Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Mulher, Filha e Mãe

Sensibilizar (para) e apoiar (na) ansiedade e depressão na gravidez e no pós-parto

Encontros para mães e bebés: livres, isentos e descontraídos.

Todas as 6ªfeiras entre as 12h00 e as 13h00, a partir do dia 27 de Outubro, haverá um momento de encontro para mães e bebés no Centro Mulher, Filha e Mãe

 

Sala do grupo de mães e pais - Centro Mulher, Fil

 

São encontros:

 

  • Livres de participação: Todas as mães que tiverem bebés até aos 18 meses e tiverem interesse podem participar;

 

  • Isentos de pagamento: Os encontros não têm nenhum valor monetário associado. Basta que se dirijam ao Centro Mulher, Filha e Mãe e desfrutem do passeio, do espaço do Centro, do convívio e do espaço envolvente. Considerando o espaço, simplesmente será necessário que, quem tiver interesse, se inscreva para a(s) 6ªfeira(s) em que tiver disponibilidade/interesse.

 

  • Descontraídos no seu todo: Não há temas definidos para se falar ou determinadas normas a cumprir. O objetivo é criar um tempo específico durante a semana em que a Enfª Ana Vale possa estar com as mães e com os seus bebés, ouvir as suas questões, conversar e disponibilizar o espaço do Centro Mulher, Filha e Mãe para promover momentos de convívio e partilha nesta fase do ciclo de vida. 

 

Pátio - Centro Mulher, Filha e Mãe.jpg

 

Haverá sempre a oferta de chá a quem estiver presente, e quem tiver interesse e se queira inscrever, basta enviar email (centro@mulherfilhaemae.pt) ou contactar-nos via telefónica (936 180 928).

 

Partilhem com quem considerem que possa ter interesse! 

A pessoa com experiência de doença mental: O que eu vejo.

É difícil limitar o meu campo visual. 

Dia após dia alcanço cores diferentes. De gente, de luz, de ser. 

É difícil ficar indiferente. Ignorar, para conseguir estar. Olhar ao lado, para melhor me sentir. 

Já diziam, e é verdade, olhos que não veem, coração que não sente. Mas que não se engane quem finge não ver, ou quem faz por não alcançar nesse sentido. Os problemas de saúde mental são uma realidade e afetam um sem número de pessoas e respetivas famílias. E isto, está ao alcance de qualquer um.

 

Eu compreendo, é difícil encarar. Motivos? Vários!

E de forma fria não me coíbo de afirmar que a petulância, o medo, o estigma e a hipocrisia, são só alguns dos que lhes estão subjacentes.

Contudo, é necessário para se confrontar com a pobreza de meios, recursos e awarness alheia, e que mesmo assim geram dentro do possível, um número variado de avaliações, integrações, intervenções, e que atingem pessoas, que mesmo com a sua limitação não se deixam levar pelos olhares alheios e continuam. Mantém a sua riqueza pessoal. 

Quando nos confrontamos, é uma pessoa que estamos a ver. É um pequeno problema dentro dela que temos de resolver, pois a pessoa continua, e a sua riqueza pessoal também. 

É isto que eu também vejo. Pessoas com esta experiência, que fazem mais por si, do qualquer outra que não a tem. 

Também vejo o oposto. Pessoas que se recusam a fazer por si, mas que têm acesso a pessoas dotadas para lhes transmitirem esse insight. 

Infelizmente, também vejo que existem pessoas que a nada têm acesso, a não ser à experiência de doença mental em si mesma, e a um tanto ou quanto de outros (in)felizes acasos e realismos subjacentes ao desenrolar da vida. 

 

Vejo iniciativa, redundância, dúvidas, amor, maus-tratos, confusão, alienação. Vejo força invisível e sempre presente. Vejo personalidade. Vejo tristeza e mágoa. Vejo dificuldade de expressão. Vejo dúvidas. Ah! Já disse? Então repito. É porque vejo muitas. 

