto que esperam tanto de mim, mas eu esperava tanto que me ajudassem nisto...

Todos esperam que eu saiba tudo, e eu finjo que sei. Finjo tão bem. Finjo que sei o que fazer quando a minha filha chora, quando está doente, que sei o que ela precisa de vestir, comer, quanto deve dormir, finjo que sei como a educar. Ponho a minha cara confiante e finjo que não tenho medo. Mas eu sou só uma miúda...

Como posso eu ser mãe de alguém se, quando a vida me deita abaixo, a primeira coisa que penso é quero a minha mãe?

Á conversa com a Laura #2 - Olá tristeza! Olá revolta! Olá cólera! Olá solidão... Vamos conversar?

Após a minha filha nascer, ainda no internamento na maternidade, eu sentia um turbilhão de emoções desconhecidas da Laura. Eu pensava (ou idealizava) ser por isso que eu não entendia nada do que se estava a passar comigo, no meu coração e na minha mente, que eu até então pensava conhecer perfeitamente e profundamente após quase cinco anos de psicoterapia psicodinâmica. Parecia que eu apenas existia através de um corpo físico, de uns olhos, de um cérebro e de uma vida que não eram a Laura que eu pensava (ou queria) ser, e por isso, eu contrariei o mais que pude até quebrar psicologicamente, todas - TODAS - as sensações e emoções que eu considerei menos positivas e não condizentes com a tal Laura sempre feliz, alegre, lindíssima, forte, extraordinária, ativa, inteligente, pioneira, presente, expansiva, livre, descontraída, assertiva, organizada, saudável e extremamente perfeita que eu pensava e queria muito na altura ser. Rejeitei a minha profunda tristeza por ter tido o parto que eu não queria para nós os três; relevei a minha imensa revolta por não ter a rede de apoio familiar e de amigos que eu achava que devíamos ter; escondi a minha intensa cólera por não estar a compreender nem a lidar de forma positiva com a nossa bebé nem com a minha maternidade e a parentalidade no geral; ignorei a minha dorida solidão que eu sentia em todos os meus átomos e em toda a minha alma apesar de pensar intermitentemente "Laura tu tens aqui a tua tão desejada filha e o teu amado marido junto a ti!".
 
Enfim... eu não me permiti um único segundo a ser eu mesma com tudo o que eu sentia naquele momento e que eu "não sabia" que era (e continua a ser) de meu direito. De nosso pleno direito! Das mães e dos pais. E até dos avós ou da família toda!
 
E o resultado de eu não escutar todos estes sentimentos, no meu ponto de vista, não foi positivo nem saudável: resultou numa depressão pós parto muito acentuada e profunda com ansiedade generalizada e um esgotamento nervoso.
 
Por isso, considero que é essencial permitir-mo-nos a nós mesmas, sermos sempre autênticas connosco e com o mundo. Isto não quer dizer que quando aborrecidas, comecemos a disparar pedras em todas as direções ou a isolar-mo-nos entre os lençóis da nossa cama dias ou meses a fio em depressão, não. Isto quer dizer que quando as nossas emoções e sensações surgem, sejam elas quais forem e seja de forma lenta ou abrupta e de repente, devemos olhar para elas sem filtros nem julgamentos e escutar o que as mesmas nos dizem, porque todas as emoções e sensações - TODAS - trazem informação e revelações preciosas para o nosso próprio entendimento e auto conhecimento, bem como o entendimento e o conhecimento do outro e do mundo e isso traz-nos aceitação, compreensão, desenvolvimento, crescimento, gratidão e evolução. E isto não é concordar com tudo o que nos acontece, isto é, apesar de muitas vezes não concordarmos ou não nos fazer sentido, aceitar que é este o sentimento e é necessário senti-lo mesmo, canalizar a sua energia e transformá-la em algo saudável. Isto é "apenas" trazer uma imensa empatia, tolerância, respeito e amor connosco mesmas e com os outros! É preciso abraçar as nossas dores com carinho, reflexão e consciência para as canalizarmos e as transformar em atitudes positivas, saudáveis, firmes, carinhosas, amorosas e pacíficas para nós mesmas e para os demais.
 
E quando não se consegue fazer isto naturalmente e espontaneamente, é necessário solicitar ajuda especializada. Solicitar ajuda é a mais corajosa forma de escutar as nossas dores, quaisquer que estas sejam.
 

