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Mulher, Filha e Mãe

Sensibilizar (para) e apoiar (na) ansiedade e depressão na gravidez e no pós-parto

"Enerva-me ela não mamar bem ,eu estar exausta e acabo por chorar de nervos!"

Há poucos dias uma leitora do blogue contactou-me.

Foi mãe há pouco tempo, e os primeiros tempos não têm sido fáceis. A dúvida que me colocou prendeu-se com o facto de querer saber se na minha opinião poderia estar a passar por uma depressão pós-parto. 

Mais precisamente, após partilhar um pouco mais sobre a forma como vivenciou a gravidez, a questão que me colocou foi a seguinte:

 

"Passou uma semana e agora tudo me irrita e estou exausta o que faz com que as vezes responda mais ríspido mas ele não está a entender esta fase. Não sei se pode ser considerado depressão pós parto. Não a rejeito dou-lhe muitos mimos e passo muito tempo a olhar para ela com amor  mas enerva-me ela não mamar bem ,eu estar exausta e acabo por chorar de nervos e raiva de tudo. Queria uma opinião de alguém que não me conhece."

 

Após a troca de alguns emails, e da referida diminuição da sensação de ansiedade pela leitora relativamente ao momento presente e às dúvidas que me colocou, acabámos por concordar no beneficio que a publicação desta questão e respetiva resposta poderia trazer a outras mulheres e respetivas famílias que possam estar a passar pelo mesmo e que sigam o blogue. 

 

O que lhe respondi foi o seguinte:

 

"Tal como muitas vezes abordo no blogue, a depressão pós-parto é um diagnóstico médico. Daí que seja necessário consultá-lo para posteriormente à sua observação o mesmo poder confirmar o referido diagnóstico e prosseguir com o tratamento mais adequado que considerar. 
 
Contudo, pelo que me conta, parece-se que pouco menos de 7 dias passaram desde o nascimento da sua bebé. Para além da depressão pós-parto existe um estado que muito falo também no blogue, o baby blues, já tinha ouvido falar? 
 
Deixo-lhe dois links de seguida para se poder informar melhor sobre o baby blues. 
 
 
 
Nos primeiros dias após o parto, até por norma um máximo de 10/15 dias, muitas mulheres passam por uma fase de maior irritação, muitas vezes grande tristeza, ansiedade, insónia, alterações no apetite, sensação de grande cansaço, entre outras manifestações, sendo que tudo isto junto - e outras coisas mais - dão origem ao tal baby blues. Caso estas manifestações se mantenham por mais tempo, e/ou piorem, deve consultar um profissional de saúde.
 
(...)
 
Chegou a fazer algum curso de preparação para o parto, ou está em contacto com alguma enfermeira no centro de saúde a que pertence? Poderiam ser um bom recurso para a ajudarem nesta primeira fase relativamente à amamentação. Quer no esclarecimento de dúvidas, quer para conhecer mulheres que estão exatamente na mesma fase que a (leitora), por exemplo.
 
Estes primeiros tempos após o parto podem tornar-se mais densos a nível emocional uma vez que há muitas adaptações que, quer a (leitora), quer o pai, quer a vossa filha, estão a passar. A exaustão poderá ser uma constante neste período, mas diga-me, é-lhe de todo impossível aproveitar pequenos momentos para descansar? Quando o bebé descansa, por exemplo? Existe alguém que possa alternar consigo alguns momentos de vigia ao bebé para também você poder descansar? 
Percebi que nos momentos em que a sua filha descansa opta por ver televisão, sendo este um tempo que a (leitora) caracteriza como "seu/para si", mas também é importante relaxar, fechar os olhos, descansar, dormir. O ideal seria equilibrar os momentos  que caracteriza como "seus/para si" e o descanso que também necessita nesta fase. Pode refletir sobre a melhor forma de o fazer nos próximos dias/semanas. 
 
Eu mantenho-me em contacto, disponível para lhe responder a qualquer questão que tenha!
 
Não se culpe se necessitar de pedir ajuda. Para cuidar bem da sua bebé, também você precisa de estar bem!"
 
 
 
E por aí, permanece alguma dúvida que gostavam de ver esclarecida? Não hesitem em contactar-me!
 
blog@mulherfilhamae.pt

 

Literatura sobre Saúde Mental Perinatal: Agora, também aparece no blog!

