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Mulher, Filha e Mãe

Sensibilizar (para) e apoiar (na) ansiedade e depressão na gravidez e no pós-parto

Sim, VIVA o dia da saúde mental materna!

VIVA, porque é preciso falar sobre isto. 

VIVA, porque é preciso apostar nisto. 

VIVA, porque é preciso investigar sobre isto. 

VIVA, porque é preciso divulgar isto. 

VIVA, porque é preciso trabalhar em prol de melhores recursos para todas as mulheres que, na busca do seu sentido materno, se confrontam com desequilíbrios ao nível da saúde mental. 

 

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E apesar de todos os dias serem dias em que devemos atentar na saúde mental materna, eu diria que VIVA haver um trabalho a ser realizado a nível mundial que se debata para que neste dia, em todo o mundo, os focos se voltem para as mulheres enquanto mães, e para a necessidade que existe de se falar, apostar, investigar, divulgar e trabalhar mais arduamente em prol de todas elas, e consequentemente, dos seus bebés e das suas famílias. 

 

De seguida apresento-vos todas as organizações que trabalham, atualmente, para que a atenção nas mulheres e mães, e na sua saúde mental, seja uma prioridade de atenção/intervenção:

 

Postpartum Support International, Estados Unidos da América

Maternal Mental Health Alliance, Reino Unido

Maternal Mental Health Awareness Alliance, Bakirkoy Women Mental Health Center, Turquia

Center of Perinatal Excellence, Austrália

National Coalition for Maternal Mental Health, Estados Unidos da América

Perinatal Mental Health Project, Africa do Sul

Maternal Wellness Clinic, Canada

Mother First, Canada

La Teppe Medical Centre, França

Post & Ante- Natal Distress Support Group, Nova Zelândia

Reproductive Mental Health Programme, Canada

The Marce Society for Perinatal Mental Health, International (França)

Marce Society (Mares), Espanha

Marce Gesellschaft, Alemanha

Postpartum Support Network (PSN), Nigéria

 

 

Um grande bem-haja a todos eles! 

 

Mais informações? Consultem o site:

http://wmmhday.postpartum.net/about/

Ansiedade e depressão na gravidez e pós-parto: Porquê pedir ajuda?

Porque há solução! 

 

Porque o sofrimento não tem de ser uma constante. 

Porque não é necessário suportar tudo em silêncio.

Porque voltar a estar bem consigo mesma, é uma forte possibilidade.

Porque existem vários recursos a que pode recorrer.

Porque vai-se sentir mais tranquila e segura.

Porque tem muitos dos recursos que precisa dentro de si para ultrapassar este momento.

 

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A gravidez e/ou o pós-parto podem não ter começado da forma mais tranquila possível, ou pelo menos, da forma como esperou. Contudo, não tem de permanecer assim. Há profissionais que a podem apoiar, existem recursos a que pode ter acesso, e com o tratamento e acompanhamento adequado pode voltar a encontrar o equilíbrio que procura. 

 

Considerando o meu percurso pessoal e profissional, desenvolvi um projeto de apoio a mulheres com alterações emocionais na gravidez e no pós-parto. 

 

Brevemente avançarei com mais informações sobre o projeto. Contudo, se até lá considerar que lhe posso ser útil em algo dentro desta temática, aqui ficam os meus contactos:

 

E-mail:
centro@mulherfilhaemae.pt

Telemóvel:
(+351) 936 180 928

Histórias que dão a cara por esta causa #24 "Senti muitas vezes que me tinha perdido no meio desta imensidão que é a maternidade"

Incrível a partilha desta leitora sobre a sua vivência da maternidade. 

Uma mãe que se sente perdida, que por muito sofrimento passou, e que continua a lutar por um futuro melhor para si, e para a sua família, ao mesmo tempo que sente que mantém a "convivência" com a depressão pós-parto que teima em acompanhá-la. 

 

Mais uma história de referência, de uma mulher coragem, e de um exemplo que nos mostra que ainda muito há a fazer neste sentido! 

 

Partilhem também as vossas histórias. Vamos dar a cara por esta causa, mesmo sem a mostrar. 

Quantas mais histórias forem partilhadas, mais força esta problemática terá. 

