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Mulher, Filha e Mãe

Sensibilizar (para) e apoiar (na) ansiedade e depressão na gravidez e no pós-parto

Hoje, não é um bom dia.

Por isso não me falem. 

Não me olhem. 

Não. 

 

Hoje, não é um bom dia, mas não entendendo. 

A agonia. A dor. O olhar fixo. 

Não estou cá. 

 

Hoje, poderia ser, mas não é um bom dia. 

Depois de te ter, ninguém diria. 

Mas é como me sinto. Só.

 

Hoje, é um dia igual a tantos outros.

As mesmas rotinas, o mesmo acordar.

Mas estou cansada.

 

Estou cansada de sorrir, de ter de ser.

Cansada do silêncio que ninguém repara. 

Cansada de estar e de ter de corresponder.

 

Hoje, estou cansada e só. 

E, no entanto, todos os dias acompanhada.

Ninguém me vê, eu não me vejo.

 

Hoje, não é um bom dia, mas amanhã, poderá ser melhor. 

Talvez. Mas vou sem expectativa. 

Prefiro conservar a agonia à dor acrescida da desilusão.

 

Hoje, não é um bom dia.

Esta dor teima em ser sentida. 

E eu, confusa, não sei o que fazer.

 

Hoje, não é um bom dia.

Olho para ti. Mas só este olhar de te ter, não me traz a alegria precisa.

Preciso de me olhar para me encontrar e não sei como o fazer. 

 

Hoje, não é um bom dia.

E isso também contribui, para assim, não o ser. 

Será que algum dia terei essa alegria do prazer de de ter?

 

Não sei. 

 

Ficará a questão para mais tarde responder. 

 

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