Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Mulher, Filha e Mãe

Sensibilizar (para) e apoiar (na) ansiedade e depressão na gravidez e no pós-parto

Mais um exemplo de que pedir ajuda compensa...mesmo quando se está longe!

Há poucas semanas, no grupo do facebook que criei - Maternidade nem sempre rima com felicidade - uma mulher publicou uma mensagem muito espontânea, genuína e sofrida. A solidão foi o sentimento de ordem, e gritou tanto naquele momento que a mulher sentiu que precisava de escrever e publicar para alguém ver e "ouvir". 

 

18033053_721815684664047_5244768035800512015_n.jpg

 

Naquele momento não me era possível responder-lhe, e nem acedi à publicação em tempo útil, mas quando a vi... dezenas de comentários repletos de valorização, compreensão, disponibilização de presença e apoio ressoaram mais alto. 

 

Gostava de registar que o sentimento de orgulho e gratidão percorreu-me instantaneamente e de forma veloz. Foi impossível não ficar emocionada ao ver que a compaixão feminina e o sentimento materno demonstrou-se espontaneamente naquilo que senti como um abraço imaginário e sentido entre muitas mulheres e mães que ali estavam presentes. Todas, umas para as outras. Muita identificação, mas também muita compaixão pelo direto pedido de ajuda de alguém que estava longe, muito longe. Estava tudo acontecer ali, naquele grupo, com aquele título refutado por muitos outrora, num espaço de muitos lugares e poucas caras - até ali - e num lugar virtual mas que em tudo fez sentido naquele momento e naquela hora para aquela pessoa. Para aquelas pessoas. Se dúvidas houvesse, ali ficou explicito que o que quer que estivesse a fazer neste sentido, onde nem sempre se ergue uma resposta clara no tempo desejado sobre o caminho a trilhar, fazia sentido. Tudo me fez sentido naquele momento, e o apoio e orientação que muitas vezes peço e desejo em silêncio, gritou bem alto numa demonstração compassiva absoluta, daquilo que tenho expectativa que um dia, num outro espaço que criei, também assim seja e de uma forma mais pessoal. 

 

Só posso ser grata a todas estas mulheres que estão mesmo lá. Todas elas, estiveram lá e muitas delas responderam com afeto e disponibilidade demonstrando que o sentimento de solidão até poderá ser partilhado, mas assim também o é, o apoio e a ajuda. 

 

Mais uma vez, este é um exemplo de que, pedir ajuda compensa. 

 

E tu, já pediste ajuda

 

 

centro@mulherfilhaemae.pt

Hoje faz 1 mês que o Centro Mulher, Filha e Mãe abriu e...

21951721_1570488113009037_1005559116_o.jpg

 

... já temos tanto para contar!!!

 

Vários são os desafios que nos têm sido colocados, especialmente, burocráticos! Muitos, nem sequer imaginava. 

O meu coração de enfermeira apaixonada por esta área direcionou-me sempre no sentido de suprir esta necessidade urgente de estruturar um apoio focado no acompanhamento da mulher e família na preconceção, gravidez e pós-parto, especialmente, no âmbito da promoção do bem-estar emocional. Mas a verdade, é que quando se gere uma casa, tal como esta é, muitas outras questões se colocam. Especialmente, as burocráticas! Essas, têm sido o meu maior desafio. Estar com as pessoas, poder acompanhá-las, tem sido o meu maior privilégio. E como tal, gratidão mantém-se a palavra de ordem. Aquela que é falada por mim, mesmo que em silêncio, cada vez que penso, que sinto, que imagino, que olho à minha volta e que vislumbro que para além do sonho que tinha, hoje, é uma realidade: O Centro Mulher, Filha e Mãe, existe! 

 

_1180415.JPG

 

Segui o meu coração, e aqui estou: com um mês de trabalho neste Centro, mas com a sensação de que uma vida posso aqui passar se souber encontrar um equilíbrio entre o meu coração, a minha mente e o meu corpo, agora, a nível profissional. 

 

O tempo, assim o dirá.

 

centro@mulherfilhaemae.pt

Reiki: É assim que acontece.