 

blog@mulherfilhamae.pt 

 

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"Não sei bem quantas vezes tentei iniciar este email... acho que pelo menos umas 5... começava a escrever e depois ou surgia alguma coisa e ficava a meio... e pensava amanhã com mais calma envio... espero que hoje seja o dia....

 

Fui mãe faz hoje precisamente 23 meses... e mesmo já tendo passado todos estes meses a verdade é que desde essa altura nunca mais fui a mesma....

Descobri que estava grávida numa suposta consulta de ginecologia de rotina, o período estava atrasado mas já havia feito um teste de gravidez que havia dado negativo... portanto logo nessa altura foi um misto de emoções de alegria e medo ao mesmo tempo... a altura na minha cabeça não era a melhor, a situação profissional era complicada, mas pensei tudo se consegue..


Depois veio a ecografia do primeiro trimestre e o rastreio bioquímico e acho que foi nessa ai nessa altura que eu mudei enquanto pessoa ... um rastreio bioquímico positivo com uma probabilidade muito grande para uma trissomia 21... nada nos prepara para estas situações e acho que efetivamente esse terá sido o pior dia da minha vida se não mesmo o pior... o dia em que me senti mais frágil e perdida...as expectativas, as tramadas das expectativas, nunca estamos preparados para que as coisas possam eventualmente correr mal... ou que possam não ser da forma como imaginamos... o chão foi-me tirado nesse dia. O que era suposto ser uma primeira ecografia, quem sabe até para saber o sexo do bebé, tornou-se um dia que me iria marcar para sempre e que efetivamente ainda hoje passado este tempo todo ainda é algo que me perturba e sempre que me vejo a falar no assunto seja com profissionais de saúde, amigos, familiares é impossível recordar essa altura sem que os olhos não se encham de lágrimas.


Depois de todo um processo de explicações sobre o que são efetivamente estes rastreios bioquímicos, os falsos positivos, etc., e de muita pesquisa minha no mundo da Internet, informação essa, que se por um lado, alguma me descansava outra ainda me deixava mais preocupada... veio a altura de realizar a amiocentese. A verdade é que da altura da primeira eco conjugada com o rastreio bioquímico até a realização da mesma, foram cerca de 2 semanas de espera, duas semanas essas onde vivenciei momentos de elevado stress emocional, de angustia de medo de revolta... era a minha primeira gravidez... não foi assim que eu idealizei as coisas... não era isto que tinha imaginado para mim... mais uma vez as expectativas...


Felizmente os resultados da amiocentese foram negativos e felizmente estava tudo bem com o meu bebé... mas a verdade é que já tinha vivenciando momentos muito angustiantes que tal como disse me marcaram e apesar de sarados a marca da ferida continua lá...


O restante percurso da gravidez também não foi fácil, entrei de baixa muito cedo com contrações sendo que tinha que fazer muito repouso, passei muito tempo sozinha, apesar de todo o suporte familiar e de um marido espetacular... foram tempos difíceis e depois um bebé que acabou por nascer de 37 semanas, muito pequenino e magrinho, pois a minha placenta não correspondia as necessidades nutricionais que o meu bebé necessitava, tendo o mesmo nascido de cesariana.


Os primeiros dias na maternidade também não foram fáceis, o meu bebé não pegava bem na mama foi introduzido no 1º dia de vida suplemento pois os níveis de glicémia estavam a baixar... mais uma vez as minhas expectativas tinham saído furadas... sonhei tanto amamentar, era algo que queria muito por todos os motivos e mais alguns mas sobretudo porque sabia que o meu leite seria sempre o melhor para o meu bebé ... mas infelizmente não consegui passar de 1 mês, sendo que nesse mês conheci um novo eu, um eu animalesco que gemia de dor e frustração por não conseguir alimentar a sua cria, como se me tivessem ferido das piores formas e essa dor não tivesse fim e durante largos meses não teve...

 

Era impossível falar ou ler alguma coisa sobre amamentação sem que não me sentisse culpada por não ter conseguido amamentar o meu bebé... depois um bebé que desde a primeira semana de vida até mais ou menos aos 5 meses que sofreu muito com cólicas... ou talvez agora refletindo todo o meu percurso, um bebé que absorveu muito do meu stress e que tinha como sua mãe e cuidadora uma jovem, inexperiente, assustada e cansada mãe, muito sofrida de todo o percurso que tinha antecedido o seu nascimento e agora a sua nova condição de mãe com um bebé completamente dependente de si e que se sentia perdida, impotente, exausta e muito assustada principalmente por não conseguir acalmar o seu choro.


