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Mulher, Filha e Mãe

Sensibilizar (para) e apoiar (na) ansiedade e depressão na gravidez e no pós-parto

Crenças e ideias de mulheres com depressão pós-parto.

Ao longo da minha busca por bibliografia sobre o tema do meu projeto de mestrado, encontrei este trabalho, um projeto de intervenção no âmbito das Representações Sociais das Mães com Depressão Pós-Parto e o seu impacto na interação mãe-bebé, e achei pertinente partilhar algumas conclusões do mesmo convosco. 

 

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A relação entre a mãe e o bebé começa a estabelecer-se ao longo da gravidez e é influenciada pelas várias expectativas que se vão estabelecendo ao longo desse período, algo que acaba por ser também explorado cientificamente no estudo em questão. 

Apesar da amostra do presente estudo não poder ser representativa, dado o baixo número de participantes que contém, é um projeto que acaba por nos dar uma visão na primeira pessoa de algumas mulheres que padecem de depressão pós-parto e de muitas das suas crenças e ideias durante o mesmo período. 

 

Algo que está bem claro na respetiva fundamentação teórica é que no caso da mãe desenvolver uma depressão pós-parto o processo de vinculação poderá ficar comprometido, tendo em conta as consequências que a depressão poderá provocar nas interações estabelecidas entre a mãe e o bebé. Este, está particularmente sensível aos comportamentos da mãe, podendo tal, acarretar complicações ao nível do seu desenvolvimento cognitivo e comportamental.

 

No que toca aos resultados do estudo realizado, verificou-se que estas mães apresentam crenças e ideias com tonalidade negativa acerca de si próprias, em relação aos seus filhos, ao companheiro e à respetiva mãe.

Em relação a si próprias, revelaram sentir-se vazias, com baixa auto-estima e com níveis elevados de ansiedade, sentindo-se também como incompetentes enquanto desempenhavam o seu papel de mãe. 

O mesmo estudo também permitiu compreender que o facto de se encontrarem deprimidas, faz com que olhem para os seus filhos como crianças mais difíceis, podendo apresentar maiores dificuldades em fazer um investimento emocional com o seu bebé. Por sua vez o bebé não consegue realizar um apego seguro, tendo sido simples observar através do estudo, de acordo com a autora, que o comportamento do bebé funciona como um espelho do comportamento da mãe.

Relativamente ao papel do companheiro, o mesmo estudo permitiu compreender que as mães não sentiam ter o apoio paterno.

Também o papel de mãe, destas mães, foi alvo de análise. Encontraram níveis elevados de concordância entre a representação mental que a mãe tem de si própria com a representação mental que a mãe tem da sua mãe, sendo esta, maioritariamente negativa. Parece tornar-se num ciclo que abrange os diversos membros da família.

 

Depois de o ler, para mim, tornou-se ainda mais claro que o mundo de alguém com uma depressão pós-parto não é assim tão simples como para muitos parece. A força anímica não vem porque se quer, nem a vontade de se voltar a ser emerge porque se anseia. É bem mais difícil. É uma realidade muito mais complexa.

 

Mas aqui a questão que aqui também se coloca é: E para vocês... que mensagem fica? 

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