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Mulher, Filha & Mãe.

Sensibilizar (para) e apoiar (na) ansiedade e depressão na gravidez e no pós-parto

Mulher, Filha & Mãe.

Sensibilizar (para) e apoiar (na) ansiedade e depressão na gravidez e no pós-parto

A minha mãe sempre foi uma super-mulher. Querem perceber porquê?

Então aqui fica um pedaço (mesmo muito pequenino) da história do (segundo) pós-parto da minha mãe. 

 

Nem sempre foi fácil. Há coisas que me lembro, outras que tenho uma vaga ideia e outras que não ficaram registadas.

E é "interessante", pois eu não sabia de muita coisa, até há bem pouco tempo. Desde que fundei o blog que ambas fomos fazendo mais reflexões sobre os diversos temas que eu ia trabalhando e colocando no blog. Cada uma à sua maneira. Ela como mãe. Eu como filha. Ela como filha. Eu como mãe. E muitas foram as conclusões a que fomos chegando. 

 

Um dia desafiei-a a partilhar aqui alguns momentos e... nunca pensei que aceitasse. Mas aceitou e referiu sentir um grande alívio ao escrever sobre o assunto. Ontem, enviou-me o seu testemunho sobre uma vivência de há 22 anos atrás, mas cujas memórias ainda a marcam - a da sua depressão pós-parto. E com uma lágrima no canto do olho, mas ao mesmo tempo com aquele sorriso que tanto a caracteriza, respirou fundo e disse-me "Espero que ajude outras pessoas".

Eu acredito que irá ajudar.

 

A minha mãe é uma mulher com uma personalidade muito forte e em muitos momentos da vida, chocámos "de frente". Mas se há coisa que me lembro - desde pequenina - é de sempre a admirar muito pelo seu rico sentido de solidariedade e entreajuda. Nunca fomos ricos. E por vezes, passámos algumas dificuldades. Mas se conhecia alguém que passava dificuldades, cujos filhos não tinham o que vestir e/ou comer, se havia um vizinho que precisava de ajuda ou uma colega que não estivesse bem, a minha mãe, sempre foi a primeira a chegar-se à frente para lhes estender a mão. 

Lembro-me de ser 'obrigatório' lá em casa, todos os anos fazermos uma revisão aos nossos brinquedos e roupas para doarmos a crianças que precisavam mais do que nós. Lembro-me de ver várias pessoas que a abraçavam carinhosamente com uma expressão de gratidão bastante evidente no rosto. Lembro-me de a admirar por ser sempre uma pessoa muito querida por todos os que a rodeavam.

Lembro-me de pensar que quando fosse grande, também queria ser assim.

 

Quando penso na minha mãe, esta é uma das grandes virtudes que facilmente identifico. Mas sim, claramente que existem muitas mais. E hoje, sendo também um dia alusivo a esse papel tão rico, como o de mãe, um papel que encaixa em tantas mulheres e filhas do nosso país, achei que seria um bom dia para vos contar um pouco da sua história neste âmbito - outra História que dá a cara por esta causa

 

Se também vocês quiserem enviar-me a vossa, não hesitem! 

blog@mulherfilhamae.pt

 

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E assim a nossa família se completava, com a nossa 2ª filha. Ambas mt desejadas, com 5 anos de diferença. Agora, tenham em conta que esta "bebé" que vos falo, hoje já tem 22 anos.

Regresso a casa, mt feliz claro! Regresso com a consciência de que terei de certo mais trabalho, que agora o tempo teria q ser mais partilhado. E até aqui td bem.... até que começaram as noites a fio sem saber o que era ir à cama, sem saber o que era ter um pouco para mim, pois o meu marido estava ausente devido ao trabalho. Então era td eu......com uma criança de 5 anos que precisava de toda a atenção e mts vezes, eu mãe, já nem podia mais. Mas tinha de ser..... Para a bebé se tentar acalmar mudei quarto, mudei os banhos, ia às farmácias pedir algo para a bebe dormir (claro que nunca me deram nada) pois a bebé era saudável, desenvolvia-se bem, não havia razão para tal. Mas aqui também se vê o qt eu já não estava bem. Mts vezes pensava como gostava que me entendessem, mas só ouvia dizer que td era normal na fase que estava a passar, e para ter paciência que tudo com o tempo passava....

Ficava desejosa que chegassem as manhãs para levá-la para a Ama, e assim sendo, lá ia eu para mais um dia de trabalho sem dormir nada (a maior parte das vezes, mesmo nada!). Cheguei ao ponto de dizer coisas e pensar noutras que prefiro até não verbalizar...ainda me dói só de pensar: como é que foi possível,eu mãe, dizê-las?!

Com tudo isto o meu marido teve de mudar de emprego, pois estava a chegar à exaustão completa!  Tanto queria estar com a família como já não conseguia ouvir ninguém. Só queria estar sozinha. Mts vezes acabava por ser brusca, fria, gritava,.....sem que ninguém estivesse a perceber o que se passava....

Hoje pergunto-me mts vezes como é que eu aguentei tanto... Mas tinha de ser! Nós temos de aguentar td... não é?! Ou pelo menos é o que dizem. Eu não sei se será bem assim... Hoje vejo que se foi formando uma bola tão grande na época, que ainda me pergunto: como foi possível desenvolver-se tudo tão rápido e sem que eu própria me apercebesse da gravidade? Digo isto, pois da 1ª vez que fui mãe nada disto me tinha acontecido. Muito pelo contrario.

Falta de conhecimento dos médicos tb! Hoje vejo que era mais fácil dizer "é normal, isso passa!". Estes problemas sempre existiram, o problema é que nunca se foi à raiz da questão, é pena....tenho a certeza que no meu caso teria evitado mt coisa ao longo do meu percurso e principalmente com as mhs filhas e marido. Sim, porque td isto deixa marcas. Embora já ultrapassadas, hoje percebo que passei por tds estes temas que estão cada vez mais a ser mais evideciados. Mt obrigado a este espaço que permitiu o meu desabafo. Tenham coragem, falem, peçam ajuda, não se deixem chegar ao fundo....❤

A solução que me deram,ao fim de tanto tempo era UMA CURA DO SONO... Agora imaginem eu fazêr algo assim com duas crianças pequenas a meu cargo, trabalhando mais de 40horas por semana e com o meu marido ausente....é óbvio que recusei.