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Mulher, Filha & Mãe.

Sensibilizar (para) e apoiar (na) ansiedade e depressão na gravidez e no pós-parto

Mulher, Filha & Mãe.

Sensibilizar (para) e apoiar (na) ansiedade e depressão na gravidez e no pós-parto

Desde quando se fala em Depressão pós-parto?

Devem-se a Hipócrates os primeiros relatos de perturbações psiquiátricas associadas ao momento do pós-parto.

Numa das suas obras descreveu o caso de uma mulher que, após o nascimento do primeiro filho, começou a manifestar alguns delírios, fenómeno que veio a repetir-se no pós-parto dos seus sete filhos seguintes.

 

Quanto à Depressão na Gravidez e no Pós-parto (Perinatal), pensa-se que a primeira vez que foi reconhecida terá sido por uma mulher italiana, Tortula de Salerno (1040-1097), considerada como a primeira ginecologista e urologista da história da Medicina. Pouco se sabe da sua vida, apenas que era filha de um médico, que exerceu medicina no século XI e que escreveu um livro que descrevia muitas das "doenças da mulher", para instruir os médicos da época sobre o corpo feminino e dos sintomas típicos da gravidez, do puerpério e do período menstrual. 

 

 

Curiosamente, a primeira descrição pormenorizada da doença foi feita por um médico português - João Rodrigues de Castelo Branco - conhecido como Amantus Lusitanus - que em 1547, se encontrava a trabalhar em Roma.

Alguns anos mais tarde, apareceu uma nova descrição realizada por  Rodriguez de Castro - um discípulo de Lusitanus - outro português que se encontrava a exercer em Hamburgo. Na mesma época são descritos vários casos de mulheres com choro compulsivo e que tinham ideação suicida e de cometer infanticídio com inicio nas gravidezes. Desde então multiplicaram-se as descrições inerentes à temática e a depressão, quer na gravidez ou no pós-parto, assumiram um interesse crescente na comunidade médica e cientifica. 

 

Na escola da psiquiatria francesa, o tema também foi alvo de grande interesse, tendo Esquirol, em 1818, observado uma mulher que teve episódios depressivos em todas as sua cinco gravidezes. Um dos alunos de Esquirol, Louis Victor Marcé, apresentou num dos seus livros o resultado de uma investigação na qual verificou que a maioria das mulheres deprimidas durante a gravidez assim continuavam depois do parto.

Por esse contributo, Marcé é considerado atualmente como o Pai da Psiquiatria Perinatal e Channi Kumar, Ian Brockington e James Hamilton criaram em 1980 a Marcé Society, a primeira associação internacional dedicada ao estudo multidisciplinar desta área.

 

Embora Marcé tenha dado esse grande contributo, a verdade é que nos dois séculos seguintes, a depressão na gravidez suscitou muito menos interesse na comunidade médica e cientifica, do que a depressão pós-parto, motivo pelo qual, esta última é muito mais estudada, abordada e falada do que a primeira, atualmente.

 

Portanto, como podemos constatar, a resposta correta à questão que foi colocada é que "desde há séculos" que se fala, estuda e explora sobre Saúde Mental Perinatal, nomeadamente sobre Depressão Perinatal. 

 

Sabiam? 

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