 

o-POSTPARTUM-DEPRESSION-facebook.jpg

 

Ter a experiência de uma doença mental não é o mesmo que partir uma perna, pois a primeira não se vê tão concretamente, nem se diagnostica tão claramente, ao contrário da segunda. Mas é (quase) o mesmo que uma perna ter partido. O osso não vai completamente ao lugar, por vezes o nosso corpo lembra o sucedido e não há cura, mas há a possibilidade de reabilitação. Acreditamos na reabilitação, sentamo-nos ao lado, fazemos conversa de circunstância e até nos baixamos para pegar na muleta de quem uma perna partiu, certo? 

 

Então porque é que eu continuo a ver a renitência de contacto, o olhar de esguelha, o claro afastamento, e a pobreza de (re)ação, perante uma pessoa com óbvia experiência de doença mental?

 

É tão fácil ter iniciativa para segurar a muleta de quem uma perna partiu, e é tão difícil, sequer, sentar ao lado de alguém com óbvio traço de experiência de doença mental. Chega-se até a respirar o medo, o nojo, a procura pela indiferença e o estigma subjacente. É muitas vezes, cruel, o que vejo. 

 

Tão à frente, e tão atrás que nós estamos. 

 

Informem-se:

 

 

Ou, se preferirem, perguntem:

blog@mulherfilhamae.pt

 

 

Porque eu não acredito que alguém nasça ensinado, ou com a certeza de que a experiência de uma doença mental, nunca lhe vá bater à porta. 

Não há problema se chorar compulsivamente nos dias posteriores ao parto!

 

Mas há problema se continuar a chorar compulsivamente nos dias, semanas e/ou meses posteriores ao parto, e não pedir ajuda, pois muito provavelmente, podemos estar perante um blues pós-parto, e persistindo, provavelmente numa depressão pós-parto. 

 

Pedir ajuda é legítimo e não faz de ti má mãe! 

 

#eupediajuda

 

Ajuda? Dúvidas? Questões?

blog@mulherfilhamae.pt

Birras... para que vos quero?

No Sábado, eu e o meu marido fomos a um workshop intitulado por "Birras...para que vos quero?" promovido pela creche onde a Madalena está. Foi um Workshop dado pela Psicóloga Carolina Canto que também dá as aulas do Gymboree, na mesma creche. 

 

Estávamos um pouco expectantes, pois - tal como a maioria dos pais no mundo - andamos a passar por uma fase complicada com a Madalena no que toca à temática das Birras. Sempre percebemos a nossa filha como um bebé/criança bastante decidida - aquilo que ela quer, é aquilo que tem de ser -  e bastante comunicativa, mesmo que ainda não tão eficazmente por via verbal. Mas... ultimamente começou esta fase, em que pela conquista da sua autonomia, nos tenta desafiar a todo o custo chegando muitas destas situações a terminar em Birras bastante complicadas de gerir... 

 

IMG_20160122_100231- alterado.jpg

 

Também, tal como a maioria dos pais no mundo, chegamos a momentos em que não sabemos o que havemos de fazer e também já chegámos à brilhante conclusão de que não existe uma única solução. Não existe uma única, mas sim várias. Várias dependendo do momento e da birra (e provavelmente, dependendo de mais algumas coisas também...).

 

Assim sendo, lá fomos nós. Estava tudo preparado para nos receber - a nós e aos restantes 30 pais que se inscreveram - e cerca de 10 minutos depois lá começou o Workshop. 

Na teoria, a Carolina tentou mostrar-nos algumas correntes de pensamento sobre o que são as birras, para que servem, porque é que são tão necessárias e algumas dicas básicas para podermos lidar com elas. Na prática, foi ainda melhor. Tentou chegar a todas as nossas dúvidas e questões, abriu um grande espaço para colocarmos as nossas experiências, e como conhecia um pouco de todos os bebés e crianças que foram faladas (porque já lhes dá aulas no Gymboree), melhor ainda. 

 

Conclusões?

