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Mulher, Filha & Mãe.

Sensibilizar (para) e apoiar (na) ansiedade e depressão na gravidez e no pós-parto

Mulher, Filha & Mãe.

Sensibilizar (para) e apoiar (na) ansiedade e depressão na gravidez e no pós-parto

"A Obsessão pelo bebé é considerada sintoma de uma Depressão Pós-Parto?"

Já há algum tempo, que uma Mulher e Mãe que nos segue, fez-nos chegar esta questão, à qual respondemos de imediato.

Após o seu consentimento, decidimos partilha-la nesta nossa nova rubrica, pois quem sabe se esta não poderá ser uma dúvida vossa também?

Em todo o caso, tal como falei neste post de apresentação, se nos quiserem transmitir alguma dúvida ou questão, mesmo que não a queiram partilhar posteriormente no blogue, não hesitem em contactar-nos para o seguinte email:

 

perguntas@mulherfilhamae.pt

 

Faremos questão de vos responder o mais brevemente possível!

 

 

Dúvida:

Bom dia. A co dependência do bebé, ou seja, a obsessão pelo bebé é considerado um estado de depressão pós parto?

Fui mãe pela segunda vez há 6 meses. Nunca pensei passar por isto, principalmente no segundo filho. Amamento em exclusivo(introduzimos ontem a sopa) Praticamos co slepping. Passo 24h por dia com a minha bebé, o amor da minha vida. Por norma temos várias visitas e 99% das vezes corre mal! Corre mal porque fico mal humorada o dia todo. Chego a chorar quando as pessoas saem! Primeiro acho cruel visitarem um bebé e não lavarem as mãos ou pelo menos passar um pouco de desinfectante que ali tenho à entrada bem exposto! Depois, ou é porque a estou sempre a amamentar, ou é porque ela está pouco agasalhada, ou é porque estou a prejudicar-me profissionalmente por causa dela... irra estou farta! Por mim isolava-me de tal maneira que não recebia mais visitas! Observo tudo silenciosamente, de maneira a não me chatear com ninguém. Mas depois as pessoas saem e o ritual segue-se! Banhinho rápido à minha menina. É que não há respeito mesmo! Vêm co. Imenso perfume pegar na minha bebé! ! Em 6 meses nunca mais cobduzi. Sim... sempre que temos consultas ou vacinas, o pai conduz e eu vou atrás com o meu anjinho. Sou muito criticada por isso mas é uma insegurança que ainda não me sinto capaz de ultrapassar! Ninguém me entende! Não confio em ninguém. 

Peço desculpa pela pergunta e não sei se é correto a fazer. Mas é o meu estado actual. A maior parte das mães fica cansada de lidar 24h por dia com o bebé, eu sou completamente o oposto e detesto que outras pessoas se aproximem. Não estou a conseguir lidar bem com isto.

Peço imensa desculpa pelo longo texto, mas só o facto de escrever já me alivia um pouco. É impensável falar disto com outras pessoas. Pois logo serei alvo de duras criticas.

 

Resposta*:

Existem vários estudos que indicam que a obsessão pelo bebé poderá ser um sintoma de uma depressão pós-parto. Contudo, a inerência deste sintoma à mesma doença, não significa que sempre que ocorra, lhe esteja subjacente uma Depressão pós-parto. 

A verdade é que se, num sentido mais lato, nós mães, nos sentimos desconfortáveis com algum pormenor no nosso comportamento e/ou relação com o bebé, só este já poderá ser um bom indicador de que algo se passa, mesmo não sendo patológico.

Relembro que a Depressão pós-parto é uma doença que necessita de ser avaliada por um médico, para ser efetivamente diagnosticada, e não simplesmente através da observação/sensibilização do próprio, algum familiar ou conhecido, para um certo sinal/sintoma. É a avaliação médica que através da observação e junção de um conjunto de sinais e sintomas, integrados num contexto, e na individualidade de cada pessoa, poderá dar origem a um determinado diagnóstico, pelo que, não se poderá afirmar que alguém tem uma depressão pós-parto, tendo só esta informação.

Tendo em conta que a efetiva obsessão pelo bebé poderá ser algo desviante do considerado saudável na relação mãe-bebé, a consulta inicial com um Psicólogo Clínico, e mais tarde com um Psiquiatra ou Médico de Família, se se verificar necessário, é fundamental para determinar a relação entre ambas as evidências (obsessão pelo bebé e depressão pós-parto) e obter uma conclusão clara e concreta.

 

 

*Embora tenha partilhado concomitantemente toda a história que a P. nos contou, dada a sua especificidade, a respetiva resposta foi reencaminhada para o contacto de onde foi remetida. A presente resposta dada, corresponde unicamente à questão que a P. colocou, num sentido mais abrangente.

 

 

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