Escrever numa folha em branco pode parecer difícil, mas já alguma vez pensaram em tentar fazê-lo deixando-se levar pelo vosso instinto? Pelo vosso corpo espiritual? Pelo que sentem? E, não só, pelo que pensam? 

 

É, mais ou menos assim, que acontece nas sessões de Reiki aqui no Centro Mulher, Filha e Mãe, entre mim e as mulheres e famílias que sigo e que procuram e/ou aceitam com agrado a realização de sessões de Reiki integradas no acompanhamento que têm. 

 

Reiki significa energia universal. E a energia que vem do universo, é aquela que nos acomete a todos, simplesmente para alguns que integram uma formação mais específica neste âmbito, (re)aprendem a ser canal como forma de passar essa energia de forma organizada, e com um determinado fim: o de nutrir os locais que no corpo do outro, dela necessitam. 

 

 

Para mim sempre foi claro que seja qual for a doença, não tem de ter constantemente e em exclusivo uma causa física. Para mim, é demasiado redutor pensar que se uma parte do corpo de alguém adoece se deve única e exclusivamente a uma causa física. Causa essa para a qual a medicina nem sempre tem resposta. E note-se que, enquanto enfermeira que sou, sei o quão importante é a medicina tradicional e afirmo-o, não deixando de tentar conhecer e/ou explorar outras hipóteses. 

 

As causas emocionais e mentais das doenças são cada vez mais conhecidas por todos, e também elas, têm de ser colocadas em perspetiva se queremos, enquanto profissionais, e de forma efetiva, atingir a doença pela sua raiz. 

Tal como qualquer raiz, que tem várias ramificações, as causas das doenças, acredito que assim também o são. 

 

Foi também por acreditar em tudo o que vos referi até aqui que há precisamente 10 anos fiz a minha iniciação no Reiki. Sem pressões, sem pressas, mas com uma grande motivação para compreender o que estava por detrás desta forma de estar. Muitos optam por tratá-la como uma terapia alternativa, mas não considero que seja no plano do alternativo que tenha de estar. Integrada numa abordagem holística não faz muito mais sentido? Porque temos de excluir formas de intervir em prol de outras se todas poderão fazer sentido no trabalho com as pessoas que nos procuram? 

 

Tal como dizia, forma de estar na vida, na minha vida pessoal e na minha vida profissional. Falar sobre Reiki é falar sobre vitalidade, é falar sobre a vida. Ter despertado para o Reiki foi, possivelmente, dos despertares com mais luz e sentido interno pessoal, e hoje, já lá vão 10 anos de práticas, conhecimentos, leituras, reflexões e formação associada.

 

Nunca me pressionei para realizar Reiki a terceiros, ou para simplesmente fazer porque sim. Várias foram as pessoas que me foram fazendo diversos pedidos neste âmbito e vários foram os pedidos que senti que tinha recusar. Ainda não era o momento para tal, e o meu corpo, a minha forma de estar, o meu sentir, a minha sabedoria interna foi-me transmitindo isto com sentido. 

 

Para mim não são determinados dias de prática específicos, em primeiro lugar acreditar e/ou uma estruturação arrojada que fazem do Reiki o que ele, simplesmente, é. Somos nós, quem o pratica, quem o transmite e quem o reflete que deve ouvir-se a si próprio. Algo que data de há muito, muito mais do que a prática de Reiki em si, algo simples e básico: É naturalmente importante ouvir-mos o nosso próprio corpo, e no Reiki, não é diferente. Muito pelo contrário. No meu ponto de vista, é também aqui (mas não só) que a prática de Reiki se revê. 

 

Foi sempre tudo sentido, desde o inicio, e só assim me faz sentido. E é com uma realização imensa que escrevo, feliz e plena, que também o Reiki faz parte da minha abordagem no Centro Mulher, Filha e Mãe

 

Não uma abordagem única e exclusiva de uma sessão parcial e/ou completa, mas sim, de uma abordagem integrada em todo o acompanhamento dado à mulher e família no Centro. 

 

Olhar e escutar atentamente a mulher e/ou família, propor uma sessão, compreender quais os locais que carecem de maior intervenção a este nível, poder ser um canal que facilita a nutrição energética destes locais, e observar, na primeira fila, os benefícios claros, visíveis e relatados pelas próprias pessoas, desta prática e no momento, é sem sombra de dúvidas um dos maiores privilégios a que posso ter acesso através desta minha opção profissional. 

