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Mulher, Filha e Mãe

Sensibilizar (para) e apoiar (na) ansiedade e depressão na gravidez e no pós-parto

Sou mãe e estou em pânico. Será que sou capaz de cuidar deste filho?

Eis uma questão colocada por muitas pessoas, partilhada com terceiros, por poucas, e julgada socialmente por tantas outras. 

São inúmeras as vezes que as mães partilham comigo que estão em pânico. E a verdade, é que isto não me choca minimamente. Choca-me sim, a indiferença a este problema, como se, pouca ou nenhuma importância se deva dar a esta questão.

 

Deixa estar... não te preocupes, isso há-de passar! 

Não percebo porque estás assim... tens um filho lindo e saudável... que mais poderias querer? 

Nem vale a pena teres medo. Agora tiveste o teu filho, tens de cuidar dele e ponto. 

 

Estas, são só algumas palavras que "terceiros" ou "tantas outras pessoas" dirigem com frequência às mulheres que de alguma forma se manifestam neste sentido. Algumas palavras que as mulheres partilham comigo, muitas vezes com grande angústia associada, e sempre com um grande receio de serem vistas como sendo "más mães", porque é assim que se sentem ao viverem esta realidade (ou achavam que as mães ainda se sentiam felizes por se sentirem assim?!), e que terceiros as fazem sentir quando proclamam o tão comum "deixa estar...isso há-de passar". Ás vezes gostava de ser mosca e ver até onde é que este "deixa estar que isso vai passar" nos leva. Até onde é toda esta forma de lidar e de ver estas questões, leva estas mães? E estes filhos? Será que passa mesmo, ou simplesmente as pessoas aprendem a disfarçar para se enquadrarem numa sociedade onde reina o preconceito, e muita falta de conhecimento sobre esta temática? E... o que é que esse "deixa estar que isso há-de passar" causa à posteriori na família no geral? Todo aquele sofrimento outrora sentido.. para onde foi? O que causou, se efetivamente houve um pedido de ajuda ao qual não houve qualquer tipo de resposta? 

 

Bom... não sairia daqui com tanta pergunta que me inunda o pensamento, mas confesso que penso muito sobre o facto de ter nascido neste estranho mundo que  transmite às mães que não podem ser elas próprias no cuidar, mas que por outro lado, têm de cuidar em pleno e estar constantemente alegres e de sorriso feito na cara para receberem qualquer um, enfrentar qualquer situação e/ou resolver qualquer tipo de problema com elas, com os filhos e com as famílias. Como se fosse só carregar num botão...

Estranho mundo este que prefere o "deixa estar que isso há-de passar" nesta fase de vida, muitas vezes atentando em barda ao sofrimento pelo qual estas mulheres passam.

 

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Exige-se cuidado, mas não se permite que estas mulheres se cuidem. 

Exige-se vínculo, mas não se permite que estas mulheres tenham tempo para si.

Exige-se afeto, mas não se permite que se coloquem dúvidas e questões sobre problemas que surjam pelo caminho, mesmo que complexas do ponto de vista psicossocial. 

 

É mais ou menos assim que eu encaro a realidade atual no que concerne a este assunto, considerando em concreto as centenas de questões que já me chegaram via email, e pessoalmente, desde que fundei este blogue, e a formação que tenho feito em paralelo neste âmbito. 

 

A quem esta realidade de alguma forma possa chocar, a única coisa que posso dizer de momento é... informem-se! Podem sempre contactar-me via email, pois não hesitarei em esclarecer-vos. 

 

A quem esta realidade de alguma forma possa tocar, felizmente, as respostas começam a surgir. Dizer "não percas a esperança" já não é só semelhante à dificuldade severa de se ver a luz ao fundo do túnel numa área onde são raras as respostas concretas neste sentido, mas cada vez mais, se torna uma franca possibilidade. Mesmo quando a maternidade teima em não iniciar da forma como era o esperado, ela pode lá chegar. Portanto, não percam a esperança, mas agarrem-se a um franco pedido de ajuda e iniciem acompanhamento neste sentido porque sim, há solução! 

