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Mulher, Filha e Mãe

Sensibilizar (para) e apoiar (na) ansiedade e depressão na gravidez e no pós-parto

"Já gritei com o meu filho e já me senti a pior mãe por isso"

Este foi o comentário que uma leitora deixou no facebook do blogue, após a publicação deste texto.

 

"É msm verdade, já gritei e já me senti a pior mãe por isso...mas sei que a tarefa mais difícil é mesmo conseguir o malabarismo de todas as tarefas e ainda desfrutar da maravilha que é ser mãe, é um misto constante de cansaço e alegria...pena que muitas de nós tenhamos pouco apoio num papel tão importante que desempenhamos. Parabéns a todas porque é uma luta diária que com amor por um filho vencemos todos os dias "

 

Acredito que várias mulheres gritem, e que posteriormente, sofram em silêncio por isso. 

Acredito até que muitas sejam invadidas por pensamentos/emoções angustiantes, que não esperavam, que não querem, que temem, mas que se instalam sem pedir, ou mesmo, sem avisar. E pior. Têm crítica sobre isso, e mesmo assim, continuam a sofrer em silêncio com medos, muitos medos. Medo de que possam ficar sem os seus bebés, do que quem as rodeia possa pensar de si, de considerarem que está a ficar "maluca", e pior de tudo, de se confrontarem pessoalmente com todos eles, com todos esses pensamentos e emoções, e terem de viver, sozinhas, lado a lado, por muito tempo com toda essa culpa maldita que lhes está associada, que teima em ficar, e que é difícil de desaparecer. 

 

Começar a maternidade com o coração amarrado ao que deveria ter sido e não foi, ao que queria que se fosse e não é, não é um bom presságio para ninguém. É amargo de se saborear, duro de roer, e muito angustiante de se sentir. Mas é a realidade de muitos.

 

Imagino só, esta minúscula possibilidade, ínfima entre tantas, sobre como é que todas estas sensações convivem no dia-a-dia de cada uma, dia após dia. Com todos os malabarismos, todas as lutas, todas as opiniões alheias, todas as expectativas, todas. Imagino, só.

Imagino, e arrepia-me, só de imaginar, as que convivem com tudo isto, sem se sentirem apoiadas por ninguém, ou mesmo sem ninguém. Sem pai, sem mãe, sem marido, sem amigos, sem família. Imagino... sozinhas... com todos os desafios do dia-a-dia, como é que será? Ou mesmo acompanhadas, mas mal. Vai dar ao mesmo: sozinhas. 

 

 

Imagino as noites mal dormidas, mas sem ninguém, ou com muito poucos, a quem recorrer para ajudar. Imagino as várias vezes que pediram para sair mais cedo do trabalho, que cansadas percorrem quilómetros para a tempo chegar, e que chegando a casa, têm tudo para fazer. Depois de um dia de trabalho comum e/ou bastante extenuante, pensar que às sete ou às oito da noite, esta ainda é uma criança, e que ainda muita paciência, dedicação e trabalho há para fazer. Compreendo que muitas se possam sentir atacadas por esta vida, por esta realidade, por estes percursos e que juntando as noites mal dormidas, ao fraco apoio que sentem, à confusão do dia-a-dia, às dúvidas que emergem em todos os momentos, à sensação de insegurança, às incertezas económicas, à sensação de se estar só, entre tantas outras possibilidades, não me é muito difícil imaginar uma mãe a gritar com um filho. 

 

Imagino tudo isto junto, ou mesmo só e simplesmente, uma ou outra coisa em uníssono dia após dia e não me é muito difícil imaginar esta realidade partilhada.

 

É-me sim, muito difícil de compreender, como é que ainda tão poucos dos que deveriam, se focam e agem sobre isto. Porque gritar, pode não ser o caminho mais adequado, mas onde se verifica um pedido de ajuda, mesmo que não declarado, deveria haver, para lá dos incentivos atuais, uma capacidade de prestação de apoio emocional nestas circunstâncias que, infelizmente, não há! 

 

Portanto, antes de julgarmos mães que gritam com os seus filhos, sabendo de antemão que este (até) poderá ser dos primeiros impulsos latentes a um pedido de ajuda não declarado, porque não refletirmos mais aprofundadamente sobre isto? 

Histórias que dão a cara por esta causa #23 "tinha uma depressão avançada com pensamentos suicidas"

Mais uma história que, muito provavelmente, se encaixa no contexto de várias mulheres. Um pedaço de uma história que demonstra muitos contornos em volta da vida familiar, e da sua importância no apoio emocional durante a gravidez e no pós-parto. Conta-nos também um pedaço de história de uma mulher que, desde então, tem lutado com grande afinco para ultrapassar cada momento menos positivo do seu pós-parto, e tentado encontrar no seio da sua família, amigos e respetivo trabalho, a luz que a conforta e que a faz seguir em frente.

 

A M. é uma leitora do blogue que já teve uma depressão pós-parto grave numa primeira gravidez, e que desenvolveu uma segunda - embora que menos grave - na sua segunda gravidez. Hoje, resolveu partilhar connosco um pouco da sua história.

 

Cada mulher encontra as suas estratégias dentro do seu contexto e dos recursos que possui. Estas, foram as estratégias que esta leitora utilizou (e utiliza) para se manter o mais saudável mentalmente possível numa fase de grande turbulência emocional, como muitas vezes é, o pós-parto.

 

Partilhem também as vossas histórias e estratégias! O que considerarem pertinente pode revelar-se uma ajuda para as várias pessoas que diariamente leem a rubrica Histórias que dão a cara por esta causa

 

blog@mulherfilhamae.pt

 

Vamos conversar?

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Olá sou a M., aos 18 anos caso-me e tenho o meu primeiro filho aos 19 anos - o Francisco. Mas era mãe de primeira viagem,super nova mas sempre sabendo o que queria,mas passado 4 meses o Doutor reparou que não estava bem,e ja tinha uma depressão super avançada com pensamentos já suicidas...fui para psiquiatras ....psicólogos. ....e andei em médicos e em médicos. ...e passado 1 ano e meio o meu casamento chegou ao fim....não perdi esperança e agora tenho uma relação forte com um meio familiar muito compreensivos e estão muito presentes na vida dos meus filhos pois o Francisco é filho....Neto.....bisneto de coração da minha nova relação (foi aceite como se levasse o sangue de familia). Acho muito importante que haja um meio familiar estável, é super importante. Agora com 32 anos engravidei novamente (gravidez do Mateo) engordei quase 30 kilos e não aceitei o meu novo corpo, sentia-me muito mal, nem dormia,nem à rua eu saia, até que passado 9 meses o meu "Carlos" diz que me ama todos os dias, e quando eu tenho um problema com os meus filhos, os meus patrões deixam-me sair logo sem me cobrar uma única satisfação ou horas extraordinárias,ou me repreendam. ....a vovó Zeza fica com os netinhos e não tenho preocupações. O Seio familiar é muito importante, e ter um emprego com bons patrões, é um passo para a depressão ir embora sem nos dar-mos conta. ..há altos e baixos mas já aceitamos. ....agora é viver e pensar que não sou a única. ....sou só especial com uns kilinhos a mais....um bem haja ......beijinhos.