Ter ido a Coimbra também fez com que me voltasse a confrontar com a quantidade de artigos, textos e livros que já li sobre Saúde Mental Perinatal, e acima de tudo, com o quanto ainda me falta ler!  

 

Inicialmente achava que havia pouca investigação sobre o tema, chegando mesmo a verbalizá-lo. Com o passar do tempo, e começando a aprofundar os meus conhecimentos na área comecei a aperceber-me que esta minha perceção estava completamente errada. Existe (e muita!) literatura sobre Saúde Mental Perinatal. E essa literatura que já li, e que ainda me falta ler, agora também passará a estar disponível aqui, no blog. 

 

Como? 

 

Simples! 

Eu leio, faço um resumo e depois publico com o link de acesso ao local onde poderão encontrar o texto na íntegra (caso haja link). No blog, poderão encontrar toda esta literatura na barra do menu principal:

 

novo item na barra menu literatura.png

 

Se tiverem alguma sugestão sobre textos, artigos, livros, vídeos ou qualquer outro meio de obter informação sobre o tema e que considerem pertinente, não hesitem em enviar-me as vossas sugestões para:

blog@mulherfilhamae.pt

 

Fico à espera!

"A Obsessão pelo bebé é considerada sintoma de uma Depressão Pós-Parto?"

Já há algum tempo, que uma Mulher e Mãe que nos segue, fez-nos chegar esta questão, à qual respondemos de imediato.

Após o seu consentimento, decidimos partilha-la nesta nossa nova rubrica, pois quem sabe se esta não poderá ser uma dúvida vossa também?

Em todo o caso, tal como falei neste post de apresentação, se nos quiserem transmitir alguma dúvida ou questão, mesmo que não a queiram partilhar posteriormente no blogue, não hesitem em contactar-nos para o seguinte email:

 

perguntas@mulherfilhamae.pt

 

Faremos questão de vos responder o mais brevemente possível!

 

 

Dúvida:

Bom dia. A co dependência do bebé, ou seja, a obsessão pelo bebé é considerado um estado de depressão pós parto?

Fui mãe pela segunda vez há 6 meses. Nunca pensei passar por isto, principalmente no segundo filho. Amamento em exclusivo(introduzimos ontem a sopa) Praticamos co slepping. Passo 24h por dia com a minha bebé, o amor da minha vida. Por norma temos várias visitas e 99% das vezes corre mal! Corre mal porque fico mal humorada o dia todo. Chego a chorar quando as pessoas saem! Primeiro acho cruel visitarem um bebé e não lavarem as mãos ou pelo menos passar um pouco de desinfectante que ali tenho à entrada bem exposto! Depois, ou é porque a estou sempre a amamentar, ou é porque ela está pouco agasalhada, ou é porque estou a prejudicar-me profissionalmente por causa dela... irra estou farta! Por mim isolava-me de tal maneira que não recebia mais visitas! Observo tudo silenciosamente, de maneira a não me chatear com ninguém. Mas depois as pessoas saem e o ritual segue-se! Banhinho rápido à minha menina. É que não há respeito mesmo! Vêm co. Imenso perfume pegar na minha bebé! ! Em 6 meses nunca mais cobduzi. Sim... sempre que temos consultas ou vacinas, o pai conduz e eu vou atrás com o meu anjinho. Sou muito criticada por isso mas é uma insegurança que ainda não me sinto capaz de ultrapassar! Ninguém me entende! Não confio em ninguém. 

Peço desculpa pela pergunta e não sei se é correto a fazer. Mas é o meu estado actual. A maior parte das mães fica cansada de lidar 24h por dia com o bebé, eu sou completamente o oposto e detesto que outras pessoas se aproximem. Não estou a conseguir lidar bem com isto.

Peço imensa desculpa pelo longo texto, mas só o facto de escrever já me alivia um pouco. É impensável falar disto com outras pessoas. Pois logo serei alvo de duras criticas.

 

Resposta*:

Existem vários estudos que indicam que a obsessão pelo bebé poderá ser um sintoma de uma depressão pós-parto. Contudo, a inerência deste sintoma à mesma doença, não significa que sempre que ocorra, lhe esteja subjacente uma Depressão pós-parto. 

A verdade é que se, num sentido mais lato, nós mães, nos sentimos desconfortáveis com algum pormenor no nosso comportamento e/ou relação com o bebé, só este já poderá ser um bom indicador de que algo se passa, mesmo não sendo patológico.