 

centro@mulherfilhaemae.pt

Ansiedade e depressão na gravidez e pós-parto: Porquê pedir ajuda?

Porque há solução! 

 

Porque o sofrimento não tem de ser uma constante. 

Porque não é necessário suportar tudo em silêncio.

Porque voltar a estar bem consigo mesma, é uma forte possibilidade.

Porque existem vários recursos a que pode recorrer.

Porque vai-se sentir mais tranquila e segura.

Porque tem muitos dos recursos que precisa dentro de si para ultrapassar este momento.

 

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A gravidez e/ou o pós-parto podem não ter começado da forma mais tranquila possível, ou pelo menos, da forma como esperou. Contudo, não tem de permanecer assim. Há profissionais que a podem apoiar, existem recursos a que pode ter acesso, e com o tratamento e acompanhamento adequado pode voltar a encontrar o equilíbrio que procura. 

 

Considerando o meu percurso pessoal e profissional, desenvolvi um projeto de apoio a mulheres com alterações emocionais na gravidez e no pós-parto. 

 

Brevemente avançarei com mais informações sobre o projeto. Contudo, se até lá considerar que lhe posso ser útil em algo dentro desta temática, aqui ficam os meus contactos:

 

E-mail:
centro@mulherfilhaemae.pt

Telemóvel:
(+351) 936 180 928

Sobre o workshop "Programa bem-estar perinatal"

Há pouco tempo falei-vos sobre este encontro onde me tinha inscrito com o intuito de participar no workshop ministrado pela Dra. Ana Telma Pereira sobre o Projeto bem-estar perinatal

 

Já por várias vezes que falei sobre o projeto no blogue, como sendo um projeto de referência no âmbito da saúde mental perinatal, e participar neste workshop, só me fez considerá-lo ainda mais. 

Os resultados que apresentaram, a evolução do projeto desde a última vez que tinha assistido a uma das sessões que integrava, as atividades apresentadas pela Dra. Mariana Marques e pela Dra. Julieta Azevedo, os trabalhos de investigação que têm desenvolvido, e no global, todo o contributo que têm dado a esta área, e concomitantemente, ao aumento do trabalho em prol da diminuição do estigma face à problemática, assim como em prol da diminuição do sofrimento das mulheres e respetivas famílias (entre tantos outros...) é indescritível. 

 

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Para mim, são uma das grandes referências nacionais nesta área, e podendo continuar a assistir à evolução do seu trabalho,a aprender com o que têm feito e a utilizar o que desenvolvem nas minhas práticas, assim o farei. 

 

No workshop foi apresentado o programa, como começou, quais os resultados obtidos um ano após a sua prática, no que consideram que poderá melhorar, matérias sobre as quais estão a trabalhar, foram-nos ensinadas algumas atividades que integram o programa, o porquê da seleção de determinadas áreas a aprofundar num programa deste género, entre outros temas. 

 

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Do workshop, para além de todas as aprendizagens e esclarecimento de dúvidas, saiu a possibilidade de nos voltarmos a encontrar pessoalmente, para esclarecer outras questões sobre projetos que atualmente estou a desenvolver dentro da área, com a Dra. Ana Telma Pereira, que está sempre disponível para partilhar conhecimento. O que para mim, ou para qualquer outra pessoa que esteja interessada em desenvolver trabalho neste âmbito, é uma grande mais-valia. 

 

Mas este workshop não foi uma excelente oportunidade de aprendizagem só por este motivo. Para além do workshop, ainda tive a oportunidade de conhecer a Enfª Carla Correia, que na Unidade de Saúde Familiar onde trabalha, também se encontra a desenvolver um projeto de grande qualidade no âmbito da saúde mental perinatal. 

 

Talvez fiquei para breve uma entrevista à Enfª Carla. O que acham? 

Temos de divulgar o trabalho de qualidade que é realizado neste âmbito, e que eleva a intervenção nesta área ao nível onde ela deve estar: alto. 

