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Mulher, Filha & Mãe.

Sensibilizar (para) e apoiar (na) ansiedade e depressão na gravidez e no pós-parto

Mulher, Filha & Mãe.

Sensibilizar (para) e apoiar (na) ansiedade e depressão na gravidez e no pós-parto

Histórias que dão a cara por esta causa #17 - "A depressão começou a instalar-se e eu não me apercebi"

Há pouco tempo fui contactada pela Joana. Uma leitora que já segue o blogue há algum tempo, e que hoje, passados alguns meses, sentiu que era o momento certo para descrever um pedaço da sua história, tendo a coragem de falar "em voz alta" sobre o caminho que tem trilhado pela depressão pós-parto. 

 

Mais uma história que me prendeu do inicio ao fim, e me fez refletir sobre o sofrimento que muitas mulheres experimentam em silêncio, muitas vezes sem o apoio necessário numa fase tão delicada e que se pode tornar numa das mais marcantes de suas vidas. 

 

Obrigada Joana, por ter partilhado connosco a sua experiência e por contribuir para que mais mulheres e respetivas famílias tomem consciência da presente problemática, que frequentemente vamos abordando por aqui

Enviem-me também as vossas histórias. Juntos, falamos mais alto e chama-mos à atenção de um maior número de pessoas para problemas como a depressão pós-parto e para outros que integram o leque da saúde mental perinatal

blog@mulherfilhamae.pt

 

 

 

"A minha gravidez foi desejada, mas mais tarde as incertezas e inseguranças instalaram-se.
Pelo pai do meu filho eu tinha engravidado três meses após nos termos juntado. Mas eu achava que era cedo ser mãe com 25 anos, consegui demove-lo da ideia ,porque nós tínhamos primeiro que nos adaptar à nossa vida de "casados". Em Fevereiro de 2007 deixei de tomar a pílula e assim começar a tentar engravidar.
Depois de três testes darem negativos resolvi desistir e focar-me nas férias de verão. Quando regressei em Setembro resolvi fazer outra vez o teste da farmácia,deu positivo foi uma alegria para todos.
Fui à médica que ralhou comigo por não ter preparado o corpo para a gravidez se dar.
Já estava grávida de seis semanas. A gravidez foi santa sem enjoos, sem desejos por ali alem. O meu parto foi no Garcia da Orta, nada a apontar, fui bem tratada. Depois de dar à luz tudo começou a desabar.
Tudo começou quando a minha mãe quis mudar a fralda ao neto no hospital e a minha ex-cunhada tentou ensinar à minha mãe como por a fralda ao neto.
A minha mãe disse que sabia como mudar a fralda ao neto ,tendo em conta que a minha mãe já tinha tratado das 3 filhas, sobrinhos e filhos das vizinhas.
Quando chegamos a casa já estava desgastada, com uma dor de cabeça que não me aguentava efeito da epidoral e todos a quererem estar com o Diogo.
A minha sogra foi prestável fez me uma sopa e arranjou queijo fresco que eu não comia na gravidez por não ser imune à toxoplasmose.
Depois foi quando começou o nosso desentendimento.  banho que ia dar ao bebé  e o ex-marido gritou para ter cuidado, porque dizia que eu ia deixar o nosso filho escorregar  dos meus braços para dentro da banheira.
Durante quinze dias ele deu o banho. Bati o pé porque queria ter também aquele momento para mim. Pedi-lhe para trocarmos as tarefas. Não aconteceu. Passei a dar banho ao bebé, a por mesa ,a fazer o jantar,levantar mesa e por a máquina a lavar a loiça.
Resumidamente passei a fazer tudo. Depois deste desgaste todo ainda tinha que ter disposição para a nossa intimidade.
A minha mãe ,esteve em nossa casa há hora do banho do neto, todos os dias. O ex-marido queixava-se que a minha mãe estava sempre la em casa.
Desabafei com ela começou-se a queixar porque não me pus no lado dela para a defender ao mesmo tempo chorava, porque queria ver o neto ainda por cima era o primeiro.
Andei a ter discussões com o ex-marido e mãe. Se soubesse o que sei hoje tinha me posto do lado dela e não dele.
A depressão começou a instalar-se e eu não me apercebi,ate ao dia que a médica me pergunta se ele me ajudava comas tarefas e eu desato num pranto.
Tinha o Diogo seis meses quando comecei a tomar anti depressivos. O meu filho já não mamava porque ele mordia o mamilo ate adormecer então começou a comeras sopas e papas.
A noite chegava e depois de jantar já não fazia companhia e ia para o café . Ficava ali a noite sozinha com o nosso filho. Em dias de fim de semana era ate as tantas no café. Eu abdiquei de certas coisas e ele fazia vida como se fosse solteiro. Tivemos altos e baixos até ao dia que não aguentei e acabei tudo. Até ao dia da separação dormia com o meu filho na cama dele. O Diogo tinha 3 anos a um mês de fazer os 4 quando voltei para casa dos meus pais.
Depois da separação tomei outra vez anti depressivos.
Isto já é de família temos tendência  a depressões. Este ano fiz outra vez a toma destes malditos comprimidos.
A causa para os ter que tomar foi a violência doméstica. Já esta tudo resolvido, graças a Deus.
Em relação ao pai do meu filho,já resolvemos todas as nossas divergências e passado estes cinco anos resolvemos falar tudo o que não falamos na altura.
Eu? Eu continuo a lutar para alugar uma casa e deixarmos de uma vez por todas a casa dos meus pais.
Obrigada por despender estes minutos par ler esta experiência que tive na minha vida.
Não estou nada arrependida por ter tido o meu filho. É tudo o que eu tenho e mais gosto na minha vida."