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Mulher, Filha e Mãe

Sensibilizar (para) e apoiar (na) ansiedade e depressão na gravidez e no pós-parto

Socorro! Preciso de ajuda, mas ainda não me apercebi. Está alguém por aí?

Socorro! 

Grito em silêncio quando compulsivamente choro, e o peito rasga de tanta dor. 

 

Socorro!

Grito em expressão quando passo noites e dias a fio sem dormir, quando perco por completo o apetite, ou quando nada me move à exceção do automatismo interno que me impulsiona a cuidar de quem acolhi. 

 

Socorro!

Diz-me o coração, por tudo o que penso não saber fazer e por tudo o que sinto que concomitante sei e ainda não descobri. 

 

Socorro!

Olho para os olhos do meu filho e não faço ideia se estarei à altura da responsabilidade de o cuidar. 

 

Socorro!

Leio o que é suposto, ouço o que dizem ser certo, mas nem sempre o impulso para o fazer é genuíno. Com o meu filho, sinceramente, por vezes não me apetece ir por aí. 

 

Socorro!

Sozinha me vejo quando olho à minha volta e estão todos contra mim. Ninguém, no fundo, compreende o que sinto, mesmo quando me abraçam e dizem que se precisar de alguma coisa qualquer um estará aqui. 

 

Socorro!

É demasiada opinião para quem acabou de parir. 

 

Socorro!

Preciso de alguém que me ensine sem impor, de alguém que esteja lá sem eu notar, e de alguém que me relembre constantemente da mulher que sou, sem que em mim queira mandar. 

 

Socorro!

Não foi isto que eu idealizei. Não foi nada disto que eu planeei. 

 

Socorro!

Preciso de ajuda, mas ainda não me apercebi. Está alguém por aí?