Histórias que dão a cara por esta causa #23 "tinha uma depressão avançada com pensamentos suicidas"

Mais uma história que, muito provavelmente, se encaixa no contexto de várias mulheres. Um pedaço de uma história que demonstra muitos contornos em volta da vida familiar, e da sua importância no apoio emocional durante a gravidez e no pós-parto. Conta-nos também um pedaço de história de uma mulher que, desde então, tem lutado com grande afinco para ultrapassar cada momento menos positivo do seu pós-parto, e tentado encontrar no seio da sua família, amigos e respetivo trabalho, a luz que a conforta e que a faz seguir em frente.

 

A M. é uma leitora do blogue que já teve uma depressão pós-parto grave numa primeira gravidez, e que desenvolveu uma segunda - embora que menos grave - na sua segunda gravidez. Hoje, resolveu partilhar connosco um pouco da sua história.

 

Cada mulher encontra as suas estratégias dentro do seu contexto e dos recursos que possui. Estas, foram as estratégias que esta leitora utilizou (e utiliza) para se manter o mais saudável mentalmente possível numa fase de grande turbulência emocional, como muitas vezes é, o pós-parto.

 

Partilhem também as vossas histórias e estratégias! O que considerarem pertinente pode revelar-se uma ajuda para as várias pessoas que diariamente leem a rubrica Histórias que dão a cara por esta causa

 

blog@mulherfilhamae.pt

 

Vamos conversar?

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Olá sou a M., aos 18 anos caso-me e tenho o meu primeiro filho aos 19 anos - o Francisco. Mas era mãe de primeira viagem,super nova mas sempre sabendo o que queria,mas passado 4 meses o Doutor reparou que não estava bem,e ja tinha uma depressão super avançada com pensamentos já suicidas...fui para psiquiatras ....psicólogos. ....e andei em médicos e em médicos. ...e passado 1 ano e meio o meu casamento chegou ao fim....não perdi esperança e agora tenho uma relação forte com um meio familiar muito compreensivos e estão muito presentes na vida dos meus filhos pois o Francisco é filho....Neto.....bisneto de coração da minha nova relação (foi aceite como se levasse o sangue de familia). Acho muito importante que haja um meio familiar estável, é super importante. Agora com 32 anos engravidei novamente (gravidez do Mateo) engordei quase 30 kilos e não aceitei o meu novo corpo, sentia-me muito mal, nem dormia,nem à rua eu saia, até que passado 9 meses o meu "Carlos" diz que me ama todos os dias, e quando eu tenho um problema com os meus filhos, os meus patrões deixam-me sair logo sem me cobrar uma única satisfação ou horas extraordinárias,ou me repreendam. ....a vovó Zeza fica com os netinhos e não tenho preocupações. O Seio familiar é muito importante, e ter um emprego com bons patrões, é um passo para a depressão ir embora sem nos dar-mos conta. ..há altos e baixos mas já aceitamos. ....agora é viver e pensar que não sou a única. ....sou só especial com uns kilinhos a mais....um bem haja ......beijinhos.

"Será que pode ser considerado depressão pós parto após seis meses e meio?"

Perguntou-me uma leitora do blogue via email. 

 

E a resposta é sim. 

 

Tal como já abordei neste post, a denominada depressão pós-parto, pode ser diagnosticada pelo médico de medicina geral e familiar ou pelo psiquiatra desde o momento do nascimento até cerca do primeiro ano após o parto. 

 

Há uma série de critérios que poderão conduzir a este diagnóstico, mas acima da sua concretização, está a possibilidade de se iniciar um tratamento adequado para o efeito. É importante consultar um médico para proceder à respetiva avaliação, tal como é importante ter em conta o tratamento prescrito. 

 

Entre o tratamento farmacológico e a cura da depressão pós-parto existem uma série de possibilidades de intervenção para a potenciar. Algumas delas já aqui foram abordadas através de um testemunho de uma leitora do blogue que após um ano de tratamento partilhou connosco a sua experiência. Podem consultá-lo aqui. Contudo, sei que existem muitas mais. 

