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Mulher, Filha e Mãe

Sensibilizar (para) e apoiar (na) ansiedade e depressão na gravidez e no pós-parto

Não te sentes boa mãe? Então este texto é para ti!

Não te sentes boa mãe mas esqueces-te que ser mãe não se define por um momento, mas sim por uma vida de momentos, ou várias. 

 

Não te sentes boa mãe, mas esqueces-te que ser mãe também envolve ter dúvidas, não saber o que fazer, e por vezes ir em frente, mesmo com o coração envolto em profundo receio e ansiedade. 

 

Não te sentes boa mãe, mas lembras-te de quando te sentes orgulhosa do teu filho? Quando observas na primeira fila as suas pequenas evoluções, os detalhes das primeiras palavras todas baralhadas mas com grande esforço de dicção, os pormenores no seu empenho em aprender as primeiras letras na escola, as primeiras dúvidas sobre si que partilhou contigo e onde pudeste dar-lhe alguns dos teus sábios conselhos. Todos estes momentos, e tantos outros, são fruto da tua dedicação diária, constante. Sentes isto?

 

Não te sentes boa mãe, mas espera... lembras-te de quando o teu filho te sorriu a primeira vez? E a segunda? E a décima? O que sentiste? O que sentes quando o faz, hoje?

 

Não te sentes boa mãe, mas o teu filho abraça-te todos os dias.

 

 

Não te sentes boa mãe, mas o teu filho vê-te tal como és, e devolve-te, mesmo sem te aperceberes, muita da tua dedicação. E não é só quando chega a casa com boas notas, ou com uma observação de um "tal de" bom comportamento. É quando demonstra compaixão, humildade, atenção, responsabilidade, entre tantas outras competências. Essas também são trabalhadas por ti. Todos os dias, a todas as horas. Mesmo quando, também tu, não tens paciência, e ou capacidade para estar sempre lá com toda a vitalidade que gostavas. Mesmo quando, também tu estás cansada, esgotada, por um qualquer motivo. Mesmo quando assim estás, estás lá, mesmo que, nem sempre com a resiliência que gostarias. E assim, também muitas vezes está o teu filho. A demonstrar o quanto é humano, e o quanto, nem sempre é responsável, compassivo ou humilde, e que também se irrita, se zanga, e faz birra. Não te sentes boa mãe nestes momentos, mas lidar com eles, faz parte da evolução do teu papel. 

 

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Não te sentes boa mãe, mas esqueces-te que não existem livros de instruções, que cada uma é tal como é, e faz o que sabe, como pode, de acordo com os recursos que tem e com as circunstâncias que a envolve naquele momento. Ninguém é perfeito. 

 

Não te sentes boa mãe porque gritas-te. Então, tenta não o fazer da próxima vez. Não conseguiste? Volta a tentar. O teu filho também não começou a caminhar de forma fluída a primeira vez que se pôs de pé! Ser mãe é um percurso interno, que cada uma vai fazendo à sua medida. É uma aprendizagem diária e constante. E também tu estás a aprender.

 

Não te sentes boa mãe e culpas-te com frequência pelo que querias ter feito e não conseguiste. É natural. Queres dar o melhor ao teu filho. Mas o que tentas, com o máximo de amor e honestidade, é suficiente. Ele sabe-o, mesmo que por agora, não o demonstre. És humana, lembraste?

 

Não te sentes boa mãe porque não conseguiste dar ao teu filho o que ele queria. Então, penso que também te podes questionar se esse bem material é assim tão importante. E se o que não conseguiste dar não era material, mas sim emocional, então, é porque ainda não estavas preparada para dar. É porque precisas de olhar mais para dentro de ti e trabalhar algumas sombras internas que ainda te perseguem. Quando estiveres preparada, vai em frente. Se não estiveres, o que podes fazer por isso? Contudo, e independentemente desta resposta, não te culpes. Ter essa consciência já é bom e...és humana, lembraste?

 

Não te sentes boa mãe, mas estás sempre a tentar ultrapassar-te, a tentar ser melhor de alguma forma em tantos momentos, a tentar dar o máximo de ti, a dar o que sabes, o que viste, o que vês, o que imaginas, o que pretendes... o que consegues e o que é possível! 

 

Não te sentes boa mãe, e assim cresces enquanto mãe. Atenta a ti própria. Ao que queres ser, onde queres melhorar. E ser mãe, também é isto. Ter dúvidas sobre o que se faz, sobre o que se é em determinados momentos, sobre o que se diz, sobre o que se transforma, sobre tantas opções no dia-a-dia.

 

Não te sentires boa mãe faz parte, mas também faz parte perceberes que ser mãe não se esgota na felicidade e satisfação constante, no amor permanente e eterno, na alegria total e na perfeição de todos os comportamentos e atitudes. Ser mãe, é mesmo isso, é ser pessoa, é ser mulher, é ser alguém que, com tudo o que é, um dia torna-se mãe e vai-se envolvendo e desenvolvendo, também assim, num todo tão vasto que é o percurso de uma vida.

