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Mulher, Filha & Mãe.

Sensibilizar (para) e apoiar (na) ansiedade e depressão na gravidez e no pós-parto

Mulher, Filha & Mãe.

Sensibilizar (para) e apoiar (na) ansiedade e depressão na gravidez e no pós-parto

Á conversa com a Ana #8 - "A depressão pós-parto mostrou-me um novo caminho"

Porquê uma Depressão? Porquê um início de viagem na maternidade assim? Porquê é que não senti felicidade, amor e alegria pela chegada de uma filha desejada? O que isto dizia de mim? Estas questões andaram dentro de mim, à espera de respostas que pudessem acalmar a minha mente e o meu coração.

 

Quando grávida li sobre a ocorrência do Baby Blues e da DPP e achei que a depressão seria algo que não me aconteceria e o baby blues, é descrito como algo tão comum e passageiro, que a minha mente não se preocupou. Se acontecesse, passaria. Pensava mais no parto. Assustava-me, creio que dentro do normal, com as dores. Preparei-me para elas (dentro do que seria possível). Fiz o curso de preparação. Treinei as técnicas de respiração. Recebi shiatsu durante toda a gravidez para aliviar os incómodos físicos e sossegar os receios.

 

Chegou o dia do parto. Tive uma receção no hospital S.Francisco Xavier que eu chamaria de pouco sensível/humana. Houve um primeiro choque. Estava com contrações de 5 em 5 minutos, já muito dolorosas e, em vez de receber orientação, mandaram-me para casa, para “voltar daqui a uma semana”. Uma falha de comunicação gigantesca! E acredito que um dos fatores que contribuíram para o pós-parto que experienciei.

 

Voltamos para casa, eu cheia de dores, os dois sem saber o que fazer. Se os médicos dizem que ainda não é tempo, o que fazer?! Mas as dores eram cada vez maiores. Acabamos por ir parar ao Hospital de Cascais e a C. nasceu. Lembro-me que não fui inundada por emoções de felicidade e amor. Estava exausta. Foram muitas horas de dor e sensação de estarmos perdidos, sem saber o que fazer, mais a experiência do processo lento da dilatação e da expulsão…lembro-me que a C. nasceu, as enfermeiras tratavam dela e eu andava ali a flutuar, entre o rescaldo daquela experiência de dor sobre-humana e o fato dela estar ali, fora de mim.

 

Os dias que estivemos no hospital cuidei dela. Não sentia receio de ir para casa. Pelo contrário, queria ir. Fiz um edema muito grande e estava cheia de dores. Não tinha posição para nada. Esperei que me medicassem. Esperei horas. E quando a médica foi finalmente ao quarto, pedi para que não tocasse porque doía-me imenso. E ela mexeu. Gritei que nem um animal ferido. Gritei para que não me tocasse. Ela pensava que eu já estava medicada. Chamou o meu marido para me acalmar. Eu chorava, tremia e assim fiquei durante uma hora. A partir daí não deixei que ninguém me tocasse.

 

Fomos para casa. Estava muito dorida, não conseguia sentar-me, deitar-me só em determinadas posições. Mas estava medicada e pensei que tudo passaria. Não sei como as coisas foram sucedendo, mas lembro-me do meu primeiro sonho, creio que passadas poucas semanas. Ia no carro com a C. e despistei-me intencionalmente…

No fundo, a minha cabeça já dava sinais de que algo não estava bem. As semanas foram decorrendo, eu a sentir-me cada vez mais ansiosa, exausta e desesperada.

 

Se pegar naquelas listas que abundam na internet, com dicas para escapar a uma depressão, eu consigo dizer que reuni tudo:

  • Foi uma bebé desejada, não tive problemas em engravidar e a gravidez foi tranquila
  • Não existe historial de doenças mentais na família
  • A C. nasceu saudável, não tive problemas com o processo de amamentação e ela dormia períodos de tempo longos, para uma bebé recém-nascida
  • Tenho um companheiro fantástico, com quem partilho todas as tarefas da casa e do cuidar da C. (e tivemos a ajuda de uma pessoa que limpava a casa 2x por mês)
  • Conversava com ele, com a médica de família, com amigas
  • Saía de casa, sozinha, com ele, com amigas
  • Contava com uma rede de apoio sólida (avós que ficavam com a C. para sairmos, que nos preparavam refeições, etc.)