 

Se tiverem uma experiência diferente, não hesitem em partilhá-la! Enviem-me email para blog@mulherfilhamae.pt

 

 

Histórias que dão a cara por esta causa #21 - "Depressão Pós-Parto é sentirmo-nos más mães por estarmos a passar por tudo isto "

Hoje trago-vos um relato na primeira pessoa associado a uma vivência pessoal de depressão pós-parto sobre a qual esta leitora muito tem refletido, transmitindo-nos através de um contacto via email, uma uma mensagem muito objetiva, emocionante e realista, que me autorizou a publicar.
 
Partilhem também a vossa história, as vossas vivências, seja na primeira pessoa, ou não, sobre blues, depressão, ansiedade e/ou psicose pós-parto, por exemplo.
 
Vamos dar continuidade a esta partilha, demonstrando e relatando sem medos e/ou preconceitos, que maternidade nem sempre rima com felicidade.
 
blog@mulherfilhamae.pt
 

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"Boa tarde,
 
O que eu sei da depressão pós-parto é que é muito difícil quem nos rodeia entender aquilo que se passa na realidade. Pensam que a mãe está assim porque deixou de ter as atenções sobre ela porque passaram a ser sobre o bebé, pelo menos é o que mais tenho ouvido... Na realidade é um sofrimento em silêncio e uma dor inexplicável. É incontrolável o choro, a angustia e a culpabilização que se sente.
 
É não entender como se desejou este ser tanto e se sofreu tanto para o ter que agora que está aqui sentimos que é um fardo porque não nos conseguimos ligar a ele. É sentir-se culpada por ter estes sentimentos. É querer se refugiar num buraco e que nos deixem em paz e querer que este ser não seja tão dependente de nós para podermos ter um pouco de descanso. É não entender porque estamos a sofrer tanto quando devíamos era estar felizes - até porque é o que toda a gente nos diz e é o que esperam de nós. É sentir que somos 'escravas' deste ser e não conseguimos desfrutar dele como os outros porque o cansaço nos ultrapassa. É chorar de forma incontrolável sem saber ao certo o porquê. É olharmos-nos ao espelho e não nos reconhecermos pois tal foi a forma que o nosso corpo modificou.
E finalmente é sentirmo-nos más mães por estarmos a passar por tudo isto e a sentir o que estamos a sentir.
Este descontrolo hormonal leva-nos a um estado extremo numa altura em que mais precisávamos de estar bem.
É uma verdadeira depressão como qualquer outra e requer ajuda e apoio.
 
Admiro as mães que tiveram que passar por tudo isto sozinhas." 

Histórias que dão a cara por esta causa #20 - "Considerava a Depressão Pós-Parto algo sem sentido, mas a verdade é que não se controla"

Foi excecional o contributo desta leitora para o blogue. 

Não falo só em termos de testemunho na primeira pessoa que partilha - o que em muito já contribui para a divulgação ativa do tema - como também da força que me transmitiu enquanto mulher e mãe. 

 

Há dias complicados por trás deste ecrã. Dividir o tempo entre a Família, Amigos, Mestrado, Trabalho e Blogue nem sempre é fácil. Especialmente porque adoro tudo o que faço. Amo a minha família e amigos, adoro o mestrado que faço, assim como o percurso profissional que estou a traçar atualmente, e adoro escrever!

E num dia mais confuso, esta leitora transmitiu-me uma forte mensagem, que ainda me motivou mais a fazer a gestão que faço todos os dias. Quando o resultado é este, só pode haver um caminho: continuar!

 

Obrigada minha querida! 

Partilhem também as vossas histórias relativas à Depressão Pós-Parto, sejam na primeira pessoa, sejam companheiros, filhos, amigos, vizinhos, tios, primos, etc. Tragam-me as vossas visões sobre o tema! Partilhem as vossas opiniões e vivências. Vamos falar sobre o assunto! 

 

blog@mulherfilhamae.pt

 

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"Olá Ana, Tenho lido vários artigos que tem publicado no seu blog e sempre que leio fico com uma enorme vontade de lhe falar. Tenho vindo a adiar, talvez por comodismo, privacidade e receio de falar do que me é frágil, mas chegou o dia.