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E depois... depois é treinar e praticar com determinação o diálogo com estas energias vindas de toda as nossas emoções e sensações, canalizá-las de forma consciente e assistir à sua transformação em um bem estar nas nossas vidas e nas dos que nós amamos e certamente, um dia, também na vida da humanidade, de uma forma fluida, tranquila e prazerosa.

Acreditar que é possível e lutar para que assim o seja: um novo projeto está a chegar!

Foi com esta convicção que saí da consulta de obstetrícia, seis semanas após ter tido a minha filha. 

Acreditei que fosse possível fazer alguma coisa para me sentir melhor, considerando os confusos, intensos e sofridos primeiros dias e semanas após o parto e as respostas nulas que senti que o sistema nacional de saúde tinha para me oferecer e à minha família. 

 

Foi também com esta convicção que criei este blogue. 

Acreditei que fosse possível conhecer outras mulheres com experiências semelhantes, e acima de tudo, que fosse possível promover a disseminação de informação  e a sensibilização para a saúde mental no período perinatal.

 

Foi exatamente com esta convicção que concorri para ingressar no Mestrado em Enfermagem de Saúde Mental e Psiquiatria.

Acreditei que fosse possível aproveitar esse tempo e espaço para aprender mais em teoria e na prática e para poder continuar com o trabalho que estava a ser realizado, através do blogue e a nível presencial, com as mulheres e famílias que me contactavam.

Acreditei que fosse possível aumentar a qualidade do trabalho a ser realizado e que fosse possível fazer algo mais. Ainda havia e há tanto para fazer!

 

Foi com esta convicção que terminei o Mestrado.

Havendo tanto para fazer, e havendo caminho para tal, acreditei que fosse possível continuar a lutar para produzir algo mais e de qualidade associada. Não só através do blogue, mas também por outras vias. O Mestrado foi necessário, e tem-se revelado uma grande mais-valia a vários níveis. 

 

É com esta convicção que estou a desenvolver um novo projeto profissional.

Acredito ser possível que este projeto possa dar uma resposta qualificada e estruturada considerando as fortes carências de apoio no âmbito da saúde mental no período perinatal.  

 

Este projeto envolve uma missão, um espaço, várias iniciativas, atividades específicas, e é fruto do trabalho contínuo, apaixonado e dedicado, que tenho vindo a desenvolver ao longo dos últimos anos. 

 

Brevemente será divulgado em específico no que consiste e que tipo de respostas virá oferecer. 

Até lá, deixo registado alguns momentos que têm marcado esta grande, intensa e transformadora viagem. 

 

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A estudar para a discussão pública do relatório final de mestrado no espaço, e a dar apoio à obra. Feliz :) Aqui, sinto-me em casa.

 

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O chão flutuante que tardou em chegar por tantos motivos... Não gostei do serviço de entregas da Leroy Merlin! 

 

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O espaço que começou a ficar diferente quando o branco se impôs.

 

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E a tão pouco tempo do final das obras ainda havia tanto para fazer... obras! :/

 

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As várias viagens em que a minha princesa teve de me acompanhar para transportar coisas para a obra! Parecia-vos muito chateada? Andou radiante! 

 

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A pouco e pouco o espaço começou a ganhar a cor que havia imaginado... mas estava longe de terminar a tempo.

 

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E ainda hoje eles lá estão, a dar mais cor ao logradouro e a dar os últimos retoques. Mas será que isto não tem fim? Eu só quero que estas obras terminem!! Tenho tanto trabalho pela frente...

 

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Ainda há tanto para limpar... e alguns retoques finais por fazer. Mas... vamos a isto que amanhã está cá a transportadora com os móveis...

 

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Ansiosa por montar tudo isto e continuar a trabalhar neste projeto... agora com espaço específico e adequado para o efeito! ;)

 

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E no meio de tudo isto, de toda esta confusão, de todo este zig zag de voltas, de transportes e decisões, a minha princesa esteve sempre a meu lado com este sorriso maravilhoso que aligeirou qualquer problema e que me fez focar a atenção naquilo que é verdadeiramente importante, e que é a essência deste projeto - que foi completamente estimulado pela chegada deste meu tesouro. 

 

Sem possibilidade de evitar que andasse sempre para trás e para a frente neste rodopio, a verdade é que no meio de tudo isto, associar esta experiência às idas aos baloiços, às brincadeiras no parque, na rua que envolve o espaço, à ajuda, às conversas sobre os porquês das diversas coisas a que assistia, os passeios de "cicleta" (que é como quem diz, o triciclo), e acima de tudo, o estarmos juntas, compensou cada momento menos positivo, embora seja claro que tenha tornado mais complexa toda a logística associada ao apoio à obra. 

