Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Mulher, Filha e Mãe

Sensibilizar (para) e apoiar (na) ansiedade e depressão na gravidez e no pós-parto

Do tornar-se mãe ao blues pós-parto: um caminho (in)esperado.

Há pouco tempo escrevi sobre o facto do Baby Blues ser uma fase expectável na vida de um casal. Lembram-se?

 

Não fui eu que o disse. Já vários autores têm escrito sobre o assunto. Algo que tenho tido a oportunidade de verificar em livros mais técnicos. 

 

Ao longo do último semestre da mestrado desenvolvi alguns trabalhos na área da saúde mental perinatal, e houve um que sempre pensei colocar de uma forma adaptada aqui, no blogue. 

Está relacionado com o tornar-se mãe. Já alguma vez tinham ouvido falar sobre esta expressão? 

Este conceito foi desenvolvido por Ramona Mercer, uma teórica de enfermagem que tem dedicado a sua vida a investigar e a ministrar formação nesta área. 

 

Assim, de acordo com a autora, tornar-se mãe, caracteriza-se por ser uma transição que envolve um conjunto de dimensões percecionadas, ou não, pela própria e que influenciam fortemente a mulher e o mundo que a rodeia. No fundo significa “a transformação e o crescimento da identidade materna”. Este conceito implica muito mais do que o cumprir de um papel. Integra de igual forma a aprendizagem de novas competências e a ampliação da confiança em si própria, há medida que enfrenta novos desafios nos cuidados para com o respetivo filho.

 

IMG_20150415_084601.jpg

 

A transição para a maternidade é um dos maiores eventos promotores de desenvolvimento da vida de uma mulher e tornar-se mãe implica movimentação de uma realidade que se conhece e se domina, para uma realidade completamente nova e desconhecida pela própria*. A transição requer metas de reestruturação, comportamentos e responsabilidade para atingir um novo conhecimento do “eu”. Só pela acima descrita conceção se consegue compreender, embora que de uma forma bastante generalizada, o quão complexo é o processo do “tornar-se mãe”, mesmo quando estamos perante uma escolha consciente e responsável por este caminho. Tornar-se mãe e desenvolver o respetivo papel ao longo da conceção, gravidez e pós-parto requer uma série de adaptações já descritas por alguns autores e que envolve um conjunto de ajustes biológicos, psicológicos, e sociais necessários ao seu desenvolvimento.

 

Tendo em conta o descrito anteriormente é fácil compreender que o caminho entre o tornar-se mãe e o desenvolvimento de um blues pós-parto não seja tão longo como para alguns poderá parecer. 

No meio deste caminho muitas poderão ser as dúvidas com que os pais se deparam, muitas são as mudanças de rotinas, muitas são as novas aprendizagens, muitas são as novidades, mas também muitos poderão ser os dissabores de todo este rodopio físico e emocional. E tendo em conta a presente pródiga desenvoltura, o baby blues enquanto resultado final encaixa aqui como uma luva em muitas das mulheres e homens que foram recentemente pais. 

 

Não significa que todos passem pelo mesmo. Não significa que o babyblues evolua sempre da mesma forma ou que se manifeste sempre do mesmo jeito. Não significa que o baby blues dure o mesmo tempo em todos os casais, assim como não significa que todos o retenham enquanto experiência da mesma forma. 

Significa sim que todos devemos estar alerta para este tipo de situação, uma vez que se mal interpretada ou gerida, o resultado final poderá ser devastador. E aqui, na rubrica Histórias que dão a cara por esta causa, temos muitos exemplos disso. 

 

Já conheciam? 

 

 

*Meleis A. I. (2010). Transitions Theory: Middle-Range and situation-specific theories in nursing research and practice. New York: Springer Publishing company.

1 comentário

Comentar post