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Mulher, Filha e Mãe

Sensibilizar (para) e apoiar (na) ansiedade e depressão na gravidez e no pós-parto

Quem é que é da Família?

Quando eu tinha cerca de 7 anos (algum tempo depois da minha irmã nascer) explicaram-me:

 

"Aquela senhora é tua tia, mas não é de sangue, é de coração."

 

E não me perguntem porquê, mas de alguma forma aquela frase ficou a matutar no meu pequeno e imaturo cérebro, durante muito, mas mesmo muito tempo. Sempre que via aquela tia do coração, ou as tias de sangue, pensava: "Mas será que são todas da minha família? Como é que isso aconteceu? E ser de sangue é diferente de ser do coração?"

 

No fundo são aquelas tantas questões, que de alguma forma e por algum motivo muito especifico mas aquém da nossa imaculada capacidade de integração, nos ficam sempre a vibrar cá dentro. Seja com uma amplitude muito, pouco, ou mais ou menos crescente, constante ou vibrante, elas ficam cá. E durante muitos anos, até termos a nossa certeza relativa à fundamentação daquela questão, ela vai cá ficando até encontrar-mos a nossa resposta. 

 

Foi cerca de 10 anos depois que comecei a compreender muito melhor a minha resposta aquela minha vibrante interna questão: Mas afinal, quem é que é da família?

E não sei se convosco aconteceu o mesmo, mas a verdade é que esta, é daquelas respostas que se mantém entre a alegria da maturidade que daí advém, e a tristeza sobre o conhecimento adquirido. 

Mas é assim. Há coisas que temos de saber e integrar para crescer e fazer valer.

 

A resposta que obtive fez-me compreender que o sangue é um liquido, mais ou menos avermelhado consoante o local em que passa, e que numa média geral coexiste no nosso organismo em cerca de 4 a 6 litros, dependendo da pessoa. Ah! E também é fundamental para a nossa existência como seres vivos, neste planeta. O coração, por outro lado, é um órgão constituído praticamente na sua essência por um músculo denominado por miocárdio, integrando quatro cavidades bem conhecidas: duas aurículas e dois ventrículos. Podia estar aqui a escrever paletes de linhas sobre o coração, mas não vos vou fazer isso. Vou só ressalvar que a resposta que obtive, foram essas mesmas pessoas de sangue e de coração que me deram, com o passar do tempo:

 

  • Ser de sangue, ou de coração, não importa.
  • Importa sim, o que essas pessoas fazem por ti, as atitudes que têm para contigo, se gostam realmente de ti, tal como tu és, com todos os teus defeitos e virtudes no sitio;
  • Importa se essas pessoas realmente querem saber de ti, passes pela idade do armário, pelo final da tua licenciatura, pelo momento em que és uma simples desempregada, sem onde cair mais, ou menos, viva, ou pelo auge da tua vida profissional;
  • Importa se essas pessoas querem estar contigo nos melhores ou nos piores momentos: No dia que te partiram o coração, no dia que morreu alguém importante, no dia que te casas, no dia que sabes que vais ser mãe ou pai, no dia que sabes que arranjaste o emprego da tua vida, ou simplesmente no dia que tudo corre normalmente e nada mais há para dizer do que: está tudo bem, sem grandes novidades;
  • Importa se essas pessoas te acolhem em casa como se a casa também fosse tua, pois, sendo de sangue ou de coração, sempre ouvi dizer que: quando realmente se gosta, o amor e a partilha são de graça;
  • Importa se essas pessoas, que podem ficar dias, meses, ou até anos sem te ver, mas estão sempre lá, disponíveis, se for necessário. Assim como também importa, que essas pessoas te chamem atenção, se acharem que meteste o pé na poça;
  • Importa se essas pessoas, sejam de sangue ou de coração, pura e simplesmente, fazem por fazer parte da tua vida, do teu dia-a-dia, dos teus momentos, dos teus podres, das tuas virtudes, do que integralmente és, ou do que desejas ser e tentas adequar em ti; 
  • Importa, se elas contribuem. Importa se elas estão lá. Importa se não estão, mas se ocupam de te ligar, ou de fazer chegar até ti, o quão importante és para elas.

Tudo isto importa.

Tudo isto e mais alguma coisa que provavelmente me poderei ter esquecido e não está descrito aqui.

 

Mas sabem aquilo que considero que realmente não importa?

 

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A Hipocrisia e o interesse de se considerarem família, aqueles que só lá estão, triste e cruamente, no dia de um funeral. 

 

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