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Mulher, Filha e Mãe

Sensibilizar (para) e apoiar (na) ansiedade e depressão na gravidez e no pós-parto

Baby Blues: Querem saber um pouco mais?

O Baby Blues, Blues pós-parto ou tristeza pós-parto, diferem da Depressão pós-parto, como já descrevi neste post.

 

Contudo, considerei adequado desenvolver um post especifico sobre este tema, não só por me ser tão pessoal, como também, por ser tão comum ocorrer.

 

 

As estimativas de casos exsitentes do Baby Blues variam muito de estudo para estudo, encontrando-se entre 15,3% e 84%. Esta grande diferença na respetiva janela de valores existe devido a inconsistências no estabelecimento de critérios para definição de caso e nas diferenças nos métodos de amostragem.

 

Para vos fazer trazer dados mais concretos sobre a possível quantidade de Mulheres que poderão ter passado por esta afeção, decidi cruzar alguns dados. Assim, de acordo com dados da PORDATA, em 2013 houve 82,064 partos no total. Se cruzarmos estes dados com a percentagem mínima e máxima de mulheres que se estima que passem por Baby Blues (15,3% - 84%), então saberemos que o número de mulheres que poderão ter passado por esta experiência em 2013 situa-se entre (aproximadamente) 12,556 a 68,934.

 

Apesar de todas as implicações na vida da mulher e respetiva família, o Blues pós-parto é considerado uma reação normal, comum e passageira às alterações hormonais e aos níveis de stress que caracterizam os primeiros dias após o nascimento de um bebé.

De acordo com alguns autores, o mesmo, não altera a capacidade da mulher funcionar adequadamente, não requer tratamento profissional e o apoio por parte da família e amigos próximos costumam ser suficientes para acelerar a sua resolução.

 

Para além disso, é considerado um fenómeno transcultural, que se manifesta através de choro fácil e labilidade emocional.

Mas, atenção! Este tipo de choro pode não ser acompanhado de sentimentos de tristeza ou depressão. Ou seja, a mulher pode ter vontade de chorar, sem motivo aparente. Há mulheres que paralelamente ao choro, experimentam sentimentos de alegria também.

A dificuldade de atenção e de memória a curto prazo também costumam estar associados à sintomatologia que caracteriza esta afeção.

 

É consensual que comece nos primeiros três dias e que termine entre o sétimo e o décimo dia após o parto. Contudo, cada caso é um caso, e como tal, estes, não deixam de ser valores padrões que resultam de uma série de estudos já realizados na área. 

 

 

Embora o Baby blues seja um preditor independente da Depressão pós-parto, um aspeto muito relevante da sua ocorrência é que está associado ao desenvolvimento posterior de depressão pós-parto, havendo estudos que comprovam que 20% das mulheres que sofrem de Baby blues, poderão vir a desenvolver posteriormente uma depressão.

 Assim, apesar do Baby Blues não ser considerado uma doença do foro da saúde mental, a sua importância advém das suas potenciais implicações no desenvolver de outro tipo de afeções de doenças do mesmo foro.

 

Se sentirem que o choro, a irritabilidade, e/ou a tristeza que sentem nesta fase persiste e vos limita na realização das vossas atividades do quotidiano individualmente e/ou em família, então deverão consultar um especialista na área (Psicólogo, Psiquiatra ou Médico de Família) para avaliarem em conjunto o vosso nível de saúde e bem-estar mental. 

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Fonte 1

Fonte 2

Fonte 3