Os primeiros meses de vida do meu bebé foram de um grande isolamento, não consegui ganhar forças para sair fazer passeios, ir a praia.... como via tantas amigas e famosas fazerem com os seus bebés nas redes sociais... Tinha um bebé que chorava muito durante grande parte do dia, que não se acalmava facilmente, nem com colo... e opiniões de todo o mundo, que era sede que era fome que era manha que era isto que era aquilo... não foi fácil... senti muitas vezes que me tinha perdido, que tinha perdido a minha essência no meio desta imensidão que é a maternidade... senti-me também muitas vezes sozinha e incompreendida e senti acima de tudo que não estava a conseguir dar conta do recado...


E a verdade é que ainda hoje, por mais que as coisas tenham acalmado... ainda há dias em que sinto isto tudo e que o medo mais uma vez toma conta de mim e que sei no fundo e por mais que eu tente não valorizar todos estes sentimentos, que sim que tive e tenho uma depressão pós parto e que apesar de já ter tentado algumas coisas, parece que ainda não encontrei aquela que me possa verdadeiramente ajudar... já fiz hipnoterapia, já dediquei mais tempo a mim mesma enquanto mulher, já passei fins de semana fora a dois, mas a verdade é que sei que ainda tenho aqui muita coisa mal resolvida e que preciso desesperadamente resolver para me voltar a encontrar e para desfrutar na sua plenitude deste bebé que não será eternamente bebé e que não tem culpa nenhuma e que precisa de mim!


Comecei acompanhar a sua página no facebook muito cedo, talvez nos primórdios da página e sempre  li muito atentamente não só o seu testemunho em relação a sua depressão pós parto como os testemunhos de outras mães que partilharam as suas histórias consigo ... e a verdade é que infelizmente neste mundo da maternidade as mães ainda são muito esquecidas no pós parto... e este tema apesar de já ser muito abordado ainda esta longe de conseguir alcançar todos os profissionais de saúde que lidam diariamente com mães e futuras mães... ainda há uma preocupação muito grande centrada no bebé que é válida e legitima, mas a verdade é que é preciso ter uma mãe tranquila e bem para que a mesma possa desempenhar na sua plenitude a bênção de ser mãe."

Porque é que o nosso cérebro se torna ansioso?

A ansiedade está presente numa grande fatia da população portuguesa, e o mesmo aplica-se quando falamos sobre saúde mental perinatal

 

Há pouco tempo li um livro sobre algumas técnicas para controlar a ansiedade, de Margaret Wehrenberg, e de uma forma bastante simples e objetiva a autora leva-nos a compreender o lado mais técnico da ansiedade. Achei curiosa a forma como fez a ponte entre a neurociência e o comportamento humano para o leitor (mesmo podendo ser o útimo leigo na questão) para que este pudesse aceder de forma mais simples a este tipo de informação. Desta forma, e tendo em conta que a ansiedade é um tema que muitas vezes é abordado quando falamos de gravidez e pós-parto, resolvi trazer aqui um pequeno resumo para responder à questão: Porque é que o nosso cérebro se torna ansioso? 

 

O cérebro integra uma rede complexa de células cerebrais chamadas de neurónios, todas interligadas entre si.

Há muito ainda para conhecer sobre o funcionamento do cérebro, contudo, algo que se sabe até agora é que todos os pensamentos que temos e todas as emoções que sentimos, são resultado da atividade cerebral, e da mesma maneira que não nos sentimos bem quando algum órgão não está a funcionar adequadamente, os nossos pensamentos e emoções podem sofrer perturbações se o cérebro não estiver a funcionar bem.

 

 

Os neurónios comunicam entre si através de mensageiros específicos, os chamados neurotransmissores. Quando há problemas ao nível da sua quantidade - podem ser insuficientes, ou suficientes, mas não conseguirem passar a mensagem de um neurónio para outro, ou estarem presentes em excesso - e qualidade - no que toca ao local do cérebro onde são recebidos, ou, por exemplo, se houverem dificuldades no recebimento da mensagem no ponto de chegada, podendo haver neurónios que não as recebem com facilidade - a pessoa pode desenvolver ansiedade, ficando preocupada, reagindo excessivamente ao stress, ficando em pânico, ou até dando demasiado importância a coisas que não a merecem.

