Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Mulher, Filha e Mãe

Sensibilizar (para) e apoiar (na) ansiedade e depressão na gravidez e no pós-parto

Crónicas da nossa Equipa Clínica: "Pois é, nem todas as pessoas têm de gostar de nós".

São muitas as vezes que encontro nas minhas sessões pessoas que são prisioneiras da opinião de outras e são muitíssimas as vezes que tal facto as encaminha para um estado de grande ansiedade e de depressão. Para abordar este tema tão sensível partilho convosco esta história:

 

CARREGAR LENHA

Todas as manhãs, Manuel, acompanhado pelo seu filho e por um belo burro branco, ia buscar lenha à floresta. Quando já tinha lenha suficiente, carregava o burro e voltavam os três para casa, atravessando a rua principal da aldeia.

Certo dia, Manuel ouviu um dos aldeões dizer:

- Olha o descaramento do Manuel e do filho. Vão com as mãos nos bolsos e o pobre burro carregado até não poder mais. Que falta de vergonha, é preciso ser muito cruel para com os animais e tal, e tal…

Manuel ficou muito incomodado com aqueles comentários.

No dia seguinte, decidiu que o filho carregaria uma parte da lenha. Deste modo, pensava ele, o burro não iria tão carregado e os aldeões não o criticariam.

Mas não foi bem assim.

Ao passar em frente a um dos aldeões ouviu que comentavam com aparente indignação:

- Que vergonha! Olha para ele. Vai ali, com as mãos nos bolsos, enquanto o filho e o burro carregam a lenha. Nunca se viu uma coisa destas e tal, e tal…

Manuel ficou ainda mais incomodado com aquelas críticas do que com as do dia anterior. Ficou a pensar que talvez os aldeões tivessem razão. Que era um desavergonhado e que não poderia permitir aquela injustiça. Teria de mudar. Fazer qualquer coisa para que todos vissem que se tinha emendado.

Assim, no dia seguinte, decidiu carregar a lenha do burro; desta forma, tanto ele como o filho levariam a lenha, e os aldeões veriam que ele tinha mudado.

Mas não foi assim.

Ao passar em frente aos aldeões, ouviu o seguinte:

- Olha que idiotas os dois, o pai e o filho. A carregar a lenha, enquanto o burro vai ali tranquilo, sem levar um raminho sequer.

 

O Manuel tornou-se prisioneiro da opinião dos outros, para conseguir agradar aos outros, para que todos falassem “bem” dele, não soube discernir entre as críticas que o poderiam ajudar a melhorar a situação e as críticas provenientes de pessoas que criticam simplesmente porque gostam de criticar.

 

Todos nós temos de enfrentar críticas mas todos devemos aprender a discernir entre as críticas positivas e aquelas que simplesmente devemos ignorar pois nenhum ser humano pode depender daquilo que os outros dizem ou não sobre nós. Olhamos para o exemplo do Manuel e podemos compreender o risco de que se se prestar demasiada atenção às críticas isso pode fazer com que atuemos de forma ridícula e entrarmos numa espiral de sentimentos menos positivos.

 

Voltamos ao título deste texto: Nem todas as pessoas têm de gostar de nós!

Já diz o provérbio: “Não se pode agradar a gregos e a troianos.” Somos diferentes! É um facto!

Faço-lhe duas perguntas para refletir:

- Gosta de todas as pessoas que conhece?

- Todas as pessoas têm de gostar de si?

 

Como resposta a estas questões deixo-vos esta frase humorística e um próximo texto que brevemente será publicado no blog.

 

Estejam atentos!

 

 

 

*Crónica por Isabel Sofia Pires (Terapeuta Familiar).

2 comentários

Comentar post