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Mulher, Filha & Mãe.

Sensibilizar (para) e apoiar (na) ansiedade e depressão na gravidez e no pós-parto

Mulher, Filha & Mãe.

Sensibilizar (para) e apoiar (na) ansiedade e depressão na gravidez e no pós-parto

À conversa com a Ana #1 - "Pensava que ter a minha filha nos braços e amá-la seria algo automático. Não foi."

Conhecer a Ana, autora deste blogue, foi muito importante para mim. Foi a primeira vez que falei com alguém que passou por um pós-parto turbulento, tal como eu. Desde esse dia, tenho pensado quase diariamente na Ana, na sua experiência, na minha experiência, em todas as outras mulheres/casais/bebés que possam ter passado ou que estejam a passar por momentos difíceis.

 

Uma experiência assim pode marcar-nos duramente para a vida se nada for feito, no sentido de assumir, procurar e encontrar as ajudas certas. São mulheres, pais, filhos que ficam com marcas.

 

Pelo contrário, quando as ajudas certas chegam aquilo que podem fazer por todos os envolvidos é profundamente incrível. Para mim, foi a diferença entre uma relação turbulenta ou uma relação rica em significado e afetos com a minha filha. Foi a diferença entre o perpetuar de um sofrimento muito recalcado do passado, o qual eu julgava ultrapassado, e o começar a libertar-me de medos e inseguranças e sentir-me mais livre, tranquila e viva do que nunca!

 

Mas, e que ajudas têm sido essas?:

 

  • Medicação - foi o começo do processo de cura. Estava num tal ponto de ansiedade, angústia e exaustão que precisa de algo que parasse de imediato a espiral descendente em que me encontrava. Decorreram várias semanas até acertar na dosagem mas, ao final de apenas 15 dias de toma, já sentia melhorias. Prometi a mim mesma que seguiria religiosamente o que a psiquiatra dizia. Queria ficar boa e não queria recaídas. 10 meses depois, começamos a reduzir a medicação.

 

  • Psicoterapia e Shiatsu - ao fim de 6 meses com os antidepressivos, sentia que o meu organismo já se tinha reequilibrado. O sono, o apetite, as hormonas, a menstruação, todos esses processos fisiológicos estavam a entrar num ritmo “normal”. Mas a nível emocional, o coração pesava chumbo.

 

A recordação constante dos momentos vividos, a culpa por ter feito mal à minha bebé, por não tê-la tratado nos seus primeiros meses de vida com o amor e o carinho que ela merecia e o não encontrar ninguém que tivesse passado por semelhante e com quem pudesse falar, levou-me à psicoterapia e ao Shiatsu (massagem terapêutica). E aí tudo mudou! Tenho redescoberta a Ana e apaixonei-me pela minha filha! E, muito importante, tenho conseguido arrumar a minha experiência da depressão pós-parto sem que fiquem traumas. Para o que passou, fique mesmo lá atrás.

 

  • Rede de suporte - para mim é de longe uma das ajudas mais preciosas. Para me curar, tem sido preciso canalizar tempo e energia para descansar, alimentar-me bem, fazer exercício físico, ir às consultas ou às terapias, entre outras coisas. E, para isso, preciso de alguém que esteja para tudo o resto. A família, os amigos e, sobretudo, o meu marido têm sido o meu apoio. Sem eles, não conseguiria ter chegado onde estou hoje.

 

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E assim se tem feito o meu percurso de superação de algo que eu achava que nunca me aconteceria. Pensava que ter a minha filha nos braços e amá-la seria algo automático, natural, simples. Não foi. O nosso começo foi muito doloroso. Muito. Mas, hoje, eu, ela e o pai somos uma Família, feita de muito Amor.

Histórias que dão a cara por esta causa #22 "tive dificuldade em aceitar mas não podia adiar a procura de ajuda"

Não é fácil aceitar que se tem uma depressão pós-parto. Seja pelo estigma ainda muito associado à doença, seja (nestes casos) pela fase em que ocorre, seja pela consciência que se tem dos sintomas e/ou do impacto que têm sobre quem passa por uma, seja pelo que for, a verdade é que não é fácil.

 

Não acredito que seja fácil em circunstância alguma, mas tendo um bebé a cargo, e uma série de outras adaptações a ocorrer ao mesmo tempo, parece-me que facilmente este, poderá tornar-se num período caótico na vida de quem passa por uma depressão.

É preciso esclarecimento, mas também é preciso apoio. Muito apoio! E para esse apoio chegar é preciso pedir ajuda, e esta leitora partilhou connosco a sua história, que para mim, revela um bom exemplo de consciência sobre o problema em questão e de um pedido de ajuda (com ressonância), sendo este, o primeiro grande passo para trilhar um caminho de sucesso até à reabilitação.

 

Estas histórias tocam-me sempre muito, especialmente pela coragem que estas mulheres demonstram.

Muito obrigada pela vossa partilha!

Aproveitem também para escrever sobre a vossa experiência com a depressão, blues, ansiedade e/ou psicose pós-parto. Seja na primeira pessoa, ou não, escrevam-me! Fico a aguardar o vosso feedback.

 

blog@mulherfilhamae.pt 

 

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Boa noite.

Gostaria de dar o meu testemunho.  Neste momento estou a passar por um depressão pós parto! Fiquei sem dormir duas semanas , sentia-me desorientada, sem perceber o porquê. Até que fui à médica de família e receitou-me um antidepressivo.  Nessa altura tive muita dificuldade em aceitar que estava doente.  Não havia motivos, pensava eu ! A verdade é que, analisando bem toda a minha vivência, fiz algumas mudanças na minha vida antes da minha segunda filha nascer , mudei de casa , de sitio...
A gravidez correu bem, o parto maravilhoso, os momentos após o parto tb, mas passado alguns meses entrei numa depressão. 
Inicialmente tive alguma dificuldade em aceitar mas percebi que não podia adiar a procura de ajuda . Comecei a medicação mas ainda hoje estou a ajustar a dose pois ainda não sou a pessoa que era.
Diariamente invadem-me pensamentos negativos que me deixam mais debilitada.  Luto e tento dar um significado aos mesmos mas é uma luta constante com a mente.  
Daqui a uns tempos espero conseguir olhar para trás e sentir que esta experiência de vida me tornou mais forte.
 
