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Mulher, Filha & Mãe.

Sensibilizar (para) e apoiar (na) ansiedade e depressão na gravidez e no pós-parto

Mulher, Filha & Mãe.

Sensibilizar (para) e apoiar (na) ansiedade e depressão na gravidez e no pós-parto

Histórias que dão a cara por esta causa #14 - "cheguei a um ponto de ansiedade tal que sentia que só queria morrer"

Uma leitora do blog enviou-nos a sua história via email, relatando de forma bastante clara e objetiva muito do que passou antes, durante e após lhe ter sido diagnosticada uma depressão pós-parto. 

 

Um relato com o qual, eu acredito, que muitas pessoas se identificarão. Ou porque passaram pela situação descrita de forma semelhante, ou porque a observaram de perto. 

 

Tenho a certeza que por aí existem muitas outras histórias semelhantes, ou mesmo que pouco semelhantes, que merecem ser partilhadas para que todos nós, de uma forma geral, possamos ficar mais alerta para o problema em questão e que se insere na esfera da Saúde Mental Perinatal

Enviem-me as vossas histórias sobre o tema para blog@mulherfilhamae.pt

 

Conto convosco!

 

 

Há 5 meses atrás, percebi que precisava de ajuda porque tinha entrado numa espiral de ansiedade, medo, angústia, desespero. Sentia-me quase sempre infeliz, muitas vezes pensava que não queria ter tido a minha filha e queria a minha vida de volta. Não estava a estabelecer ligação emocional com ela. Cuidava dela por responsabilidade e obrigação. Evitava olhar para ela. Estava em piloto automático: era mamar, por arrotar, mudar fralda, por (tentar) a dormir. Achava que era normal sentir-me assim, todos diziam que ia passar, que faz parte, que não é fácil ter um filho, que todas as mães passam por isso. Que eu devia sair de casa, estar com pessoas, falar, evitar andar de pijama e eu fazia isso tudo. Saia sozinha, com amigas, com o meu marido, falava ao telefone com amigas mães para procurar companhia e conselhos, vestia-me todos os dias, tive ajuda dos avós, do meu marido e mesmo assim cheguei a um ponto de ansiedade tal que sentia que só queria morrer. 
 
O ponto de ruptura foi perceber que passados 2 meses eu continuava a abanar a minha filha, gritava com ela com frequência, cheguei a gritar que a detestava. A seguir chorava imenso pelo mal que sabia que lhe estava a fazer, que ela não tinha culpa nenhuma. Custou-me muito admitir que fazia isto à minha filha, custou-me admitir a mim mesma, ao meu marido, ao resto das pessoas. Pensei que iria conseguir ultrapassar sozinha, mas não consegui. Decidi pedir ajuda médica e foi me diagnosticada depressão pós-parto. Comecei a tomar medicação e, aos poucos, as coisas foram melhorando. Já me sinto mais a Ana de antes, com o plus de ter uma filha com a qual já tenho um prazer imenso em estar :) E a filha que eu achava que tinha dias muitos difíceis, por estar muito irritada passou a ser um bebé mais calmo. A mãe está mais calma e feliz, por isso...
 
Sinto que se fala muito pouco sobre este tema. Espero contribuir um bocadinho para desmistificar e ajudar outras mulheres a terem força para procurarem ajuda. Faz toda a diferença! Temos que cuidar de nós acima de tudo. Se estivermos bem e felizes os nossos filhotes também estarão.
 
Obrigada!