 

Sou Grata*

Projeto Mulher, Filha & Mãe: Já viram as novidades no site?

Especialmente desde que recomecei de forma mais estruturada as atividades do Projeto Mulher, Filha & Mãe, várias foram as oportunidades de desenvolvimento do projeto. Alguns destes momentos foram destacados também aqui no blogue, mas no site já podem consultar de forma mais aprofundada e organizada as novidades sobre os projeto referentes aos últimos meses. 

 

Untitled.png

 

Lembrem-se que se vos fizer sentido, ou se conhecerem alguém que poderá beneficiar da implementação do Projeto Mulher, Filha & Mãe, não hesitem em entrar em contacto comigo através do seguinte email:

 

blog@mulherfilhamae.pt

Entrevista à Vital Health: Evitar a depressão ultrapassando o “blues pós-parto”

Um dia contactei a Sofia, uma jornalista que trabalha no ramo da saúde. Desde então demonstrou sempre uma grande disponibilidade para me ajudar a divulgar artigos inerentes às temáticas que tenho vindo a desenvolver por aqui

 

Um deles, foi publicado há alguns meses (podem consultá-lo aqui), e outro foi publicado recentemente na Vital Health. 

 

Não quero deixar de registar esta entrevista, assim como as várias informações que penso poderem ser úteis aos vários leitores que vão seguindo o blogue e que se interessam por estes temas. 

 

Muito lhe agradeço por me dar a oportunidade de divulgar este tipo de temáticas, e assim continuarei! Obrigada Sofia! :)

 

Podem sempre consultar a entrevista neste link

Ou lê-la de seguida.

Mas atenção! Não iremos ficar por aqui. Brevemente virão mais novidades! ;) 

 

Também nos querem ajudar a divulgar este tipo de temáticas? Não hesitem! 

blog@mulherfilhamae.pt

 

post vital health entrevista.png

 

Vital Health (VH) | Quais os sinais do período "blues pós-parto" (BPP)?

Ana Vale (AV) | O “blues pós-parto” (BPP) é considerado como uma fase passageira, normal e comum às alterações hormonais e ao nível de stresse que caracteriza os primeiros dias após o nascimento do bebé. Os sinais que o traduzem, assim como a sua intensidade, durabilidade e etiologia podem variar muito de pessoa para pessoa, mas os mais comuns e frequentemente descritos na literatura existente caracterizam-se pela irritabilidade, labilidade emocional, choro fácil, dificuldade de atenção, distração, insónia e fadiga. O choro pode não ser acompanhado de sentimentos de tristeza. Algumas mulheres chegam até a experimentar sentimentos de alegria e tristeza ao mesmo tempo.

VH | Como devem reagir as mulheres perante essa sintomatologia?
AV | É difícil responder a esta pergunta. Ainda por cima, tendo passado por esta vivência na primeira pessoa, sei o quão difícil é reagir a algo que nos é tão intrínseco e compreendo a quantidade de dúvidas que surgem no momento. Contudo, antes de mais, tanto as mulheres como a respetiva família, devem estar informadas sobre a possibilidade que têm de vir a desenvolver um BPP e no que consiste.
Caso ocorra, há que estar atento aos sinais e sintomas que anteriormente falei, e acima de tudo na intensidade e duração com que ocorrem. Se durarem mais do que duas semanas a um mês, é aconselhado procurar ajuda especializada, pois poderemos estar na presença de alguém que está a desenvolver uma depressão pós-parto (DPP).

VH | É, portanto, ténue a linha que separa o período "blues pós-parto" da depressão pós-parto?
AV | Dependendo do tipo de apoio que a mulher tem para gerir esse período da sua vida (e aqui não falo só do apoio familiar), sim, poderá ser.
Sabe-se que os BPP são um preditor independente da depressão pós-parto e estima-se que cerca de 20% das mulheres que desenvolvem um BPP, poderão vir a desenvolver uma DPP. Assim, é importante identificar estas mulheres e de se trabalhar com elas, no sentido de se tentar prevenir o desenvolvimento de uma depressão pós-parto.