Obrigada.

"Presenciei na minha filha a angústia e a ansiedade dos primeiros dias do pós-parto"

Há pouco tempo enviei um email com uma mensagem que já andava há muito para partilhar com as mulheres e respetivas famílias que têm partilhado pedaços das suas histórias aqui no blogue, nas Histórias que dão a cara por esta causa e em outros momentos. 

 

Recebi respostas inesperadas, que não pude deixar de comentar e de trazer, com a respetiva autorização, de novo para este espaço. Especialmente por considerar que podem ser fontes valiosas de partilhas que a terceiros muito podem/poderão ajudar.

 

A resposta da Maria Leonor foi uma das respostas inesperadas que vos falo.

Já tinha partilhado connosco uma história que viveu enquanto cunhada, na década de 80. E hoje, partilha connosco uma história que viveu enquanto avó, há relativamente pouco tempo e que toca essencialmente na temática do baby blues e da depressão pós-parto.  

 

Partilhem também as vossas histórias! Façam como a Maria Leonor, que enquanto avó, também tem uma voz, também tem a sua visão, e também tem o seu lugar de quem apoia, e de quem precisa de ser apoiado enquanto vivência este tipo de realidade. 

 

blog@mulherfilhamae.pt

 

"Olá Ana

 

Da ultima vez que lhe escrevi contei a historia de um familiar com realidade de depressão pós parto.

 

Entretanto já fui avó de um lindo menino que nasceu em Agosto de 2016, e presenciei ao longo dos dias na minha própria filha a angustia e a ansiedade dos primeiros dias, até porque o bebe nasceu prematuro e os cuidados foram maiores, no entanto houve dias em que senti que a mãe (minha filha) se encontrava na fase dos baby blues acho que é assim que se diz.

 

Mas estes baby blues não são mais do que o começo das depressões, no entanto talvez com a sua formação em enfermeira teve o discernimento para ela própria evitar que a depressão se instalasse, também conversamos e manteve conversas com as amigas recém mamas, e acho que toda a ajuda pela positiva é necessária nestes primeiros dias, não julgar, não interferir, não baralhar, não dar palpites, e estar presente com energias positivas é primordial para que a recente mãe se sinta calma e sem stress.

 

Mas é imperioso que se fale neste assunto, porque o mesmo é muito abafado, porque se espera demasiado de uma recente mãe, porque está gorda, porque o bebe não mama, porque tem que sair e fazer a vida normal, porque mil e uma coisas e nada disso é real, a realidade são as 24 horas em que dedica toda a energia a um ser recém chegado, que não conhece e que não nos conhece, que chora e não sabemos porquê, que implora atenção, que depende totalmente de nós.

 

Não devíamos exigir tanto de uma recém mãe.

 

Muito obrigada pelo trabalho que tem feito, qualquer ajuda não hesite em pedir.

 

Beijinhos."

Histórias que dão a cara por esta causa #20 - "Considerava a Depressão Pós-Parto algo sem sentido, mas a verdade é que não se controla"

Foi excecional o contributo desta leitora para o blogue. 

Não falo só em termos de testemunho na primeira pessoa que partilha - o que em muito já contribui para a divulgação ativa do tema - como também da força que me transmitiu enquanto mulher e mãe. 

 

Há dias complicados por trás deste ecrã. Dividir o tempo entre a Família, Amigos, Mestrado, Trabalho e Blogue nem sempre é fácil. Especialmente porque adoro tudo o que faço. Amo a minha família e amigos, adoro o mestrado que faço, assim como o percurso profissional que estou a traçar atualmente, e adoro escrever!

E num dia mais confuso, esta leitora transmitiu-me uma forte mensagem, que ainda me motivou mais a fazer a gestão que faço todos os dias. Quando o resultado é este, só pode haver um caminho: continuar!

 

Obrigada minha querida! 

Partilhem também as vossas histórias relativas à Depressão Pós-Parto, sejam na primeira pessoa, sejam companheiros, filhos, amigos, vizinhos, tios, primos, etc. Tragam-me as vossas visões sobre o tema! Partilhem as vossas opiniões e vivências. Vamos falar sobre o assunto! 

 

blog@mulherfilhamae.pt

 

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"Olá Ana, Tenho lido vários artigos que tem publicado no seu blog e sempre que leio fico com uma enorme vontade de lhe falar. Tenho vindo a adiar, talvez por comodismo, privacidade e receio de falar do que me é frágil, mas chegou o dia.

Eu sou a (leitora), tenho 27 anos e fui mãe há 1 ano atrás. As coisas agora estão melhores mas no início não foi nada fácil. Tinha uma enorme vontade de ser mãe e as minhas expectativas estavam demasiado elevadas em como tudo ia correr como eu mais desejava, principalmente em relação à amamentação. Não aconteceu! Estive três dias no hospital após uma cesariana que correu lindamente, recebi imensas visitas que não me incomodaram porque sabia que tinham tempo limitado, a minha filha nasceu bem e saudável; e tive o apoio de todas as enfermeiras na adaptação da bebé ao peito (depois de durante toda a gestação ser bombardeada com a questão de que o leite materno é o melhor para o bebé por variados motivos, e atenção, sou completamente de acordo).

Chegados a casa, tudo começou a ficar mais confuso... Os amigos que não tinham ido ao hospital marcavam visitas para lá ir a casa o que senti que me começou logo a afectar. Queria estar sozinha, não tinha vontade de estar com mais ninguém para além da minha filha, todas as perguntas me perturbavam, até as mensagens que recebia a perguntar constantemente se estava tudo a correr bem, enfim...