Eu sou a (leitora), tenho 27 anos e fui mãe há 1 ano atrás. As coisas agora estão melhores mas no início não foi nada fácil. Tinha uma enorme vontade de ser mãe e as minhas expectativas estavam demasiado elevadas em como tudo ia correr como eu mais desejava, principalmente em relação à amamentação. Não aconteceu! Estive três dias no hospital após uma cesariana que correu lindamente, recebi imensas visitas que não me incomodaram porque sabia que tinham tempo limitado, a minha filha nasceu bem e saudável; e tive o apoio de todas as enfermeiras na adaptação da bebé ao peito (depois de durante toda a gestação ser bombardeada com a questão de que o leite materno é o melhor para o bebé por variados motivos, e atenção, sou completamente de acordo).

Chegados a casa, tudo começou a ficar mais confuso... Os amigos que não tinham ido ao hospital marcavam visitas para lá ir a casa o que senti que me começou logo a afectar. Queria estar sozinha, não tinha vontade de estar com mais ninguém para além da minha filha, todas as perguntas me perturbavam, até as mensagens que recebia a perguntar constantemente se estava tudo a correr bem, enfim...

No meio de tudo isto comecei-me a aperceber que a minha filha não ficava saciada com o peito até que resolvi tentar extrair com a bomba para ter ideia da quantidade que estava a produzir. Em 20 minutos saíram 4 gotas... não tinha leite! Aí sim, senti que não fiquei bem, aliás, ainda hoje me julgo e pergunto o porquê de não lhe ter conseguido dar o melhor que dependia de mim. Confesso que ainda é um assunto bastante delicado. Fiquei obcecada pela minha filha ao ponto de rejeitar o pai, para mim era só eu e ela, não era preciso mais ninguém. Chorava muito enquanto olhava para ela a dormir, e pensava que era o acumular de tanto amor, de tanta felicidade, mas já não era.

O tempo foi passando e eu tive plena noção de que não estava bem mas não era capaz de falar com ninguém sobre isso. Pensei, "não vou procurar ajuda médica porque me vão medicar e eu não quero ficar dopada! Ninguém me vai entender! Vou ter força interior para ultrapassar tudo isto sem que ninguém perceba!". Assim fiz, não foi nada fácil, passava muito tempo sozinha com ela e sempre que ela dormia (que era muito tempo) era o desespero total sem conseguir explicar o motivo.

Sempre achei as depressões pós-parto uma coisa sem sentido, sempre pensei "como alguém pode entrar em depressão quando é suposto ser o momento mais feliz das nossas vidas?!", é verdade, não deixa de o ser mas é algo que não se controla. Hoje em dia já me sinto melhor, só há pouco tempo é que comecei a falar com os meus familiares sobre o que passei, inclusive com o meu marido, e para meu espanto e uma certa tristeza soube que ninguém deu por nada... Sinto-me bem, embora emocionalmente mais sensível, sou feliz mas tenho alguns receios para o futuro.

Não me sinto minimamente preparada para pensar num segundo filho, tenho muito medo de ter que passar por tudo isto outra vez... e outro dos meus medos é que esteja com uma depressão mal tratada que a qualquer momento me deite abaixo. Desculpe todo este desabafo.

Esta é a minha história e obrigada pelo seu contributo com o blog porque certamente vai ajudar outras mães que possam estar a passar pelo mesmo. Infelizmente tenho a sensação de que só "nós" nos entendemos. Um beijinho."

2ª Gravidez = 2ª Depressão Pós-Parto?!

Esta equação, não tem de ser necessariamente assim. 

 

Há poucos dias em conversa com uma leitora do blogue surgiu esta temática, e já não é a primeira vez que a mesma surge em conversa com mulheres que gostavam de ter mais um filho mas que temem o desenvolvimento de uma segunda depressão pós-parto. 

 

É certo que para quem já desenvolveu uma depressão pós-parto numa primeira gravidez, a probabilidade de desenvolver uma segunda depressão pós-parto, numa segunda gravidez, poderá ser maior. Mas também é certo que a preparação para esta realidade, é maior também. E tomo por "preparação" a da própria mulher, do companheiro e da restante família. 