 

  • Não há uma forma padronizada de agir perante uma birra (mesmo que as birras sejam semelhantes...);
  • É importante valorizar as boas atitudes e comportamentos que os nossos filhos adotam perante determinada situação. Eles fazem birras, e no meio das birras têm atitudes e comportamentos que por vezes nos fazem sair do controlo. Contudo, é importante mostrar-mos aos nossos filhos que embora os seus comportamentos não estejam corretos, que os adoramos, valorizando (mesmo os pequenos) atos que são bem feitos pelos próprios.
  • As birras são necessárias e fazem parte do desenvolvimento da criança. Portanto... é complicado lidar com elas mas, é também necessário aprendermos a enfrentá-las, acolhe-las, e quem sabe até, antecipá-las, tendo em conta o quão bem conhecemos os nossos filhos. 
  • Devemos ter sempre presente que nem sempre são só os nossos filhos que fazem birras. Nós, Pais, também fazemos as nossas birras perante (e não só) as birras dos nossos filhos. Por isso, também é suposto que o nosso autoconhecimento se vá aprimorando ao longo desta árdua tarefa que é a educação, para que se torne num parceiro de grande fulgor nesta batalha.
  • Também na sequência do último ponto, devemos saber orientar os nossos filhos em busca de um comportamento mais adequado, mas também devemos saber pedir desculpa quando os chamamos à atenção e não tivemos o melhor comportamento/atitude nesse momento. Somos Falíveis, e como tal, também devemos dar o melhor exemplo neste sentido. 
  • Se as birras forem tão complicadas de gerir que a criança berra, bate e faz trinta por uma linha para o mundo que a rodeia se aperceber do quão irritada está... é melhor deixá-la deitar tudo cá para fora durante breves minutos e depois intervir.
  • As birras, na idade da madalena, ocorrem muitas vezes pelo facto das crianças nessa idade não saberem gerir as emoções, uma vez que, não só são imaturos emocionalmente, como também, ainda não se conseguem exprimir bem verbalmente. Assim, a forma que encontram para gerirem as emoções menos positivas que os consomem é deitando tudo cá para fora através (adivinhem lá!)... das birras. 
  • Como disse inicialmente, não há soluções mágicas para as birras dos nossos filhos e cada um é como cada qual. Existem algumas estratégias que podemos aplicar, mas sem grande expectativa de resultar. No entanto, é bom pararmos para refletir sobre o que suscitou esse momento, posteriormente. Partilhar este tipo de situações seja com quem for, especialmente se de alguma forma nos sentirmos "sem norte", poderá ser um bom ponto de partida para compreendermos melhor a situação e que aprendizagens tiramos da mesma. Neste sentido, o grupo de pais que se juntou no Sábado e todas as partilhas que realizámos foram catalisadoras de um bem-estar geral que se sentia na sala.
  • É verdade que nós, Pais, muitas vezes estamos sujeitos a um stress gigante simplesmente só por sermos Pais e estarmos no século XXI. Mas muitas vezes esse stress deriva muito de nós próprios, das nossas opções e da nossa forma de estar, ser, pensar e sentir. É importante compreendermos que somos Super-Pais, só, pura e simplesmente por querermos o melhor para os nossos filhos, refletirmos sobre a sua educação, e tentarmos ser melhores a cada dia que passa.

 

Este, foi sem dúvida alguma um excelente espaço que se abriu. Uma excelente oportunidade que foi proporcionada pela Creche e pela Carolina do Gymboree e um excelente momento que floresceu e nos deu a todos a oportunidade de nos expressarmos livremente, sem sentirmos que seríamos julgamos por agirmos de determinada forma ou vivermos determina birra juntamente com os nossos filhos. Foi um momento de partilha e reflexão. Ou pelo menos, foi assim que eu o senti. 

Espero que haja a possibilidade de serem dinamizados mais momentos assim porque tenho a certeza que de alguma forma, todos entrámos expectantes no workshop, e saímos do mesmo com uma sensação de maior leveza em relação a este assunto. 

 

Birras... eu não vos quero. Mas sei que estarão sempre presentes daqui em diante. Portanto... é sempre bom podermos falar sobre isto!

 

E vocês, o que têm a dizer sobre o assunto?