No meio de tudo isto comecei-me a aperceber que a minha filha não ficava saciada com o peito até que resolvi tentar extrair com a bomba para ter ideia da quantidade que estava a produzir. Em 20 minutos saíram 4 gotas... não tinha leite! Aí sim, senti que não fiquei bem, aliás, ainda hoje me julgo e pergunto o porquê de não lhe ter conseguido dar o melhor que dependia de mim. Confesso que ainda é um assunto bastante delicado. Fiquei obcecada pela minha filha ao ponto de rejeitar o pai, para mim era só eu e ela, não era preciso mais ninguém. Chorava muito enquanto olhava para ela a dormir, e pensava que era o acumular de tanto amor, de tanta felicidade, mas já não era.

O tempo foi passando e eu tive plena noção de que não estava bem mas não era capaz de falar com ninguém sobre isso. Pensei, "não vou procurar ajuda médica porque me vão medicar e eu não quero ficar dopada! Ninguém me vai entender! Vou ter força interior para ultrapassar tudo isto sem que ninguém perceba!". Assim fiz, não foi nada fácil, passava muito tempo sozinha com ela e sempre que ela dormia (que era muito tempo) era o desespero total sem conseguir explicar o motivo.

Sempre achei as depressões pós-parto uma coisa sem sentido, sempre pensei "como alguém pode entrar em depressão quando é suposto ser o momento mais feliz das nossas vidas?!", é verdade, não deixa de o ser mas é algo que não se controla. Hoje em dia já me sinto melhor, só há pouco tempo é que comecei a falar com os meus familiares sobre o que passei, inclusive com o meu marido, e para meu espanto e uma certa tristeza soube que ninguém deu por nada... Sinto-me bem, embora emocionalmente mais sensível, sou feliz mas tenho alguns receios para o futuro.

Não me sinto minimamente preparada para pensar num segundo filho, tenho muito medo de ter que passar por tudo isto outra vez... e outro dos meus medos é que esteja com uma depressão mal tratada que a qualquer momento me deite abaixo. Desculpe todo este desabafo.

Esta é a minha história e obrigada pelo seu contributo com o blog porque certamente vai ajudar outras mães que possam estar a passar pelo mesmo. Infelizmente tenho a sensação de que só "nós" nos entendemos. Um beijinho."

Histórias que dão a cara por esta causa #19 "Estava exausta mas não conseguia relaxar ou dormir, era uma tensão 24h por dia"

Uma leitora do blogue contactou-me para a ajudar no inicio de um projeto na área da saúde mental perinatal. Começando a falar sobre o que a levava até esse projeto compreendi que por trás havia uma história que dava a cara por esta causa. Uma história muito forte, muito dura e com um final muito feliz também.

Uma história de uma longa depressão pós-parto, mas que, para além de superada, revelou-se um excelente motor para ir em busca de uma resposta mais estruturada para esta área, num outro país: o Brasil.

 

Enviem-me as vossas histórias também! Quanto mais histórias acumular-mos nesta rubrica, maior será a visibilidade para esta temática também. 

 

blog@mulherfilhamae.pt

 

 

 

Aos 25 anos de idade me casei de véu e grinalda, realizava a primeira parte do sonho de ter uma família para chamar de minha. Para quem vem de uma família de origem desorganizada, ter uma família de verdade era a realização de um sonho de uma vida inteira. Com 3 meses de casada, disse ao meu marido que queria um filho, a princípio ele achou que era cedo, mas como já morávamos juntos há 5 anos e não sabíamos quanto tempo demoraria para engravidarmos, ele topou. Parei o anticoncepcional e 15 dias depois veio o positivo.

Foi um choque a rapidez da gravidez, mas estávamos muito felizes.

Sou psicóloga e já fazia terapia há alguns anos, nessa época trabalhava em uma escola com crianças deficientes. Era um trabalho puxado e tinha medo de que algum aluno pudesse ter um episódio de agressividade e algo acontecer com meu bebê. Resolvi pedir demissão e curtir esse momento tão especial sem stress.

 

Quando engravidei, minhas duas primas também estavam grávidas. Vivemos momentos deliciosos, compartilhando a nossa gestação.

Sempre fui magra, mas engordei 20kg na gravidez. Foi a partir daí que os problemas começaram. Ficar em casa os 9 meses, fez aquela espera não ter fim. Passava o dia comendo, sentia muita fome e o prazer em comer era algo inexplicável. Não me reconhecia no meu corpo, tomava broncas do médico que fez meu pré natal. Lembro que sempre perguntava ao meu marido se parecia que eu era gorda ou grávida. Nessa fase minha auto estima já estava baixa.

 

Meu bebê nasceu em novembro de 2009, foi o dia mais feliz da minha vida. Uma cesárea tranquila, com uma recuperação ótima. Me lembro de sentir uma realização em ter a família que tanto quis... Mas os dias que se seguiram não foram assim.

Tive muita dificuldade em amamentar, sentia muita culpa por isso. Dava o peito, tirava com a bomba, mas meu bebê nunca estava satisfeito. O primeiro complemento foi ainda na maternidade, meu leite secou com 1 mês e meio. As noites mal dormidas acabavam comigo, havia uma ansiedade por descansar, para ter um momento para dormir, mas a minha atenção com o bebê era tanta, que não conseguia relaxar, estava sempre em alerta e tinha dificuldade de dormir e descansar. Minha terapeuta me apontava que eu dava sinais de depressão pós parto, mas eu achava aquilo um absurdo. Afinal, como eu estaria deprimida se estava realizando um sonho.

 

Quando meu bebê completou 3 meses, comecei a somatizar a depressão que não assumia. Passei um mês com vômitos e diarreia, fiz diversos exames, mas nada dava alterado. Nessa época, meu apetite foi embora, já quase não me alimentava. O cansaço era tanto, estava sempre alerta, começaram os episódios de insônia.

Entre esses sintomas, tinha muitos altos e baixos, a psicoterapia me ajudava e me deixava bem, mas de repente me afundava. Minha terapeuta pediu que eu procurasse um psiquiatra, a consulta estava agendada para algumas semanas para frente. Até que... Passei 3 noites seguidas em claro, meu marido levantou para ir trabalhar e eu tive mais uma crise de choro.

