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Mulher, Filha & Mãe.

Sensibilizar (para) e apoiar (na) ansiedade e depressão na gravidez e no pós-parto

Mulher, Filha & Mãe.

Sensibilizar (para) e apoiar (na) ansiedade e depressão na gravidez e no pós-parto

A pessoa com experiência de doença mental: O que eu vejo.

É difícil limitar o meu campo visual. 

Dia após dia alcanço cores diferentes. De gente, de luz, de ser. 

É difícil ficar indiferente. Ignorar, para conseguir estar. Olhar ao lado, para melhor me sentir. 

Já diziam, e é verdade, olhos que não veem, coração que não sente. Mas que não se engane quem finge não ver, ou quem faz por não alcançar nesse sentido. Os problemas de saúde mental são uma realidade e afetam um sem número de pessoas e respetivas famílias. E isto, está ao alcance de qualquer um.

 

Eu compreendo, é difícil encarar. Motivos? Vários!

E de forma fria não me coíbo de afirmar que a petulância, o medo, o estigma e a hipocrisia, são só alguns dos que lhes estão subjacentes.

Contudo, é necessário para se confrontar com a pobreza de meios, recursos e awarness alheia, e que mesmo assim geram dentro do possível, um número variado de avaliações, integrações, intervenções, e que atingem pessoas, que mesmo com a sua limitação não se deixam levar pelos olhares alheios e continuam. Mantém a sua riqueza pessoal. 

Quando nos confrontamos, é uma pessoa que estamos a ver. É um pequeno problema dentro dela que temos de resolver, pois a pessoa continua, e a sua riqueza pessoal também. 

É isto que eu também vejo. Pessoas com esta experiência, que fazem mais por si, do qualquer outra que não a tem. 

Também vejo o oposto. Pessoas que se recusam a fazer por si, mas que têm acesso a pessoas dotadas para lhes transmitirem esse insight. 

Infelizmente, também vejo que existem pessoas que a nada têm acesso, a não ser à experiência de doença mental em si mesma, e a um tanto ou quanto de outros (in)felizes acasos e realismos subjacentes ao desenrolar da vida. 

 

Vejo iniciativa, redundância, dúvidas, amor, maus-tratos, confusão, alienação. Vejo força invisível e sempre presente. Vejo personalidade. Vejo tristeza e mágoa. Vejo dificuldade de expressão. Vejo dúvidas. Ah! Já disse? Então repito. É porque vejo muitas. 

 

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Ter a experiência de uma doença mental não é o mesmo que partir uma perna, pois a primeira não se vê tão concretamente, nem se diagnostica tão claramente, ao contrário da segunda. Mas é (quase) o mesmo que uma perna ter partido. O osso não vai completamente ao lugar, por vezes o nosso corpo lembra o sucedido e não há cura, mas há a possibilidade de reabilitação. Acreditamos na reabilitação, sentamo-nos ao lado, fazemos conversa de circunstância e até nos baixamos para pegar na muleta de quem uma perna partiu, certo? 

 

Então porque é que eu continuo a ver a renitência de contacto, o olhar de esguelha, o claro afastamento, e a pobreza de (re)ação, perante uma pessoa com óbvia experiência de doença mental?

 

É tão fácil ter iniciativa para segurar a muleta de quem uma perna partiu, e é tão difícil, sequer, sentar ao lado de alguém com óbvio traço de experiência de doença mental. Chega-se até a respirar o medo, o nojo, a procura pela indiferença e o estigma subjacente. É muitas vezes, cruel, o que vejo. 

 

Tão à frente, e tão atrás que nós estamos. 

 

Informem-se:

 

 

Ou, se preferirem, perguntem:

blog@mulherfilhamae.pt

 

 

Porque eu não acredito que alguém nasça ensinado, ou com a certeza de que a experiência de uma doença mental, nunca lhe vá bater à porta.