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Mulher, Filha e Mãe

Sensibilizar (para) e apoiar (na) ansiedade e depressão na gravidez e no pós-parto

A opinião de uma Grávida (primeiro filho) sobre a Depressão Pós-Parto.

A Teresa, grávida de 17 semanas, decidiu aderir ao #movimentodepressãopósparto e refletir um pouco sobre o que sabia sobre o tema. 

 

Engraçado como descreve tão clara e simplesmente, não só o produto da sua reflexão, mas como também o quão foi importante para ela refletir sobre o tema nesta fase da sua vida. Algo que refere que nunca tinha pensado de forma tão profunda, e que nem pensava fazê-lo, até ter aceite o desafio.

 

Ficam aqui com a sua reflexão, que espero que leiam tão atenta e carinhosamente como eu. Fico feliz, por saber que o #movimentodepressãopósparto, aos poucos e poucos, a cada palavra, a cada testemunho e a cada pessoa que toca, vai promovendo a reflexão e o debate sobre o tema. 

 

E vocês? Já refletiram sobre o que é que sabem sobre Depressão Pós-Parto

Fico à espera das vossas respostas para blog@mulherfilhamae.pt

 

o que é que tu sabes sobre dpp.jpg

 

Confesso que quando me foi lançado este desafio, o meu primeiro pensamento foi “Acho que não sei praticamente nada sobre este assunto e muito provavelmente não irei acrescentar um contributo significativo para quem ler”. Por momentos esqueci o assunto mas ao longo do dia não conseguia deixar de pensar que talvez fosse importante reflectir um pouco sobre esta temática. Quando finalmente tive um bocadinho livre, considerei que devia ser bom sinal não saber muito sobre o assunto pelo facto de nunca ter passado por essa situação mas depressa me recordei de uma amiga que passou por uma fase complicada. E mais pensamentos me foram surgindo: “E se entretanto tiver amigos que passem pelo mesmo? E se for eu ou o meu marido que muito em breves iremos ser pais?” Realmente devo ter a obrigação de saber mais sobre o assunto! Não só pelas pessoas que mencionei mas como profissional de saúde, devo também estar alerta para o caso de me cruzar com alguém que apresente sinais de ter uma depressão pós-parto. Pois bem, foi assim que iniciei a minha reflexão, na esperança de conseguir responder ao desafio que me foi lançado.

 

Entendo que a depressão pós-parto, tal como o nome indica, é a depressão que ocorre após o parto, ou seja após o nascimento de um bebé. É diferente do sentimento de tristeza no sentido que é mais difícil de ultrapassar e requer a ajuda de um profissional especializado. É mais frequente ouvir falar de depressão pós-parto na mulher (mãe) mas também pode afectar o homem (pai), pois ambos são os responsáveis principais pelo bebé, cabendo-lhes satisfazer as suas necessidades básicas. O bebé não tem que ter necessariamente um problema (de saúde ou outro) e nem os pais têm necessariamente que ter antecedentes para desenvolver este tipo de depressão. Por outro lado, a depressão pós-parto manifesta-se de diferentes formas em cada pessoa, não havendo por isso uma resolução/tratamento igual para todas as pessoas que sofrem desta condição. Considero que existem uma série de manifestações que são mais comuns ou pelo menos, que são mais evidentes porque são facilmente verbalizadas ou visíveis por outros, como por exemplo: o mãe ou o pai sentir que não é capaz de tomar conta do bebé (alimentá-lo, mudar-lhe as fraldas); ter dificuldade em tranquiliza-lo e dar-lhe carinho (pegar-lhe ao colo, embalá-lo); achar que não é um bom ou boa mãe (ter dificuldade em distinguir os diferentes sinais do bebé de quando tem fome ou dores, ou não conseguir que o bebé pare de chorar). No entanto, acho que existem muitas outras formas que não sendo visíveis aos outros ou porque não são verbalizadas (pelo medo do que os “outros irão dizer”, pela vergonha de os dizer ou simplesmente pelo facto de não os conseguir expressar), acabam por ser ainda mais dolorosas porque são sofridas “em silêncio”.

 

E quanto ao “outro pai/mãe” (nos casos em que existe) que não está a sofrer a depressão pós-parto? Creio que é também um elemento frágil e susceptível de sofrer depressão, pois para além de também se estar a adaptar à nova vida familiar com mais um elemento (bebé), tem de lidar com o “companheiro/a” que está a sofrer. Os casais são todos diferentes e as pessoas também mudam alguns comportamentos ao longo da vida mas é fundamental, no período pós-parto que ambos funcionem como um todo, não só em função do bebé mas também da sua própria relação um com o outro. É fundamental que criem tempo para que possam conversar sobre tudo o que está a acontecer de novo e como se sentem face a essas mudanças. Esta é sem dúvida uma parte difícil, sobretudo nos casos em que os casais não costumam dedicar tempo para dialogar, ainda antes do bebé nascer.

 

A depressão pós-parto é sem dúvida um tema importante que deve ser falado e discutido, uma vez que não é tão vulgar como se julga. O facto da pessoa permanecer com depressão acarreta consequências negativas não só para si, como na relação com o bebé, outros filhos e o companheiro (nos casos em que existe) mas também no seu círculo social mais alargado onde se incluem familiares e amigos. Neste sentido é fundamental que sejam levadas a cabo iniciativas de prevenção, através de acções de formação e divulgação pelos diferentes meios de comunicação social, para que as pessoas passíveis de sofrerem de depressão pós-parto estejam devidamente informadas e sensibilizadas, para que possam identificar os sinais de alerta de ocorrência desta problemática. É extremamente importante conhecer a informação técnica e clínica que os profissionais de saúde especializados nesta matéria detêm, bem como é igualmente importante a troca de experiências e de testemunhos de pais que passaram por esta situação. Assim, torna-se mais fácil de partilhar os sentimentos e angústias sentidos, para que se sintam apoiados e ouvidos e não se sentiam desamparados e sozinhos. Os meios de comunicação social são uma óptima ferramenta para chegar ao maior número de pessoas e blogues como este (blog@mulherfilhamae.pt) são importantíssimos na divulgação desta informação, permitindo a troca de experiências e testemunhos.

Ainda muito há para fazer e um longo caminho para percorrer!