Dizia que não conseguia comer e dormir, que não conseguia fazer o básico por mim, como eu ia cuidar de um bebê sozinha? Ele pediu que eu antecipasse a ida ao psiquiatra, naquele mesmo dia passei pelo médico e iniciei duas medicações. A primeira para eu dormir, que deveria ser usada por 7 dias e a segunda um Antidepressivo que demoraria 15 dias para começar a fazer efeito.

Já estava fazendo terapia 2 vezes por semana há algum tempo. Nesse época, a funcionária que tinha em casa pediu demissão e até acertarmos alguém demorou um tempo. Precisei de alguém que me ajudasse com o bebê. Tinha uma preocupação excessiva com ele, como se ninguém tivesse a capacidade de cuidar dele bem. Me lembro que não tinha energia para nada, passava os dias deitada, olhando para a parede. A funcionária que me ajudava ficava brincando com meu bebê, eu levantava a cada três horas o alimentava, trocava a fralda e voltava para cama. Estava exausta mas não conseguia relaxar ou dormir, era uma tensão 24h por dia.

Emagreci 20 kg no primeiro ano de vida do meu filho, achava meu corpo horrível. Se meu marido não fizesse meu prato de comida e me colocasse sentada na mesa eu não comia. Passava longas horas sem comer nada.

Com a medicação e a terapia fui melhorando e quando meu bebê tinha 10 meses voltei a trabalhar, e isso foi tão fundamental como o acompanhamento psicológico e psiquiátrico que tinha. Fiquei muito estressada por estar longe do meu filho, como trabalhava numa escola, quando ele completou um ano, ele entrou na escola. Nessa fase, comecei a retomar a minha vida. Porém, o primeiro semestre do meu filho na escola, foi de muita infecção. Ele teve otites de repetição, nenhum médico descobria porque meu filho não melhorava com o tratamento. Foram 4 meses de antibióticos, muita febre, sem ajuda para dar conta de filho doente e trabalho.

Com um ano e meio ele operou o ouvido e a adenoide, e eu perdi mais 10kg.

Nessa época eu havia parado com os antidepressivos, tive que voltar a tomá-los. Fiz manutenção do tratamento e aos poucos fui me curando dessa maldita depressão. Desde essa cirurgia, até os 4 anos de idade meu filho sempre teve muitas infecções e eu dizia que não queria outro filho, que nao tinha a menor condição de reviver tudo aquilo. Até que... Mudamos o tratamento do meu filho, ele parou de adoecer e passamos a viver uma vida normal.

Nessa época, eu já estava recuperada da depressão pós parto, mas em conflito com minha vida profissional, sentia que trabalhava muito e não me dedicava o suficiente ao meu pequeno. Meu filho me pedia por um irmão e eu sentia que havia espaço para outro filho na minha vida. Já não fazia acompanhamento psiquiátrico, mas continuava com a terapia, pois sempre adorei.

 

Em maio de 2015 nasceu meu caçula, dessa vez me preparei muito para essa gestação para não reviver aquela maldita depressão. Meu caçula me ensinou como é possível ser mãe de um bebê e saudável ao mesmo tempo. Foi muito importante para que eu resgatasse a minha história e me orgulhasse do meu caminho.

 

Hoje, conciliei minha profissão de psicóloga clínica e minha história de vida para ajudar outras mães que sofrem os conflitos da maternidade. Tenho muito orgulho da minha história e da minha superação. E vejo, como foi preciso eu viver no fundo do poço para poder ajudar outras mães da forma que fui ajudada. Espero que minha história sirva de incentivo para as mulheres que vivem uma depressão e as ajude a buscar um tratamento adequado.

Histórias que dão a cara por esta causa #18 - "Tinha falta de vontade de tomar conta da bebé que chorava e eu não ligava"

É sempre com grande estima e interesse que leio os testemunhos que me enviam! 

Para mim todos eles têm um lugar cativo, pois de certo que todos já ajudaram muitas outras mulheres e respetivas famílias a tomarem consciência, ou a aumentarem a sua consciência, sobre o baby blues e a depressão pós-parto. 

 

A Ana enviou-se o seu testemunho há poucos dias, e tal como lhe disse, deixou-me perplexa perante o que relatou, e ao mesmo tempo, pela força que demonstrou ter perante todas as adversidades, tendo em conta as circunstâncias referidas pela própria. 

Melhor! Para além da partilha, ainda deixou uma mensagem muito assertiva, sentida e realista a todas as pessoas que possam estar a passar por esta problemática, tal como ela. Curiosos?

 

Podem lê-la no final do testemunho, e não se esqueçam que também vocês podem contribuir para que todos tenhamos uma consciência maior sobre esta problemática. Enviem-me o vosso testemunho, tal como a Ana fez, para blog@mulherfilhamae.pt

 

 

Olá, eu sou a Ana, tenho 35 anos, mãe de dois filhos e sou acompanhada em psiquiatria desde 2011.