 

Adorava abrir o espaço ao público quanto antes, mas parece que vou ter de adiar mais uns dias do que o previsto, pois antes disso, ainda há muito, muito, muito para contar, detalhar e esclarecer neste sentido! 

 

Mais notícias em breve! 

Á conversa com a Laura #1 - O nascer de uma mãe. Ou a transformação de uma mulher?

Passados quase seis meses do nascimento da minha filha, eu agora sei e compreendo que eu senti e vivi - e por vezes ainda sinto e vivo - como se eu tivesse morrido após ela nascer e que eu fiz um profundo luto sobre a minha "morte" ao longo dos meses: o meu tempo pessoal acabou, o meu sono não é contínuo, o meu corpo não é o meu corpo, o meu pensamento não é assertivo, a minha casa não é arrumada, os meus lugares não estão alcançáveis, a minha identidade desapareceu... Quem sou eu? Onde eu estou? A Laura?? A Laura morreu.

O meu coração pulsava, os meus pulmões oxigenavam e a minha vida corria à velocidade da luz, escorregadia como a fina areia que nos desaparece entre os dedos das mãos quanto mais a queremos agarrar, mas eu não estava aqui. Eu não estava em lado nenhum. Sentia-me as cinzas de uma árvore, outrora enorme, esbelta, poderosa e repleta de flores, agora queimada após um terrível incêndio, feita louca à procura das minhas raízes, mas preferindo deixar o que restava de mim, voar. Voar para o infinito e para sempre.

Um misto de querer controlar e fugir, um misto de existir e desaparecer, um misto de euforia e de horror; uma bipolaridade permanente que tanto caracteriza as minhas inúmeras máscaras com que eu disfarço as minhas latejantes feridas emocionais, mais antigas que o universo, a que se dá o pomposo nome de transtorno bipolar, mas que é muito mais que um transtorno neurológico: é morar no mais rápido elevador alguma vez criado entre o céu e o inferno.

Sentia que não tinha nascido raio de mãe nenhuma em mim!!! Eu sentia era que eu tinha morrido!

E depois?

Depois, eu não morri. Eu transformei-me.
Através da consciência do meu amado marido e maravilhoso pai da nossa bebé, da minha força de vontade e determinação em querer viver e não apenas existir em negação e juntamente com uma indispensável rede de apoio de profissionais e entidades competentes que me ajudaram e me continuam a ajudar e muito, Kundalini Yoga e meditação, o conhecimento "sem filtros" de mim mesma e a tomada da minha consciência pessoal, foi como que acordar de um longo sonho - ou pesadelo? - e percebi: Eu não morri nem sou apenas a mãe da minha bebé. Eu sou Eu. Com todas as minhas plenas virtudes e os meus plenos defeitos. Eu acertei e errei. Eu adorei e detestei. Eu consegui e desisti.
Eu sou.
Eu sou uma mulher, sou a mãe da minha amada bebé, sou uma filha - a minha mãe guarda-me onde quer que ela esteja para lá da Terra e eu estou em vias de perdoar o meu pai, onde quer que ele esteja aqui na Terra - sou uma amiga, sou a amante do meu amado marido, sou uma pessoa, sou luz, sou alma, sou coração, sou o meu corpo, sou consciente, sou poderosa, sou sábia, sou honesta, sou sincera, sou linda, sou sim, sou não, tenho a certeza que sou, não sei bem se sou, sou verdadeira, sou força da natureza e sou amor. Sou nada e sou tudo. Tudo e nada o que eu quiser.

Que liberdade!

 

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Isto é o nascer de uma mãe.

De eu ser mãe. De tu seres mãe. De ela ser mãe e de elas serem mães. Da tua mãe. Da mãe da tua mãe. De tu como mãe de ti mesma - e por vezes também pai.

Eu não sei bem quem era e agora sou uma mulher plena. Agora eu sou uma mãe. Foi e é tão duro e tão maravilhoso.

Que bom que eu "morri"! Que bom que eu me tornei mãe.

Á conversa com a Ana #9 - "Após a redução da medicação... corpo, mente e coração tranquilos"

Em Abril passado fui a mais uma consulta com a psiquiatra e concordamos em reduzir a dosagem do comprimido que tomo todos os dias religiosamente. A médica avisou-me de que, dentro de 2 meses, poderiam manifestar-se sintomas semelhantes aos que senti no início da depressão, bem antes do começo do tratamento. Ou seja, insónias, cansaço extremo, irritabilidade, descontrolo emocional, fome emocional, só para falar dos mais evidentes.