Relembro que a Depressão pós-parto é uma doença que necessita de ser avaliada por um médico, para ser efetivamente diagnosticada, e não simplesmente através da observação/sensibilização do próprio, algum familiar ou conhecido, para um certo sinal/sintoma. É a avaliação médica que através da observação e junção de um conjunto de sinais e sintomas, integrados num contexto, e na individualidade de cada pessoa, poderá dar origem a um determinado diagnóstico, pelo que, não se poderá afirmar que alguém tem uma depressão pós-parto, tendo só esta informação.

Tendo em conta que a efetiva obsessão pelo bebé poderá ser algo desviante do considerado saudável na relação mãe-bebé, a consulta inicial com um Psicólogo Clínico, e mais tarde com um Psiquiatra ou Médico de Família, se se verificar necessário, é fundamental para determinar a relação entre ambas as evidências (obsessão pelo bebé e depressão pós-parto) e obter uma conclusão clara e concreta.

 

 

*Embora tenha partilhado concomitantemente toda a história que a P. nos contou, dada a sua especificidade, a respetiva resposta foi reencaminhada para o contacto de onde foi remetida. A presente resposta dada, corresponde unicamente à questão que a P. colocou, num sentido mais abrangente.

 

 

Histórias que dão a cara por esta causa #4 - "Sofri muito com a ausência de apoio durante o Baby blues"

Ainda mal tinha acabado o meu comentário à nossa história que publicaram na plataforma Maria Capaz (que podem ver aqui), e a Dora já tinha feito um comentário que não me esquecerei.

 

Ela dizia:

Que bom ter lido esta partilha pois quando falo destes mesmos sentimentos e angustias acham que eu sou um et. O meu marido nunca compreendeu ainda hoje diz que eu fazia teatro para chamar a atenção. As minhas feridas foram mto fundas, tão fundas que após um ano ainda não cicatrizaram, ainda sangram....
Este estado levou.m a decidir que não quero ter mais filhos quando eu amo ser mãe e ser mãe foi o que sempre quis. Mas doeu muito, ainda dói principalmente porque não tive ninguém para me ajudar foi sempre tudo as minhas costas casa, bebé, marido e ainda tive de ouvir gente que me veio visitar gozar comigo dentro da minha própria casa porque eu estava 40 min a dar de mamar em vez de me aconselharem pois eu era inexperiente era tudo tão novo para mim.... ao escrever este pequeno relato as lágrimas ainda me saltam pelos olhos porque ainda dói muito e se estou aqui neste casamento, nesta casa é pela minha filha apenas por ela porque os outros não reconhecem a minha luta para estar de cabeça erguida todos os dias....
Um grande beijinho a todas as marias capazes
Dora

 

E eu, logo a seguir respondia valorizando a sua coragem em, não só relatar o que tinha sentido, como o facto de o conseguir verbalizar/escrever abertamente. 

Senti que tinha encontrado ali mais uma mulher que, querendo ou não, dava a cara por situações como as que temos vindo a relatar aqui.

Propus-lhe que escrevesse a sua história mais detalhada para o blogue e assim foi. Escreveu, detalhou, e penso que colocará o coração aos saltos de qualquer pessoa que leia e integre a sua história. 

MUITO OBRIGADA DORA!

 

 

 

E vocês, também querem dar, mesmo sem mostrarem, a cara por esta causa, escrevendo-nos a vossa história?

Lembrem-se que quantas mais formos, mais força este assunto terá, e maior contributo daremos à estruturação de apoio para o mesmo!

Enviem-nos as vossas histórias para o seguinte email mfem2912@gmail.com quando se sentirem confortáveis!

 

E agora, preparados para lerem a história da Dora?

 

Olá Ana

Deixo aqui o meu testemunho mais pormenorizado, publique como quiser não tenho qualquer problema em dar a cara, pois mesmo que isto só me acontecesse a mim não teria.

Ao fim de 41 semanas de gravidez e uma barriga gigante á 01.00H la fui eu para a maternidade perdida de dores mas muito feliz.