Em 2011 estava já a tentar engravidar há quase dois anos, tínhamos já feito alguns exames para saber se estava tudo bem e não foi identificado nenhum problema. Simplesmente não acontecia... e de repente, da noite para o dia, ela veio sem eu me aperceber. Foi a primeira noite sem dormir, na almofada só ouvia o bater do meu coração a 100km/h. Cada vez que fechava os olhos, uma avalanche de coisa e tinha de os abrir. E os pensamentos a mil à hora, tudo de repente me pareceu estanho, eu era estranha, a casa era estranha, o meu R. era estranho. Parecia que andava assustada, em permanente estado de alerta. Vim depois a saber que era ansiedade, a resposta que temos perante o perigo, mas aparentemente sem razão, como eu lhe chamo, patológica. Nos dias seguintes o quadro manteve-se, não conseguia dormir, não conseguia controlar a velocidade dos pensamentos, e comecei a não conseguir comer. Para além disto tudo, senti-me muito apática, sem energia, agoniada, mas não conseguia chorar e o meu corpo pesava chumbo. Tudo era um sacrifício. Andar, comer, falar... tudo. E eu sentia-me culpada por estar assim, por não me sentir bem em lugar nenhum, por estar a causar sofrimento ao meu marido e a às pessoas que me rodeavam. Mas pedi ajuda passado poucos dias. Marquei uma consulta de psicologia e após a consulta chegou-se à conclusão que estava a vivenciar um episódio depressivo com a companhia da amiga ansiedade. Falar ajudou, por momentos sentia que voltava ao meu eu, mas rapidamente tudo ficava igual. Ficou combinado relaxar, comprar qualquer coisa de origem vegetal para tentar dormir, continuar a psicoterapia e se a coisa piorasse procurar o médico de família. Mas o principal nunca estabilizou, o dormir, e depois de 2 semanas de muito penar, decidiu-se avançar para o tratamento com calmantes e antidepressivos e a coisa começou a melhorar.... Chegou-se à conclusão que o primeiro episódio foi despoletado pela dificuldade em engravidar, talvez por ter exigido muito de mim, não sei. Aos olhos de hoje, e pelo que conheço de mim agora, o episódio apareceu porque tinha de aparecer, porque a depressão é uma doença como outra qualquer e pode aparecer sem qualquer razão aparente e, à luz do que fui aprendendo na psicoterapia, sempre tive uma personalidade propícia a isso.

Como estava a tentar engravidar, o médico de família sugeriu consultar mesmo um psiquiatra. Mudei de medicação, para um antidepressivo compatível com uma gravidez, mas nunca falei disso a ninguém. Só os médicos e o meu marido é que sabíamos disso, para evitar muitas explicações e também por receio do que as outras pessoas poderiam dizer. Havia risco de tomar, como quase todos os medicamentos que se tomam, mas os benefícios eram muito superiores e já havia um grande suporte científico. Engravidei, tentou-se retirar a medicação, mas recaí, voltou-se a tomar, e deixei quinze dias antes do parto. Correu tudo bem, imediatamente a seguir ao parto, voltei a sentir-me muito bem, como já não me sentia à muito tempo e acho que não tive babyblues. Tudo correu bem à exceção da amamentação. A anatomia não me favoreceu e foi a parte mais complicada do pós-parto. Ainda tirei muito leite com bomba, mas acabava por ser muito extenuante e aos poucos fui deixando. Em relação a tudo o resto, parecia correr às mil maravilhas, estávamos a lidar todos bem com as noites mal dormidas, havia energia para fazer o dia a dia, estávamos muito felizes com a catraia e eu até estava surpreendida comigo mesma. Até que às 6 semanas pós-parto, quando supostamente as hormonas já estabilizaram, a ansiedade apareceu com pezinhos de lã. Ainda tentei resistir ao seu avanço, com as técnicas que fui aprendendo, mas quando ela vem é muito avassalador. E lá apareceu a apatia, a falta de vontade, a tristeza e agora um sentimento de incapacidade e de falta de vontade de tomar conta da bebé, que chorava e eu não ligava. Com quem não tinha vontade de interagir e que tinha à bem pouco tempo começado a esboçar os primeiros sorrisos e nada significavam para mim. Como sabia o que se estava a passar, pedi ajuda o mais rapidamente possível e tudo voltou a entrar nos eixos. Voltei a engravidar, ainda em tratamento. Pelo historial que tinha, a médica achou por bem continuar com a terapêutica. Deixei novamente apenas antes do parto e depois o cenário também se repetiu, tudo óptimo após o parto, tudo a correr bem, conseguia gerir tudo inclusive, o novo rebento e a mais velha, por vezes, sozinha, até que após a fase da euforia pós-parto, a dita voltou e eu voltei ou continuei com o tratamento.

Não sei se o que tive foi DPP ou uma recaída do que já me tinha acontecido, mas como foi também depois do parto, acho que é interessante partilhar. O conselho que eu posso dar é que sempre que sintamos que algo não está bem, não devemos ter medo ou receio de procurar ajuda. O pior que podemos fazer é tentar resolver as coisas sozinhos, pois muitas vezes isso pode acabar mal, como muitas vezes ouvimos. O conforto do companheiro, das familiares e dos amigos é óptimo e devemos aproveitar, mas não devemos ter medo ou receio de procurar ajuda médica e muitas vezes fazer opções que podem parecer egoístas, mas que são a melhor solução para o nosso bem-estar e isso é sem dúvida o mais importante, no dia a dia e na maternidade/paternidade. E, muito menos, nos devemos estigmatizar por ter de recorrer a tratamento com medicamentos, eles são uma ajuda preciosa e a depressão é uma doença como outra qualquer, muitas vezes com característica de crónicidade, como os diabetes, a hipertensão, entre outras. Existe é um estigma social ainda muito grande em relação a esta doença e fala-se muito pouco, quanto mais quando ela aparece numa fase da vida da mulher, em que tudo deveria ser um mar de rosas....sem espinhos :P

Termino este testemunho que já vai muito longo, com umas palavras que me ficaram retidas na memória num workshop que fiz antes de ter a minha primeira filha, relacionado precisamente com a depressão pós-parto. O melhor que se pode fazer é prevenir a DPP e isso inclui procurar o máximo de informação ou ter acesso a ela. E isso passa pela divulgação nos serviços pré-natais e em outros meios mais informais, com é o caso deste blogue. Porque a prevenção não nos torna imune à DPP, mas dá-nos conhecimento e armas para saber actuar, se for necessário.

Obrigada.

Histórias que dão a cara por esta causa #17 - "A depressão começou a instalar-se e eu não me apercebi"

Há pouco tempo fui contactada pela Joana. Uma leitora que já segue o blogue há algum tempo, e que hoje, passados alguns meses, sentiu que era o momento certo para descrever um pedaço da sua história, tendo a coragem de falar "em voz alta" sobre o caminho que tem trilhado pela depressão pós-parto. 

