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Mulher, Filha & Mãe.

Sensibilizar (para) e apoiar (na) ansiedade e depressão na gravidez e no pós-parto

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Sensibilizar (para) e apoiar (na) ansiedade e depressão na gravidez e no pós-parto

Crónicas da nossa Equipa Clínica - "Normal?! Como definir normal?"*

O que é a saúde mental? Como sabemos que estamos sãos mentalmente? Será normal o que estou a pensar?

São algumas questões que por vezes em algumas fases da vida não saem da nossa cabeça e pensamos precisamente “não devo estar bem da cabeça!”.

 

Saúde Mental.jpg

 

A saúde mental não se resume simplesmente à ausência de doença, não basta estarmos “livres de diagnósticos” para concluirmos que estamos sãos mentalmente. Então será que precisamos de atingir um completo bem-estar para nos considerarmos sãos mentalmente? E será possível atingir esse completo bem-estar?! Por outro lado um equilíbrio é possível atingir, o equilíbrio de cada um de nós, o seu equilíbrio. Nem sempre todas as áreas (biológica, psicológica e social) da nossa vida estão a 100% e apesar de se influenciarem mutuamente, podemos sentir bem-estar, sem estar efetivamente TUDO bem.

 

Primeira ideia:

A definição de saúde mental é subjetiva, ou seja, cada indivíduo sente o (tal) equilíbrio de forma diferente.

A própria Organização Mundial de Saúde (OMS) refere que não existe uma definição oficial de saúde mental, referindo que a saúde mental está ligada a um “estado de bem-estar no qual o indivíduo realiza as suas capacidades, pode fazer face ao stress normal da vida, trabalhar de forma produtiva e frutífera e contribuir para a comunidade em que se insere” (OMS, 2002). Isto é, o indivíduo sente-se bem consigo próprio e com os outros, e é capaz de lidar de forma positiva com as adversidades, sem temer o futuro.

Deste modo, o primeiro sensor de que algo pode “não estar bem” somos nós próprios ou deveremos ser! Sem censuras ou álibis.

 

Segunda ideia:

Considera-se normal o comportamento mais frequente e concordante com os valores estabelecidos e aceites em determinada sociedade.

Na realidade, a delimitação entre o normal e o patológico é, por  vezes, extremamente  difícil de estabelecer, existindo não só uma progressão entre um estado e o outro, como também uma forte influência do fator cultural, dos costumes e das crenças do grupo e crenças individuais. As próprias crenças dos profissionais de saúde poderão influenciar a avaliação sobre o comportamento.

 

Terceira ideia:

Todos nós podemos ser afetados por problemas de saúde mental.

Podemos perceber que não estamos nesse estado de equilíbrio ou ser percebido pela nossa rede social. Pode ainda existir um diagnóstico que confirme a suspeita. Mas existindo maior ou menor “gravidade”, a nossa qualidade de vida deve ser levada a sério. E existe qualidade de vida quando uma pessoa ou grupo sente que as suas necessidades são satisfeitas e não lhes são negadas oportunidades para alcançar um estado de felicidade e de realização pessoal em busca de uma qualidade de existência acima da simples sobrevivência.

 

Nomal.jpg

 

No fundo, o que pretendo com este artigo é desmontar mitos acerca da doença mental e do que se considera ser normal e ser suposto...

 

 É “obrigatório” respeitar os próprios sentimentos e ser-se respeitado, não julgar apenas que “é uma forma de chamar a atenção” que “vai passar com o tempo”.

Se algo chama a atenção então a mesma deve ser dada. Não é o tempo que muda o sentimento é o que se faz com esse tempo.

Se é normal?! Talvez não seja... Mas mais que normal o importante é ser feliz!

 

 

*Crónica por Raquel Vaz (Psicóloga Clínica)

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