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Mulher, Filha e Mãe

Sensibilizar (para) e apoiar (na) ansiedade e depressão na gravidez e no pós-parto

Onde está a minha mulher?

Acredito que seja este o pensamento de muitos homens que acabam de ser pais. Que num dia têm no olhar de quem está há anos a seu lado, uma ternura e uma vontade de estar sem fim, e que no outro, atentam que no olhar não se encontra nem por perto o carinho que também os embalava e os fazia reconhecer que estava ali a mulher que os amava. 

 

Acredito de igual forma que este pensamento seja fruto de muitas emoções que muitas vezes preferem esconder. Que produza ao mesmo tempo uma série de confusões e de zangas internas que se perdem, na tentativa de as resolver. Que instiga a desilusão de quem muito ou pouco expectava por um novo futuro cheio de amor e harmonia.

 

Imagino que para muitos, seja simples refletir sobre o facto de que de um pequeno rebento, isento de ação, mas cheio de ligação com ambos, pudesse nascer tamanha alteração, tamanha adaptação, tamanha confusão, tamanho amor. 

 

É difícil compreender para alguns onde fica a mulher que outrora os olhava com uma expressão exclusiva de amor e cuidado. Que outrora só tinha espaço para si nos seus braços, no seu peito, no seu corpo. Que outrora só o desejava. Que outrora só em si pensava, especialmente quando a casa chegava. 

 

É difícil para outros, ou até para os mesmos, aceitar que as rotinas mudam, que os humores também, que a família não alarga só em número, que o espaço não se ajusta só em mobílias e que as visitas deixam de vir somente por si.  

 

No fundo, é difícil compreender o impacto da chegada de um bebé quando ele ainda não está nos seus braços. Quando ele nem sequer nasce no seu corpo, ou quando só e simplesmente faz parte da sua imaginação. Quando nem sequer existe outro por perto. 

 

E tudo isto, há que ter em conta como de, nada mais, nada menos, do que completa e absolutamente natural. Mas Pais, peço-vos só um pouco de compreensão. Um pouco mais do que aquela que consideram ter, ou mesmo do que aquela que têm tido e que consideram que está a terminar. 

E como se já não estivesse a abusar, peço-vos também um pouco mais de tolerância e afeto, mesmo nos piores momentos. Tolerância e afeto com quem está a vosso lado, e acima de tudo, tolerância e afeto convosco próprios. Acreditem no que já construíram. Relembrem várias vezes o que prometeram construir. E reflitam bastante sobre como é que podem tornar esta fase - porque é isto que é, uma fase - no momento mais confortável possível, dentro da desorganização mental que poderão estar a viver. 

 

 

A verdade é que vocês conhecem de ginjeira quem têm ao lado. Simplesmente, essa mulher, tem agora em si uma nova e complexa missão - o constructo de um novo papel, o de mãe - e vocês têm em vós uma posição fundamental nas suas vidas - o vosso apoio é fundamental! - nas vossas vidas - também vocês estão a construir o vosso papel de pai - e na vossa vida de casal - tolerância e afeto... estão recordados? 

 

Sim... vocês já eram, mas agora, são ainda mais importantes!