 

Mais uma história que me prendeu do inicio ao fim, e me fez refletir sobre o sofrimento que muitas mulheres experimentam em silêncio, muitas vezes sem o apoio necessário numa fase tão delicada e que se pode tornar numa das mais marcantes de suas vidas. 

 

Obrigada Joana, por ter partilhado connosco a sua experiência e por contribuir para que mais mulheres e respetivas famílias tomem consciência da presente problemática, que frequentemente vamos abordando por aqui

Enviem-me também as vossas histórias. Juntos, falamos mais alto e chama-mos à atenção de um maior número de pessoas para problemas como a depressão pós-parto e para outros que integram o leque da saúde mental perinatal

blog@mulherfilhamae.pt

 

 

 

"A minha gravidez foi desejada, mas mais tarde as incertezas e inseguranças instalaram-se.
Pelo pai do meu filho eu tinha engravidado três meses após nos termos juntado. Mas eu achava que era cedo ser mãe com 25 anos, consegui demove-lo da ideia ,porque nós tínhamos primeiro que nos adaptar à nossa vida de "casados". Em Fevereiro de 2007 deixei de tomar a pílula e assim começar a tentar engravidar.
Depois de três testes darem negativos resolvi desistir e focar-me nas férias de verão. Quando regressei em Setembro resolvi fazer outra vez o teste da farmácia,deu positivo foi uma alegria para todos.
Fui à médica que ralhou comigo por não ter preparado o corpo para a gravidez se dar.
Já estava grávida de seis semanas. A gravidez foi santa sem enjoos, sem desejos por ali alem. O meu parto foi no Garcia da Orta, nada a apontar, fui bem tratada. Depois de dar à luz tudo começou a desabar.
Tudo começou quando a minha mãe quis mudar a fralda ao neto no hospital e a minha ex-cunhada tentou ensinar à minha mãe como por a fralda ao neto.
A minha mãe disse que sabia como mudar a fralda ao neto ,tendo em conta que a minha mãe já tinha tratado das 3 filhas, sobrinhos e filhos das vizinhas.
Quando chegamos a casa já estava desgastada, com uma dor de cabeça que não me aguentava efeito da epidoral e todos a quererem estar com o Diogo.
A minha sogra foi prestável fez me uma sopa e arranjou queijo fresco que eu não comia na gravidez por não ser imune à toxoplasmose.
Depois foi quando começou o nosso desentendimento.  banho que ia dar ao bebé  e o ex-marido gritou para ter cuidado, porque dizia que eu ia deixar o nosso filho escorregar  dos meus braços para dentro da banheira.
Durante quinze dias ele deu o banho. Bati o pé porque queria ter também aquele momento para mim. Pedi-lhe para trocarmos as tarefas. Não aconteceu. Passei a dar banho ao bebé, a por mesa ,a fazer o jantar,levantar mesa e por a máquina a lavar a loiça.
Resumidamente passei a fazer tudo. Depois deste desgaste todo ainda tinha que ter disposição para a nossa intimidade.
A minha mãe ,esteve em nossa casa há hora do banho do neto, todos os dias. O ex-marido queixava-se que a minha mãe estava sempre la em casa.
Desabafei com ela começou-se a queixar porque não me pus no lado dela para a defender ao mesmo tempo chorava, porque queria ver o neto ainda por cima era o primeiro.
Andei a ter discussões com o ex-marido e mãe. Se soubesse o que sei hoje tinha me posto do lado dela e não dele.
A depressão começou a instalar-se e eu não me apercebi,ate ao dia que a médica me pergunta se ele me ajudava comas tarefas e eu desato num pranto.
Tinha o Diogo seis meses quando comecei a tomar anti depressivos. O meu filho já não mamava porque ele mordia o mamilo ate adormecer então começou a comeras sopas e papas.
A noite chegava e depois de jantar já não fazia companhia e ia para o café . Ficava ali a noite sozinha com o nosso filho. Em dias de fim de semana era ate as tantas no café. Eu abdiquei de certas coisas e ele fazia vida como se fosse solteiro. Tivemos altos e baixos até ao dia que não aguentei e acabei tudo. Até ao dia da separação dormia com o meu filho na cama dele. O Diogo tinha 3 anos a um mês de fazer os 4 quando voltei para casa dos meus pais.
Depois da separação tomei outra vez anti depressivos.
Isto já é de família temos tendência  a depressões. Este ano fiz outra vez a toma destes malditos comprimidos.
A causa para os ter que tomar foi a violência doméstica. Já esta tudo resolvido, graças a Deus.
Em relação ao pai do meu filho,já resolvemos todas as nossas divergências e passado estes cinco anos resolvemos falar tudo o que não falamos na altura.
Eu? Eu continuo a lutar para alugar uma casa e deixarmos de uma vez por todas a casa dos meus pais.
Obrigada por despender estes minutos par ler esta experiência que tive na minha vida.
Não estou nada arrependida por ter tido o meu filho. É tudo o que eu tenho e mais gosto na minha vida." 

Histórias que dão a cara por esta causa #16 - "ela veio para casa e não olhava sequer para o bebe"

Incrível a história que hoje vos trago. 

Uma partilha robusta, clara, e bastante demonstrativa do quão a depressão pós-parto pode afetar a mulher, assim como a respetiva família. 

 

Leiam e partilhem. Pois esta história passou-se na década de 80, assim como tenho a certeza que existirão muitas mais nessa época, ou previamente à mesma, que também poderão ser aqui partilhadas. 

 

Contem-nos também a vossa história, e juntos, vamos reforçar a importância de se abordar com maior frequência e abrangência, esta problemática!

blog@mulherfilhamae.pt

 

 

Boa tarde

 

Quero deixar a titulo póstumo à minha cunhada a sua pequena grande historia de depressão pós-parto, que hoje eu com 52 dois anos, sei que ela muito sofreu.

