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Mulher, Filha & Mãe.

Sensibilizar (para) e apoiar (na) ansiedade e depressão na gravidez e no pós-parto

Mulher, Filha & Mãe.

Sensibilizar (para) e apoiar (na) ansiedade e depressão na gravidez e no pós-parto

Os pais como mediadores.

Como eu já calculava, este texto do nosso querido amigo José Mendes, foi um sucesso! 

 

Como tal, hoje, trago-vos a continuação da sua reflexão. Curiosos?

 

 

Na sequência da anterior sugestão, em que lembrávamos que os pais podem olhar para os filhos como um serviço à sociedade, e não como uma propriedade exclusiva, vamos dilatar mais essa perspectiva.

 

Todos nós integramos um colectivo, que é o meio onde vivemos. Este presta-nos determinados serviços e nós fazemos o mesmo. Sempre existiu uma grande interdependência. O que implica uma responsabilidade mútua que, no caso da gravidez, tende a ser esquecida, tanto pelos pais, como pela sociedade. Geralmente, olhamos com simpatia para uma grávida, mas quando estão em causa questões laborais, o mais comum é pensarmos na vertente financeira, relegando as condições do desenvolvimento da criança para outro plano.

Porém, todos somos afectados por essas decisões. Os pais devem ser encarados como mediadores e responsabilizados pela sua actuação, tanto na vertente física como psicológica. O todo social deve proporcionar-lhe os meios adequados a um correcto desenvolvimento, mas isso não pode ser encarado como uma obrigação sem retorno. Esta atitude, por vezes displicente, por parte dos pais, tem implicações que importa aprofundar. Desde logo, poderá querer dizer que as nossas responsabilidades sociais são muito limitadas, pois os filhos são “nossos” e a maneira como os educamos só a nós diz respeito.

 

Esta visão antiquada da educação em geral e, em particular, da gravidez, gera uma sociedade defeituosa e reflecte-se no nosso progresso. Dá origem a seres mimados e ego centrados, que irão reproduzir essa perspectiva nas gerações futuras.

Muitas vezes, caímos na tentação de olhar para os nossos rebentos como se estes não crescessem. Mas crescem! São eles os futuros homens e mulheres que darão corpo a este país e a este mundo! Há que pôr os olhos neles não como futuros bebés ou crianças mas como seres, que devemos ajudar a aperfeiçoar tendo em vista a sua maturidade. Como tal, convém orientá-los desde cedo nessa óptica, em vez de os educar como seres cuja responsabilidade é muito limitada. Ao fazê-lo estaremos a condicionar-nos e prestar um serviço deficiente a todos nós.