Não fui a correr mal me deu a primeira contração, esperei, sabia o que tinha de fazer, quando estas começaram a ser com 5min de intervalo la fui eu com a cabeça pousada no tablier o caminho inteiro dizendo ao meu marido, que tremia e suava de nervos," vai devagar porque eu não aguento as dores". Tive um atendimento fantástico na maternidade, trataram - me com todo o carinho e cuidado, ao fim de 11h nasceu por cesariana a minha filhota. Meus Deus que linda..... a primeira coisa que pensei foi " se não a tivesse sentido sair de mim ia pensar que não era minha, ela é tão linda". Quase explodi de alegria. O meu marido parecia um menino a chorar quando lhe pegou ao colo pela primeira vez, ainda estávamos no recobro. Tudo corria bem apesar das dores da cirurgia que tinha ate que, ao fim de 24h foi diagnosticada icterícia á B e eu fiquei para morrer porque aquilo que é tão comum nos bebés pode não ser assim tão linear dependendo do grupo sanguíneo, brotaram aí as primeiras lágrimas descontroladas dos meus olhos. Mas aguentei firme não mostrei a ninguém o meu descontrolo apenas a minha preocupação com a B. No terceiro e ultimo dia de internamento não aguentei mais, tive uma sra crise de choro, em silencio chorei desesperadamente sem saber porquê, fui ao ginecologista numa sala ao lado da enfermaria onde eu estava e mal o medico olhou para mim disse - me bom dia e um "você não está bem" eu desabei, chorei perdidamente enquanto ele me examinava a costura e eu disse - lhe entre soluços " esta tudo bem com a costura? vai dar - me alta? eu ja não aguento mais estar aqui quero ir para casa." Ele responde " são as hormonas, por mim pode ir, consigo esta tudo bem agora se os valores hepáticos da bebé não normalizarem ela tem de ficar...." Pior eu fiquei.....
Felizmente tivemos altas as duas e eu achei que ao chegar a casa, tomar um banho, vestir o meu pijama e dormir um pouco tudo iria passar,mas não foi assim.
Tudo se agravou devido á privação do sono, as dores no peito ( os meus mamilos gretaram ) e as dores da cicatriz que me limitavam drasticamente os movimentos, mal consegui andar, foi assim durante 2 longos meses.
O meu desespero psicológico era tanto que tenho lapsos de memoria dessa altura.
Chorava desesperadamente, sem motivo, mal a minha filha começava a chorar, o meu marido perguntava - me " porquê que estas a chorar? " e eu respondia  - lhe " não sei". Até hoje ele acha que era teatro para chamar a atenção.
Nunca tive ninguém para me ajudar com a casa e com o bebé, fui sempre sozinha para tudo, o meu marido pouco ajudou a única coisa que fazia era dar banho á B porque eu não podia estar dobrada por causa da dor da cicatrização da costura.
Um dia liga - me um medico amigo, que é meu medico de família, para saber como eu estava após a cirurgia(ainda não havia um mês após o parto) e eu desato a chorar ao telefone e digo - lhe "ajuda - me por favor, não aguento mais este estado acho que estou a entrar numa depressão" ele responde - me prontamente " amanha quero - te no meu consultório sem falta, agora acalma - te porque a bebé sente a tua instabilidade, se precisares liga - me.... força pequenita"
Ele explicou - me o que eu ja tinha lido, nada era novidade apenas o que eu sentia.
Este estado ainda não passou na totalidade ainda me sinto frágil, ainda brotam lágrimas pelos meus olhos quando relembro esta fase, quando as cicatrizes ainda mal fechadas sangram, ainda doi.
Escusado será dizer que esta fase afectou todas as áreas da minha vida, principalmente o meu casamento, criou - se um foço entre mim e o meu marido, as coisas não são fáceis mas fazemos um esforço para que resultem pela felicidade da nossa filha. Por ela e apenas por ela não mando tudo pras urtigas.
So gostava de dizer mais uma coisa neste meu extenso relato, a todas as recem mamas que como eu tiveram a infelicidade de falarem e ate receberem em suas casas pessoas que as diminuem enquanto mães e até lhes dizem indirectamente que não sabem ser mães, NÃO OUÇAM.
Eu fui alvo dessa gente mal intencionada mas felizmente encontrei uma "bíblia" que me ajudou a perceber que afinal estava muito certa na forma como tratava e amamentava a minha filha e fez de mim uma mãe segura chama - se Pergunte ao Pediatra escrito pelo Dr. Carlos Gonzalez, um pediatra catalão.
Aguentei tudo isto, aguento ainda a dor que me assalta pela minha filha e por ela todos os dias levanto a cabeça e sigo em frente.....

