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Mulher, Filha & Mãe.

Sensibilizar (para) e apoiar (na) ansiedade e depressão na gravidez e no pós-parto

Mulher, Filha & Mãe.

Sensibilizar (para) e apoiar (na) ansiedade e depressão na gravidez e no pós-parto

"Fiquei em pânico, tenho um bebé em casa e não sei o que fazer!"

Há poucos dias, uma leitora partilhou uma reflexão comigo onda constava a frase que coloquei no titulo. E a questão que vos coloco depois de conversar com ela, é: Quantos de nós, pais, já não sentimos isto? 

 

A parentalidade não é uma condição fácil, simples, padronizada ou estanque, com a qual se viva confortavelmente, sem grandes ondas ou desafios. Muito pelo contrário! 

Ser pai e ser mãe é um desafio constante, veloz, profundo e que não pára só porque nos damos conta que, de facto, em determinadas situações não sabemos mesmo o que fazer. Não sabemos - mesmo! - como agir. 

 

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Ficar em "pânico", com um bebé em casa, e sentir que não se sabe o que fazer, não é, de todo, um lugar incomum! 

 

A questão é que:

  • Quando estamos em pânico e não sabemos o que fazer, raramente este tipo de reflexão nos incorre de imediato! 
  • Ter um bebé e cuidar do mesmo, especialmente pela primeira vez, pode mesmo ser assustador e desorganizador para alguns pais.
  • Quando nos sentimos em pânico, respirar fundo e acreditar no nosso instinto parental, funciona. Contudo, pedir ajuda, por vezes, também poderá ser o melhor caminho. 
  • Quando estamos em pânico e sentimos que não temos ajuda, dar-mos o melhor de nós, é sem dúvida o melhor remédio.

 

Dizem que existe um instinto maternal e paternal que devemos seguir, e eu acredito. Acredito que acima de qualquer opinião alheia, certificada academicamente e/ou simplesmente de confiança, não há ninguém que saiba o que é melhor para a sua cria, do que os próprios pais. Mesmo nos momentos de pânico. Porque eles existem, e continuarão assim - a existir - desde a gravidez até aos dias de hoje, e inerentemente a todos os que futuramente virão. 

 

Os momentos de pânico são momentos de crise, que mesmo de curta, média ou longa duração, como momentos de crise que são, constituem-se fortes catalisadores de mudança. E é muitas vezes nesses mesmos momentos de crise, em que pensamos não saber como agir, que aprendemos com a forma como agimos. Querendo ou não, com um bebé nos braços, em casa e em família, considero que praticamente todos os momentos gritam por si só uma atitude da nossa parte. E há pais que se sentem mais preparados, há pais que o estão efetivamente, e outros que se sentem mais inseguros em determinadas situações. E quando o estão, como costumam agir? Por instinto? Depois da resposta a um pedido de ajuda? Ou nem sequer refletem sobre o assunto?

 

Na prática, aquilo que considero ser verdade é que nós, pais, vamos ter dúvidas todos os dias!

E há dias em que vamos estar mais confiantes. E outros em que vamos estar mais inseguros. 

E depois de tudo isto, acredito que mesmo aqueles pais que já tenham vários filhos ou filhos mais velhos, ao final de tantos anos continuam, muitas vezes com dúvidas, e por vezes, sem saberem como agir.

 

Sentir que não se sabe como agir, não me parece ser o problema. Não refletir sobre isso, não questionar, não aprender com os erros, não querer saber e/ou nem sequer procurar a melhor forma de atuar, é que me parece não ser o mais adequado nesta, ou em qualquer outra situação. Envolva filhos, ou não. 

 

Corrijam-me se eu estiver errada, mas haverá aqui alguém que já nasceu ensinado? 

Eu, não!