 

O tipo de sintoma que sentimos depende do tipo de neurotransmissores que tem problemas num determinado local do cérebro.

 

Estes sintomas podem ir desde o negativismo, à preocupação, a uma maior sensibilidade à ameaça, à perda de controlo emocional, a preocupações recorrentes, à demonstração de uma atitude inflexível, à agitação geral, à inquietação interior, tensão física e mental, ataques de pânico, sensação de desespero, concentração excessiva nos pormenores, entre outros. 

 

Durante o período perinatal (que vai desde a conceção até ao pós-parto), muitas pessoas referem sentir ansiedade de uma forma geral, com vários tipos de manifestações como as supracitadas, tal como, em parte, já abordei aqui

Seja neste período, ou em qualquer outro da vida, aprender e praticar algumas técnicas de meditação e relaxamento pode ajudar a atenuar este tipo de sintomatologia. Nesta fase, o controlo da ansiedade ganha um maior relevo tendo em conta o período em questão, e a influência do comportamento materno sobre o feto/bebé.

 

Em breve falarei mais sobre algumas técnicas de meditação e relaxamento, e divulgarei algumas datas para as podermos aprender e realizar em grupo, tal como aconteceu aqui. 

 

Interessados? 

blog@mulherfilhamae.pt

Resultados do Questionário: Serviços de apoio a pessoas com experiência de Blues, Depressão e Ansiedade Pós-Parto.

Há alguns dias responderam a um questionário que lancei intitulado de "Serviços de apoio especializado a pessoas com experiência de Blues, Depressão e Ansiedade Pós-Parto".
 
Em primeiro lugar, muito agradeço a quem dispensou um pouco do seu tempo para responder ao questionário, embora já tenha tido a oportunidade de o fazer de forma mais particular.
 
De qualquer forma, mesmo para os que gostavam de ter respondido mas não tiveram possibilidade, para os que não repararam, ou para qualquer outro leitor que possa ter interesse, aqui ficam os resultados principais do questionário.
Existem mais resultados para serem trabalhados - e que serão brevemente - mas atualmente trago-vos os gerais e quantitativos.
 
 
Foram 314 as respostas que foram contabilizadas.
 
  • Relativamente às pessoas que responderam ao questionário

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  • Em relação à experiência das 314 pessoas perante o Blues, Depressão e Ansiedade Pós-Parto, chamo a vossa atenção para o facto da quantidade de pessoas que afirma ter passado por um mau momento no pós-parto, adicionada às que afirmam ter passado por uma dessas experiências, ser sempre superior à das pessoas que afirmam que não, no total.  

experiência dpp.png

experiência app.png

experiência bpp.png

 
  • Apesar dos dados anteriores, a quantidade de pessoas que afirma ter pedido ajuda é muito pouca, e ao mesmo tempo, muito próxima das que referem ter pensado em pedir ajuda, mas que acabaram por não o fazer, como podem ver de seguida:

 

ajuda dpp e app.png

apoio bpp.png

 
  • As poucas pessoas que afirmaram, em ambas as situações, ter pedido ajuda (46 pessoas), referiram que pediram ajuda aos seguintes profissionais/nos seguintes locais:

 

a quem pediu ajuda.png

 


  • Contudo, a grande maioria das pessoas afirma que se tivesse acesso a um local onde houvesse, quer promoção do bem-estar emocional na gravidez e no pós-parto, quer acompanhamento especializado no caso de desenvolverem um Blues, Depressão e/ou Ansiedade no pós-parto, recorreria a este tipo de serviços:

 


se tivesse acesso acompanhamento.png

se tivesse acesso promoção bem estar emocional.p

 

No final, 74 pessoas deixaram comentários afetos ao tema, na sua grande maioria partilhando experiências menos positivas relativas à gravidez e ao pós-parto, e outras, incentivando o trabalho dentro deste âmbito. 
 
