Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Mulher, Filha e Mãe

Sensibilizar (para) e apoiar (na) ansiedade e depressão na gravidez e no pós-parto

Histórias que dão a cara por esta causa #20 - "Considerava a Depressão Pós-Parto algo sem sentido, mas a verdade é que não se controla"

Foi excecional o contributo desta leitora para o blogue. 

Não falo só em termos de testemunho na primeira pessoa que partilha - o que em muito já contribui para a divulgação ativa do tema - como também da força que me transmitiu enquanto mulher e mãe. 

 

Há dias complicados por trás deste ecrã. Dividir o tempo entre a Família, Amigos, Mestrado, Trabalho e Blogue nem sempre é fácil. Especialmente porque adoro tudo o que faço. Amo a minha família e amigos, adoro o mestrado que faço, assim como o percurso profissional que estou a traçar atualmente, e adoro escrever!

E num dia mais confuso, esta leitora transmitiu-me uma forte mensagem, que ainda me motivou mais a fazer a gestão que faço todos os dias. Quando o resultado é este, só pode haver um caminho: continuar!

 

Obrigada minha querida! 

Partilhem também as vossas histórias relativas à Depressão Pós-Parto, sejam na primeira pessoa, sejam companheiros, filhos, amigos, vizinhos, tios, primos, etc. Tragam-me as vossas visões sobre o tema! Partilhem as vossas opiniões e vivências. Vamos falar sobre o assunto! 

 

blog@mulherfilhamae.pt

 

momandbabysleep.jpg

 

"Olá Ana, Tenho lido vários artigos que tem publicado no seu blog e sempre que leio fico com uma enorme vontade de lhe falar. Tenho vindo a adiar, talvez por comodismo, privacidade e receio de falar do que me é frágil, mas chegou o dia.

Eu sou a (leitora), tenho 27 anos e fui mãe há 1 ano atrás. As coisas agora estão melhores mas no início não foi nada fácil. Tinha uma enorme vontade de ser mãe e as minhas expectativas estavam demasiado elevadas em como tudo ia correr como eu mais desejava, principalmente em relação à amamentação. Não aconteceu! Estive três dias no hospital após uma cesariana que correu lindamente, recebi imensas visitas que não me incomodaram porque sabia que tinham tempo limitado, a minha filha nasceu bem e saudável; e tive o apoio de todas as enfermeiras na adaptação da bebé ao peito (depois de durante toda a gestação ser bombardeada com a questão de que o leite materno é o melhor para o bebé por variados motivos, e atenção, sou completamente de acordo).

Chegados a casa, tudo começou a ficar mais confuso... Os amigos que não tinham ido ao hospital marcavam visitas para lá ir a casa o que senti que me começou logo a afectar. Queria estar sozinha, não tinha vontade de estar com mais ninguém para além da minha filha, todas as perguntas me perturbavam, até as mensagens que recebia a perguntar constantemente se estava tudo a correr bem, enfim...

No meio de tudo isto comecei-me a aperceber que a minha filha não ficava saciada com o peito até que resolvi tentar extrair com a bomba para ter ideia da quantidade que estava a produzir. Em 20 minutos saíram 4 gotas... não tinha leite! Aí sim, senti que não fiquei bem, aliás, ainda hoje me julgo e pergunto o porquê de não lhe ter conseguido dar o melhor que dependia de mim. Confesso que ainda é um assunto bastante delicado. Fiquei obcecada pela minha filha ao ponto de rejeitar o pai, para mim era só eu e ela, não era preciso mais ninguém. Chorava muito enquanto olhava para ela a dormir, e pensava que era o acumular de tanto amor, de tanta felicidade, mas já não era.

O tempo foi passando e eu tive plena noção de que não estava bem mas não era capaz de falar com ninguém sobre isso. Pensei, "não vou procurar ajuda médica porque me vão medicar e eu não quero ficar dopada! Ninguém me vai entender! Vou ter força interior para ultrapassar tudo isto sem que ninguém perceba!". Assim fiz, não foi nada fácil, passava muito tempo sozinha com ela e sempre que ela dormia (que era muito tempo) era o desespero total sem conseguir explicar o motivo.

Sempre achei as depressões pós-parto uma coisa sem sentido, sempre pensei "como alguém pode entrar em depressão quando é suposto ser o momento mais feliz das nossas vidas?!", é verdade, não deixa de o ser mas é algo que não se controla. Hoje em dia já me sinto melhor, só há pouco tempo é que comecei a falar com os meus familiares sobre o que passei, inclusive com o meu marido, e para meu espanto e uma certa tristeza soube que ninguém deu por nada... Sinto-me bem, embora emocionalmente mais sensível, sou feliz mas tenho alguns receios para o futuro.

Não me sinto minimamente preparada para pensar num segundo filho, tenho muito medo de ter que passar por tudo isto outra vez... e outro dos meus medos é que esteja com uma depressão mal tratada que a qualquer momento me deite abaixo. Desculpe todo este desabafo.

Esta é a minha história e obrigada pelo seu contributo com o blog porque certamente vai ajudar outras mães que possam estar a passar pelo mesmo. Infelizmente tenho a sensação de que só "nós" nos entendemos. Um beijinho."