 

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Em Agosto passado quando deixei de tomar um dos comprimidos, passei duas semanas em plena ressaca. Foi horrível, mas passou. O corpo reajustou-se, encontrou um novo equilíbrio. Por isso, desta vez, não me preocupei. O que vier virá, pensei eu.

 

E, dois meses depois, a ressaca chegou. Um dia estou bem, para no dia a seguir, e durante uma semana, o corpo viver sob uma tensão física e emocional enorme. Parece que o corpo está no limite. Dores de cabeça, náuseas, dores musculares, variações muito grandes no apetite, sono mais leve, com muitos sonhos, intensos, acordando com a sensação de que não descansei o devido, facilidade em comover-me, ficar sentida e com a lágrima do canto do olho e uma sensação constante de cansaço e falta de energia. Estive em modo de sobrevivência, conseguindo apenas fazer o mínimo, o essencial, o indispensável.

 

Conseguia apenas ir trabalhar, cuidar da C., jantar e atirar-me para cima da cama. E já isto foi feito com muito esforço. Sentia que só me apetecia ficar encolhida na cama. Cada ação que realizava parecia que consumia todas as minhas energias. O que me ajudou foi saber que iria passar. Que era apenas o corpo em privação e que, daí a algum tempo, ele iria encontrar uma nova normalidade.

 

Agarrava-me a esse pensamento sempre que sentia que estava no limite, sempre que me sentia miserável, com todo o meu corpo a reagir violentamente à redução.

 

Houve um dia, o mais duro, em que a tensão atingiu o limite máximo. Nesse dia nem sequer consegui cuidar da C. Às 18h00 fui para a cama, exausta, nauseada, a tremer. Encolhi-me e ali fiquei. Pensei que iria passar, para aguentar só mais um bocadinho.

Nessa noite dormimos todos mal, incluindo a C. No dia seguinte acordei, sentia-me cansada por ter dormido mal, mas a tensão que o meu corpo vinha a sentir desapareceu. Já não sentia mais nada. A tempestade foi-se formando durante dias, atingiu o ponto máximo para, de seguida, desaparecer. Nesse dia deitei-me cedo, logo a seguir à C. E no outro dia estava tudo bem, tudo normal. O corpo, uma vez mais, encontrou um novo equilíbrio. Corpo, mente e coração tranquilos.

 

Caramba, a medicação mexe com o corpo cá de uma maneira! E eu, sempre tão avessa a medicamentos, há quase dois anos que eles fazem parte de mim. Quando iniciei o tratamento tomava 3 medicamentos diferentes. Hoje tomo 1 e, mesmo este, já é em menor dosagem. Durante esta redução progressiva da medicação, e os sintomas de privação, o meu amparo tem sido a minha querida psicóloga e a minha terapeuta de Shiatsu. A minha gratidão para as duas!

 

Joana Nogueira: uma jovem artista que está a sensibilizar para a depressão pós-parto!

A Joana, estudante do Mestrado de Design da Imagem da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, encontra-se na fase na realização do seu projeto de investigação e contactou-me há já alguns meses para saber se seria possível colaborar na realização do seu projeto com alguma orientação quanto ao tema que queria trabalhar. Quando me contactou referiu que no que concerne à depressão pós-parto "O que pretendo é desestigmatizar esta problemática através de estratégias visuais, alertando e consciencializando a sociedade para a sua seriedade e gravidade" (sic), o que me deixou desde logo muito atenta à sua proposta. 

 

Quanto à colaboração, é óbvio que não hesitei, pois através da sua abordagem, do trabalho que já tem vindo a desenvolver (e que podem consultar aqui) e do grande interesse manifestado, ficou claro para mim que este trabalho mútuo só poderia integrar mais um forte contributo para a área a vários níveis. E não me enganei! 

 

Ao longo dos últimos meses, muito tem sido o esforço da Joana, ao qual tenho assistido, para tentar compreender alguns conceitos clínicos (o que para quem não é da área é muito difícil...) para os conseguir integrar na esfera da depressão pós-parto, e acima de tudo, no mundo das mulheres que por ela passam, na tentativa de o representar através do seus trabalhos de design de imagem e de vídeo. 

 

Os trabalhos que precisa de realizar ainda não estão todos terminados, mas já tenho tido a oportunidade de ver alguns, fruto da sua pesquisa e estudo sobre o tema, da leitura de alguns testemunhos que se encontram na rubrica Histórias que dão a cara por esta causa, de algum diálogo que vamos mantendo, e acima de tudo, da sua grande motivação e esforço para representar esta problemática da forma mais adequada e profissional possível. 