Espero que a minha experiencia ajude e obrigada Ana por me dar esta oportunidade.
Com carinho
Dora

 

 

Quando perguntam, nós respondemos!

Esta, será a nossa nova rúbrica aqui no blogue!

 

Via email e facebook, têm surgido algumas questões, que embora tenham sido respondidas na altura, achei que seria pertinente partilha-las (com o devido consentimento) aqui no blogue.

A verdade é que as dúvidas e/ou questões de umas pessoas, poderão ser as de outras. Certo?

 

Mas, também é verdade que estas rubricas se constroem especialmente convosco. Com as vossas experiências, e acima de tudo, com a vossa participação.

Portanto, têm alguma dúvida sobre os desafios físicos, psicológicos e sociais do pré e pós-parto? Têm alguma questão que gostavam de colocar? Inerente a temas como o Babyblues, Depressão, Ansiedade e Psicose pós-parto? Sintomas, Situações práticas, teorias e afins? 

Então este é o espaço ideal para colocarem as vossas dúvidas e questões, pois quando vocês perguntam, nós respondemos!

 

Primeira Pergunta: Nós, Quem?

 

Aqui,  o Nós, implica a minha, e a participação da equipa que construímos, e com a qual temos vindo a trabalhar ao longo das últimas semanas sobre esta rúbrica, e no Projeto que já referenciei aqui no blogue e que ainda irei descrever muito melhor, brevemente.

Aqui, o Nós, implica as seguintes três profissionais:

 

  •  Ana Vale - Enfermeira.

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Aquela pessoa que desde há meses vos tem impingido textos atrás de textos sobre Parentalidade, Experiências Pessoais, e especialmente temas inerentes à Saúde Mental antes e depois do parto.

Para ficarem a saber um pouco mais de mim, podem consultar parte do meu Curriculum aqui;

 

  • Isabel Sofia Pires - Terapeuta Familiar. 

 

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Sou mulher, filha, irmã, tia, cunhada, nora…

Desde sempre que fui apaixonada e muito curiosa em compreender a mente humana.

O meu percurso académico e profissional iniciou-se pela área social e fui-me especializando no trabalho com um grupo muito especial, a família. A família como um conjunto de duas, três, quatro, cinco ou mais pessoas emocionalmente ligadas entre si, a família como um pilar da sociedade, a família como um grupo que influencia e é influenciado, a família que partilha - permanente ou ocasionalmente - o mesmo teto!

Sou terapeuta familiar, assistente social, educadora sexual, coach e trabalho com pessoas individuais, com casais e com famílias que me procuram quando algum tipo de sofrimento se manifesta ou quando procuram apoio na prossecução dos seus sonhos.

 

  • Raquel Vaz - Psicóloga Clínica.

 

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Psicóloga clínica, formadora, coach e mãe de profissão, sou sobretudo apaixonada pelas relações humanas e pelos seus caminhos e labirintos que tornam a experiência da vida mais desafiadora!

E como um desafio aceitei fazer parte deste projeto, pois acredito que a felicidade de cada ser começa desde o momento em que existe no pensamento de alguém.

 

E agora, têm alguma dúvida ou questão que nos queiram colocar?

 

Então, enviem-nos as vossas dúvidas/questões para o seguinte email: perguntas@mulherfilhamae.pt, e de certo, que seremos breves na resposta.

 

 

Contamos convosco!

 

Publicaram a nossa história na plataforma "Maria Capaz"!

É verdade!

 

Se quiserem, podem consulta-la aqui.

 

Nossa história por MariaCapaz.png

 

E tantas pessoas gostaram e partilharam.

Tantas pessoas comentaram, identificando-se com a história, relembrando momentos menos positivos e evidenciando a falta de informação e apoio que existe nesta área. 

 

OBRIGADA!

Obrigada por nos ajudarem a levar mais informação a um crescente número de famílias em Portugal!

 

Se também vocês nos quiserem ajudar a divulgar este tipo de informação através da nossa história, post's, ou outros, enviem-nos email para: mfem2912@gmail.com

 

Contamos convosco!

 

Histórias que dão a cara por esta causa #3 - "Uma história sobre uma mãe emigrante"

A "Maria", emigrante, foi mãe há poucos meses e também experienciou um momento de babyblues no seu pós-parto. Ganhou coragem e enviou-nos um email, não só com a sua história, mas também a dar-nos força para continuarmos a percorrer este caminho!

