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Mulher, Filha e Mãe

Sensibilizar (para) e apoiar (na) ansiedade e depressão na gravidez e no pós-parto

Crónicas da nossa Equipa Clínica: "O Silêncio é de... Evitar!"

“Sinto um nó na garganta, uma pressão no peito... parece que tenho dificuldade em inspirar, sinto uma inquietação constante, um mal estar... (...)”

 

Identifica-se ou já se identificou com esta situação?

 

Nem sempre a própria pessoa consegue reconhecer determinados sinais... Pode não estar disponível, pode não estar informado, pode considerar que é normal

 

Auto consciência.jpg

 

Em várias situações e, em particular, o contexto da gravidez e do pós-parto (como é visível em vários testemunhos publicados na rubrica Histórias que dão a cara por esta causa), por todas as mudanças que acarreta, é muitas vezes considerado natural e aceitável existir alguma dose de stress, mesmo de stress patológico.

E abrindo um parênteses: o stress resulta da interação entre o meio e a pessoa e pressupõe uma reação ou resposta, como forma de existir uma adaptação e nesse sentido é positivo! Mas se a situação for demasiado intensa, prolongada ou intimidadora para a pessoa, o stress pode tornar-se patológico, provocando um desequilíbrio… ou seja em vez de promover uma vitalidade que leve à ação, poderá manifestar-se irritabilidade, depressão, pessimismo, baixa resistência imunológica, mau humor,...

 

Portanto, até poderá ser comum (frequente) e nesse sentido considerar-se natural, pois existe algo que se identifica como desencadeador da mudança de comportamento (a pessoa tem um motivo!), mas será que deveremos considerar aceitável? E passo a explicar. Deveremos colocar a pessoa (ou o próprio colocar-se) numa posição em que deverá aceitar viver esse stress porque simplesmente faz parte, é suposto?

 

Eventualmente alguns de vós pensarão que quem se sente assim deverá ser apoiado e orientado, permitindo que encontre o seu reajustamento emocional. Mas como fazê-lo se o próprio não reconhecer essa necessidade?

E é nestes momentos que o ditado popular é invertido. O silêncio é de... evitar, e não é de ouro!

 

A partilha facilita e promove uma auto-consciência, isto é o reconhecimento das próprias emoções, das necessidades individuais e de sinais de que o equilíbrio emocional do próprio poderá estar comprometido.

Este reconhecimento é o primeiro passo para chegar ao EU.

 

“(...) As palavras começam a sair... e a primeira lágrima escorre, num desabafo e choro. Há um alívio acompanhado por uma libertação no respirar.”

 

 

*Crónica por Raquel Vaz (Psicóloga Clínica)