 

Mas ela aconteceu ainda assim. Percebi que esta experiência, como em tudo na nossa vida, acontece por uma série de fatores. Compreendê-la significa olhar para vários ângulos e perspetivas.

 

Existe a causa fisiológica. As hormonas andam num rebuliço enorme durante a gravidez e caiem abruptamente após o parto. O corpo pode precisar de uma ajuda (química) para voltar ao seu equilíbrio.

Existem as causas circunstanciais, relacionadas com as condições em que o casal vive (as tais ajudas da família, o apoio do companheiro, etc.).

E existe a nossa mochila, que trazemos connosco ao longo da vida e que vai guardando as nossas experiências, memórias e emoções. O nascimento da C. foi um acontecimento que pôs a descoberto tudo isto. Pôs a nu as minhas fragilidades e os meus medos. Mostrou aquilo que eu já conhecia de mim e muito do que eu não conhecia inteiramente. Foi buscar o meu passado, o período conturbado do fim da minha infância, da adolescência e o início na vida adulta. Evidenciou a falta de amor (digo amor incondicional) suporte e segurança com que cresci.

 

 

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Ao longo da minha vida já passei por algumas daquelas experiências, extremamente dolorosas, que abanam todo o nosso centro. Que nos mandam à grande para o chão. Eu diria que existiram 3 momentos deste tipo. Cada um deles abanou todo o meu mundo, mudou tudo na minha vida. Mas também me mostraram um novo caminho. Foram lições de crescimento. A depressão trouxe-me muito. Trouxe mais resiliência e capacidade de relativizar. Trouxe-me mais calma e tolerância. Trouxe-me mais compreensão e consciência. Trouxe-me mais amor por mim e por aqueles que me rodeiam.

Á conversa com a Ana #6 - "É quase impossível encontrar quem fale do que é ser mãe e ter um problema de saúde mental"

Estes dias descobri, através deste blog, que "1 em cada 5 mulheres irá sofrer de algum tipo de perturbação mental no período perinatal, a nível mundial." Descobri também que “7 em cada 10 mulheres escondem o que sentem, ou que com frequência o tentam disfarçar, sofrendo em silêncio com problemas que têm um enorme impacto em si, na sua vida conjugal e familiar.”

 

Não sei quais serão os números por aqui, em Portugal e, mais do que isso, não sei quem serão essas pessoas e quais serão as suas histórias. Porque pura e simplesmente não se fala, não se conhece quem tenha vivido ou esteja a viver uma depressão pós parto (ou um baby blues, ou uma psicose, ou…).

 

Olhando para as mães, para as fotos nas redes sociais, os comentários, os textos, as conversas entre amigas e colegas, parece que a maternidade é (apenas) uma bênção, uma coisa maravilhosa, que tudo faz valer a pena, porque quando vemos o sorriso deles tudo o resto desaparece. E tudo isto é verdade.

 

Ser mãe, para mim, tem sido uma viagem de descoberta de um amor que não cabe em mim. Com a C. descobri o que é amar incondicionalmente, o que por si só não é algo simples e automático. Amar alguém, filho ou não, sem quaisquer ses, mostrá-lo e senti-lo no dia-a-dia, mesmo no meio do cansaço, do stress, das tarefas infindáveis de um adulto, acrescido da mochila que trazemos do nosso passado, exige muito de nós. Exige uma enorme capacidade de autoconhecimento e de autorregulação emocional.

 

Mas, para além disto, existe sempre o outro lado, o lado de que ninguém fala. O lado menos bonito da maternidade. Não porque seja a maternidade em si. Tudo na vida, e em nós, contém um lado sombrio. Não gostamos de falar dele, mas devíamos e precisamos. E a maternidade é um lugar tão cheio de sombras das quais não se pronuncia qualquer palavra! Como descobri os tabus e os estigmas que envolvem a maternidade!