 

Confesso-vos que ao longo destes meses há dias melhores, outros menos bons, mas chegar um dia, abrir o email e ver histórias como esta, que dão igualmente voz a tudo o que temos vindo a defender, que nos dão vitalidade para continuarmos a caminhar, é mesmo muito bom!

É recompensador.

Por isso, mais uma vez, obrigada "Maria"! Muito obrigada por também dares voz a esta causa!

 

Este percurso tem-me trazido cada vez mais certezas de que existem mais "Marias" por aí. E se sim, porque não se juntam a nós, e se confortáveis, nos contam a vossa história? Quanto mais vozes se pronunciarem, maior será o eco!

 

Escrevam-nos a vossa história (ou qualquer outro assunto) para o nosso email: blog@mulherfilhamae.pt

 

Olá Ana! Obrigada por ter iniciado este projecto de partilha fantástico! Depois de conhecer a sua história e ler os testemunhos que publicou recentemente, decidi partilhar a minha também...a história de uma mamã de 2015, fora do seu país, longe da família e dos amigos...

Há realmente coisas para as quais ninguém nos prepara...fazemos as aulas de preparação para o parto e de baby blues fala-se muito pouco. É qualquer coisa que nem nos preocupa antes do parto. Estamos absorvidas com o que temos de preparar antes do bebe nascer, com o momento em si, mas não pensamos no post-partum. Comigo, tudo mudou na noite em que a bolsa de águas rebentou. A saída de casa, marcou o inicio de uma nova etapa, ou do “quarto trimestre de gravidez”, como li à pouco tempo na sala de espera do pediatra.

A minha bebé nasceu por cesariana na manhã seguinte, com um peso inferior a 2,5kg. Dado o seu peso, foi considerada um bebé de baixo peso e todos os cuidados foram tomados. Enquanto tive colostrum, a bebé mamou. O problema começou quando o meu leite desceu e ela rejeitou. Foi introduzido o biberão e não foi fácil o regresso à maminha. Passei dias e noites de angustia no hospital. A pressão foi imensa para que a amamentação fosse estabelecida e para que a bebé não perdesse peso. Quando regressei a casa, a pressão do hospital já tinha passado, a minha bebé estava bem, ganhava  peso, crescia bem, começava lentamente a aceitar a minha maminha, mas a minha angustia, continuava...No dia em que entrei em casa, senti-me perdida. Estava finalmente em casa! E devia estar feliz...e estava...mas estava também absorvida por outros sentimentos que não conseguia explicar a mim própria....tinha medo...medo de estar sozinha com a minha bebé, apesar de só querer estar com ela...medo de não saber cuidar dela...medo de não ser uma boa mãe...sentia uma falta enorme de Portugal, dos minhas pessoas, dos meus sítios...precisava de tempo para compreender a minha bebé (e a mim...mas isso eu não sabia)..precisava de tempo para perceber o que cada choro e cada ruidinho significavam. O meu companheiro deu todo o apoio “logístico”. Era ele que tratava da casa, das refeições...eu “só” tinha de tratar da bebé... mas passados alguns dias tivemos a nossa primeira discussão.  A situação piorou no período em que os meus sogros estiveram cá em casa...além do meu companheiro, agora tinha mais duas pessoas que me olhavam como se eu fosse uma “extraterrestre”... os meus pais que estavam longe, eram os únicos que me compreendiam e me davam apoio, mesmo sem saberem que o faziam...

Apesar de todo o apoio que o meu companheiro me dava, que era imenso e fundamental, faltava alguma coisa...a compreensão do estado psicológico em que me encontrava...sentia que ele esperava mais de mim...dizia-me para voltar a ser eu, para além de mãe, ser mulher (não, não estamos a falar de sexo)...eu sentia que ele me pedia de mais, e ele não compreendia... Ainda hoje, passados 4 meses, ele não percebe o que se passou comigo.

Não, não somos Super Mulheres (ou somos...)...por favor não nos digam o que devemos ou não fazer com o nosso bebé...não nos sufoquem...sim, estamos cansadas e queremos dormir quando o nosso bebé dorme...sim, queremos estar com o nosso bebé ao colo durante horas (faz-nos bem e ao nosso bebé também)...não, não queremos escolher a nossa melhor roupa, apenas a primeira que vem à mão (mal temos tempo para tomar banho, quanto mais escolher roupa, ou fazer depilação, ou pintar unhas, ....)...não nos digam que não podemos ser “apenas” mães, porque é isso que queremos nesta fase... apoiem-nos  neste período em que o nosso estado psicológico está tão fragilizado...só queremos viver o nosso bebé...só queremos ser mães...mais nada...

