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Mulher, Filha & Mãe.

Sensibilizar (para) e apoiar (na) ansiedade e depressão na gravidez e no pós-parto

Mulher, Filha & Mãe.

Sensibilizar (para) e apoiar (na) ansiedade e depressão na gravidez e no pós-parto

Colocação do ovo no carro: Banco da frente ou banco de trás?

Acontece-me frequentemente encontrar-me com outras mães, e no seguimento da conversa, perguntarem-me: Então e agora que andas com o teu filhote sozinha no carro, ele vai contigo à frente, certo?

Se reparar-mos, esta, é uma pergunta que automaticamente remete para uma resposta: Certo! 

Muitas vezes ali em segundos, antes de responder, fico na dúvida: Será que devo mesmo dizer onde é que levo o ovo e porquê? É que já não é a primeira vez que fica um ambiente "esquisito" no ar devido à mesma questão. E porquê? (Poderão estar a perguntar-se neste momento...) Porque a minha resposta não vai de encontro aquela que as pessoas poderão querer ouvir, para além de que, por vezes, acabo por falar de uma série de aspetos, na melhor das intenções (por mim considerados fundamentais), para os quais eu já entendi que muitas mães não estão alerta (e que eu também não estava).

 

Ontem voltou a acontecer-me o mesmo e achei que poderia ser um bom tema de discussão aqui, em Mulher, Filha & Mãe. Isto, pois, na minha opinião, e com todo o respeito pelas demais, não estamos só a falar da minha ou da nossa vontade enquanto mães, mas acima de tudo da segurança dos nossos filhos (sabendo, subjacentemente, que este é um dos nossos grandes focos). Sei, que tudo o fazemos é sempre com a melhor das intenções, mas há muitas coisas para as quais não estamos alerta, simplesmente por não sabermos que existem (ou pelo menos, este era o meu caso). 

 

Relativamente ao local de colocação do ovo, quando comecei esta viagem de "Ser Mãe", no fundo, eu não sabia rigorosamente nada! Ok, como tenho carta de condução, lembrava-me de algumas coisas que falei nas aulas teóricas do código, mas nada de especial. Até que resolvi frequentar uma conferência especifica para pais de primeira viagem e conheci a famosa Associação para a Promoção da Segurança Infantil (APSI). Nessa mesma conferência, tive a oportunidade de ouvir uma excelente oradora (que pessoalmente fiquei a admirar), não só pela simplicidade e autenticidade do seu discurso, como pela sua devoção à causa, dada a sua história pessoal (que partilhou um pouco), e estatísticas apresentadas, pelo que, desde o inicio que cativou a minha atenção (e ainda bem!).

No discurso que a mesma preparou, em 80% do tempo, falou sobre o local e forma de colocação do ovo no carro, e se até à data, eu afirmava firmemente que o meu filhote viria sempre comigo, ao meu lado, para eu o poder ver e resolver qualquer situação que ocorresse, caso começasse a chorar durante uma viagem, então a partir daquele momento eu coloquei essa ideia completamente de lado e a colocação do ovo no banco de trás, passou a ser a prioridade, quando tivesse que acontecer. 

Falo aqui de prioridade, pois no meu ponto de vista, é uma prioridade fazê-lo. Muitas vezes (e contra mim falo também), de forma inconsciente, coloca-mos as nossas vontades enquanto pais à frente do bem-estar da criança, e naquele momento apercebi-me que era isso que eu estava a fazer. A colocar a minha preocupação sobre o seu desconforto, e sobre o facto de que se ele fosse no banco de trás, eu não conseguiria alcançá-lo e resolver a situação, acima do facto, de ser muito mais seguro para ele ir no banco de trás. Afirmo que é mais seguro ir no banco de trás, não só pelo discurso fundamentado da Dra.Helena, mas também pelo que mostram as estatísticas, concluindo que é de facto mais seguro colocar o ovo no banco de trás do carro. A legislação portuguesa não obriga a tal, é verdade! Mas as probabilidades do nosso bebé sair lesado de um acidente, viajando no banco da frente (mesmo com o airbag desligado), são muito maiores, de acordo com a mesma associação, que tem vindo a fazer vários estudos neste âmbito, há vários anos. Existem várias histórias (e eu conheço algumas), de situações em que pensavam que o airbag estava desligado, e não estava, ou que se ativou num pequeno acidente, e ninguém percebeu bem como. 

 

Eu não gosto de fundamentalismos, mas, no que toca a segurança, admito que sou rigorosa, pelo que, preferi colocá-lo no banco de trás e comprar outro espelho retrovisor para o ver melhor durante a viagem. E ao escrever de forma determinada ao longo deste post, não tenciono impor uma opinião, mas sim transmitir uma razão bastante firme e fundamentada, para promover uma maior segurança durante o transporte das nossas crianças.

É verdade que me assusta quando começa a chorar e eu não consigo alcança-lo de imediato.

É verdade que me assusta quando começa a chorar e eu não consigo perceber porquê.

É verdade que me assusta quando começa a sentir-se desconfortável e eu não consigo olha-lo nos olhos e dizer que "A mãe está aqui". 

Mas.. também é verdade que me assusta muito mais, a hipótese de poder ocorrer algum acidente rodoviário provocado por mim ou por outro condutor, e o meu filho sair lesado, ou muito mais lesado, porque eu não o coloquei onde sei que à partida estará mais seguro.

É verdade que é importante que cada uma de nós deva fazer aquilo com o qual se sente melhor, ou pelo menos, mais confiante. Contudo, penso que é importante fazer-mos uma revisão de conceitos internos nestes momentos, e tentar-mos compreender, até que ponto é que aquilo com o qual nos sentimos bem connosco mesmas, é aquilo que, de facto, é o melhor para as nossas crianças.chico_3.jpg