 

A minha cunhada viveu sozinha a primeira gravidez, longe dos pais, o meu irmão estava na tropa na Marinha e era eu com 14 anos na altura que dormia com ela e acompanhava nas consultas ao centro de saúde.

 

A relação dela com os meus pais não era a melhor, mas era tratada com respeito, mas sem o elo de ligação e sem o verdadeiro amor que ela necessitava.

 

Lembro-me no dia 30 de abril de 1978, a Zé, apareceu aflita a dizer a minha mãe que estava com sinais de parto, foi logo levada para o Hospital mais próximo cerca de 20 kilometros e ai foi deixada para dar à luz, sozinha, ainda era de manha a minha mãe veio para casa e esperamos algum tempo para telefonar ao hospital e saber noticias suas ( estava sozinha, num hospital que não conhecia sem qualquer apoio). Nessa tarde fui a rua e para espanto meu (14 anos) vi a Zé na rua com a sua mala e gritei para a minha mãe que ela estava ali o que se passava?

 

Sozinha e sem ninguém, fugiu, veio para casa, a minha mãe entrou em stress, chamou uma parteira local e nessa noite já dia 1 de Maio nasceu o meu primeiro sobrinho, saudável, lindo, só o pude ver na manha seguinte, fui eu que o pesei, que o vesti e fiquei lá em casa para ajudar a Zé, acho sem sombra de duvida que fui o seu principal apoio naquela altura, lembro-me que ela dormia e eu cuidava do bebe, ainda assim como miúda que era sentia-me responsável pelo meu sobrinho que amo incondicionalmente.

 

Notei e lembro-me uma ou outra vez que ela estava distante e que me agradecia por tratar do filho.

 

Passaram alguns anos, casei com 21 anos e tive a minha filha, correu tudo bem comigo e com ela, a minha mãe ajudou-me muito no inicio fui trabalhar ao fim de duas semanas do parto (nesse tempo não havia licenças) e tudo foi correndo bem.

Um ano depois estava de novo a Zé grávida, a minha bebe tinha um ano e ia nascer mais um sobrinho para mim, aconteceu que no dia em que a Zé soube que ia ter outro menino ficou em agonia, porque soubemos mais tarde queria uma  menina como a minha.

 

O meu segundo sobrinho nasceu em Junho de 1988, nessa altura o meu irmão acompanhou a Zé ao Hospital de Beja onde  o segundo filho nasceu,  mas tudo começou a correr mal quando ela não quis ver o próprio filho e teve atos de violência para com o meu irmão e os próprios pais dela.

Soube imediatamente que havia um problema que se tinha instalado, o bebe veio para a minha casa, cuidei dele e da minha filha com a ajuda preciosa da minha mãe, quando quisemos ir procurar as roupas para o bebe não havia nada, tivemos que pedir e comprar, foram meses difíceis, ela veio para casa e não olhava sequer para o bebe, tinha alucinações, e foi internada para tratamento psicológico, estava com uma forte depressão que já estava instalada há muito tempo.

 

Temo que o seu historial de vida era complicado, julgo que havia uma falha grave no seu sistema nervoso o que se veio a concluir quando com 53 anos foi vitima de cancro e desde o primeiro dia se rendeu à doença até ao dia em que faleceu.

 

Hoje esse meu primeiro sobrinho é pai de uma menina e por muito que me custe admitir, sei que ele a ama, mas não consegue demonstrar, separou-se da mãe da filha e é muito distante dela. (FATALIDADE? GENES?) tento perceber………..

 

Obrigada por me darem esta oportunidade de contar e de certo modo aliviar-me a mim própria, penso muitas vezes se podia ter feito mais por ela nessa altura mas fiz o que pude e na doença estive a seu lado até ao momento da sua morte.

 

Ah já agora, vou ser AVÓ.

 

Beijos

 

 

Maria

Histórias que dão a cara por esta causa #15 - "triste por não ter tido o apoio de quem tinha a obrigação de dar...."

A Gabriela, uma leitora que encontrou há pouco tempo o nosso blogue, decidiu partilhar connosco a sua experiência no pós-parto da sua segunda filha, que hoje tem 2 anos e 6 meses. Uma filha que veio oito anos depois da primeira. 

 

Tal como muitas leitoras têm vindo a referir, sentiu que poderia ter tido mais apoio de quem estava a seu lado, e hoje, após o diagnóstico da sua depressão, fala-nos na primeira pessoa, sobre um pedaço da sua história. 

 

E vocês, de certeza que também têm uma vivência para partilhar!

Enviem-na para blog@mulherfilhamae.pt

 

 

Olá!


Não conhecia este blogue e gostei imenso do que acabei de ler da sua pp experiência.


Tenho 42 anos, uma filha de 10 anos e 5 meses e outra com 30 meses.
Na primeira filha ela nasceu após um mês do meu sogro falecer, claro está q o meu marido esteve tudo menos ao meu lado e sempre visitas atrás de visitas sem puder descansar e após uma cesariana. A sorte é q ela era um sossego, uma doçura mm. Foi-me mantendo rija com mt apoio dos meus pais e irmãs.


Na segunda filha tinha uma de 8 q começou a exigir o triplo da atenção q já tinha e uma bebé q nunca dormiu uma noite seguida (só agora recentemente é q temos uma ou outra noite seguidinha).


Aí fui eu q disse q não queria tantas visitas, mas no inicio chorei mt pq a recém-nascida ocupava-me mt tempo e sentia-me impotente e tb sentia q não dava a atenção q a mais velha precisava. O meu marido chegava sempre tarde por norma pois trabalha por conta pp.


Tive uma depressão qd a mais velha tinha dois anos, e hj é o dia q tomo ansiolítico de manha e vitaminas para me manter rija. Claro q tou mt feliz com as minhas riquezas mas qd penso em alguns pormenores do pós-parto a nostalgia apodera-se de mim e de certa forma triste por não ter tido o apoio de quem tinha a obrigação de dar....


Felicidades!


Gabriela

A minha mãe sempre foi uma super-mulher. Querem perceber porquê?