 

"Maria"

Há coisas para as quais ninguém nos prepara #3

Alguns dias depois deste momento, aconteceu uma das nossas primeiras discussões decorrentes do momento que vivíamos.

Ele nunca compreenderá o meu lado, assim como eu nunca compreenderei o dele. 

Hoje, olho para trás e penso que não sei o que será pior: Estar envolvido por uma nuvem negra que nos consome e nos controla a cada momento que passa, ou ficar a viver ao lado, observando na primeira fila, quem vive absorvido por essa nuvem negra, sem nada, ou praticamente nada poder fazer para o tempo mudar, e voltar a fazer o sol brilhar.

 

E vocês, conseguem julgar sobre o que será pior?

Pergunto-me se haverá alguém nesta vida com competência ou moralidade para o fazer. 

 

Assim como a senhora que partilhou connosco este testemunho, este meu momento, também grita pelo apoio do companheiro, e o distingue, sem dúvida, como aquele que entre todos, se torna o fundamental, se torna o nosso pilar. Aquele que poderá tornar-se o nosso maior aliado, ou o nosso pior inimigo, consoante este se decidir comportar. 

 

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Esta, foi aquela página que escrevi após uma das nossas primeiras discussões derivadas do momento que passava, e que ele, na primeira fila, observava. 

 

10.01.2015 - No Sofá do quarto da Madalena.

 

Vou tentar explicar-te amor:

Não tem nada a ver com o facto de tu me ajudares, porque tu ajudas-me, a tempo inteiro!

Não tem nada a ver com o facto de eu estar cansada, porque isso é normal e eu já estive muito pior. Tu também estás cansado.

Não tem nada a ver com o facto de estar saturada. Até porque não estou.

Não tem nada a ver com a possibilidade de estar arrependida ou infeliz, porque definitivamente, não estou. 

Tem a ver com o facto de me sentir culpada. 

Tem a ver com o facto de me sentir abafada pelas circunstâncias. 

Tem a ver com o facto de me sentir sufocada pelas pessoas. 

Tem a ver com o facto de eu não estar, rigorosamente nada bem comigo mesma, e consequentemente, com o mundo que me rodeia. Local, onde por acaso, tu também te encontras. 

Tem simplesmente a ver, com o facto de eu achar que já não sou bem eu, nem sei o que vou ser, quando todos estes pedaços se juntarem e concertarem. 

Explico-me ao ponto de te conseguir fazer entender? Nem que seja um pedaço? Nem que seja um ínfimo de sentimento?

Eu sei. É complicado compreender o que não se sente, o que não se lê, ou mesmo o que se vê, mas não se atinge.

Não por burrice. De todo. Mas sim, por ausência de o sentir, no seu todo, ou na soma das suas partes.

Mas olha, ficas a saber, nem que seja pela escrita, que o teu apoio, é estrondosamente fundamental. 

Obrigado, pelo menos, por tentares. Mas para mim, ainda não está a ser suficiente.

Histórias que dão a cara por esta causa #2 - "O Apoio do Companheiro e restante Família é Fundamental!"

A Propósito do post Babyblues e Depressão pós-parto: Duas realidades (muito) diferentes, mais uma mulher decidiu dar a cara por esta causa, mesmo sem aparecer, relatando-nos um pouco da sua história. 

Contudo, penso que é nítido que em tão poucas linhas, esta mulher diga tanto sobre muito do que defendemos, evidenciando, sem dúvida, a importância do papel do companheiro e da respetiva família, no que toca à passagem por esta fase, seja ela um blues pós-parto, ou uma Depressão.

 

"Vivi tudo isto na primeira pessoa, com exceção do desinteresse pelo bebé. Os motivos que levam à depressão pós-parto envolvem também a falta de apoio e compreensão do companheiro, da família mais próxima. Foi este o meu caso e a principal razão que levou ao fim da união. Tudo aconteceu sem que ninguém se tenha apercebido, nem mesmo eu. Durou 2 anos."

 

 

Podem encontrar a fonte deste comentário aqui.