VH | Como é que o “blues pós-parto” pode ser ultrapassado?
AV | Sendo maioritariamente influenciado pela componente hormonal, que neste período da vida da mulher está bastante alterada, é esperado que quando houver um ajustamento, a mulher também recupere (ou comece a recuperar) desta fase. No entanto, é de salientar a importância que o apoio das pessoas que lhe são significativas (especialmente do companheiro) tem na gestão desta fase de sua vida, que pode não ser tão positiva como o que foi esperado.
Há inúmeros fatores que poderão contribuir para um melhor ou pior ajustamento a esta nova fase da vida da mulher/casal. Para além dos últimos referidos, o temperamento do bebé, a relação que se estabelece entre o casal, a partilha de tarefas, a realização da identidade materna, as características dos pais e do bebé, algumas variáveis obstétricas (por exemplo, a ocorrência de complicações durante a gravidez e no parto) são só alguns dos fatores que aqui identifico, podendo cada um deles, em associação ou em separado, contribuírem para a forma como a mulher/casal ultrapassa/ultrapassam esta fase de suas vidas.

VH | Como devem as outras pessoas, próximas à mulher e sobretudo o seu companheiro, ajudar a ultrapassar esse período?
AV | Sou uma defensora acérrima de que o apoio das pessoas, que são consideradas significativas para a mulher, é fundamental para que a mesma ultrapasse esta fase da melhor forma possível. Algo que também já está comprovado pela investigação científica.
Demonstrar disponibilidade para ouvir o que a mulher sente (mesmo que sinta o mesmo, vezes sem conta...), ser-se paciente, ajudar nas tarefas domésticas e nos cuidados ao bebé, estimular a saída da mulher ao exterior, nem que seja para apanhar um pouco de sol, ou para comer a sua fatia de bolo de chocolate favorita, assim como não aparecerem em casa do casal de surpresa "só" para ver o bebé, mas sim avisarem e tentarem compreender se a visita é oportuna e ajudar no que for necessário. Estas poderão ser, só algumas, das muitas formas da família e amigos promoverem o bem-estar da mulher.

VH | A Ana Vale passou por um período "blues pós-parto". De que forma o ultrapassou?
AV | Para além de ter escrito muito do que senti durante esse período, num pequeno diário que construí para aquele momento, e de ter fundado o meu blogue, sem dúvida alguma que o apoio do meu marido e da minha família foi fundamental para a gestão deste momento na minha vida.
A partilha de tarefas foi uma constante, assim como a profunda compreensão por parte dos meus pais, irmã, sogros e amigos, foi fundamental para eu ter o meu tempo de adaptação e ultrapassar da melhor forma possível o BPP.

VH | A criação do blogue ajudou. De que forma agora ajuda outras mulheres na mesma situação?
AV | No blogue fui publicando muitas das minhas vivências, pensamentos, sentimentos e emoções sobre o tema, tendo acesso também a muitas das vivências e experiências de outras mulheres, que passaram por situações semelhantes à minha e outras até mais duras do que a minha. Foi também com este objetivo que criei o blogue: para conhecer e dar a conhecer histórias de outras mulheres e respetivas famílias que tivessem passado por estas experiências durante a gravidez e/ou no pós-parto. Queria muito saber como tinham ultrapassado esse momento nas suas vidas e dar a conhecer essas estratégias a quem poderia vir a ter interesse no blogue, por já ter passado ou por estar a passar por uma situação semelhante.
Atualmente, pelo que me vão relatando, percebo que o blogue tem ajudado muitas mulheres e respetivas famílias.
Também ajudo através da possibilidade que promovo para que criem as suas narrativas e partilhem as suas histórias na rúbrica “Histórias que dão a cara por esta causa”. Desta forma, para além de escreverem o que sentem, o que escrevem é publicado e ajuda outras mulheres e respetivas famílias que consultem o blogue. Estas, têm acesso a testemunhos reais, o que por si só, já e um amparo para muitas pessoas que vivem esta realidade e que pouca informação têm sobre o tema.
Para além de promover essa partilha, escrevo muito sobre o tema (não só sobre “blues pós-parto”, como depressão pós-parto, ansiedade e psicose pós-parto, por exemplo). Tudo o que escrevo é baseado em informação fidedigna (bibliografia essa que coloco nos respetivos textos para quem quiser pesquisar mais sobre o tema, saber onde se dirigir). No fundo, acabo por estar a construir uma base de dados sobre uma determinada área, para quem estiver interessado ter mais informação sobre o tema.
Para além disso, e para terminar, tenho estudado e pesquisado muito para encontrar locais para onde possa reencaminhar os pedidos de ajuda que me vão chegando dentro desta área. São cada vez mais e nem sempre é fácil criar essa ponte. Mas, aos poucos, tenho conseguido encontrar locais de referência, o que tenho sentido como uma grande conquista neste âmbito, pois foi algo que não encontrei para mim, mas que tenho encontrado para outras pessoas que passam por situações semelhantes à minha.