Então aqui fica um pedaço (mesmo muito pequenino) da história do (segundo) pós-parto da minha mãe. 

 

Nem sempre foi fácil. Há coisas que me lembro, outras que tenho uma vaga ideia e outras que não ficaram registadas.

E é "interessante", pois eu não sabia de muita coisa, até há bem pouco tempo. Desde que fundei o blog que ambas fomos fazendo mais reflexões sobre os diversos temas que eu ia trabalhando e colocando no blog. Cada uma à sua maneira. Ela como mãe. Eu como filha. Ela como filha. Eu como mãe. E muitas foram as conclusões a que fomos chegando. 

 

Um dia desafiei-a a partilhar aqui alguns momentos e... nunca pensei que aceitasse. Mas aceitou e referiu sentir um grande alívio ao escrever sobre o assunto. Ontem, enviou-me o seu testemunho sobre uma vivência de há 22 anos atrás, mas cujas memórias ainda a marcam - a da sua depressão pós-parto. E com uma lágrima no canto do olho, mas ao mesmo tempo com aquele sorriso que tanto a caracteriza, respirou fundo e disse-me "Espero que ajude outras pessoas".

Eu acredito que irá ajudar.

 

A minha mãe é uma mulher com uma personalidade muito forte e em muitos momentos da vida, chocámos "de frente". Mas se há coisa que me lembro - desde pequenina - é de sempre a admirar muito pelo seu rico sentido de solidariedade e entreajuda. Nunca fomos ricos. E por vezes, passámos algumas dificuldades. Mas se conhecia alguém que passava dificuldades, cujos filhos não tinham o que vestir e/ou comer, se havia um vizinho que precisava de ajuda ou uma colega que não estivesse bem, a minha mãe, sempre foi a primeira a chegar-se à frente para lhes estender a mão. 

Lembro-me de ser 'obrigatório' lá em casa, todos os anos fazermos uma revisão aos nossos brinquedos e roupas para doarmos a crianças que precisavam mais do que nós. Lembro-me de ver várias pessoas que a abraçavam carinhosamente com uma expressão de gratidão bastante evidente no rosto. Lembro-me de a admirar por ser sempre uma pessoa muito querida por todos os que a rodeavam.

Lembro-me de pensar que quando fosse grande, também queria ser assim.

 

Quando penso na minha mãe, esta é uma das grandes virtudes que facilmente identifico. Mas sim, claramente que existem muitas mais. E hoje, sendo também um dia alusivo a esse papel tão rico, como o de mãe, um papel que encaixa em tantas mulheres e filhas do nosso país, achei que seria um bom dia para vos contar um pouco da sua história neste âmbito - outra História que dá a cara por esta causa

 

Se também vocês quiserem enviar-me a vossa, não hesitem! 

blog@mulherfilhamae.pt

 

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E assim a nossa família se completava, com a nossa 2ª filha. Ambas mt desejadas, com 5 anos de diferença. Agora, tenham em conta que esta "bebé" que vos falo, hoje já tem 22 anos.

Regresso a casa, mt feliz claro! Regresso com a consciência de que terei de certo mais trabalho, que agora o tempo teria q ser mais partilhado. E até aqui td bem.... até que começaram as noites a fio sem saber o que era ir à cama, sem saber o que era ter um pouco para mim, pois o meu marido estava ausente devido ao trabalho. Então era td eu......com uma criança de 5 anos que precisava de toda a atenção e mts vezes, eu mãe, já nem podia mais. Mas tinha de ser..... Para a bebé se tentar acalmar mudei quarto, mudei os banhos, ia às farmácias pedir algo para a bebe dormir (claro que nunca me deram nada) pois a bebé era saudável, desenvolvia-se bem, não havia razão para tal. Mas aqui também se vê o qt eu já não estava bem. Mts vezes pensava como gostava que me entendessem, mas só ouvia dizer que td era normal na fase que estava a passar, e para ter paciência que tudo com o tempo passava....

Ficava desejosa que chegassem as manhãs para levá-la para a Ama, e assim sendo, lá ia eu para mais um dia de trabalho sem dormir nada (a maior parte das vezes, mesmo nada!). Cheguei ao ponto de dizer coisas e pensar noutras que prefiro até não verbalizar...ainda me dói só de pensar: como é que foi possível,eu mãe, dizê-las?!

Com tudo isto o meu marido teve de mudar de emprego, pois estava a chegar à exaustão completa!  Tanto queria estar com a família como já não conseguia ouvir ninguém. Só queria estar sozinha. Mts vezes acabava por ser brusca, fria, gritava,.....sem que ninguém estivesse a perceber o que se passava....

Hoje pergunto-me mts vezes como é que eu aguentei tanto... Mas tinha de ser! Nós temos de aguentar td... não é?! Ou pelo menos é o que dizem. Eu não sei se será bem assim... Hoje vejo que se foi formando uma bola tão grande na época, que ainda me pergunto: como foi possível desenvolver-se tudo tão rápido e sem que eu própria me apercebesse da gravidade? Digo isto, pois da 1ª vez que fui mãe nada disto me tinha acontecido. Muito pelo contrario.

Falta de conhecimento dos médicos tb! Hoje vejo que era mais fácil dizer "é normal, isso passa!". Estes problemas sempre existiram, o problema é que nunca se foi à raiz da questão, é pena....tenho a certeza que no meu caso teria evitado mt coisa ao longo do meu percurso e principalmente com as mhs filhas e marido. Sim, porque td isto deixa marcas. Embora já ultrapassadas, hoje percebo que passei por tds estes temas que estão cada vez mais a ser mais evideciados. Mt obrigado a este espaço que permitiu o meu desabafo. Tenham coragem, falem, peçam ajuda, não se deixem chegar ao fundo....❤

A solução que me deram,ao fim de tanto tempo era UMA CURA DO SONO... Agora imaginem eu fazêr algo assim com duas crianças pequenas a meu cargo, trabalhando mais de 40horas por semana e com o meu marido ausente....é óbvio que recusei.