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Mulher, Filha e Mãe

Sensibilizar (para) e apoiar (na) ansiedade e depressão na gravidez e no pós-parto

Movimento Depressão Pós-Parto - Testemunho #2

E as respostas continuam a chegar-me ao email, com as mais variadas opiniões sobre o tema. 

 

E tu, o que é que sabes sobre Depressão Pós-Parto? Já alguma vez tinhas pensado sobre isso? 

 

A Rita, autora dos blogs 'Conversa, Café e Sorrisos' e 'Dentro de mim', enviou-me uma resposta com base na sua vivência, falando também de algumas estratégias que utilizou para ultrapassar o momento menos positivo que viveu no seu pós-parto. 

Junta-te ao #movimentodepressãopósparto e envia-me também a tua resposta à pergunta:

"O que é que tu sabes sobre Depressão Pós-Parto?"

 

blog@mulherfilhamae.pt

 

o que é que tu sabes sobre dpp.jpg

 

Sou mãe e passei pelo período de pós-parto.

Tive uma gravidez inicialmente atribulada (um descolamento da placenta às 7 semanas meses que me impossibilitou de trabalhar e ter uma vida normal até as 13 semanas – altura em que tive alta).

Como mamã de cesariana (o meu príncipe estava numa posição pélvica) tive sempre muito presente as celebres frases “nem sabes a sorte que tens” e “não vais ter um parto natural nem sabes o que é ter filhos”.

Desenganem-se se pensam que este tipo de coisas não nos afeta. Sim, afeta.

E comentários como este podem deitar por terra uma mulher que (em estado de recuperação) está mais fragilizada.

Não posso dizer que tenha sofrido de DPP grave logo após o parto mas, durante o período de amamentação, engordei bastante e, apesar de ser nova, demorei quase 2 anos a recuperar a minha forma.

Ouvia as pessoas a comentarem “olha lá, ficou tão forte depois do parto” ou “era uma rapariga tão magrinha e agora ficou assim”. Isso massacra-nos o psicológico e queira-se ou não leva-nos a ficar cada vez mais em baixo e mais deprimidas.

A DPP no meu caso passou por um estágio de negação, na qual eu achava que se desse a parte fraca as pessoas iam achar que eu era fraca ou que não tinha capacidades de cuidar convenientemente do meu filho.

Passou por uma fase de raiva, na qual eu evitava a todo o custo olhar para mim e para o meu corpo porque tinha nojo e desgosto por aquilo que ali via.

Passou pela fase do desleixo, onde me comecei a deixar de me vestir com roupas justas e passei a andar com roupas que em nada me favoreciam e a perder completamente a feminilidade.

Passou pela fase da negação sexual, que me recusava a praticar sexo com o meu marido porque achava eu que ele odiava o meu corpo e só o fazia por necessidade.

E mais tarde pela fase da aceitação, em que um dia olhei para o espelho e disse para mim mesma “tens 26 anos, um filho para criar e muito para dar” e comecei a fazer dieta e a consultar sites de aconselhamento para mães que após a gravidez ganham kilos extra.

E foi assim que, pouco a pouco, numa luta que travei comigo e contra mim que hoje, com quase 29 anos voltei ao meu peso normal e a gostar de me ver ao espelho.

Penso que a DPP é diferente em cada mulher e que cada uma tem os seus estágios e as suas etapas, tanto na queda como na recuperação. Mas uma coisa é igual para todas, uma simples palavra pode fazer toda a diferença para o bem e para o mal.

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