 
Com todos os dados que resultaram das vossas respostas espero ter-vos colocado a refletir sobre o tema, e aproveito para vos convidar a visitar o site do Projeto Mulher, Filha & Mãe, onde também irei publicar os resultados deste questionário brevemente, e caso queiram fazer alguma sugestão e/ou observação com vista ao estabelecimento de parcerias e/ou aperfeiçoamento do respetivo projeto, ou simplesmente para esclarecerem alguma questão, não hesitem em contactar-me! 
 
 
blog@mulherfilhamae.pt

Workshop: Alterações emocionais na Gravidez e no Pós-Parto

No dia 17 de Fevereiro (6ªfeira), entre as 18h00 e as 19h30, estarei no Centro de atividades para grávidas, bebés e crianças - Árvore dos bebés - a falar sobre Alterações emocionais na Gravidez e no Pós-Parto

 

Podem consultar o evento no facebook, aqui.

 

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Gostavam de esclarecer dúvidas sobre o tema?

Querem conhecer outras pessoas na mesma fase da gravidez/pós-parto?

Gostavam simplesmente de trocar algumas ideias ou aprender um pouco mais sobre o tema?

 

Então não hesitem e inscrevam-se

 

Para mais informações:

geral@arvoredosbebes.pt    |     211930127

 

 

Conto convosco?

À conversa com a Ana #1 - "Pensava que ter a minha filha nos braços e amá-la seria algo automático. Não foi."

Conhecer a Ana, autora deste blogue, foi muito importante para mim. Foi a primeira vez que falei com alguém que passou por um pós-parto turbulento, tal como eu. Desde esse dia, tenho pensado quase diariamente na Ana, na sua experiência, na minha experiência, em todas as outras mulheres/casais/bebés que possam ter passado ou que estejam a passar por momentos difíceis.

 

Uma experiência assim pode marcar-nos duramente para a vida se nada for feito, no sentido de assumir, procurar e encontrar as ajudas certas. São mulheres, pais, filhos que ficam com marcas.

 

Pelo contrário, quando as ajudas certas chegam aquilo que podem fazer por todos os envolvidos é profundamente incrível. Para mim, foi a diferença entre uma relação turbulenta ou uma relação rica em significado e afetos com a minha filha. Foi a diferença entre o perpetuar de um sofrimento muito recalcado do passado, o qual eu julgava ultrapassado, e o começar a libertar-me de medos e inseguranças e sentir-me mais livre, tranquila e viva do que nunca!

 

Mas, e que ajudas têm sido essas?:

 

  • Medicação - foi o começo do processo de cura. Estava num tal ponto de ansiedade, angústia e exaustão que precisa de algo que parasse de imediato a espiral descendente em que me encontrava. Decorreram várias semanas até acertar na dosagem mas, ao final de apenas 15 dias de toma, já sentia melhorias. Prometi a mim mesma que seguiria religiosamente o que a psiquiatra dizia. Queria ficar boa e não queria recaídas. 10 meses depois, começamos a reduzir a medicação.

 

  • Psicoterapia e Shiatsu - ao fim de 6 meses com os antidepressivos, sentia que o meu organismo já se tinha reequilibrado. O sono, o apetite, as hormonas, a menstruação, todos esses processos fisiológicos estavam a entrar num ritmo “normal”. Mas a nível emocional, o coração pesava chumbo.

 

A recordação constante dos momentos vividos, a culpa por ter feito mal à minha bebé, por não tê-la tratado nos seus primeiros meses de vida com o amor e o carinho que ela merecia e o não encontrar ninguém que tivesse passado por semelhante e com quem pudesse falar, levou-me à psicoterapia e ao Shiatsu (massagem terapêutica). E aí tudo mudou! Tenho redescoberta a Ana e apaixonei-me pela minha filha! E, muito importante, tenho conseguido arrumar a minha experiência da depressão pós-parto sem que fiquem traumas. Para o que passou, fique mesmo lá atrás.

 

  • Rede de suporte - para mim é de longe uma das ajudas mais preciosas. Para me curar, tem sido preciso canalizar tempo e energia para descansar, alimentar-me bem, fazer exercício físico, ir às consultas ou às terapias, entre outras coisas. E, para isso, preciso de alguém que esteja para tudo o resto. A família, os amigos e, sobretudo, o meu marido têm sido o meu apoio. Sem eles, não conseguiria ter chegado onde estou hoje.

 

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E assim se tem feito o meu percurso de superação de algo que eu achava que nunca me aconteceria. Pensava que ter a minha filha nos braços e amá-la seria algo automático, natural, simples. Não foi. O nosso começo foi muito doloroso. Muito. Mas, hoje, eu, ela e o pai somos uma Família, feita de muito Amor.