 

A primeira camada é o ser mãe em si, independentemente da existência de um problema de saúde mental. Uma mulher, depois de ser mãe, descobre que o mundo tem altas expectativas e ideias pré-definidas sobre o que é ser mãe. É regressar ao trabalho e perguntarem “Então custou muito voltar, não foi?”, eu responder “Não” e dizerem “Ah, não digas isso”, “Coitada” (da minha filha), “É porque é o primeiro dia”.

 

Estas expectativas e aquilo que vemos e ouvimos à nossa volta, do “é cansativo, mas vale a pena”, “ser mãe é mesmo assim”, fazem-nos ter receio de expressar o que realmente acontece, o que sentimos e o que pensamos. Pelo menos, comigo foi assim. Houvera dias em que me custou desempenhar o papel de mãe, em que me senti terrivelmente cansada e com vontade de que chegasse a hora de deitar da C. para finalmente poder descansar. E não há os “mas”, os “foi um dia terrível, mas a minha filha sorriu e esqueci tudo”. Não. Foi um dia terrível e tive vontade de não ser mãe por um bocadinho, ponto. É mesmo assim. Estar vivo implica passar por momentos distintos, de amor, de dor, de alegria, de tristeza. É uma alternância entre um lado, o luminoso, e o outro, o sombrio. É normal. É inevitável. Falemos com honestidade sobre isso. E ouçamos com empatia e compaixão.

 

Engraçado que em diversas situações sociais, tais como aniversários de crianças, eu e o meu marido vamos encontrando casais, recém pais, tal como nós. E, à pergunta de como tem corrido a experiência, todos respondem “sim, está a correr bem”. E a seguir, eu ou ele dizemos “nós tivemos um início difícil, a Ana teve uma DPP.” E aí algumas mães soltam discretamente, baixinho, que também foi difícil para elas.

 

Mas se é difícil encontrar quem fale de forma honesta e total acerca do que é ser mãe, encontrar quem fale sobre o que é ser mãe e viver um problema de saúde mental, é quase impossível. Quando iniciei o meu tratamento, e ao longo deste, senti uma necessidade muito grande de falar. Falava com o meu marido, mas precisava também de falar com quem tivesse passado pelo mesmo. Precisava de falar para não sentir que era a única. E então procurei grupos de partilha, presenciais e virtuais, ou organizações que pudessem trabalhar nesta área, e não encontrei nada.

 

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Perguntei à médica de família, e ela não conhecia nenhum. Perguntei à psicóloga, e ela não conhecia nenhum. A psicóloga perguntou a colegas psicólogos, e ninguém conhecia. Uau! Como é possível? A experiência mais comum da nossa humanidade, ter filhos, e não existe ninguém, em Portugal, a falar sobre isso. Encontrei grupos de partilha nos EUA, em Inglaterra, no Brasil. Encontrei organizações que abordam estes temas e elaboram respostas para apoiar estas famílias e aqui, em Portugal, não encontrei nada.

 

Até que, numa dessas deambulações pela Internet, descobri este blog. Li os posts de partilhas e enviei um e-mail à Ana a contar a minha experiência. E fiquei surpreendida por ela ter respondido e me perguntar se podia publicá-lo. Não tinha pensado nisso. Acho que quando enviei o e-mail respondi apenas à minha necessidade de falar com alguém que passou pelo mesmo do que eu. Mas, a partir daí, abriu-se uma janela imensa de experiências e aprendizagens. Obrigada minha querida Ana por teres falado.

 

Á conversa com a Ana #5 - "Depois da depressão pós-parto, voltarei a ser a Ana de antes?"

A semana passada tive a 4ª consulta com a psiquiatra. Saí a fazer um balanço do percurso feito desde a primeira vez que entrei naquele consultório, no Hospital Júlio de Matos. Cada consulta marcou uma etapa diferente no meu processo de cura.

 

A primeira foi no dia 12 de Novembro 2015. Faltava uma semana para a C. fazer dois meses. Mal sabia eu que este dia iria ser o dia D: o dia da rutura total, tanto física, como emocional e psicológica, mas também o dia do recomeço. A minha querida médica foi a mão (a primeira entre muitas outras que se seguiram) que a vida estendeu-me para puxar-me até si.