 

Um grande bem-haja à Joana! 

 

De seguida, mostro-vos um dos primeiros trabalhos de imagem que partilhou comigo, onde representou algumas das manifestações da depressão pós-parto, baseado na leitura de alguns testemunhos de mulheres que partilham pedaços das suas vivências neste período, na rubrica Histórias que dão a cara por esta causa:

 

 

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Atualmente, a Joana precisa da colaboração de uma senhora, preferencialmente da região do Porto, que já tenha passado por esta experiência e que queira contribuir também com a sua história para o desenvolvimento do seu trabalho de investigação. O seu anonimato será totalmente preservado, se assim pretender. 

 

Alguém está interessada? 

 

blog@mulherfilhamae.pt 

Desenvolvimento Sensorial do bebé - 1ª Conferência Academia ForBabies by Mustela

Há algumas semanas estive presente na 1ª Conferência da Academia ForBabies by Mustela, a ouvir a Dra. Clementina Almeida sobre o desenvolvimento sensorial do bebé. 

 

Já há algum tempo que conhecia o seu trabalho, e quando a Mustela me convidou, achei que poderia ser uma boa oportunidade de aprender mais sobre o tema, assim como, conversar um pouco com a Dra. Clementina sobre a sua visão/investigação no âmbito da importância da relação mãe-bebé e da sua relação com o desenvolvimento sensorial do bebé. E assim foi. 

 

O tempo voou, eu nem me apercebi, e o mais interessante é que de uma forma simples foi capaz de transmitir muito em tão pouco tempo. 

 

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Várias foram as questões que abordou, mas considerando a minha área de interesse pessoal e profissional as que registei, e que considero muito interessantes a passar-vos também, foram as seguintes: 

 

  • A qualidade de interação que um bebé tem com quem o rodeia, mas especialmente, com quem o cuida, influencia um vastíssimo número de aspetos a nível comportamental, cognitivo, emocional e biológico, como já é sabido há muito. No entanto, a Dra. Clementina foi mais específica e falou sobre alguns estudos a que teve acesso e onde já foi possível estimar a influência da qualidade da interação de um bebé com quem o cuida, na probabilidade de aparecimento de doenças orgânicas no futuro (e quando falamos em futuro, de acordo com a Dra. Clementina, podemos pensar num futuro correspondente aos próximos 20 anos de vida...), tais como o Enfarte Agudo do Miocárdio, Acidentes Vasculares Cerebrais, etc.;

 

  • Outro aspeto que abordou prendeu-se com o facto de que quanto maior for a estimulação sensorial a que um bebé tiver acesso, mais fortes se tornarão as suas ligações sinápticas. A estimulação sensorial reporta à estimulação que é realizada através da exploração dos sentidos mediante atividades próprias para cada idade. Os sentidos são os meios através dos quais os seres vivos percebem e reconhecem outros organismos e as características do meio ambiente em que se encontram e os mais conhecidos são cinco: a visão, a audição, o tato, o paladar e o olfato. Contudo, existem outros sentidos que hoje em dia já sendo muito conhecidos por quem trabalha na área, ao serem estimulados, trazem maior segurança gravitacional e emocional, tónus muscular, movimento e equilíbrio, consciência do corpo, controlo motor, entre outros. A verdade é que, quanto maior for o acesso que o bebé tiver a este tipo de estimulação, mais fortes ficam as suas ligações cerebrais, e mais seguro se sentirá nas várias etapas do seu desenvolvimento, o que se refletirá a vários níveis (biológico, psicológico e social). No entanto, e como tudo na vida, estimulação sensorial, sim! Mas com conta, peso e medida, atendendo a cada bebé, e ao seu nível de desenvolvimento. 

 

  • Algo que também contribui para fortalecer as ligações cerebrais de um bebé, e sobre o qual cada vez mais é sabido que o melhor é dar o máximo possível, está relacionado com o afeto, o mimo e o colo que são absolutamente fundamentais para moldar o cérebro de um bebé. Aqui, a conta é sempre a aumentar, o peso é até rebentar a balança e a medida é aquela que nem a fita métrica tem capacidade para medir. É dar muito, bastante, e ponto final. Mimo a mais e educação a menos não são sinónimos, nem têm de estar articulados numa mesma frase em perfeita sintonia. Afeto, mimo e colo também são amor. E amor, é para dar a transbordar. Aqui, não restam dúvidas. 