VH | Mais recentemente criou o Movimento "O que é que sabes sobre depressão pós-parto?", que está integrado no seu blogue. Qual foi o objetivo?
AV | Este movimento surgiu após várias interações que tive com mulheres que tinham receio de assumir a sua depressão pós-parto e/ou de procurarem ajuda especializada por receio de se confrontarem com aquilo que terceiros poderiam pensar de si. Foi, então, uma forma que encontrei para atingir os seguintes três grandes objetivos, a pensar nessas interações:
- Combater o estigma face às pessoas com depressão pós-parto;
- Promover a reflexão (comunitária) sobre o conceito de DPP;
- Desmistificar conceitos erróneos relativos à DPP;

VH | Tem recebido feedback?
AV | Tenho tido muito feedback e comecei por ter mais do que pensava que teria inicialmente. Contudo, sei que ainda falta muito "movimento" ao movimento, para que o mesmo seja levado ao maior número de pessoas possível.

VH | Como podem as pessoas participar?
AV | É simples. Basta responderem à questão “O que é que tu sabes sobre Depressão Pós-Parto?” e enviarem-me a sua resposta para o seguinte email: blog@mulherfilhamae.pt.
Seguidamente, publicarei as respostas no blogue, reforçando positivamente as respostas que tiverem corretas e desmistificando conceitos erróneas nas menos corretas.
Podem também fazer comentários nas redes sociais utilizando a hashtag #movimentodepressãopósparto.
Desta forma, será promovido o debate sobre o tema, ao qual qualquer um poderá aceder, participando e/ou esclarecendo as suas dúvidas e questões sobre o tema.

VH | No geral, o que espera com todas as ações que tem desenvolvido em prol deste período característico do pós-parto em muitas mulheres?
AV | Espero fazer por elas o que senti falta que fizessem por mim. Promover para outros, o que senti que não tive: toda esta informação e iniciativas sobre o tema, condensada num local fidedigno. E, acima de tudo, espero aliviar o seu sofrimento e promover o bem-estar dessas mulheres e respetivas famílias, construindo um espaço alusivo a este tipo de temáticas, onde a partilha de momentos menos positivos - num momento onde é esperada sempre grande felicidade - é comum e normal. Num espaço onde se fala sobre a maternidade que nem sempre rima com felicidade, mas que mesmo assim não significa que um dia não venha a rimar.

Do blog à Universidade de Coimbra: Uma viagem inesquecível! #2

A viagem foi muito tranquila. Previa-se mau tempo, mas afinal, o sol brilhou incessantemente durante a viagem e durante a estadia. 

Chegámos, almoçamos qualquer coisa - eu confesso que pouca vontade tive de comer. Inundavam-me alguns pensamentos relacionados com a expectativa do momento que estaria quase a chegar. 

 

Entretanto, contactei a Dra. Telma que nos foi buscar à porta da Faculdade de Medicina. 

Encontrei uma mulher com um ar um pouco cansado mas com uma abordagem muito simpática, sorridente, simples, demonstrando-se bastante disponível para nos receber. A partir daquele momento, e embora nos tivéssemos cruzado pessoalmente pela primeira vez, tema de conversa nunca faltou. Conversámos sem parar durante três horas. Conversámos sobre o meu percurso (do baby blues ao blog e do blog até ali), do percurso da própria, de alguns temas que o meu marido foi trazendo, sobre algumas questões que ambas tínhamos, de alguns dados de outros estudos realizados por ela e pela equipa de investigação que coordenava, entre tantas outras questões.