 

E vocês, também querem dar a cara, contando-nos a vossa história?

Enviem-nas para o seguinte email: centro@mulherfilhaemae.pt

Histórias que dão a cara por esta causa #1 - "De uma mãe enfermeira para outra"

É bom saber que nenhuma de nós está sozinha.

É ótimo verificar que o nosso propósito tem fundamento prático.

É revigorante sentir o reconhecimento dos passos que vamos dando, e entrarmos no nosso email e vermos que nos escrevem mensagens como esta, que partilho convosco de seguida. 

 

Esta, é mais uma história sobre uma mulher que passou pelos tais babyblues: Já ouviram falar? 

Esta, é a história de E.G., uma mãe, também enfermeira, que viveu cruamente o amargo sabor do inicio de uma maternidade, onde nem tudo foram rosas.

Acima de tudo, esta, é mais uma história real de uma mulher e mãe que dá a cara por esta causa, mesmo que não queira aparecer.

 

Mais uma vez, Muito Obrigada E.G., por teres tido a coragem de nos escrever, dando também tu, sentido a este nosso espaço e força para continuarmos a caminhar.

 

Se também vocês quem dar a cara por por esta causa, mesmo não querendo aparecer, façam como a E.G. e enviem-nos as vossas histórias e/ou sugestões para o seguinte email: blog@mulherfilhamae.pt.

 

 

Olá Ana boa tarde!

Após várias tentativas, finalmente consegui a coragem e o tempo para  escrever.

Chamo-me E.G. e gostaria de partilhar consigo a minha história, que tem em comum com a sua o facto de ambas termos vivenciado o babyblues e sermos enfermeiras.

Quando li a sua história, facilmente me identifiquei, e percebi que não estou só. Por isso antes de mais, o meu sincero Obrigado!

Fui mãe pela primeira vez  no dia 31 de Dezembro de 2014 após duas semanas internada no hospital devido a uma pré eclampsia e uma colestase gravidica.
A C. nasceu por cesariana de urgência as 35 semanas devido a alteração dos fluxos e abrandamento do ritmo cardíaco. Tinha 1.790 kg de peso e por isso após alguns minutos comigo foi para a neonatologia onde permaneceu por 12 dias.
Eu tive alta do puerpério após 72h e apesar de não ter a minha filha comigo em casa estava feliz por finalmente voltar a casa após o internamento.
Cerca de dois dias após a alta comecei com febre e tinha muita dificuldade em andar mas não deixei de  visitar a minha filha.
A febre fez com que desidratasse e diminuiu bastante a quantidade de leite materno que eu tirava para a C.
Uma semana após a alta e na segunda ida a urgência fiquei novamente internada devido a uma grave infecção e hemorragia abdominal, decorrentes da cesariana.
Tive que fazer antibióticos por via endovenosa e como tal tinha mesmo que permanecer no hospital. A única vantagem era que não precisava andar tanto para ver a C.
Felizmente dois dias depois ela teve alta da neonatologia e ficou comigo durante a semana que estive internada.
Dezassete dias após o nascimento da minha filha, fomos finalmente as duas para casa e foi nessa altura que começou o meu babyblues.
Nada me tinha preparado para aquela sensação de medo, tristeza, insegurança... e só piorou quando a C. começou a recusar o peito. Culpei-me e ainda me culpo por isso apesar de saber que não poderia fazer mais do que fiz...com apenas 2.045kg veio para casa e eu só podia dar 10 min de mama para que ela não perdesse peso.
Tentei de tudo. Pedi ajuda ao SOS amamentação mas já pouco havia a fazer e essa situação estava a fazer-me entrar em depressão e a piorar a minha relação com a minha menina. Optei por desistir e com o cansaço já não saía nada quando tentava tirar com a bomba.
O meu marido e restante família tentaram ajudar mas ao fazerem-no, sobretudo os meus pais...só me faziam sentir pior.
Foi um início de maternidade completamente diferente do que idealizei e o regresso a casa foi mesmo muito difícil. Ainda hoje estou a superar toda esta situação.

Ver a minha filha crescer ajuda muito mas ter conhecimento de mães como a Ana que também passaram por isto ajuda-me a não me sentir tão só.

Muito Obrigado mais uma vez por dar a cara, por partilhar e acima de tudo por abordar um tema que ainda é visto como tabú pela sociedade.

Um bem haja,

Cumprimentos,
E.G.