 

 

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Para além da conferência, também fiquei a saber que a Dra. Clementina, para além do trabalho de investigação que tem feito neste âmbito, aplica muitos destes conceitos num SPA para bebés no Porto e que escreveu um livro sobre o sono dos bebés, ao qual terei acesso brevemente.

 

No final da Conferência foi muito difícil conversar com a Dra. Clementina, uma vez que, as solicitações foram muitas. Contudo, ficou o contacto para podermos debater mais pormenorizadamente algumas questões relativas às mães dos bebés e às respetivas alterações emocionais neste período.

Para além disso a equipa da Mustela que estava presente - Cristina Simões e Maria Mello - prometeu promover mais momentos deste género, o que se poderá constituir muito útil em termos de aprendizagem e esclarecimento de dúvidas sobre este tipo de temáticas, tal como foi este encontro. 

 

Grata pelo convite!

 

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Á conversa com a Ana #8 - "A depressão pós-parto mostrou-me um novo caminho"

Porquê uma Depressão? Porquê um início de viagem na maternidade assim? Porquê é que não senti felicidade, amor e alegria pela chegada de uma filha desejada? O que isto dizia de mim? Estas questões andaram dentro de mim, à espera de respostas que pudessem acalmar a minha mente e o meu coração.

 

Quando grávida li sobre a ocorrência do Baby Blues e da DPP e achei que a depressão seria algo que não me aconteceria e o baby blues, é descrito como algo tão comum e passageiro, que a minha mente não se preocupou. Se acontecesse, passaria. Pensava mais no parto. Assustava-me, creio que dentro do normal, com as dores. Preparei-me para elas (dentro do que seria possível). Fiz o curso de preparação. Treinei as técnicas de respiração. Recebi shiatsu durante toda a gravidez para aliviar os incómodos físicos e sossegar os receios.

 

Chegou o dia do parto. Tive uma receção no hospital S.Francisco Xavier que eu chamaria de pouco sensível/humana. Houve um primeiro choque. Estava com contrações de 5 em 5 minutos, já muito dolorosas e, em vez de receber orientação, mandaram-me para casa, para “voltar daqui a uma semana”. Uma falha de comunicação gigantesca! E acredito que um dos fatores que contribuíram para o pós-parto que experienciei.

 

Voltamos para casa, eu cheia de dores, os dois sem saber o que fazer. Se os médicos dizem que ainda não é tempo, o que fazer?! Mas as dores eram cada vez maiores. Acabamos por ir parar ao Hospital de Cascais e a C. nasceu. Lembro-me que não fui inundada por emoções de felicidade e amor. Estava exausta. Foram muitas horas de dor e sensação de estarmos perdidos, sem saber o que fazer, mais a experiência do processo lento da dilatação e da expulsão…lembro-me que a C. nasceu, as enfermeiras tratavam dela e eu andava ali a flutuar, entre o rescaldo daquela experiência de dor sobre-humana e o fato dela estar ali, fora de mim.

 

Os dias que estivemos no hospital cuidei dela. Não sentia receio de ir para casa. Pelo contrário, queria ir. Fiz um edema muito grande e estava cheia de dores. Não tinha posição para nada. Esperei que me medicassem. Esperei horas. E quando a médica foi finalmente ao quarto, pedi para que não tocasse porque doía-me imenso. E ela mexeu. Gritei que nem um animal ferido. Gritei para que não me tocasse. Ela pensava que eu já estava medicada. Chamou o meu marido para me acalmar. Eu chorava, tremia e assim fiquei durante uma hora. A partir daí não deixei que ninguém me tocasse.

 

Fomos para casa. Estava muito dorida, não conseguia sentar-me, deitar-me só em determinadas posições. Mas estava medicada e pensei que tudo passaria. Não sei como as coisas foram sucedendo, mas lembro-me do meu primeiro sonho, creio que passadas poucas semanas. Ia no carro com a C. e despistei-me intencionalmente…

No fundo, a minha cabeça já dava sinais de que algo não estava bem. As semanas foram decorrendo, eu a sentir-me cada vez mais ansiosa, exausta e desesperada.

