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Mulher, Filha & Mãe.

Sensibilizar (para) e apoiar (na) ansiedade e depressão na gravidez e no pós-parto

Mulher, Filha & Mãe.

Sensibilizar (para) e apoiar (na) ansiedade e depressão na gravidez e no pós-parto

Rolar, Sentar, Rastejar, Gatinhar, e finalmente, Andar.

"O meu filho não rolou nem gatinhou, começou logo a andar"

 

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Eis uma frase que me pôs a pensar bastante, após uma longa conversa com algumas amigas.

Será que não existe nenhum problema em começar logo a andar sem gatinhar primeiro? Será, tal comportamento, tão demonstrativo das grandes capacidades de uma criança? Ou, na prática, teremos sido inconscientes cúmplices de uma falha no longo percurso do desenvolvimento normal dessa mesma criança?

 

Aproveitei todas estas questões para pesquisar e aprofundar os meus conhecimentos e também para conversar com quem sabe um pouco mais sobre esta temática. No final, consegui sacar uma boa tarde de trabalho e aprendizagem com a inicial aprendiz, e hoje, minha formadora, de que vos falei aqui.

 

De acordo com a mesma, parece que a ordem normal do desenvolvimento de um ser racional de quatro membros é:

 

1º - Rolar

2º - Sentar

3º - Rastejar

4º - Gatinhar

5º - Andar

 

E que não convém passar "por cima" de qualquer uma das fases. Contudo, haverá algum problema em passar alguma delas? E se sim, onde, como e porquê?

 

Ela é, (quase quase quase) licenciada em terapia ocupacional, há anos, formada em terapia da Alma, recentemente tia, há muito, estudante e desde que nasceu, gira (e um pouco resmungona também) bastante interessada pela área do desenvolvimento da criança, tendo desenvolvido já vários tipos de trabalhos académicos dentro do mesmo tema. Hoje, finalmente, veio aqui responder-nos a esta questão. 

 

O que acham? Fico a aguardar a vossa opinião no final! 

 

(Sim, é verdade! O texto é um pouco extenso, mas sem dúvida alguma, que vale a pena ler!)

 

Quando os pais se vêem com um bebé recém-nascido, uma das coisas que ouvem dizer desde cedo (aproximadamente desde os 2 meses) é que se deve colocar o bebé de barriga para baixo. Esta posição torna-se fundamental pois promove o desenvolvimento da musculatura no pescoço, braços e pernas, necessária para permitir a passagem do bebé por fases importantes do seu desenvolvimento normal como o rolar, sentar, rastejar, gatinhar e andar.

O rolar é a primeira fase do bebé que está relacionado com o desenvolvimento do controlo postural e que será relevante para todas as fases que se seguem, como por exemplo, a função da escrita, que ocorre alguns anos mais tarde. É também importante uma vez que o cérebro do bebé começa a ganhar a sensação da existência de dois lados (esquerdo e direito) e de como funciona a coordenação entre ambos.

Depois de rolar o bebé começa a assumir a posição de sentado. Claro! É muito mais interessante ter uma visão nitidamente mais ampla do "Mundo" ao seu redor, nestes primeiros meses, nesta posição. É também, uma posição muito mais proactiva para tocar, brincar e interagir. Entre os 3-5 meses o bebé não consegue sentar-se sozinho, no entanto, começa a desenvolver as estruturas necessárias para construir uma base de suporte, necessária para o mesmo.

Depois da postura de sentado estar adquirida autonomamente e de o bebé conseguir brincar junto ao tronco (a chamada linha média) começa a ser-lhe interessante chegar aos brinquedos que estão mais longe, nomeadamente ao seu lado! Assim, a dissociação dos movimentos do tronco superior (ombros e peito) dos do tronco inferior (anca) começa a ser muito maior, permitindo ao bebé chegar a muitos mais brinquedos. Nesta idade, como já consegue colocar-se de barriga para baixo sozinho, o chegar a brinquedos que estão mais longe começa a ser um desafio. Isto torna-se possível pela extensão dos braços (que posteriormente começa a não ser suficiente). Aí surge o rastejar, uma etapa que permite a continuação do desenvolvimento da dissociação de movimentos entre tronco superior e tronco inferior, desenvolvendo a força muscular nos braços e pernas, e permitindo uma maior movimentação por parte destes bebés!

Quando os brinquedos começam a ficar realmente longe e o rastejar já se torna "chato e cansativo" torna-se fisiológicamente necessário o desenvolvimento de uma maior estabilidade, força e coordenação entre cabeça, tronco e membros, começando assim a fase do gatinhar. Esta fase é importante porque desenvolve o controlo postural, equilíbrio, locomoção, coordenação e manipulação de várias partes do corpo. 

Apesar de ainda parecer uma etapa longínqua, os possíveis futuros problemas escolares, começam exatamente nesta etapa.

Estas duas últimas etapas (rastejar e gatinhar) também são de extrema importância para a ativação dos dois hemisférios cerebrais, promovendo, por exemplo, a dissociação do movimento dos olhos, do movimento da cabeça, facilitando a aprendizagem e desenvolvimento da escrita, anos mais tarde.

Depois de gatinhar e chegar aos móveis, sofás, cadeiras entre outros, e uma vez que a força muscular dos braços está muito mais desenvolvida, começa o apoio para a posição de pé. Apresar de não dar de imediato os primeiros passos, começa a adquirir força, equilibrio e coordenação nesta mesma posição e posteriormente sente-se mais confortável para repetir estes movimentos e começar então, a andar.

Para que todas estas fases aconteçam existem dois sistemas que são de extrema importância! Se não forem desenvolvidos corretamente, mais tarde, principalmente, numa idade escolar (5-7 anos) começam a surgir problemas como escrever da direita para a esquerda, escrita em espelho, escrita das letras ao contrário, letras que se sobrepõem, falta de noção espacial durante a escrita, não conseguir ler, entre outros. Estes sistemas são denominados por sistema vestibular e propriocetivo.

Finalmente, gostaria só de fazer uma ressalva: Apesar da importância da passagem por todas as fases descritas, é também fundamental recordar que o "saltar" uma destas fases do desenvolvimento não significa necessariamente que o bebé venha a desenvolver um problema futuro. No entanto, se encararmos estas fases do desenvolvimento como etapas de desenvolvimento do cérebro do bebé, conseguimos perceber que, quando não atingidos estes marcos, fica a existência de uma lacuna no seu desenvolvimento que terá de ser colmatada numa fase mais avançada e, talvez, com uma maior dificuldade.

 

 

Ficaram esclarecidos?

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