Não me esquecerei da tranquilidade, da doçura e da paciência com que ela me recebeu, falou e me ouviu. Com ela, nesse dia, comecei a sentir esperança. Esperança de não ficar “maluca” para sempre e de voltar a ser a Ana de antes. Sim, porque estas foram as minhas primeiras perguntas: ficarei maluca para sempre e voltarei a ser quem eu era! Mas voltarei um pouco atrás, para falar um pouco das semanas que antecederam este dia e que mostram a importância deste encontro.

 

A ansiedade e a tristeza constante que sentia levaram-me ao final do 1º mês a enviar um email à médica de família, a comentar tal estado de espírito e a perguntar se me podia indicar algum psicólogo. Recebi resposta a confortar, não conhecia ninguém, mas na próxima consulta da C. falaríamos se ainda sentisse necessidade. Falámos na consulta do 1º mês da C. Tentou ajudar, perguntou se conhecia grupos de mães com quem pudesse estar e falar. Eu não conhecia nenhum e ela também não. Perguntou se tinha uma rede de apoio, disse que sim. Perguntou se saía de casa, se estava com amigas, disse que sim. Aconselhou-me a descansar e marcou consulta para daí a uma semana.

Voltei, uma semana após. Disse-lhe que me sentia um pouco melhor, mas que continuava a abanar a C, e isso inquietava-me muito. Não me revia neste tipo de atitudes. Ela falou pela 1ªvez em tomar medicação, leve, que me ajudasse a relaxar e a dormir (estava com insónias). Mas acordámos em esperar mais 1 semana.

 

Outra semana seguiu-se, nova consulta. Ela quis que eu fizesse o teste para despiste da depressão. Senti que seria um exagero, eu não teria uma depressão. São os primeiros tempos de vida de um bebé que são exigentes, são muitas mudanças, a privação de sono, mas o abanar, o abanar tocava alertas internos. Isso não poderia continuar.

Quando respondi às questões, fiquei admirada com o fato de, em nenhuma delas, eu poder responder pela positiva. Nas escalas que apareciam, de nada feliz a muito feliz, eu responderia nada feliz. Até pensei “mas é possível estar feliz nestes primeiros tempos?” Deu positivo, tinha DPP. Receitou-me um antidepressivo compatível com a amamentação e outro medicamento para relaxar e induzir o sono. Escreveu um relatório para entregar noutro C.Saúde, a prescrever a necessidade de uma consulta de Psicologia. Tempo médio de espera: 4 meses! Saí de lá com um diagnóstico de DPP, com uma receita para os medicamentos e um relatório que me fazia esperar 4 meses por uma consulta. No imediato senti-me aliviada, afinal já havia um diagnóstico e um tratamento.

 

Mas a semana que se seguiu foi a descida ao inferno. Aos poucos comecei a interiorizar que estava com uma depressão. E que imagem tinha eu das pessoas deprimidas? Pessoas apáticas, que ficam neste estado anos e anos a fio, nunca mais voltando a ser a mesma pessoa. Eu ficaria estragada, avariada para sempre. Nessa semana, não dormi nada de jeito todos os dias, o nível de ansiedade crescia, tinha pavor em ficar sozinha com a C, pois não confiava em mim para cuidar dela.

O meu marido, o meu querido marido, já se tinha lembrado de uma amiga cuja mãe é psiquiatra e pediu-lhe para ela ver-me. Marcou-se a consulta. Na noite anterior não consegui adormecer por nada, andei horas às voltas na cama, extremamente agitada. Adormeci. Uma hora depois acordei em sobressalto, a chorar compulsivamente e a dizer que não aguentava mais, que queria morrer. O meu marido tentou acalmar-me, dizendo que iríamos à consulta com a psiquiatra e que tudo ficaria bem. Mas eu já não consegui acalmar. Já estava numa espiral de ansiedade e a parte consciente e racional completamente off.

