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Mulher, Filha e Mãe

Sensibilizar (para) e apoiar (na) ansiedade e depressão na gravidez e no pós-parto

Sou uma turista que navega pelo mundo da maternidade.

Há poucos dias estava sentada à mesa após um jantar em família absolutamente comum e estrondosamente maravilhoso por si só, e parei alguns minutos a observar a minha filha. 

 

Foi daqueles momentos em que involuntariamente o nosso corpo pára, a nossa força anímica mantém-se e o nosso pensamento cognitivo, continua. Viaja veloz e romanticamente para as nossas memórias essenciais e faz-nos transpirar de nostalgia e emoções positivas. 

Naquele breve momento, em que mergulhei profundamente nas sensações que o meu cérebro me transmitia por focar maternalmente os movimentos que a minha filha fazia e o que ia vocalizando, acabei por me aperceber que havia sido uma autêntica turista a navegar pelo mundo da maternidade, desde que a imaginei até aos dias de hoje. 

 

Turista, pois é como se visse tudo pela primeira vez, e a maravilha de o ver atentamente e de o sentir fulgorosamente, me transmitisse uma profunda sensação de bem-estar e completa felicidade. Claro, que tal como um turista, há coisas que vemos, e experiências às quais temos acesso que nem sempre nos satisfazem. E como estamos numa terra pouco conhecida por nós, acabamos por ter inúmeras dúvidas e questões que acabamos por nos colocar dia após dia.

 

Tal como num país cuja língua falada e escrita não compreendemos, o mesmo também acontece com os nossos filhos, até começarem a falar fluentemente. Nem sempre compreendemos o que tentam exprimir, e até falarem de facto, é uma autêntica descoberta por tentativa-erro. Muitas vezes isto traz-nos alguns dissabores. Determinadas mensagens não são compreendidas por uns e/ou bem transmitidas por outros, e o resultado da nossa interação acaba por não ser satisfatória para ambas as partes. Cada um, vendo a situação à sua maneira, e de acordo com a sua fase de desenvolvimento emocional.

 

A Navegar? Sem dúvida! Em determinados momentos, com a ondulação mais forte, o barco acaba por balançar mais intensamente, e muitas vezes, não sabemos bem onde nos havemos de segurar. Ótimo, por sua vez, ter alguém a meu lado que embora seja tão turista como eu, está no mesmo barco, e juntos, expressamos a essência de uma verdadeira equipa. 

 

O mundo da maternidade é mesmo isso: Um mundo! Não à parte, mas um mundo de novos conceitos, novas experiências, novos contextos, novas descobertas e novas sensações, que por vezes, podemos demorar um pouco mais a descobrir - tal como alguns turistas, que demoram até fazerem A viagem de suas vidas - mas quando descobrimos - tal como um turista quando ganha o gosto pelas viagens - não queremos outra coisa! 

 

Termos sido pais, embora que seja uma experiência muito subjetiva, é uma verdadeira viagem onde vamos tendo uma série de experiências para partilhar. E durante o percurso, e mesmo depois de vários carimbos no passaporte, acabamos por ter sempre algum país que ainda não visitámos, uma cidade que não explorámos como gostaríamos ou um local que ficou por descobrir. 

 

A motivação para a viagem, quando muito desejada, é uma máxima. E durante o percurso, para além de todas as aventuras, alegrias e realizações, também vamos ficando cansados, rabugentos, irritados e tendo alguns dissabores. Mas os momentos que nos permitem repor a nossa força anímica, e o que nos move, acabam por catalisar aquela sensação de frescura e energia radiante que se encontra subjacente às nossas expressões, fazendo-nos sentir que estamos exatamente onde deveríamos estar, e prevalecendo todos esses momentos maioritariamente positivos, aos menos positivos que se possam passar. 

 

 

Os dias passam e as horas correm. E por mais que viajemos, há algo que fica sempre por visitar. E Até podemos passar pela mesma viagem mais do que uma vez - tal como na maternidade, pode sempre vir o segundo, o terceiro ou o quarto - mas há sempre algo que fica por descobrir, e a segunda, acaba por nunca ser igual à primeira ou à terceira. 

Todas as viagens são únicas e inesquecíveis, seja pelos motivos que for. E há medida que os anos passam, acredito que mesmo que esta sensação vá passando, a minha filha irá constantemente lembrar-me de como essa mãe-turista que há em mim, perdurará e emergirá como reflexo do seu desenvolvimento. 

 

Não posso dizer que sou muito viajada, porque o meu passaporte tem, efetivamente, poucos carimbos. Mas posso firmemente afirmar que esta última viagem que iniciei, pelo mundo da maternidade, está a ser e tenderá a perdurar, como a viagem da minha vida. 

 

Tudo graças a ti, minha flôr.

 

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