Adoro o meu filho, mas estou sempre tão zangada e irritada!

Acabaste de ser mãe. 

 

Ninguém duvida do amor que sentes pelo teu filho, especialmente tu. Mas a verdade é que te sentes sempre tão zangada e irritada. Por vezes, capaz de berrar com o teu bebé. Não só és capaz como já gritaste com o teu bebé. Várias vezes.

E cada vez que gritas, e te zangas, mais zangada e irritada ficas.

E cada vez que gritas, mais te questionas sobre porque o fazes. 

E cada vez que gritas, mais te culpas. Mais culpada te sentes. 

 

É como uma bola de neve. 

E essa bola de zanga e irritação está a crescer.

E quanto mais cresce, mais desorientada ficas. 

E quanto mais cresce, mais dúvidas tens. 

E quanto mais cresce, mais confusa te sentes. 

 

E aí, sentes que não sabes o que fazer. 

Falas com o teu marido? Com a tua mãe? Com a tua melhor amiga? 

Será que alguém me vai compreender? - questionas. 

Tens um filho saudável, amoroso. E estás zangada. 

E quanto mais olhas para ele, mais zangada ficas. 

E quanto mais olhas para ti, mais irritada te sentes. 

E quanto mais irritada te sentes, mais culpa absorves. 

 

Não sabes se isto vai ter fim. Questionas a opção de ter sido mãe. Mas por outro lado, foi o que sempre quiseste. Ou então, será que querias mesmo? - questionas. 

 

As perguntas aumentam e as respostas não aparecem. 

E continuas sem saber com quem falar. 

 

E quantas mais dúvidas tens, mais irritada ficas. 

E quantas mais respostas se ausentam, mais zangadas te sentes. 

 

Mas será que isto vai parar? 

Serei boa mãe? 

Serei a mãe que o meu filho precisa? 

Tenho medo de ficar sozinha com ele. 

Mas não era suposto eu ser capaz? 

Pensas.

 

E quanto mais te observas, mais culpa sentes. 

E quanto mais culpa sentes, mais zangada e irritada ficas. 

 

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Mas lembra-te - agora digo-te eu - que essa zanga e irritação poderão ser naturais nesta fase. Ou então, poderão estar a perturbar-te demais, e se assim for, pedir ajuda é mesmo o melhor remédio. Porque por mais pequena que possa parecer, é sempre melhor do que nenhuma ajuda ter. 

 

 

Texto baseado nesta notícia

A relação mãe-bebé, tal como ela é.

A relação mãe-bebé, não tem de seguir padrões rígidos, inflexíveis. Não tem uma determinada textura, ou sabor. Não tem uma tonalidade totalmente afirmativa, nem um toque absolutamente suave. 

Não é completamente estática, nem anda sempre às voltas. Não é de curvas e mais contra-curvas. Não é de extremos. (Não) anda à deriva, nem se constitui numa só certeza. (Não) anda só e (pode andar) mal-acompanhada. 

Não é rosa-choque, nem verde às bolinhas roxas. Não sei se é azul. Talvez laranja?

Não anda sempre de mãos dadas com a fluorescência da felicidade, nem se encaixa permanentemente, e num para sempre, com os patins da depressão. 

Não é estanque. Por vezes é não, outras sim e/ou talvez. 

 

Parece-me que por vezes amarga, por vezes reconforta. Por vezes abraça, por vezes afasta. Por vezes envolve, e outras, simplesmente limita. 

Por vezes solta, dá força, velocidade e ação. Outras, integra dúvidas, mágoas e confusão. 

 

Faz de certo reviver, e sem tantas certezas, traz um tanto de conhecimento. 

 

É luz. É fogo. É terra. É água. É ar. Não é.

 

É o que é. Dinamismo, e vida, com esperança na segurança e sem querer absorver o oposto. Com fé no amor, sem ser sempre por todos desejada. Paira sobre o manto da família e de uma sociedade, sem ser por todos, tocada.

A relação mãe-bebé, assim o é. Por vezes branca, e por vezes prateada. Pronta para ser desenhada. Sem sombra de dúvidas de que caracteristicamente única e personalizada. 

 

 

Partilha de vivências na gravidez e no pós-parto: A importância de contar a sua história.