 

Eu diria que estava numa fase catatónica, só conseguia sentir e dizer que não aguentava e que queria morrer. Ele pegou em mim e na C., não foi trabalhar, e saímos de carro. Lembro-me do dia, de sol, agradável. Ele perguntou-me aonde eu gostaria de ir. Eu respondi “para longe”. E levou-nos para a Comporta. Cuidou da C. e de mim, dentro do possível. Tentou animar-me, fazer-me rir e eu não tinha forças sequer para esboçar um sorriso. Até às 17h00 estive prisioneira da minha ansiedade. Sentia que estava maluca e que não havia uma solução para mim. Não no sentido de voltar a ser quem era. Foram horas horríveis.

 

A hora da consulta chegou. Entrei, perguntei se ficaria maluca para sempre e ouvi “não Ana, não vais ficar.” E, logo de seguida, atirei “e voltarei a ser a Ana de antes?” e ouvi, “Sim, claro que sim. Daqui a 2 semanas já te vais sentir um bocadinho melhor” E, a partir daqui, tudo mudou. Foi o recomeço. Voltei a ser a Ana de antes, eu diria até que uma Ana muito melhor. Mais madura, mais confiante, mais serena. E muito feliz.

 

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Ontem, a minha filha, pela primeira vez, por sua iniciativa, fez-me festas na cara e deu-me um beijo. Assim do nada. Ai, como o meu coração se derreteu! Quanta distância foi percorrida entre os abanares e este beijo!

 

 

 

 

 

 

Á conversa com a Ana #2 - "Curei a cabeça e o coração, agora é o corpo que precisa da minha atenção e energia"

Olhando em retrospetiva para o percurso que tenho vindo a fazer desde o dia em que comecei a tomar a medicação, consigo perceber muito claramente que toda esta experiência da DPP/tratamento trouxe-me mais maturidade, clareza e confiança. Sinto-me a Ana de antes, mas uma Ana ainda melhor, muito melhor.

 

Mas existem assim uns senãos! Certas coisas que vieram com a experiência, mais concretamente com a desregulação emocional e a toma da medicação. Falo do peso. Tal como a maturidade que floresceu em mim, também os quilos multiplicaram-se. Consegui atingir a proeza de estar a pesar mais do que o que estava a pesar no final da gravidez.

 

O peso da gravidez perdi-o logo nos primeiros 2 meses. Mas claro havia uma depressão, ainda não diagnosticada, e o meu apetite flutuava tanto, quanto o meu humor. Ou não comia nada, ou atacava tudo o que aparecia à frente. Com o diagnóstico, em Novembro, e o começar a tomar os antidepressivos o apetite deixou de flutuar tanto, mas apenas para ir para o extremo do excesso. Comecei a ter fome emocional.

 

Os meses seguintes foram meses em que ainda havia muita ansiedade e culpa, e a comida era o escape fácil (e saboroso) para lidar com essas emoções. Sabia que estava a comer demasiado, que a roupa estava primeiro a apertar, para depois deixar de servir, mas não tinha energia para lidar com isso. O meu foco era curar a cabeça e o coração. O corpo, pensava, fica para depois. E ficou.

No final do Verão passado deixei de tomar o antidepressivo que me fez engordar, comer que nem uma louca e inchar! Desinchei, perdi volume, regulei o apetite para o que era habitual, acabou a fome emocional.

 

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Em Dezembro comecei a ir a consultas de acompanhamento no Centro de Saúde com o fim de emagrecer. Prescrição médica: alguns ajustes na alimentação (quantidades menores, adeus pão alentejano e manteiga) e exercício físico. Os ajustes na alimentação foram mais fáceis. O exercício físico, nem tanto. Consegui começar a fazer abdominais, pranchas quase todos os dias. Sinto-me um bocadinho mais em forma (tendo em conta que estava em 0% boa forma), mas não chega.

 

Hoje saí da consulta de acompanhamento no Centro de Saúde com o resultado de 0 quilos perdidos desde Dezembro. Prescrição médica: suar! Fazer exercício que faça o coração bater mais rápido. Ai, é mesmo desse tipo de exercício que eu tento sempre fugir. Mas vai ter que ser. Curei a cabeça e o coração, agora é o corpo que precisa da minha atenção e energia.