 

Se pegar naquelas listas que abundam na internet, com dicas para escapar a uma depressão, eu consigo dizer que reuni tudo:

  • Foi uma bebé desejada, não tive problemas em engravidar e a gravidez foi tranquila
  • Não existe historial de doenças mentais na família
  • A C. nasceu saudável, não tive problemas com o processo de amamentação e ela dormia períodos de tempo longos, para uma bebé recém-nascida
  • Tenho um companheiro fantástico, com quem partilho todas as tarefas da casa e do cuidar da C. (e tivemos a ajuda de uma pessoa que limpava a casa 2x por mês)
  • Conversava com ele, com a médica de família, com amigas
  • Saía de casa, sozinha, com ele, com amigas
  • Contava com uma rede de apoio sólida (avós que ficavam com a C. para sairmos, que nos preparavam refeições, etc.)

 

Mas ela aconteceu ainda assim. Percebi que esta experiência, como em tudo na nossa vida, acontece por uma série de fatores. Compreendê-la significa olhar para vários ângulos e perspetivas.

 

Existe a causa fisiológica. As hormonas andam num rebuliço enorme durante a gravidez e caiem abruptamente após o parto. O corpo pode precisar de uma ajuda (química) para voltar ao seu equilíbrio.

Existem as causas circunstanciais, relacionadas com as condições em que o casal vive (as tais ajudas da família, o apoio do companheiro, etc.).

E existe a nossa mochila, que trazemos connosco ao longo da vida e que vai guardando as nossas experiências, memórias e emoções. O nascimento da C. foi um acontecimento que pôs a descoberto tudo isto. Pôs a nu as minhas fragilidades e os meus medos. Mostrou aquilo que eu já conhecia de mim e muito do que eu não conhecia inteiramente. Foi buscar o meu passado, o período conturbado do fim da minha infância, da adolescência e o início na vida adulta. Evidenciou a falta de amor (digo amor incondicional) suporte e segurança com que cresci.

 

 

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Ao longo da minha vida já passei por algumas daquelas experiências, extremamente dolorosas, que abanam todo o nosso centro. Que nos mandam à grande para o chão. Eu diria que existiram 3 momentos deste tipo. Cada um deles abanou todo o meu mundo, mudou tudo na minha vida. Mas também me mostraram um novo caminho. Foram lições de crescimento. A depressão trouxe-me muito. Trouxe mais resiliência e capacidade de relativizar. Trouxe-me mais calma e tolerância. Trouxe-me mais compreensão e consciência. Trouxe-me mais amor por mim e por aqueles que me rodeiam.

Histórias que dão a cara por esta causa #26 "Desliguei de mim e odiei cada momento na maternidade após o parto"

A Laura, uma mulher com grande força interior e coragem, decidiu partilhar connosco a sua história e revelar alguns dos detalhes mais sombrios do inicio do seu pós-parto. Algo que não se orgulha, mas que conscientemente sabe que fizeram parte de um momento da sua vida em que, tal como refere, "desligou dela própria".

Passa-nos várias mensagens absolutamente necessárias de considerar aquando da passagem por um momento semelhante, das quais evidencio o facto de, ser impreterível pedir ajuda o quanto antes.

 

Tal como a Laura, existem muitas outras mulheres que passam por situações semelhantes. Não hesitem e enviem-nos a vossa história! Temos de falar sobre este assunto. Histórias como estas são cada vez mais comuns e o movimento tem de ser, com cada vez maior frequência, no sentido da partilha e da sensibilização. 

 

blog@mulherfilhamae.pt 

 