Houve espaço para refletir, para rir, para relembrar, e para agradecer a disponibilidade demonstrada por todas. Tanto a Dra. Telma como a respetiva equipa de investigação, que nos apresentou, demonstraram-se totalmente disponíveis para nos ouvir e para nos esclarecer qualquer questão, deixando-nos completamente à vontade!

Cheguei a um momento em que já me estava a tornar repetitiva, mas a verdade é que a necessidade de lhes agradecer gritava dentro de mim. Por todos os motivos que já apontei no último texto referente a esta viagem inesquecível e mais alguns. Dentro de mim, ainda se evidenciava alguma incredibilidade perante o momento presente. 

Não só a Dra. Telma nos apresentou o espaço, a equipa e nos clarificou uma série de questões, como ainda se mostrou disponível para me dar algumas orientações em relação  ao projeto que me encontro a realizar de momento, no mestrado.

 

Mas a visita não se ficou por aqui. Posteriormente ainda me acompanhou, dando-me a possibilidade de assistir a um momento relacionado com o projeto de investigação que decorre atualmente dentro do âmbito da saúde mental perinatal, e que brevemente vos falarei mais pormenorizadamente. 

Esta foi sem dúvida alguma, uma excelente oportunidade de reflexão e aprendizagem. Ainda não vos podendo adiantar muito, garanto-vos que o momento me marcou, e acredito que num futuro próximo marque ainda mais mulheres e respetivas famílias, no seu todo. 

 

É também por isto que esta foi uma viagem inesquecível.

Foi ótimo poder observar na prática alguns tipos de intervenções que se realizam em prol da prevenção do aparecimento de alterações da Saúde Mental Perinatal.

Foi terapêutico encontrar pessoas disponíveis para partilhar experiência e conhecimento.

Foi um alívio saber que esta é uma área em evolução e que por detrás da investigação que se faz na área, se encontram pessoas profundamente interessadas no tema e com aptidão para a desenvolver, dando-lhe uma voz cada vez mais determinante. 

E por último, foi uma alegria estar presente. Ter a possibilidade de conhecer e aprender, sabendo que ali estará sempre uma equipa disponível para nos esclarecer quanto a qualquer questão relacionada com o tema. 

Saí de lá com um sorriso estampado, de coração cheio e com a ponta dos dedos a pulsar de energia para chegar a casa e passar tudo para o papel. 

 

Sim, é verdade que em parte, nestes dois textos, o inicio desta viagem ficou relatado. Mas não nos ficámos só por aqui. Curiosos para saberem o resto? 

 

P1140616 - correção cor.JPG

A Dra. Telma e eu, a marcar fotográficamente este dia. 

 

Do blog à Universidade de Coimbra: Uma viagem inesquecível! #1

Para mim, tudo começou quando terminei de ler o livro que tanto já aqui falei e referenciei.

 

Tinha acabado de ler a última página e sentia que tinha de ler mais mas que o tempo era escasso e que tinha de ser melhor orientada quanto à bibliografia a selecionar. Foi aí que me lembrei de enviar um email aos autores do livro. 

Nunca tinha feito algo do género, e claro que assim que me lembrei, pensei logo o quão "ridículo" isso poderia parecer. Mas a verdade é que essa ideia começou a ganhar forma e peso na minha cabeça, e rápido me apercebi que mais cedo ou mais tarde o iria fazer. 

 

Os autores faziam parte da docência da Universidade de Coimbra e constituíam-se também membros de uma equipa de investigação cientifica que explorava há cerca de 10 anos vários conteúdos inerentes à área de Saúde Mental Perinatal. Logo, da mesma forma que pensei ser ridículo, também me questionei: "E porque não?". Diz o povo que "o não está sempre garantido", e é uma verdade. No entanto, neste caso, rápido verifiquei que a possibilidade do sim foi igualmente colocada sobre a mesa.

 

Enviei-lhes um email e rapidamente obtive resposta do Prof. António Macedo –  Psiquiatra e Diretor do Departamento de Psicologia Médica da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC). Demonstrando grande disponibilidade e atenção, reencaminhou de imediato o meu email para a Dra. Ana Telma Pereira – Psicóloga e Investigadora auxiliar no Serviço de Psicológica Médica da FMUC - com quem fui mantendo o contacto.

