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Mulher, Filha e Mãe

Sensibilizar (para) e apoiar (na) ansiedade e depressão na gravidez e no pós-parto

Entrevista à Dra. Ana Telma Pereira #1

Lembram-se de vos ter falado da Dra. Ana Telma Pereira* e do seu trabalho de investigação na área de Saúde Mental Perinatal, aqui?

 

A própria respondeu a algumas questões para a Rádio Regional do Centro, às quais tive acesso, e que tenho a certeza que serão bastante esclarecedoras para quem se interessa por a área, seja por motivos pessoais e/ou profissionais. 

Não vos vou conseguir colocar aqui a entrevista por inteiro, uma vez que é muito extensa, mas irei reparti-la em alguns textos de forma a que a leitura e reflexão sobre os diversos conteúdos que integra seja mais facilitada. 

 

Hoje, ficam com a resposta à primeira questão. Alguma dúvida?

blog@mulherfilhamae.pt

 

1. O que se entende exatamente por depressão perinatal?

 

A Depressão Perinatal compreende todos episódios depressivos que ocorrem entre a gravidez e os doze meses após o parto. Esta designação é consensual entre os peritos da área da Saúde Mental, nomeadamente pela Marcé Society, uma organização internacional dedicada ao estudo das perturbações psiquiátricas perinatais.

A depressão é a perturbação mental perinatal mais comum e, portanto, a que mais afecta as mulheres e as suas famílias. Como qualquer depressão clínica, independentemente do período de vida em que ocorre, é considerada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como um problema de saúde pública porque é cada vez mais prevalente, é prevenível e é tratável.

Enquanto perturbação depressiva, caracteriza-se pela presença de humor deprimido e/ou perda do interesse ou do prazer em todas ou quase todas as actividades, durante pelo menos duas semanas, acompanhados de pelo menos quatro dos seguintes sintomas biológicos e/ou cognitivos: diminuição ou aumento do apetite ou do peso; insónia ou hipersónia; agitação ou lentificação psicomotoras; fadiga ou perda de energia; sentimentos de desvalorização ou de culpa excessivos; dificuldade de concentração ou de tomada de decisão; pensamentos recorrentes de morte ou de suicídio. Estes sintomas acarretam prejuízo significativo no funcionamento. No entanto, estar grávida, ter um bebé e ser uma recém-mãe constituem acontecimentos que podem influenciar grandemente o conteúdo dos pensamentos negativos e o modo como os diversos sintomas se manifestam. Por exemplo, é comum as mulheres sentirem-se culpadas por não serem mães suficientemente boas, sentirem-se inseguras acerca das capacidades parentais e terem preocupações excessivas e/ou irracionais acerca do bem-estar e desenvolvimento do bebé. Por outro lado, muitas mulheres referem-se à incapacidade para sentirem proximidade e interesse pelo bebé.

 

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*Ana Telma Pereira

Psicóloga; Investigadora Auxiliar no Serviço de Psicologia Médica da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (Director: Prof. Doutor António Ferreira de Macedo)

Coordenadora do Projecto Rastreio, prevenção e intervenção precoce na depressão perinatal nos cuidados de saúde primários

Financiado pelo Programa Iniciativas de Saúde Pública, EEA-Grants (MFEEE 2009-2014)