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Mulher, Filha e Mãe

Sensibilizar (para) e apoiar (na) ansiedade e depressão na gravidez e no pós-parto

Histórias que dão a cara por esta causa #1 - "De uma mãe enfermeira para outra"

É bom saber que nenhuma de nós está sozinha.

É ótimo verificar que o nosso propósito tem fundamento prático.

É revigorante sentir o reconhecimento dos passos que vamos dando, e entrarmos no nosso email e vermos que nos escrevem mensagens como esta, que partilho convosco de seguida. 

 

Esta, é mais uma história sobre uma mulher que passou pelos tais babyblues: Já ouviram falar? 

Esta, é a história de E.G., uma mãe, também enfermeira, que viveu cruamente o amargo sabor do inicio de uma maternidade, onde nem tudo foram rosas.

Acima de tudo, esta, é mais uma história real de uma mulher e mãe que dá a cara por esta causa, mesmo que não queira aparecer.

 

Mais uma vez, Muito Obrigada E.G., por teres tido a coragem de nos escrever, dando também tu, sentido a este nosso espaço e força para continuarmos a caminhar.

 

Se também vocês quem dar a cara por por esta causa, mesmo não querendo aparecer, façam como a E.G. e enviem-nos as vossas histórias e/ou sugestões para o seguinte email: blog@mulherfilhamae.pt.

 

 

Olá Ana boa tarde!

Após várias tentativas, finalmente consegui a coragem e o tempo para  escrever.

Chamo-me E.G. e gostaria de partilhar consigo a minha história, que tem em comum com a sua o facto de ambas termos vivenciado o babyblues e sermos enfermeiras.

Quando li a sua história, facilmente me identifiquei, e percebi que não estou só. Por isso antes de mais, o meu sincero Obrigado!

Fui mãe pela primeira vez  no dia 31 de Dezembro de 2014 após duas semanas internada no hospital devido a uma pré eclampsia e uma colestase gravidica.
A C. nasceu por cesariana de urgência as 35 semanas devido a alteração dos fluxos e abrandamento do ritmo cardíaco. Tinha 1.790 kg de peso e por isso após alguns minutos comigo foi para a neonatologia onde permaneceu por 12 dias.
Eu tive alta do puerpério após 72h e apesar de não ter a minha filha comigo em casa estava feliz por finalmente voltar a casa após o internamento.
Cerca de dois dias após a alta comecei com febre e tinha muita dificuldade em andar mas não deixei de  visitar a minha filha.
A febre fez com que desidratasse e diminuiu bastante a quantidade de leite materno que eu tirava para a C.
Uma semana após a alta e na segunda ida a urgência fiquei novamente internada devido a uma grave infecção e hemorragia abdominal, decorrentes da cesariana.
Tive que fazer antibióticos por via endovenosa e como tal tinha mesmo que permanecer no hospital. A única vantagem era que não precisava andar tanto para ver a C.
Felizmente dois dias depois ela teve alta da neonatologia e ficou comigo durante a semana que estive internada.
Dezassete dias após o nascimento da minha filha, fomos finalmente as duas para casa e foi nessa altura que começou o meu babyblues.
Nada me tinha preparado para aquela sensação de medo, tristeza, insegurança... e só piorou quando a C. começou a recusar o peito. Culpei-me e ainda me culpo por isso apesar de saber que não poderia fazer mais do que fiz...com apenas 2.045kg veio para casa e eu só podia dar 10 min de mama para que ela não perdesse peso.
Tentei de tudo. Pedi ajuda ao SOS amamentação mas já pouco havia a fazer e essa situação estava a fazer-me entrar em depressão e a piorar a minha relação com a minha menina. Optei por desistir e com o cansaço já não saía nada quando tentava tirar com a bomba.
O meu marido e restante família tentaram ajudar mas ao fazerem-no, sobretudo os meus pais...só me faziam sentir pior.
Foi um início de maternidade completamente diferente do que idealizei e o regresso a casa foi mesmo muito difícil. Ainda hoje estou a superar toda esta situação.

Ver a minha filha crescer ajuda muito mas ter conhecimento de mães como a Ana que também passaram por isto ajuda-me a não me sentir tão só.

Muito Obrigado mais uma vez por dar a cara, por partilhar e acima de tudo por abordar um tema que ainda é visto como tabú pela sociedade.

Um bem haja,

Cumprimentos,
E.G. 

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