Trocámos alguns emails com as nossas visões e objetivos profissionais sobre o tema e posteriormente a Dra. Telma convidou-me a ir ao Departamento de investigação da FMUC para falarmos um pouco melhor pessoalmente. 

Inicialmente fiquei incrédula. Era tão boa essa possibilidade, que francamente, não queria acreditar que algum dia tal fosse efetivamente possível. Mas estava enganada. A equipa estava interessada em conhecer-me, e foi ótimo senti-lo. 

 

Saber que havia essa possibilidade, para mim, era muito mais do que uma simples visita a um departamento de investigação. Era a visita ao departamento de investigação onde se exploram há anos inúmeras temáticas relacionadas com a área de foco do blog.

Significava conhecer pessoas, que tal como eu, se interessam profundamente pelo tema.

Significava conversar com profissionais que dominavam os temas que eu própria também espero dominar um dia.

Significava muito a nível pessoal. Pois, era mais um motivo que me levaria a crer que a exposição do meu caso pessoal e a minha luta para se debaterem mais temas inerentes à Saúde Mental Perinatal em praça pública, não estava a ser em vão. Não estava, de todo. 

 

Algum tempo passou, e esta possibilidade começou a ganhar forma e cor, e acima de tudo, datas definidas!

Depois de algum tempo, alguns ajustes de horários e alguns dias de grande ansiedade e expectativa, acabou por acontecer. Marcou-se um dia e hora, fizemos as malas, enchemos o depósito do carro e lá fomos nós.

Eu e o meu marido íamos, finalmente, em direção a Coimbra. 

Ana Vale - Autora do Blog e Centro 'Mulher, Filha & Mãe'

 

DSC_7971-Edit.jpg

 

Apesar de ser Licenciada em Enfermagem desde 2011, e de ter feito uma parte do meu percurso no âmbito da prestação de cuidados de enfermagem gerais na área do adulto e do idoso, foi a passagem por uma experiência desenvolvimental, com profundo significado na minha vida, que me trouxe até aqui. Fui mãe em 2014, e com a chegada da minha bebé, chegou também um vasto leque de reflexões, pesquisas e estudos, que até então nunca tinham emergido como tão relevantes, relacionados com a saúde mental perinatal.

 

Neste seguimento, fundei o blogue "Mulher, Filha & Mãe" com o intuito de sensibilizar para a saúde mental perinatal e promover o debate sobre o tema sem tabus. Com a desenvoltura e mediatização do espaço veio também a necessidade de adquirir mais conhecimentos e competências, motivo pelo qual ingressei na Especialidade e Mestrado de Enfermagem em Saúde Mental e Psiquiatria, tendo também iniciado o meu caminho na esfera do empreendedorismo social no IES. Um percurso que em muito me ajudou a desenvolver as competências necessárias para lidar com os vários pedidos de ajuda que frequentemente me chegam através do blogue.

 

Paralelamente à realização da especialidade e mestrado, dediquei-me ao desenvolvimento do Projeto Mulher, Filha & Mãe – um projeto que objetivou sensibilizar para a área de saúde mental perinatal através da escrita, da formação presencial e dos grupos de mães -  através do qual recebi dois prémios, e motivo pelo qual, estive presente em vários encontros de cariz científico, como poderão consultar aqui

 

Recentemente fundei o Centro Mulher, Filha e Mãe em Lisboa. Um local com uma forma de funcionamento única e onde mulheres e famílias poderão obter o acompanhamento necessário para vencerem as alterações emocionais na gravidez e no pós-parto através de acompanhamento individual e/ou em grupo, no Centro e/ou no domicílio.

 

A intervenção em saúde mental comunitária, especialmente no âmbito da saúde mental perinatal, é sem dúvida a área que me move, e para a qual, pretendo continuar a dar o melhor de mim, e a aprender o máximo possível.

 

Para conhecerem mais sobre o Centro Mulher, Filha e Mãe consultem o site:

www.mulherfilhaemae.pt

 

E-mail:
centro@mulherfilhaemae.pt

Telemóvel:
(+351) 936 180 928