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Olá Ana,

 
Sou a Laura e tenho uma história de maternidade para contar e sei que mais histórias terei, pois sei conscientemente e aceito que a minha e a nossa viagem é longa, aventurosa, complexa e maravilhosa, que uns dias serão de tempestade e muita chuva e outros de muito sol e amena brisa.
Primeiro que tudo, quero agradecer ao nosso parto por ter corrido tudo ao contrário do que eu queria para nós os três: eu, a minha amada filha e o meu amado marido. Por causa deste parto, que eu queria natural, tranquilo, acompanhada e sem qualquer intervenção, mas que acabou numa cesariana sem o meu marido presente por proibição do hospital, eu hoje sou uma mulher e mãe caminhante mais consciente e forte na minha longa viagem pessoal.
Após o nosso parto não ter corrido como eu queria e tinha idealizado e eu ter deixado de ter controlo e de ser atriz do mesmo, eu desliguei. Eu desliguei de mim, da minha desejada e recém nascida filha e do meu amado marido e recém pai. Odiei cada momento na maternidade após o nosso parto. Eu só sentia solidão, medo, angústia, dor física e psicológica e muito, muito desespero e quando a minha filha chorava eu só pensava em fugir, em começar uma nova vida sem ela nem o meu marido lá muito longe onde ninguém soubesse quem eu era nem de onde vinha. Ainda na maternidade, no dia seguinte ao nascimento da minha bebé, fiquei inválida fisicamente e descobriu-se que a aplicação da epidural, que eu não queria mas que foi a minha salvação às tremendas dores de um parto induzido, tinha me feito uma fissura numa membrana, o que fez com o que o meu marido ficasse a cuidar da nossa bebé sozinho em casa durante 24h e a sustentá-la a leite artificial em biberão, mais uma vez conforme tudo o que nós não queríamos, enquanto eu era submetida a mais intervenções clínicas e picadas nas minhas veias já ressequidas de dor e tristeza.
O meu regresso a casa e também o primeiro momento desta nova família na nossa casa foi horrível. Eu e o meu marido discutimos imenso devido a tanto stresse acumulado, tanto medo e ansiedade mal geridos e a nossa filha chorou imenso. Tudo o que me recordo desses primeiros dias e semanas com ela em casa, dos nossos primeiros dias como família, é de uma névoa cinzenta, pesada e sufocante onde reinavam em mim o pânico, o medo, a culpa, a ansiedade, a tristeza, o arrependimento, a raiva, a revolta e o total descontrolo emocional, psicológico e mental. Chamava-me a mim mesma de gorda e de deformada e gritava vezes sem conta a chorar que eu não era mulher, não era mãe, eu não era nada. Não tínhamos qualquer apoio familiar ou de amigos íntimos, fosse com um par de braços extra ou uma sugestão criativa e empoderadora, uma panela de sopa, comida pronta ou roupa lavada. Lembro-me de não tomarmos banho durante mais de uma semana, de fazermos turnos a cuidar da nossa pequena bebé para dormirmos o suficiente para não enlouquecermos os dois, de termos de ir à pressa ao café mais perto de casa buscar uma porcaria qualquer para o nosso corpo sobreviver, da amamentação ser extremamente dolorosa e lembro-me de chorar muito, gritar muito, de me doer tudo muito e de odiar tudo muito. Principalmente de me odiar a mim própria. Muito.
Foi quando o meu amado marido e pai da nossa amada bebé me disse que eu precisava de ajuda médica, tendo começado medicação adaptada à amamentação e continuado psicoterapia, que eu já fazia antes por ser a fiel portadora de um transtorno bipolar e de uma história de vida muito turbulenta e conturbada, que eu pensava bem controlados - oh ingenuidade!
Ficou tudo melhor? Não. Quis fugir novamente, insisti várias vezes com o meu marido que a nossa melhor hipótese de sobrevivência e o melhor para a nossa bebé era a deixarmos numa instituição de acolhimento - ainda hoje passados quase três meses, revolvem-se-me as entranhas ao escrever esta realidade - ou eu ir embora e cheguei mesmo a fugir de casa. Voltei passadas horas de tormento para o meu marido e a nossa filha e o da minha constatação verídica: se eu não pedir ajuda, eu suicido-me, porque eu descobri nessas horas de ausência, que o que eu mais queria era morrer, já que não conseguia ser mãe e esposa mas também era insuportável estar longe. E novamente fomos em busca de ajuda médica, foi ajustada a medicação e isso levou-me a abrandar a velocidade frenética de corrida numa espiral negativa que me ia levar ao suicídio, para começar a conseguir pensar com mais clareza, consistência e consciência e eu corajosamente criar, construir e firmar uma rede de apoio através de entidades e profissionais especializados em apoiar mães, pais e bebés, que estão a substituir a família e amigos íntimos que nós não temos e que não valem a pena chorar por isso e que me está a colocar num enorme e bem recebido caminho de auto conhecimento consciente e desenvolvimento pessoal, onde já encontrei e estou com pessoas fantásticas e isto tudo fez trazer novamente ao topo a minha essência, o amor pelo meu marido e o amor pela minha amada filha bebé, enquanto desfruto do prazer de amar a família que criámos, conectar-me com a minha bebé e amamentá-la sem dores nem dificuldades, apaixonar-me novamente pelo meu marido e amar-me a mim mesma, meditar, aprender, crescer, acalmar e evoluir.
Felizes para sempre? Claro que não!! Há dias horríveis e outros maravilhosos, uns que se passam apenas e outros bons e este é o verdadeiro desafio da maternidade: equilibrar este nosso jogo de luz e sombra interno de forma consciente, sintonizada e sentida.
Hoje sei que o meu futuro é paz, carinho e amor e que daqui a pouco serei uma Mãe que ama incondicionalmente.
 
 
Um grande beijinho com um terno abraço!