Ultimamente o tema "partilha de vivências no pós-parto" tem estado a ser muito debatido no meu dia-a-dia. 

Seja devido às partilhas que me têm enviado, ou por terceiros que as leem e comentam, ou por outros que têm conhecimento deste espaço no blogue - Histórias que dão a cara por esta causa - e acabam por partilhar também a sua opinião comigo, a verdade é que, muito tenho falado sobre o blogue e sobre este espaço em especial, nos últimos dias.

 

Na grande maioria das vezes, a surpresa e a satisfação estampada no rosto das pessoas quando têm conhecimento deste espaço, acaba por ser uma surpresa também para mim. Muitos acham extraordinário ter dado asas a um espaço assim. Incluo aqui, amigos, familiares, leitores e profissionais de saúde das mais diversas áreas que vou conhecendo.

 

É bom saber e sentir que há medida que o tempo passa, as pessoas vão dando cada vez mais importância a estes relatos aos quais podem ter acesso, aqui, no blogue.

 

É um privilégio poder ter a confiança destas mulheres, homens e respetivas famílias no que toca à partilha (num espaço público) de momentos tão delicados das suas vidas, como aqueles que são publicados na respetiva rubrica. E é com grande respeito e honra que os guardo em mim e os transformo em vigorosos pedaços de força para continuar a lutar pelo debate público e acesso sobre este tipo de temáticas. Para que cada vez mais pessoas possam ter acesso a informação real, fidedigna e transparente sobre um momento da parentalidade, que pode não ser tão positivo e feliz como muitas vezes se espera. E quando assim o é, há que ter em conta que ainda muito há para se aprender, dar, receber e fazer. 

 

Escrevo-vos hoje, não só para sublinhar a importância de escreverem as vossas histórias no pós-parto - sejam positivas ou menos positivas - como também para vos apelar ao seu envio das que são menos positivas e que acabam por desenvolver quadros de blues pós-parto, depressão perinatal, ansiedade e/ou psicose pós-parto, para serem publicadas na rubrica Histórias que dão a cara por esta causa. 

 

Através deste espaço, já milhares de mulheres, homens e respetivas famílias e amigos, puderam ter acesso a estas vivências, esclarecer dúvidas e refletir sobre o tema.

Várias foram as mulheres que se disseram sentir apoiadas e mais aliviadas por partilharem a sua experiência no blog com outras pessoas. 

Várias foram "as outras pessoas" que chegaram até nós através dessas mesmas vivências.

 

Sei que nem todas as pessoas se identificam com a escrita, mas escrever poderá ser terapêutico.

Nem sempre conseguimos verbalizar o que sentimos, e agarrando no silêncio ao qual nos resignamos - por vezes quando as coisas nem sempre correm como é esperado - misturado com todas as emoções que florescem e dançam em nós - mulheres - após o parto, temos a receita perfeita para desenvolver a necessidade de "deitar tudo cá para fora". Nem sempre o conseguimos fazer verbalmente, e outras vezes fazêmo-lo verbalmente mas nem sempre nos sentimos compreendidas. Outras vezes fazêmo-lo verbalmente, e por vezes somos compreendidas, mas mesmo assim, o vazio que se sente pouco se alivia. E em qualquer um dos casos, escrever, faz bem. 

Em qualquer um dos casos, escrever, obriga a refletir mais concretamente sobre o momento, e em passar para o papel, exatamente o que queremos dizer. 

Escrever, obriga-nos a concretizar. Concretizando, partilhamos através da escrita o que sentimos e que não conseguimos ver no imediato, resolvido. Também poderá não ficar resolvido assim, mas será certamente, promotor de um maior alivio, ficando registada uma vivência, que mais tarde, podemos (e devemos) passar a futuras mães/pais que conhecemos e a gerações futuras também! 

 

De todas as pessoas que me tocaram com a sua histórias guardo um grande carinho e respeito. E é em todas essas, e mesmo naquelas que não enviando, passam por situações semelhantes, que penso quando tenho dúvidas, certezas, dias menos bons, outros extraordinários, grandes e pequenas conquistas, enfim... é em todas elas que penso, enquanto caminho neste percurso.

 

 

 

Um grande bem-haja a todos vós e não se esqueçam... escrevam!

blog@mulherfilhamae.pt