 

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Se é fundamental, numa primeira gravidez, a mulher e respetiva família informarem-se sobre o tema e ficarem sensibilizados para este tipo de temáticas, numa segunda gravidez, a mulher não só acumula todas as experiências vividas por si enquanto mãe até à data, como a sensibilidade para temas como a depressão pós-parto é maior também. Tem todos os recursos para se munir, juntamente com a sua família, de estratégias para a prevenir, e procurar apoio, caso seja necessário. 

 

Quais as manifestações de uma depressão na gravidez e no pós-parto?

(podem encontrar a resposta aqui)

 

Como é que a família e amigos podem ajudar uma mulher com depressão pós-parto?

podem encontrar a resposta aqui)

 

Quais os recursos na comunidade que me podem ajudar a ultrapassar a depressão pós-parto?

(Contactem-me! blog@mulherfilhamae.pt)

 

Estas são questões muito importantes às quais a resposta deverá estar na ponta da língua

 

Questionem-se. Informem-se. Procurem apoio. 

Preparar a chegada de um segundo filho, nestas circunstâncias, contribui para a vivência de uma gravidez e pós-parto mais tranquilos. 

 

#eupediajuda 

#movimentodepressãopósparto

"Fui mãe há 10 meses e sinto uma ansiedade terrível"

Já não é a primeira vez que falamos sobre ansiedade por aqui. 

Ansiedade tanto pode ser considerada como um traço da nossa personalidade, ou um estado, tanto pode ser considerada como "normal" ou "patológica". Não há um limite preciso, nem há uma regra padrão. Existe sim, um limite que cada um de nós poderá conhecer melhor do que qualquer outro e uma regra que única e simplesmente a cada um, de forma individual, se aplica. A ansiedade, poderá constituir-se sim um forte problema do foro da saúde mental, caso interfira constantemente com o bem-estar da pessoa e afete fortemente a sua interação com os outros e com o meio que a rodeia. 

 

A Ansiedade não é típica de nenhuma fase da vida em particular, mas também exacerba, como já falei aqui, na gravidez e no pós-parto, podendo muitas vezes caminhar lado a lado com a depressão perinatal

 

 

Uma leitora do blogue contactou-me há alguns dias e referiu o seguinte no email que me enviou:

 

"Fui mãe há 10 meses e sinto uma ansiedade terrível. Canso-me ao menor esforço, falta de fôlego ou fôlego curto, dores no pescoço, irritabilidade, dores de cabeça, etc. Ando assim há 10 meses. Não tenho tempo para mim , apesar de estar em casa com o meu filho, e para bem da minha sanidade mental preciso de ajuda."

 

Com a sua autorização, publiquei-o, também como forma de vos alertar para esta problemática que se sabe que ocorre com uma alta incidência e prevalência na gravidez e no pós-parto. 

 

Os sinais e sintomas para este tipo de alteração, não só estão bem claros no pedido de ajuda que faz, como tenho vindo a falar sobre os mesmos, por exemplo, aqui

 

Estejam atentos e procurem ajuda! 

Pedirem ajuda não faz de vocês o casal que falhou. 

 

Esta leitora pediu ajuda, e encontrou. 

 

blog@mulherfilhamae.pt

 

#eupediajuda

A Raquel pediu ajuda e conseguiu superar a Depressão Pós-Parto! E vocês?

A questão foi colocada há pouco tempo num post que publiquei e que se intitulava por Depressão Pós-Parto: Quando é que pediram ajuda?

 

Várias foram as respostas que obtive! Mas ainda faltam muitas mais. 

 

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A Raquel respondeu e disse:

 

Pedi ajuda quando precebi que não era só a minha vida que estava em risco...mas a da minha filhota também... Despistei-Me na auto-estrada com ela dentro do carro... Nesse dia cheGuei a casa e disse preciso de ajuda... Tinha ela já 7 meses... Esse dia foi o primeiro de uma grande luta... Mas conseGui...

 

E vocês, quando é que pediram ajuda?

#eupediajuda

 

blog@mulherfilhamae.pt