Sou uma turista que navega pelo mundo da maternidade.

Há poucos dias estava sentada à mesa após um jantar em família absolutamente comum e estrondosamente maravilhoso por si só, e parei alguns minutos a observar a minha filha. 

 

Foi daqueles momentos em que involuntariamente o nosso corpo pára, a nossa força anímica mantém-se e o nosso pensamento cognitivo, continua. Viaja veloz e romanticamente para as nossas memórias essenciais e faz-nos transpirar de nostalgia e emoções positivas. 

Naquele breve momento, em que mergulhei profundamente nas sensações que o meu cérebro me transmitia por focar maternalmente os movimentos que a minha filha fazia e o que ia vocalizando, acabei por me aperceber que havia sido uma autêntica turista a navegar pelo mundo da maternidade, desde que a imaginei até aos dias de hoje. 

 

Turista, pois é como se visse tudo pela primeira vez, e a maravilha de o ver atentamente e de o sentir fulgorosamente, me transmitisse uma profunda sensação de bem-estar e completa felicidade. Claro, que tal como um turista, há coisas que vemos, e experiências às quais temos acesso que nem sempre nos satisfazem. E como estamos numa terra pouco conhecida por nós, acabamos por ter inúmeras dúvidas e questões que acabamos por nos colocar dia após dia.

 

Tal como num país cuja língua falada e escrita não compreendemos, o mesmo também acontece com os nossos filhos, até começarem a falar fluentemente. Nem sempre compreendemos o que tentam exprimir, e até falarem de facto, é uma autêntica descoberta por tentativa-erro. Muitas vezes isto traz-nos alguns dissabores. Determinadas mensagens não são compreendidas por uns e/ou bem transmitidas por outros, e o resultado da nossa interação acaba por não ser satisfatória para ambas as partes. Cada um, vendo a situação à sua maneira, e de acordo com a sua fase de desenvolvimento emocional.

 

A Navegar? Sem dúvida! Em determinados momentos, com a ondulação mais forte, o barco acaba por balançar mais intensamente, e muitas vezes, não sabemos bem onde nos havemos de segurar. Ótimo, por sua vez, ter alguém a meu lado que embora seja tão turista como eu, está no mesmo barco, e juntos, expressamos a essência de uma verdadeira equipa. 

 

O mundo da maternidade é mesmo isso: Um mundo! Não à parte, mas um mundo de novos conceitos, novas experiências, novos contextos, novas descobertas e novas sensações, que por vezes, podemos demorar um pouco mais a descobrir - tal como alguns turistas, que demoram até fazerem A viagem de suas vidas - mas quando descobrimos - tal como um turista quando ganha o gosto pelas viagens - não queremos outra coisa! 

 

Termos sido pais, embora que seja uma experiência muito subjetiva, é uma verdadeira viagem onde vamos tendo uma série de experiências para partilhar. E durante o percurso, e mesmo depois de vários carimbos no passaporte, acabamos por ter sempre algum país que ainda não visitámos, uma cidade que não explorámos como gostaríamos ou um local que ficou por descobrir. 

 

A motivação para a viagem, quando muito desejada, é uma máxima. E durante o percurso, para além de todas as aventuras, alegrias e realizações, também vamos ficando cansados, rabugentos, irritados e tendo alguns dissabores. Mas os momentos que nos permitem repor a nossa força anímica, e o que nos move, acabam por catalisar aquela sensação de frescura e energia radiante que se encontra subjacente às nossas expressões, fazendo-nos sentir que estamos exatamente onde deveríamos estar, e prevalecendo todos esses momentos maioritariamente positivos, aos menos positivos que se possam passar. 

 

 

Os dias passam e as horas correm. E por mais que viajemos, há algo que fica sempre por visitar. E Até podemos passar pela mesma viagem mais do que uma vez - tal como na maternidade, pode sempre vir o segundo, o terceiro ou o quarto - mas há sempre algo que fica por descobrir, e a segunda, acaba por nunca ser igual à primeira ou à terceira. 

Todas as viagens são únicas e inesquecíveis, seja pelos motivos que for. E há medida que os anos passam, acredito que mesmo que esta sensação vá passando, a minha filha irá constantemente lembrar-me de como essa mãe-turista que há em mim, perdurará e emergirá como reflexo do seu desenvolvimento. 

 

Não posso dizer que sou muito viajada, porque o meu passaporte tem, efetivamente, poucos carimbos. Mas posso firmemente afirmar que esta última viagem que iniciei, pelo mundo da maternidade, está a ser e tenderá a perdurar, como a viagem da minha vida. 

 

Tudo graças a ti, minha flôr.

 

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